=AEROPORTO
Arthur Hailey

***

UMA CONDENSAO DA OBRA DE Arthur Hailey

ILUSTRAES DE AL MUENCHEN

A neve caa, obliterando a viso, e uma pista vital estava
=bloqueada, quando o voo de luxo Golden Argosys partiu para
Roma.
Entre os passageiros do gigantesco jacto contavam-se um
comandante =snior, uma hospedeira sua namorada, uma velhinha
que viajava =clandestinamente e um homem com uma pasta, que
aparentava nervosismo. De =repente, o avio retrocedeu. E
ento, no campo de aviao =obstrudo pela neve, na torre de
controle, no cran de radar e no =ar, mos hbeis e crebros
treinados travam uma batalha para =arrancar o enorme avio
aos cus revoltos pela tempestade.

CAPTULO I

S seis e meia da tarde de uma sexta-feira de Janeiro, o
aeroporto =internacional de Lincoln, no Illinois, era varrido
por um temporal- tal =como toda a zona central do Oeste dos 
Estados Unidos -, devido  mais =violenta tempestade de 
Inverno dos ltimos seis anos. A tormenta =j durava h trs 
dias, e agora comeavam a surgir, =constantemente, situaes 
inquietantes no aeroporto.
Um camio de cattering da United Air Lines, com uma carga de 
duzentas =refeies, desaparecera, presumia-se que retido 
pela neve algures =dentro do permetro do aeroporto. O voo 
cento e onze da United - um =DC-8 directo para Los Angeles, 
que o camio de cattering iria =abastecer - estava j vrias 
horas atrasado em relao  =tabela. O problema do cattering 
atras-lo-ia ainda mais. Por =razes  procura daquele camio 
de cattering da United. J =deviam estar
despachados.
- Isso se tivssemos encontrado o camio.
- O qu, ainda no o localizaram? Que diabo esto vocs a 
=fazer?
- E ser que vocs, a empoleirados, fazem alguma ideia do 
que = estar c fora no campo?
Mel Bakersfeld estava ciente das precrias condies 
=existentes.
Ele prprio quase se perdera de caminho para uma inspeco 
=do
Centro de Manuteno da D
iso de Controle da Neve, no hangar
dos camies. Ali, o fatigado pessoal de limpeza da neve ia e 
=vinha
as suas fileiras engrossadas por carpinteiros, electricistas, 
=canalizadores, funcionrios dos escritrios e polcias, 
=retirados s suas funes
habituais no aeroporto at que a emergncia causada pela neve 
=fosse
ultrapassada. A remoo da neve da rea operacional do 
=aeroporto
equivalia  desobstruo de mais de mil quilmetros de =auto-
estrada.
O chefe de equipa dizia agora: - Tambm estamos preocupados 
com =aquele camio de cattering, Danny. O motorista pode 
morrer congelado =l fora.
O camio partira da cozinha em direco ao terminal principal 
=h quase duas horas. O seu trajecto levava geralmente quinze 
minutos =a percorrer. O despachante da United Air Lines 
mandara um grupo de =homens empreender uma busca, que 
resultara infrutfera, e em seguida =depositara o assunto nas 
mos da direco do aeroporto. Mel =disse: - O avio da 
United acabou por levantar voo sem as =refeies, no foi?
Farrow respondeu: - O comandante deixou a deciso aos 
passageiros. =Disse que era precisa uma hora para se arranjar 
outro camio, e que o =sol brilhava na Califrnia. Todos 
votaram a favor da partida.
Mel resistiu  tentao de assumir o comando e dirigir a 
busca =ao camio desaparecido. A aco teria um efeito 
teraputico. =O frio hmido causava-lhe dores no p ferido 
durante a guerra da =Coreia, pelo que mudou de posio, 
apoiando o peso do corpo sobre =o p saudvel. Danny estava a 
proceder correctamente - enviando =para os caminhos de 
circulao do aeroporto homens e mquinas =para remover a 
neve. Os parques de estacionamento ficariam por limpar, o 
=que iria suscitar muitas queixas. Mas o motorista 
desaparecido tinha de =ser salvo.
Danny utilizou o telefone vermelho para chamar o chefe de 
bombeiros de =servio no aeroporto. Fez-lhe um resumo da 
situao e e: - =Quando localizarmos o camio, mandem uma 
ambulncia l. Mas =no avancem enquanto eu no souber para 
onde. No remos ter que =vos desenterrar tambm. - O suor 
brilhava na ea calva de Danny. =Pela linha telefnica 
directa, Mel falou para o controle de =trfego areo e 
perguntou ao chefe da torre: - Que se passa com =aquele 707 
Intercontinental? - Nada de novo, ainda - respondeu o chefe 
=da torre. O comandante do 707, na rolagem para a pista, por 
entre a =neve, passara por engano  direita de uma luz azul 
de =sinalizao de igem, em vez de passar  esquerda. Num 
espao =de segundos o avio ficara profundamente atolado na 
pista trs =zero, e os desapontados passageiros estavam a ser 
ajudados a atravessar =a lama e a neve aos autocarros. - 
Temos uma quantidade de voos para =partir - continuou o chefe 
da torre. - Dez para iniciar a rolagem e uma =dzia  espera. 
Era uma clara demonstrao da urgncia na =construo de 
novas ias para o aeroporto. H trs anos que =Mel vinha 
insistindo na construo de uma pista paralela  =pista trs 
zero. Mas os membros Conselho de Administrao, =sujeitos a 
presses polticas, recusa- n a aprovao do seu =projecto. O 
pblico exigia mais zonas de estacionamento e no mais 
=pistas. Entretanto, o chefe da torre dizia: - Com a trs 
zero no =;racional, somos obrigados a encaminhar o trfego 
que descola ire =Meadowood, e j comeam a chegar queixas. 
Mel suspirou. Meadowood, =que confinava com o limite sudoeste 
aeroporto, fora edificada muito =depois da construo deste, 
mas seus habitantes queixavam-se =incessante e amargamente do 
rudo dos jactos. A imprensa fazia eco =dessas queixas, em 
azedas acusaes contra o aeroporto. A =administrao deste 
concordara que se Kedesse apenas a aterragens =e descolagens 
sobre Meadowood quando tal se tornasse inevitvel, e =que os 
jactos que levantassem na direco de Meadowood seguissem =os 
procedimentos de soluo de rudo. Embora os pilotos 
=considerassem tais procedimentos
perigosos, as companhias areas, conscientes da sua imagem 
=corporativa, haviam dado ordens para que os pilotos os 
adoptassem. Foi a =vez de Mel perguntar: - Quantas chamadas 
j tivemos? - Talvez umas =cinquenta que atendemos, fora as 
que no atendemos. E algumas foram =feitas para os nossos 
nmeros de
telefone que no esto registados nas listas. Sempre gostava 
de =saber
como  que eles conseguem obter esses nmeros. Expliquei que
temos problemas devido  tempestade e que uma das nossas 
pistas
no est operacional, mas no ligaram. E esta noite os 
pilotos =no
esto a seguir os procedimentos de reduo de rudo.
- Eu faria o mesmo, se fosse piloto. - Como  que algum, 
=interrogava-se ele, podia esperar que um piloto, com um 
temporal to =violento, reduzisse a potncia imediatamente a 
seguir  descolagem =e depois descrevesse uma volta apertada, 
tal como exigiam os
procedimentos de reduo de rudo? - H anos que 
=aconselhamos
as pessoas a no construrem casas em Meadowood - observou.
- Um dos meus homens informou-me de que h uma reunio de
moradores hoje  noite. Devem estar a preparar qualquer aco 
=legal.
- Bem, em breve o saberemos. O meu irmo est de servio
hoje  noite?
- Afirmativo. Keith est de servio no radar, nas 
=aproximaes
de leste.
As aproximaes de leste eram uma das funes mais =difceis 
na
torre. Incluam a superviso de todos os voos que entravam 
pelo =quadrante leste. Mel perguntou: - Keith revela sinais 
de =esgotamento?
Houve uma ligeira pausa. - Revela. Talvez mesmo mais do que  
=habitual.
O irmo mais novo de Mel tornara-se ultimamente uma fonte de 
=ansiedade para os dois homens. O chefe da torre observou: - 
Quem me dera =conseguir que ele encarasse as coisas mais 
calmamente. Mas estamos com =pouco pessoal e toda a gente 
est sob tenso.
- Eu sei. E agradeo-lhe o seu cuidado com Keith.
- Neste ofcio quase todos ns temos de enfrentar a fadiga de 
vez =em quando, e quando isso acontece tentamos ajudar-nos 
uns aos =outros.
- Obrigado - respondeu Mel. - Talvez passe por a mais tarde.
- Sim, Sr. Director - e desligaram.
O ??Sr. Director., era uma cortesia. Mel no tinha qualquer 
=autoridade sobre o controle de trfego areo, que prestava 
contas =apenas perante a Direco-Geral da Aeronutica, em 
Washington. =Mas as relaes entre os controladores e a 
direco do =aeroporto eram boas e Mel fazia os possveis 
para que assim se =mantivessem. Qualquer aeroporto era um 
intrincado complexo de =autoridades, e um director de 
aeroporto tinha de ser tambm um =diplomata.
Numa outra linha, Danny escutava o supervisor dos parques de 
=estacionamento, que estava a receber queixas de donos de 
carros =bloqueados. - Seria que quem mandava no aeroporto no 
sabia que =estava a nevar? E se sabia, por que diabo no 
tomava medidas para que =uma pessoa pudesse movimentar o seu 
carro, como era de seu direito?
- Diga-lhes que instaurmos uma ditadura - retorquiu Danny. A 
seguir, =o chefe da torre de controle telefonou a Danny. O 
ltimo boletim =meteorolgico previa uma mudana de direco 
de vento dentro =de uma hora; como tal implicaria uma mudana 
de pistas, o =funcionrio perguntava se seria possvel 
acelerar a limpeza da =pista um sete esquerda. Danny 
respondeu que ia falar com o supervisor da =Conga, a 
companhia proprietria das mquinas de remoo da =neve, e 
que em seguida informaria o chefe da torre.
Esta permanente tenso durava desde que comeara o nevo, 
=trs dias antes, e at quele momento fora possvel 
=enfrent-la, o que tornava ainda mais irritante um bilhete 
entregue a =Mel por um mensageiro m. acho que devo avisar-te 
comit para a neve =das companhias de transportes areos 
(pedido de vernon demerest... =porque  que o teu cunhado te 
detesta?) aprovou relatrio =considerando ineficiente limpeza 
neve pistas e caminhos de rolagem. =relatrio acusa aeroporto 
(ou seja tu) de atrasos avies... =tambm afirma 707 no 
teria atolado se caminho de rolagem limpo + =cedo... ests a 
ver, e onde ests? no um? salta da e compra-me =1 caf.
beijos
T.
O T correspondia a Tanya - Tanya Livingston, =agente de 
relaes pblicas junto dos passageiros da Trans =America e 
amiga ntima de Mel. Tanya tinha um preconceito contra 
=letras maisculas. Conseguira convencer o mecnico da Trans 
=America a tirar as maisculas da sua mquina de escrever. 
Houve =protestos por parte de algum nas altas esferas, 
falou-se em =prejuzos premeditados aos bens da companhia, 
mas Tanya conseguira =levar a melhor. Em geral,
conseguia.
O Vernon Demerest do bilhete era um dos comandantes senhores
da Trans America e, durante aquele perodo, membro do comit 
=para
a neve das companhias de transportes areos no Lincoln 
International, =que inspeccionava os caminhos de rolagem e as 
pistas.
Vernon era casado com a irm de Mel, Sarah, mas as relaes 
=entre
Mel e o cunhado, que aquele e outros consideravam vaidoso e
presunoso, no eram cordiais.
Recentemente Mel e Demerest, este ltimo em representao da 
=7?? ? Associao dos Pilotos de Linha Area, =tinham-se 
confrontado.
agressivamente durante uma reunio da Comisso da 
=Administrao do Aeroporto em que se discutia a venda de 
seguros =nos aeroportos.
Mel suspeitava de que o relatrio desfavorvel era uma 
=retaliao,
mas no ficou muito preocupado. No obstante, era uma 
=situao
desagradvel; todas as companhias receberiam cpias do 
=relatrio, e
no dia seguinte haveria telefonemas inquisitivos e 
memorandos.
Entretanto, o melhor que tinha a fazer era dirigir-se para o 
campo =de
aviao e observar o que se estava a passar. De caminho, ao 
=passar
no terminal, podia dar um salto  Trans America para ver 
Tanya.
Mel usou o elevador privativo, accionado apenas com uma chave
mestra, para descer  sobreloja, onde se situavam os servios 
' =administrativos. O seu escritrio estava silencioso, com 
as =secretrias
limpas e as mquinas de escrever cobertas. Entrou no 
compartimento '; =interior e vestiu o casaco de Inverno e as 
botas forradas de =plo.
Durante a maior parte dos ltimos trs dias de tempestade 
=permanecera no aeroporto, disponvel para todas as 
emergncias. =No fosse a
tempestade e estaria em casa, com Cindy e as crianas.
Mas estaria de facto? Ultimamente parecia que no estar em 
casa
se tornara o seu padro de vida. O seu trabalho 
proporcionava-lhe
numerosas justificaes, mas possibilitava tambm uma fuga 
=s
incessantes discusses com Cindy.
Relanceou uma mensagem deixada pela secretria recordando-Lhe
que nessa noite a mulher organizava mais uma daquelas 
enfastidiosas
sesses de caridade. Relutantemente, Mel acedera a estar 
presente =a
um cocktail e a um jantar num hotel. Ignorava o que a mulher
entendia por caridade. Na opinio de Cindy, o nico padro do 
=valor
de uma causa consistia na proeminncia social dos membros da
comisso que a defendia.
Podia ainda chegar a tempo ? festa depois de inspeccionar o 
=campo, barbeando-se e mudando de fato no seu gabinete. No 
obstante, =era melhor avisar Cindy. Ligou para casa e foi 
Roberta, a sua filha mais =velha, quem atendeu o telefone.
- Ol - disse Mel. -  o teu velhote.
Chegou-lhe aos ouvidos a voz fria de Roberta. - Sim, j sei.- 
Mel =suspirou. Aconteceria isto a todos os pais este abrupto 
corte de =comunicao com as suas filhas de treze anos? H 
menos de um =ano pareciam um pai e uma filha profundamente 
ligados. E de facto o seu =casamento sobrevivia ainda 
exclusivamente devido a Roberta e a Libby, =sua irm mais 
nova. Sempre imaginara que, como Teenager, Roberta =criaria 
plos de interesse que ele no poderia compartilhar; era a 
=indiferena dela que ele no previra. Tambm calculava que o 
=conflito entre ele e Cindy no ajudava  situao.
- A me est em casa? - perguntou.
- Saiu. O pai ficou de ir ter com ela  cidade.
- Se ela telefonar, diz-lhe que estou atrasado. - Fez-se 
silncio, e =Mel perguntou: - Ouviste o que eu disse?
- Ouvi. A Libby quer falar consigo.
A seguir, a voz ofegante de Libby: - Pai! Pai! Adivinhe!-
Aos sete anos, Libby estava sempre ofegante.
- No consigo adivinhar. Tens que me dizer.
- Miss Curson mandou-nos escrever como trabalho de casa todas 
as coisas =boas que pensamos que vo acontecer no ms que 
vem. O pai =ajuda-me? Quero um mapa de Fevereiro.
Mel sorriu, ao ocorrer-lhe que tambm lhe faria jeito 
programar o =ms de Fevereiro.
- H um calendrio na minha secretria, no escritrio - 
=disse. Ouviu os ps dela a correr, o telefone j esquecido. 
Mel =calculou que
fora Roberta quem o desligara sem rudo.
MEL saiu em direco  sobreloja dos executivos e observou a 
=apinhada sala de espera. Todos os lugares estavam ocupados e 
os =quiosques de jornais e balces de informao 
apresentavam-se =cerca- dos por multides. As bichas que se 
formavam em frente dos =balces de passageiros contornavam as 
esquinas e prolongavam-se a =perder de vista. Os vendedores 
de bilhetes e os supervisores, =coadjuvados por colegas 
retidos de turnos anteriores, tinham horrios =e cupes de 
bilhetes espalhados  sua frente como pautas de =orquestra. 
Os atrasos e a reprogramao de rotas representavam um 
=desafio ao planeamento de horrios e  pacincia humana.
Mel desceu  sala de embarque principal e dirigiu-se ao 
terminal da =Trans America. Um supervisor uniformizado veio 
ao seu encontro. - Boa =tarde, Mr. Bakersfeld. Est  procura 
de Mrs. Livings- ton - O que =quer dizer que j se fala, 
pensou ele.
- Estou - respondeu.
O supervisor apontou para uma porta onde se lia ??Admisso 
=reservada ao pessoal da companhia". - Est l dentro. 
Tivemos um =pequeno problema.
NUM gabinete privado, uma rapariga nova, envergando o 
uniforme de =vendedor de bilhetes da Trans America, soluava, 
histrica, =enquanto Tanya a fazia sentar numa cadeira.
- Esteja  vontade - disse Tanya. - Quando estiver mais calma 
=falamos.
Tanya sentou-se tambm. A jovem no parecia ter mais de vinte 
=anos. Embora estivesse apenas no final dos trita, ao 
observar a =rapariga, Tanya sentiu que as separava uma 
diferena de idades =superior  real. Talvez como resultado 
do seu breve casamento e =devido ao facto de ter uma filha. 
J era a segunda vez naquele dia =que tomava conscincia da 
sua idade. A primeira vez fora quando, ao =pentear o cabelo 
de manh, notara o aumento de fios cinzentos por =entre o 
ruivo flamejante. O que Lhe lembrara que os quarenta anos, 
=altura em que uma mulher j devia saber para onde ia estavam 
mais =prximos do que ela gostaria. A jovem, de nome Patsy 
Smith, limpou os =olhos congestiona- dos com um leno que 
Tanya lhe fornecera e falou =com dificuldade.- L na terra 
deles no eram to mesquinhos e =grosseiros.
- Alguns so. Mas estou de acordo em que todos os homens se 
comportam =como brutos quando os seus planos de viagem so 
alterados.
- Eu estava a trabalhar com a melhor das boas vontades. Hoje, 
todo o =dia, e ontem e anteontem. Mas aquele homem! At esse 
momento no =tive problemas...
Mel Bakersfeld bateu  porta, entreabriu-a e disse a Tanya:- 
Posso =voltar mais tarde.
Ela soma. - Fica. Esta  Patsy Smith, este  Mel Bakersfeld. 
=No se importa, Patsy? - Patsy abanou a cabea em sinal de 
=concordncia e Mel sentou-se. * ?
?3
- Vamos l ver, que foi que aconteceu ao certo? - perguntou 
=Tanya.
- Bem, aquele passageiro tinha um bilhete para o voo setenta 
e dois, que =foi cancelado. Arranjmos-Lhe um lugar no cento 
e catorze e ele =perdeu o voo. Alegou que estava na sala de 
jantar e no ouviu a =chamada.
- As chamadas para os voos no so feitas na sala de jantar- 
=observou Tanya. - H um grande cartaz de aviso, e tambm h 
=avisos nos menus.
- Eu expliquei-Lhe isso, mas ele estava irritado, como se 
fosse por =minha culpa que tivesse perdido o voo. Arranjei-
Lhe um lugar no dois mil =cento e vinte e dois. Ele quis 
saber qual era o filme que iam passar, e =quando eu o 
informei disse que j o tinha visto. Perguntou- -me se eu 
=lhe podia arranjar um voo com outro filme. Nessa altura 
rebentei. =Atirei-Lhe com o horrio e disse-lhe que 
arranjasse ele o voo - =concluiu Patsy, com ar contrito.
- S espero que lhe tenha acertado com o horrio - disse 
=Tanya.
A rapariga esboou um sorriso. =3D,? ! Acertei ! E =depois.
- J sei. No aguentou mais, o que  perfeitamente natural. 
=Por
isso agora vai meter-se num txi e vai para casa.
- Quer dizer... s assim? No me despede?
- Podamos ser obrigados a faz-lo, Patsy, se voc repetisse 
a =? graa. Mas como isso no vai acontecer, ponto final no 
=assunto.
Talvez queira ouvir o que aconteceu depois de voc sair. Um
passageiro que estava na bicha disse-nos que se o tipo 
tivesse =falado
com uma filha dele como falara consigo lhe teria esmurrado a 
cara. E =5
deixou-nos o nome e morada. - E Tanya prosseguiu, somndo:-
Por isso, como v, ainda h pessoas simpticas. A nossa 
=funo 
tratar todos da mesma forma, com delicadeza, mesmo quando os
passageiros no o merecem.
- Sim, Mrs. Livingston - respondeu Patsy. _
Tanya concluiu que Patsy ia recuperar do abalo. Parecia 
possuir a I =resistncia necessria para lidar com o pblico 
viajante. Na =cidade ? nas reservas as presses deviam ser 
ainda mais =fortes. Os funcion-
rios j deviam ter feito milhares de telefonemas a avisar os 
=passageiros das alteraes nos voos, e estes eram 
invariavelmente =desagradveis, desabridos mesmo. Por 
qualquer razo, tal facto era =notrio nos
voos para Nova Iorque. Havia mesmo funcionrios que se 
recusavam
a avisar por telefone os passageiros com destino quela 
cidade de =que
havia atrasos, tal era a certeza de ouvirem uma chuva de . 
=improprios.
Tanya preencheu um voucher e entregou-o a Patsy.
- Entregue isto ao encarregado dos txis, Patsy. Descanse 
esta
noite, que amanh c a esperamos, feliz e contente.
Quando a rapariga saiu, Mel levantou-se com um sorriso para
Tanya. - Ol! Vim agradecer-te o bilhete. - Fez um gesto na
direco de Patsy e acrescentou: - Eu tambm estou cansado. 
=Que
tal mandares-me para casa num txi?
Tanya fitou-o, numa interrogao. Os seus olhos - de um azul-
-claro e brilhante - eram directos.
- Vou pensar nisso - respondeu. - Na condio de o txi ir
para minha casa e de me deixares cozinhar-te o jantar!
- Quem me dera! Mas temos problemas por aqui, e depois
tenho que ir  Baixa. Vamos tomar um caf. ? Abriu-Lhe a 
=porta, afastou-se para a deixar passar e seguiu-a at  
?=ala de espera transbordante de azfama. Enquanto abriam 
caminho por =entre a multido, Tanya reparou que Mel coxeava 
mais do que =habitualmente. Apeteceu-lhe dar-lhe o brao e 
ajud-lo, mas =considerou prefervel reprimir o desejo. Viam-
nos muitas vezes =juntos, e Tanya tinha a certeza de que a 
mquina de boatos do =aeroporto j tomara nota do facto. 
Dirigiram-se  Cloud's Captain =Coffee shop. - Acerca desse 
jantar, no poderamos marc-lo =para amanh, por exemplo? - 
perguntou Mel.
O convite surpreendera-o. Haviam jantado juntos vrias vezes, 
mas ela =nunca sugerira um jantar em sua casa. Sentindo que a 
situao =comeava a evoluir, reagiu cautelosamente. Podia 
criar-se uma =ligao afectiva que ele no se sentia 
preparado para =enfrentar, em virtude dos seus problemas com 
Cindy. De qualquer modo, o =convite era demasiado tentador 
para ser ignorado.
- Depois de amanh  domingo - fez ela notar. - Mas eu estou 
de =folga, e se te der jeito, tenho mais tempo.
. - Est bem. - De qualquer forma, teria de vir ao aeroporto. 
E Cindy =saa muitas vezes sem explicar o motivo.
Quando entraram no coffee shop, o chefe de mesa dirigiu-os  
frente =de outros para uma mesa com um dstico de 
??Reservado?=., frequentemente usada pelos funcionrios do 
aeroporto.
- J viste maior multido? - perguntou Tanya.
- Espera at veres o que acontece quando a verso civil do C-
5 A =entrar em aco.
Tanya estremeceu. - Um milhar de passageiros a precipitarem- 
-se ao =mesmo tempo sobre um balco de check-in e a recolher 
a bagagem. Nem =quero pensar nisso.
- As pessoas que dirigem o aeroporto e o trfego areo tambm 
=no querem, e actuam como se os jactos de agora fossem 
eternos. Na =sua maior parte as construes feitas nos 
aeroportos no passam =de remendos, e no existe qualquer 
planeamento antecipa- do.  =claro que h algumas excepes: 
Los Angeles, Tampa, Dallas- =-Forth Worth, Kansas City, 
Houston. Mas em Nova Iorque a situa- =o  assustadora; no 
h, pura e simplesmente, espao =areo suficiente. O National 
de Washington e o Dulles exemplificam =bem a situao.
- Estou a lembrar-me - retorquiu Tanya - da altura em que os 
primeiros =jactos comearam a operar em aeroportos concebidos 
para os DC-4  =Constellations. Costumvamos dizer que era 
como s? =estivssemos a tentar meter o oceano numa cova de 
areia.
- Na dcada de setenta a situao vai ser ainda mais grave. O 
=cerne da questo, que a maior parte dos planeadores no 
conseguiu =ainda captar,  que caminhamos para uma poca em 
que os =fretamentos areos se vo sobrepor ao trfego de 
passageiros. E =quando isso acontecer, muitos dos nossos 
aeroportos vo tornar-se =obsoletos.
Apareceu uma criada, a quem encomendaram caf e torradas. 
Quando ela =se afastou, Mel disse: - Parece que comecei a 
fazer um discurso. =Desculpa.
- Precisas de praticar. No tens feito muitos ultimamente.
- No, j no sou presidente do Conselho de Operaes do 
=Aeroporto.
A aproximao entre Mel e Tanya devia-se a um discurso que 
ele =fizera numa reunio intercompanhias areas sobre os 
progressos que =a aviao sofreria e o atraso da organizao 
de terra; fora =uma espcie de teste para um discurso que ele 
deveria fazer numa =assembleia a nvel nacional. Tanya, que 
fazia parte da =delegao da Trans America, enviara-lhe no 
dia seguinte um =bilhete: mr. b. belo disc. aplausos escravos 
terra pla sua admisso q =polcos aerop. ressonam seus 
gabinetes. aceita sugesto? maior =eficienc. se menos tcnico 
mais humano. passageiros interessados si =prprios no 
sistema.
Ele revira o discurso  luz da sugesto de Tanya e o 
resultado =fora a melhor conferncia que at ento proferira. 
Telefonara a =agradecer-lhe e a partir de ento tinham 
comeado a ver-se.
Esta evocao f-lo recordar-se do bilhete que ela Lhe 
enviara =naquela tarde. - Obrigado pela informao sobre o 
relatrio do =comit para a neve.
- Foi dactilografado nos nossos escritrios. Vi Demerest a 
soar =enquanto o relia. A propsito, porque  que ele 
antipatiza =contigo?
Mel contorceu o rosto num esgar. - Penso que sabe que no 
gosto =dele.
- Se quiseres podes dizer-lhe isso agora - sugeriu ela 
apontando para o =balco da caixa, onde Demerest pagava a 
conta. Demerest ?'a =alto, possuidor de uma figura atraente, 
e no obstante usar um casaco =de tweed e calas de desporto 
conseguia transmitir uma sensao =de autoridade - como um 
general do exrcito  civil. Enquanto se =dirigia a um 
comandante de quatro estrelas em uniforme, o seu rosto 
=mantinha-se fechado, sem um sorriso. Ao ver Mel e Tanya, 
dirigiu-lhes =uma breve inclinao de cabea e saiu.
Tanya comentou: - Vai levar o voo dois, o Golden Argosy, para 
Roma, hoje = noite.
O Golden Argosy era o aparelho querido da companhia, que 
aparecia =anunciado por todo o pas.
- Segundo parece,  da opinio geral que Vernon  um dos 
=melhores pilotos em funes - declarou Mel.
- Sem dvida. - Tanya teve uma hesitao. - Mas no s o 
=nico que no gosta dele. Ouvi um dos nossos mecnicos 
lamentar =que j no existissem hlices, porque gostaria de 
ver o =comandante Demerest ser apanhado por um.
Mel respondeu bruscamente: - Isso  que  selvajaria!
A criada trouxe as torradas e o caf pedidos. Tanya disse 
ento: - =Prefiro o que diz Mr. Youngenist, o nosso 
presidente: Conservem esse =tipo longe da minha vista, mas 
arranjem-me lugar nos voos dele.???
Mel soltou uma risada. Do outro lado da mesa, Tanya alisou a 
saia com um =gesto simultaneamente rpido e feminino. Era uma 
das poucas mulheres =que conservavam um ar feminino mesmo de 
uniforme. Como se lesse os =pensamentos dele, declarou: -  
possvel que dentro em pouco deixe =de usar uniforme. O nosso 
director distrital de trfego vai ser =transferido. O 
assistente dele vai ser promovido, e eu apresentei um 
=requerimento para o substituir. No tenho bem a certeza se 
quero ser =uma executiva, mas, quando no se est satisfeito 
com o emprego, a =nica sada  para cima.
- Ests a excluir o casamento?
- No h assim tantos candidatos aceitveis que se disponham 
a =receber uma mulher com uma criana. Os homens apreciam as 
mulheres =disponveis. Pergunta a Roy, o meu ex-marido. Isto 
no caso de o =encontrares, coisa que eu nunca consegui.
- Ele deixou-te depois do nascimento do beb?
- Que ideia! Se assim fosse, Roy teria tido seis meses de 
=responsabilidades. Acabei por dizer-lhe que estava grvida 
numa =quinta-feira, e na sexta-feira, quando cheguei a casa, 
a roupa dele =desaparecera. Ele tambm. Pelo menos, 
simplificou o divrcio:
por desero. Mas sejamos justos - continuou com um sorriso-
Roy no esvaziou a nossa conta conjunta no banco. Fiquei com 
a
mdica quantia de oitenta dlares s para mim.
Numa mesa prxima, um homem disse em voz alta: - Olhem s
que horas so!
Mel consultou o relgio. J haviam passado trs quartos de 
=hora
desde que deixara Danny na Diviso de Controle da Neve. Disse
ento: - Espera enquanto fao uma chamada.
Pagou a conta na caixa e depois ligou para a Diviso de 
Controle da =Neve.
A voz de Danny atendeu: - Aguenta a =3D e depois tomou a 
falar. - =Acabo de receber um relatrio do 707 atolado. Ainda 
no =conseguiram mover o avio, mas j mandaram chamar Joe 
Patroni.
Joe Patroni, chefe de manuteno da TWA no aeroporto, era um 
=expedito nato, mas vivia em Glen Ellyn, a quarenta 
quilmetros do =aeroporto, e mesmo em condies ideais o 
trajecto demorava uns =quarenta minutos.
- Se algum  capaz de remover esse avio esta noite, esse 
=algum  Joe - concordou Mel. - Entretanto, precisamos 
urgente- =mente da pista trs zero.
-  isso que Lhes tenho estado a dizer. Ah uma notcia boa, 
=encontrmos o camio de cattering da United. O motorista 
estava =desmaiado debaixo da neve. O motor estava a trabalhar 
e havia =monxido de carbono, mas aplicaram um inalador ao 
tipo. Vai ficar =fino.
- ptimo! Vou para o campo. Contacto contigo pelo rdio.
Ao sair do coffee shop com Tanya, cruzou com um vendedor de 
bilhetes da =Trans America que entrava. - Ah, Mrs. 
Livingston, o D.D.T. anda  sua =procura. - O D.D.T. era o 
director distrital de trfego. - Tem um =problema, uma 
clandestina no voo oitenta de Los Angeles. Diz que  =uma 
canadiana e quer que a senhora resolva o assunto. - E 
afastou-se com =um aceno amigvel. ? Tanya acompanhou Mel at 
ao elevador =que o conduziria  garagem na cave, onde ele 
tinha o automvel. - =Vou tentar passar por l antes de me ir 
embora, para saber novas da =nossa clandestina - disse ele. - 
 um bom pretexto para te ver de =novo esta noite.
As suas mos tocaram-se, e Tanya disse suavemente: -  pre- 
co um =pretexto? - Durante a descida no elevador, ele sentia 
ainda calor e a =suavidade da mo dela e ouvia a sua voz.

CAPTULO II

?OE Patroni, um homem entroncado e com ar confiante, sara de 
=arro da sua casa estilo rancho uns vinte minutos antes. 
Naquele =momento, o seu Buick Wildcat estava parado no meio 
de um monstruoso =engarrafamento, que se estendia a perder de 
vista.
 volta de Joe Patroni haviam-se tecido ?rias lendas. =J 
mecnico de avies, estudara em escolas nocturnas. Depois 
=tomara-se mecnico de primeira e por fim encarregado de 
equipa, e o =seu pessoal conseguia mudar um motor mais 
rapidamente do que o =construtor afirmava ser possvel.
Um dia, Joe saiu do trabalho e, sem dizer nada a ningum, 
seguiu de =avio para Nova Iorque, levando consigo m 
embrulho. Dirigiu-se aos =escritrios centrais da TWA e, sem 
se fazer anunciar, atravessou =filas de secretrias e entrou 
no gabinete do presidente. Abriu o =embrulho e depositou um 
carburador oleoso e desmontado sobre a =secretria do 
apopltico presidente. E disse-lhe: - Se quiser =perder 
alguns avies em voo, expulse-me daqui. Se no quer, =oia-
me.
O presidente ouvira-o, aps o que mandara chamar o vice- -
presidente =da Seco Tcnica, o qual deu ordem para que se 
procedesse a =uma modificao mecnica no sistema de degelo 
do carburador em =voo, modificao essa pela qual Patroni 
vinha a suplicar h =meses sem qualquer xito. Patroni foi 
promovido e, alguns anos mais =tarde, tornou-se chefe de 
manuteno do Lincoln International. =Sempre que surgia um 
trabalho difcil, passava-se palavra: ??=Chamem o Joe 
Patroni."
Nesta altura, ao ser chamado ao aeroporto, sua mulher, Marie, 
uma =ex-hospedeira que ele amava profundamente, arranjara-lhe 
algumas =sanduches, uma das quais ele viera a mordiscar 
durante o acidentado =trajecto. Consultou o relgio. Os 
automveis  sua frente =estavam parados h j vrios 
minutos, e no havia trfego =em sentido contrrio. Joe puxou 
para a cabea o capuz da sua =parka, pegou na sua lanterna, 
saiu do automvel e avanou =penosamente, lutando
contra a neve e o vento.
 sua frente comeou a vislumbrar luzes de faris e silhuetas 
=de
pessoas que ora se juntavam, ora se afastavam. Iluminada por 
luzes
vermelhas intermitentes sobressaa uma sombra maior e mais 
=escura.
Era um tractor de reboque de dezoito rodas, virado de lado no 
meio
da estrada. Dois carros da Polcia Estadual encontravam-se no 
=local
e os agentes interrogavam o condutor. Um camio de reboque, 
com
um farol rotativo sobre o tejadilho a faiscar, parou do lado 
oposto, e o =condutor saiu, abanando a cabea ao ver as 
dimenses do =tractor.
Acotovelando os circunstantes, Joe avanou. Acendeu o seu 
charuto =ritual e bateu levemente no ombro de um agente: - 
Oia l, amigo, =com um reboque s no vai conseguir deslocar 
esse monstro. So =precisos mais dois: um aqui, para 
empurrar; dois  frente, para =puxar. - Contornou o enorme 
veculo, fazendo incidir sobre ele a sua =lanterna a fim de o 
inspeccionar sob vrios ngulos. O charuto =agitou-se na sua 
boca. - Os dois camies podem ser amarrados em =trs pontos. 
Puxam primeiro, e mais rapidamente, a cabina do =condutor. 
Depois...
- Aguente a. - O agente da Polcia chamou outro oficial.- 
Est =aqui um tipo que parece perceber do assunto.
Dez minutos mais tarde, Joe dirigia a situao. Por meio do 
=rdio tinham sido requisitados mais dois reboques, e o 
condutor do =primeiro reboque, sob a direco de Joe, estava 
a amarrar =correntes aos eixos do tractor de reboque. A 
situao deixara de =ser um impasse para comear a ser 
resolvida, com a eficincia e =rapidez que eram apangio de 
Joe. Por meio do seu radiotelefone, Joe =informou o aeroporto 
que estava atrasado e transmitiu as =instrues que pde 
sobre a pista trs zero.
No seu veculo de circulao interna do aeroporto, cor 
amarelo- =-mostarda e equipado com rdio, Mel saiu da garagem 
da cave, e no =mesmo instante foi envolvido por um turbilho 
de vento e neve, que =fustigou furiosamente o pra-brisas. 
Imediatamente  sua frente, =os avies aguardavam nos 
terminais, sobre a placa. Atravs da neve =que caa, Mel via 
os interiores iluminados onde se sentavam os =passageiros. 
Mais adiante distinguiam-se formas difusas e luzes de 
=navegao de avies chegados h pouco, estacionados nas 
=raquettes de espera e prontos a avanar para os respectivos 
terminais =logo que se verifica-se uma vaga. O emissor-
receptor de Mel crepitou. - =Eastern Dezassete, e - disse a 
voz de um controlador -. Est =autorizado para a a dois 
cinco. Mude de frequncia para obter a sua =autorizao de
Ouviu-se um rudo de esttica: - Eastern Dezassete. Roger.
Ouviu-se uma voz mais forte e mais spera: - Controle solo, 
pan =America cinquenta e quatro no caminho de rolagem 
exterior para e dois =cinco. Est um Cessna particular  
minha frente. Estou pendurado =nos traves para me manter 
atrs.
- Pan America cinquenta e quatro, stand by. - E aps uma 
curta pausa: =- Cessna setenta e trs metro, controle solo. 
Entre na prxima =interseco  direita, espere e deixe 
passar o Pan Am.
Surpreendentemente, foi uma voz feminina que respondeu:- 
Controle solo, =Cessna setenta e trs metro, Estou a voltar. 
Pode avanar, Pan Am; =seu valento.
Seguiu-se uma risada. - Obrigado, amor. Pode pr bton 
enquanto =espera.
A voz do controlador soou rspida: - Torre a todas as 
aeronaves. =Limitem as vossas mensagens a assuntos de 
trfego.
Mel percebeu que o controlador estava irritado. Quem no 
estaria? =Preocupado, lembrou-se de Keith, seu irmo. Quando 
a troca de =mensagens terminou, premiu com uma pancada o 
boto do seu microfone: =- Controle solo, mvel um. Prossigo 
para a pista trs zero.
- Mvel um, torre. Roger. Siga o DC-9 da Air Canada que est 
a =sair do terminal  sua frente. Espere na proximidade da 
pista dois =um.
Seguindo atrs do avio da Air Canada, Mel observava os 
=veculos com equipamento de degelo que rodeavam os avies 
=estacionados. Nessa noite viam-se inmeras girafas - camies 
com =plataformas altas e manobrveis na extremidade de braos 
de =ao. Sobre essas plataformas, o pessoal de servio 
limpava a neve =das asas dos avies e aplicava-lhes um spray 
de glicol a fim de =retardar a formao de gelo.
As luzes da cauda do Air Canada moveram-se em frente de Mel, 
que pelo =espelho retrovisor distinguia atrs de si a sombra 
de um jacto maior. =O controlador avisou: - Air France quatro 
zero quatro, h um =veculo de terra do aeroporto entre si e 
o Air Canada.
Depois de conseguir afastar-se do resto dos avies que 
rolavam
Mel demorou um quarto de hora a chegar  interseco onde a 
=pista
trs zero estava bloqueada. Parou, saiu do automvel e viu 
uma
figura que o chamava por entre o vento que uivava: - Mr. 
Patroni!
Respondeu: - No. Sou Mel Bakersfeld. Mas Joe est a chegar.
- Ainda bem! J tentmos tudo quanto podamos. - Fez um
gesto em direco ao avio, uma sombra gigantesca atrs 
=deles.-
Est enterrado e bem enterrado. O meu nome  lngram, Sr. 
=Director,
sou o chefe de manuteno da Intercontinental.
Os dois homens abrigaram-se sob a asa do 707 atolado, onde 
uma =lmpada vermelha de sinalizao piscava ritmicamente.
Sobre a pista comprimiam-se escavadoras, um camio de 
combustvel, =dois autocarros de transporte de pessoal e um 
ruidoso gerador. Os =passageiros haviam sido conduzidos ao 
terminal; apenas o comandante e o =co-piloto haviam 
permanecido no aparelho. O chefe de equipa explicou: - =J 
pusemos os motores a trabalhar por duas vezes. O comandante 
=deu-lhes a potncia mxima que ousou, mas o avio pareceu 
=enterrar-se ainda mais. Est a parecer-me que vamos precisar 
de =guindastes pesados, macacos e talvez sacos pneumticos 
para erguer as =asas, e para isso vamos ter de esperar at 
que amanhea. Isto vai =levar quase o dia todo de amanh.
Mel respondeu rispidamente: - No pode sequer levar toda a 
noite de =hoje. Esta pista tem de ser desimpedida..
Interrompeu-se bruscamente percorrido por uma tremura to 
intensa que =ficou sobressaltado. Fora inesperado e 
arrepiante. ??Que se =passa???, disse a si prprio, numa 
tentativa de se =tranquilizar. ??Foi do tempo. ??
Do lado oposto do campo ouvia o troar das turbinas. Elevavam- 
-se num =crescendo, diminuindo em seguida quando o avio 
levantava. Seguia-se =outro e mais outro. Daquele lado tudo 
parecia correr bem, mas por um =brevssimo instante ele 
tivera um pressentimento, a sensao de =uma catstrofe 
iminente. Um director no pode deixar-se =influenciar por 
pressentimentos, mas uma vez, h muito tempo, =experimentara 
a mesma sensao de catstrofe. E lembrava-se bem =dela.
- Vamos para o meu carro - disse a Ingram. - Vou ligar o 
rdio e ver =o que se est a passar.
Como deixara o aquecimento ligado, o automvel permanecia 
=confortavelmente quente. Mel ligou o rdio na frequncia da 
=manuteno do aeroporto.
- Diviso de Neve, mvel um. Danny, estou na interseco 
=bloqueada da trs zero. V o que h sobre Joe Patroni. 
=Over.
No receptor, a voz de Danny soou tensa: - Mvel um, Diviso 
de =Neve. Assim farei. A tua mulher telefonou, Mel.
- Diviso de Neve, mvel um. Liga para ela, Danny, se fazes 
favor, =e diz-lhe que infelizmente estou atrasado. Mas 
verifica primeiro o que =h sobre Patroni.
- Entendido. Stand by. - O rdio calou-se.
Ingram apontou para o cockpit iluminado do jacto enterrado.- 
Da =prxima vez, aquele comandante vai estar mais atento s 
luzes de =sinalizao. Sabe para onde ia este voo? Para 
Acapulco, imagine. =Tudo pronto e de repente tudo c para 
fora, com este tempo! Havia de =ter ouvido os passageiros!
O rdio crepitou de novo: - Mvel um, Diviso de Neve - era 
=Danny. - Patroni est retido ?um engarrafamento. Demora pelo 
=menos mais uma hora. Disse para no enterrarem o avio mais 
do que =j est. Era melhor a Intercontinental interromper 
at ele =chegar.
Ingram acenou em concordncia e Mel respondeu: - OK. 
Esperamos.
- Estamos a reunir mais pessoal de terra para ajudar. E, Mel, 
a tua =mulher voltou a telefonar. - Danny hesitou, ciente de 
que havia mais =pessoas a ouvir. - Era melhor telefonares-lhe 
logo que possas. - O que =significava, pensou Mel, que Cindy 
fora mais desagradvel do que =habitualmente.
Ingram apertava o casaco. - Obrigado pelo calorzinho - e saiu 
para o =vento e para a neve, fechando rapidamente a porta. 
Mel comunicou a Danny =que ia dirigir-se  conga, na pista um 
sete esquerda. la verificar =pessoalmente se o contedo do 
relatrio de Demerest era verdadeiro =ou apenas fruto do 
rancor.
O comandante Vernon Demerest dirigia o seu Mercedes para um 
grupo de =blocos de apartamentos onde residiam muitas das 
hospedeiras do Lincoln. =Os apartamentos, conhecidos pelo 
nome de ??ninhos de =hospedeiras?? e em geral compartilhados 
por duas ou trs =raparigas, eram frequentemente palco de 
festas animadas entre =hospedeiras e os seus colegas de 
aviao. As hospedeiras, bem como =os pilotos, haviam 
conseguido os ambicionados postos por serem os =melhores e os 
mais inteligentes; saboreavam a vida com avidez e =apreciavam 
a companhia uns dos outros.
Demerest dirigia-se para o apartamento de Gwen Meighen, uma 
atraente =morena de origem inglesa que viera para os Estados 
Unidos dez anos antes =com a idade de dezoito anos. Mais 
tarde, nessa mesma noite, Gwen seria a =chefe de cabina do 
Golden Argosy. No termo da viagem, a tripulao =faria uma 
escala de trs dias, enquanto uma outra tripulao =j em 
Itlia, traria o avio de regresso ao Lincoln. Vernon e =Gwen 
iriam fazer umas frias de dois dias em Npoles.
Demerest chegara cedo ao aeroporto depois de se ter despedido 
de sua =mulher, Sarah, que lhe desejara calmamente uma boa 
viagem. Sabia que, =apenas ele sasse, ela mergulharia nos 
seus clubes e no seu bridge. A =serenidade de Sarah era uma 
qualidade que com o decorrer dos tempos ele =passara a 
aceitar e at a valorizar. Tinha a certeza de que, embora 
=suspeitasse das suas aventuras, ela preferia ignor-las.
Demerest conduziu o Mercedes para o parque de estacionamento. 
Enquanto =entrava no edifcio e chamava o elevador, 
cantarolava O Sole Mio. =Npoles!. . Uma noite quente, a 
vista sobre a baa,  luz das =estrelas, e Gwen a seu lado...
E o voo para Roma no apresentava dificuldades. Embora fosse 
a =comandar o Golden Argosy, pouco trabalho teria que 
executar, uma vez que =ia fazer o voo como verificador. Um 
outro comandante de quatro estrelas, =Anson Hams, que possua 
quase a mesma antiguidade de Demerest, =ocuparia o lugar de 
comandante,  esquerda. Demerest sentar-se-ia do =lado 
direito - no lugar do co-piloto -, de onde fiscalizava a 
=actuao de Hams. Este pedira a transferncia dos voos 
=domsticos da Trans America para os internacionais, para o 
que =deveria efectuar dois voos transatlnticos com um 
comandante de linha =de longo curso que possusse 
qualificao de instrutor. =Seguidamente, e antes de ser 
aceite como comandante de linhas =internacionais, seria 
submetido a uma verificao final perante um =instrutor 
snior.
Tais verificaes, bem como as peridicas verificaes 
=semestrais, eram verdadeiras sesses de preciso, o que 
=correspondia s exigncias dos prprios pilotos, uma vez que 
=estavam em causa a segurana do publico e o seu nvel de 
=profissionalismo. No obstante, os comandantes seniores em 
voos de =verificao eram tcatados
los seus colegas,  excepo de Demerest, com uma extrema 
=cortesia. Este tratava-os como meninos de escola apanhados 
em falta e =levados  presena do director. Era arrogante e 
condescendente. Os =pilotos juravam entre si que, quando 
chegasse a vez de Demerest, o =submeteriam  verificao mais 
dura e exigente da vida dele. =Tal assim acontecia, mas o 
desempenho de Demerest era sempre =impecvel.
Naquela tarde, Demerest iniciara a sesso com um telefonema 
para casa =do comandante Hams: - Vai estar uma noite m para 
Conduzir - dissera. =- Gosto que a minha tripulao seja 
pontual, Portanto sugiro-lhe =que saia de casa com tempo 
suficiente para Chegar ao aeroporto a =horas.
Harns, que durante vinte e dois anos na Trans America nunca 
chegara =atrasado a um voo, ficara indignado. Ainda furioso, 
chegara ao aeroporto =com trs horas de antecedncia sobre a 
hora do voo, em vez de uma =hora, como era do regulamento. 
Quando Demerest o encontrara no coffee =shop, Hams j estava 
de uniforme.
- Ol, Anson. - Demerest sentara-se no lugar ao lado. - Vejo 
que =seguiu o meu conselho. - Hams apertara com mais fora a 
chvena de =caf. - Vamos fazer o briefing antes do voo vinte 
minutos mais cedo =do que o costume - continuara Demerest.- 
Quero examinar os seus =manuais.
Graas a Deus, pensara Harns, que na vspera a sua mulher 
passara =revista aos manuais e inserira neles as ltimas 
emendas publicadas; =no obstante, era talvez prefervel ir 
verificar se na sua caixa =de correio no haveria mais alguma 
publicao.
Quando a criada trouxera o caf, acendera o cachimbo, 
consciente de =que Demerest o observava com ar crtico.
- Voc no traz a camisa do regulamento - criticara Demerest.
Por alguns momentos o comandante pensara que o colega 
gracejava. Em =seguida, o rosto ruborizara-se-lhe. As camisas 
do regula- mento eram uma =fonte de irritao para os 
pilotos. Custavam nove dlares cada =uma atravs da companhia 
e em geral no caam bem e eram de =qualidade duvidosa. Havia 
camisas muito semelhantes de qualidade muito =superior e de 
preo bastante mais acessvel. A maior parte dos =pilotos, 
entre os quais o prprio Demerest, usava camisas no 
=regulamentares.
Demerest continuara: - No vou comunicar que voc no estava 
=com a camisa do regulamento no coffee shop, desde que a 
vista antes de =entrar no meu voo.
??Meu Deus, a?uda-me a no explodir", implorara Hams =para 
consigo mesmo. .?E provavelmente isso que ele quer". 
=Dominara-se e decidira trocar de camisa com qualquer outro 
piloto.
- Eh! - dissera Demerest. - Voc trincou a ponta do seu 
cachimbo =!
Ao recordar este pormenor, Demerest soltou uma risada. Fez 
soar =vrios toques de campainha na porta de Gwen, as suas 
iniciais em =Morse, e entrou usando a sua prpria chave.
Gwen, que estava no chuveiro, chamou-o: - Vernon! -Possua 
uma voz =lmpida e melodiosa, uma das razes do sucesso que 
obtinha junto =dos passageiros. - Ainda bem que chegaste 
cedo, porque queria conversar =contigo antes de sairmos. 
Podias fazer ch para os dois! - =acrescentou.
Como a maioria dos pilotos, Demerest no bebia lcool durante 
as =vinte e quatro horas que antecediam o voo, e Gwen 
convertera-o ao =hbito ingls do ch. Demerest encaminhou-se 
para a =minscula cozinha e colocou ao lume uma chaleira com 
gua enquanto =recomeava a cantarolar O Sole Mio.
MEL Bakersfeld tremia ao dirigir-se para a pista um sete 
esquerda. =Perguntou a si prprio se estaria a tremer devido 
s =recordaes desencadeadas pelo pressentimento de perigo 
que tivera =minutos antes.
Mel fora piloto da Marinha durante a guerra da Coreia, 
desempenhando =misses de combate a partir do porta-avies 
Essex. Uma noite =tivera o pressentimento de que qualquer 
acontecimento fatdico se =aproximava dele inexoravelmente. 
No dia seguinte, durante um combate =areo, o avio que ele 
pilotava fora atingido sobre o mar. =Conseguira fazer uma 
amaragem controlada, mas o seu p esquerdo =ficara entalado 
num pedal de leme torcido. Com o avio a afundar- =-se, Mel 
usara a faca de mato do estojo de sobrevivncia e =esfaquera 
desesperadamente o p e o pedal. J imerso, e sem =saber 
como, conseguira libertar o p. Viera  superfcie, =sofrendo 
dores agudas devido aos ligamentos despedaados, e fora 
=recolhido. Os mdicos da Marinha tinham-lhe tratado o p, 
mas Mel =nunca mais pilotara um avio e de vez em quando a 
dor voltava, =fazendo-o recordar a justeza do seu 
pressentimento.
Estava a aproximar-se da pista um sete esquerda. Desde o 
incio da =tempestade que as pistas eram ininterruptamente 
percorridas por =limpa-neves, aspiradores de neve e mquinas-
varredoras, ruidosos =veculos Diesel avaliados em vrios 
milhes de dlares. Um =centmetro e meio de lama ou sete e 
meio de neve macia eram o =mximo permitido em pistas para 
jactos - uma profundidade superior =seria sugada pelos 
motores, pondo em perigo as operaes.
Lamentavelmente, pensou Mel, as equipas de neve no 
trabalhavam  =vista do pblico, porque produziam um efeito 
impressionante, como =constatava naquele momento. Iluminadas 
pelos holofotes dos veculos, =colunas gigantescas de neve 
caam em cascata para a direita, =descrevendo arcos de cerca 
de cinco metros, e reflectiam, tremeluzindo, =as cores dos 
vinte faris rotativos que giravam nos tejadilhos dos 
=veculos. O grupo era chamado bicha da conga em calo do 
aeroporto =- e de facto avanava ao longo da pista com 
preciso =coreogrfica. O chefe do comboio, um encarregado 
snior num carro =amarelo brilhante do aeroporto, seguia  
frente. Era ele quem marcava =o andamento, rpido em geral. 
Tinha dois rdios e permanecia em =contacto tanto com a 
Diviso de Neve como com o
controle de trfego areo. Por meio de um sistema de luzes, 
=transmitia sinais aos condutores que o seguiam: ?.verde", 
para =aumentarem a
velocidade; ?,mbar", para manterem o andamento; 
??=vermelho?., para
reduzirem a velocidade, e.?vermelho intermitente", para 
=pararem.
Atrs do chefe de equipa vinha a monstruosa mquina limpa-
-neves n." 1, rebocada por um Oshkosh, com duas ps. Atrs,  
=direita, uma segunda mquina recebia a carga que a primeira 
=lanava para o lado, e juntando-lhe mais neve, atirava para 
mais =longe as duas cargas. Seguia-se um Snowblast, uma 
bisarma troante de =seiscentos cavalos, que com jactos 
poderosos sorvia a neve amontoa- da =pelos limpa-neves e a 
expelia num arco para l dos limites da pista. =Num segundo 
grupo, mais  direita, avanavam mais dois limpa-neves =e 
outro Snowblasr. Vinham a seguir as niveladoras, cinco 
mquinas =avanando em paralelo, com as ps baixas puxando 
escovas rolantes =movidas a Diesel com quase cinco metros de 
largura, que limpavam a =superfcie da pista. Seguiam-se as 
mquinas de areia, cujos =reservatrios tinham uma capacidade 
aproximada de quatro metros =cbicos cada um. Nos acessos e 
zonas pblicas do aeroporto =espalhava-se sal para derreter o 
gelo, mas nas zonas aeronuticas o =procedimento era 
diferente porque o sal corroa o metal e os =avies eram 
tratados com mais respeito do que os automveis. A =bicha da 
conga terminava com o chamado,?Fim de Fila,? um =carro em 
que um segundo encarregado encarreirava os veculos 
=tresmalhados. A bicha era acompanhada pelo seu squito: um 
=limpa-neves de socorro, um camio de assistncia com 
mecnicos, =carros de reabastecimento, uma carrinha com caf 
e donnuts.
Mel acelerou, ultrapassou este squito e alinhou o seu 
automvel =com o do segundo-encarregado. A equipa movia-se 
rapidamente- sessenta =quilmetros por hora em vez dos 
habituais quarenta, uma vez que, dada =a previso da mudana 
de vento, aquela pista ia ser =necessria.
Sintonizando o rdio para a frequncia de terra do controle 
de =trfego areo, Mel ouviu o chefe de equipa pedir 
autorizao =para atravessar a interseco entre a pista um 
sete e a pista dois =cinco. Da torre, uma voz respondeu em 
tom pesaroso. Sabiam que era =difcil fazer parar uma bicha 
da conga em andamento e rep-la =seguida- mente em marcha, 
mas aproximava-se um avio prestes a =aterrar.  frente de 
Mel as luzes vermelhas faiscaram numa ordem. A =bicha da _nga 
abrandou e parou. O segundo-encarregado, um negro =ainda
vem e bem disposto, saltou do carro e dirigiu-se a Mel. - Mr. 
Ba- =ersfeld, no lhe apetece juntar-se a ns? Um dos rapazes 
pode
mar conta do seu carro!
Mel sorriu. O prazer que experimentava na conduo de 
equipamento =pesado era conhecido de todo  pessoal. Gritou: 
- OK, vou
m o segundo Snowblast. ;? O segundo-encarregado, que 
empunhava =um holofote, conduziu-o ao longo da fila de 
niveladoras e mquinas de =areia estacionadas. Na retaguarda, 
algum saltou do camio de =assistncia e precipitou-se ?para 
o automvel de Mel.  =- melhor apressar-se, Mr. Bakersfeld. 
A paragem vai ser curta. - O =jovem negro iluminou com a sua 
lanterna a cabina do Snowblast para a =qual Mel trepava.  
frente, as luzes vermelhas ??=intermitentes haviam sido 
substitudas pelo verde; provavelmente o =?avio j aterrara. 
A bicha da conga devia agora =apressar-se, a fim de 
?atravessar a pista antes da aterragem =seguinte. Olhando 
para a ;retaguarda, Mel viu o segundo-encarregado =correr 
para o seu carro.
O Snowblast, cujos motores atroavam os ares, estava j a 
ganhar =velocidade quando Mel e o condutor se cumprimentaram. 
Mel reconheceu o =funcionrio que, quando no havia 
emergncias devi- das  =neve, era um empregado dos 
escritrios do aeroporto.
A cabina do Snowblast parecia a ponte de comando de um navio. 
O condutor =segurava o volante do controle principal como se 
fosse um homem do leme. =Um sem-nmero de mostradores e 
alavancas brilhava na escurido. Um =limpa-pra-brisas 
circular, de alta velocidade, tal como num navio, 
=proporcionava ao condutor uma viso
ampla e ntida, enquanto o pra-brisas do passageiro era 
=aquecido.
Mel observou a formao exacta da bicha da conga. Alguns anos
antes, com uma tempestade daquelas o aeroporto teria sido 
fechado.
O condutor comentou: - Isto sempre  uma mudana no meu 
trabalho =com uma mquina de calcular. No sou obrigado a 
fazer isto, sabe? =Sou voluntrio. Mas gosto de estar c 
fora. - Riu e continuou: - =Dou-me bem com a neve, se calhar.
- No, Will, no acredito - respondeu Mel. O que acontecia 
era que =no campo existia uma sensao de proximidade com a 
aviao =real, do homem contra os elementos. Era uma sensao 
que se perdia =quando se ficava tempo demais nas aerogares. 
??Talvez todos =ns, da direco do aeroporto,? pensou Mel, 
.?=devssemos uma vez por outra,  at ao fundo das pistas e 
=sentir o vento  fustigar-nos o rosto.?,
foi  menos de cinco anos, o aeroporto internacional de 
Lincoln fora =considerado um dos melhores aeroportos do 
Mundo. Os terminais de =passageiros, com os seus vidros e 
cromados resplandecentes, mantinham =ainda uma aparncia 
espectacular, com seis restaurantes; bares, lojas =e servios 
de hotelaria.
Porm, tal como uma quantidade impressionante de outros 
aeroportos. =Lincoln estava prestes a transformar-se num 
sepulcro caiado. As suas =deficincias afectavam 
essencialmente as reas operacionais. Dos =oitenta mil 
passageiros que diariamente entravam e saam, poucos eram =os 
que tinham conscincia de quo arriscado se tornava aterrar 
nas =pistas sobrecarregadas. Em dias de trfego normal, havia 
uma =descolagem ou aterragem? em cada trinta segundos nas 
duas pistas =principais. Devido s reclamaes de Meadowood, 
em perodos =de ponta utilizava-se uma pista alternativa que 
interceptava uma das =outras duas. Quando tal sucedia, as 
aeronaves levantavam ou aterravam em =rotas convergentes, e 
havia momentos em que os controladores de =trfego rezavam, 
sustendo a respirao. Keith, o irmo de =Mel, predissera com 
ar sinistro: - Muito bem, continua- mos a andar na =corda 
bamba, e at agora conseguimos evitar colises naquela 
=interseco. Mas qualquer dia um de ns, num segundo de 
=distraco, ainda vai provocar uma coliso. E, nessa altura, 
=vai ser de novo o desastre do Grand Canyon.
A bicha da conga acabara de atravessar a interseco. Mel 
olhou =para trs - viam-se luzes de navegao sobre a outra 
pista, =deslocando-se rapidamente quando o avio descolava. 
Por =inconcebvel que parecesse, distinguiam-se, apenas 
alguns metros =atrs, as luzes dos avies que acabavam de 
aterrar. O condutor do =Snowblast assobiou: - Esta foi mesmo 
 justa! - Mel acenou. Sentira =um arrepio de medo. Aquele 
controlador estava a raiar demasiado perto as =margens de 
segurana. Como habitualmente, o controlador avaliara a 
=situao com preciso e exactido, mas tais processos eram 
=de tal modo arriscados que representavam um risco 
permanente.
Como porta-voz nacional sobre assuntos de logstica de 
aviao =ligado a crculos que frequentavam a Casa Branca 
durante os anos do =mandato presidencial de Kennedy, Mel 
assinalara frequentemente
s riscos. H muito tempo que vinha pedindo, alm da 
=construo _ mais pistas, a compra imediata de mais terreno 
para =desenvolvinento a longo prazo. Mas era difcil 
convencer o Conselho =de
administrao do Aeroporto e os membros da Cmara Municipal 
da =cidade de que um porto de jactos construdo no final dos 
anos =cinquenta se estava a tornar inadequado. ?.Talvez Keith 
tenha =razo, pensou Mel. ??Talvez seja necessrio um 
desastre =para acordar a conscincia pblica, tal como o 
desastre do Grand =Canyon forou o insidente Eisenhower e o 
84.o Congresso a reformar as =companhias
areas nacionais. "
- J chegmos ao fim da pista, Mr. Bakersfeld. Volta para 
trs =connosco? - perguntou o condutor do Snowblast, 
arrancando Mel
suas divagaes.
 frente deles brilhavam luzes de aviso. A bicha da conga, 
?=__pois de ter desobstrudo metade da largura da pista, 
seguiria =agora
trajecto em sentido inverso, a fim de limpar a outra metade.- 
No, =fico aqui - respondeu Mel.
- Muito bem, Mr. Bakersfeld. - Momentos depois, o condutor 
?fez =um sinal luminoso ao veculo do segundo-encarregado e 
Mel "desceu e =encontrou o carro  sua espera. Enquanto se 
dirigia para o ;terminal, =enviou pelo rdio uma mensagem  
Diviso de Neve, comunicando =que a pista um sete esquerda 
estaria em condies de ser usada em =breve. Sintonizando 
para o controle de terra do controle de trfego =areo, 
baixou o volume do som, e o rudo de vozes assim atenuado 
=era um pano de fundo para os seus pensamentos. Recordava-se 
da sua =ligao com o presidente Kennedy, com quem travara 
amizade =subsequentemente a um discurso que fizera em 
Washington, na qualidade de =presidente do Conselho de 
Operaes de Aeroportos - o mais jovem =presidente at  
data. Falara sobre a importncia crescente do =comrcio areo 
e sobre a falta de planeamento relativamente aos =aeroportos. 
??J quebrmos a barreira do som", afirmara =Mel, ?.mas 
ainda no quebrmos a barreira do solo,?=.
No dia seguinte fora convidado para a Casa Branca. Constatara 
que o =presidente partilhava de muitas das suas prprias 
ideias, o que dera =origem a outros encontros. Um ano depois, 
aproximadamente, o presidente =sondara-o sobre a 
possibilidade de vir a dirigir a Direco- =-Geral da 
Aeronutica. Pouco tempo depois, porm, John F. Kennedy 
=realizara a sua fatdica viagem ao Texas.
A administrao Johnson trouxera os seus prprios 
=conselheiros? e quando Mel terminara o seu segundo perodo 
=como presidente d Conselho de Operaes de Aeroportos as 
=viagens a Washington haviam cessado. Agora, a menos que algo 
de =dramtico acontecesse; a sua carreira terminaria no ponto 
exacto em =que se encontrava.
- Mvel um, torre. Qual  a sua posio? - O rdio inter- 
=rompeu-lhe o curso dos pensamentos. Comunicou que se 
aproximava do =terminal de passageiros principal. - Mvel um, 
deixe passar o Nord da =Lake Central e depois siga-o.
Minutos mais tarde Mel deixava o automvel na garagem da cave 
e =chamava a Diviso de Neve. Danny informou-o de que no 
havia
novidades,  excepo de mais reclamaes de =Meadowood.
Mel respondeu, irritado: - Meadowood vai ter que suportar. 
Entretanto =fico por aqui at que Patroni tome conta da pista 
trs zero. - =Aquela estranha sensao de mau pressgio ainda 
no o =abandonara.
- Bem, nesse caso telefona  tua mulher. Vou dar-te o nmero.
Mel apontou o nmero do telefone, esperou um pouco e fez a 
=ligao. Pediu para falar com Cindy, e aps uma curta pausa 
=ouviu-a interpel-lo com aspereza: - Mel, porque  que ainda 
=no vieste?
- Tm surgido problemas no aeroporto. ...
- Mel, anda j para c.
Por vezes Mel tentava associar a voz verrinosa da Cindy 
actual com a da =Cindy que ele recordava dos primeiros tempos 
do seu casamento. A =doura de Cindy fora um dos factores que 
mais haviam atrado Mel =no seu primeiro encontro, em S. 
Francisco. Mel estava de licena, =vindo da Coreia. Cindy, 
uma actriz de segunda categoria, no =conseguira levar a bom 
xito a carreira que ambicionara. Como ela =prpria o 
admitira, num momento de franqueza, o casamento constituira 
=um escape acolhido de bom grado.
Agora  medida que aumentavam as suas aspiraes de ascenso 
=social, ela no gostava que o seu passado de actriz fosse 
=mencionado.
- Vou logo que possa - respondeu Mel.
- Sabias perfeitamente que esta noite era importante para mim 
- ripostou =Cindy bruscamente. - Prometeste-me.
Mel estava a imagin-la, um metro e meio de energia 
voluntariosa os =olhos azuis a faiscar, a cabea loira 
lanada para trs.
Respondeu bruscamente: - Tenho acedido aos teus pedidos a 
maior parte =das vezes, Cindy. Tenho isso anotado. No ano 
passado disseste que fosse =a cinquenta e sete dessas tuas 
festinhas de dade. Compareci a quarenta e =cinco. Por isso, 
agora pedes culpa por mim e explicas por que razo =estou 
atrasado. J agora, 1  o pretexto desta vez? -  um =jantar 
de publicidade para promoo do baile para o ido de =Auxlio 
s Crianas. Est c a imprensa e esto a =tirar " Percebia 
agora por que razo Cindy exigia a sua presena. =Com ?lel ao 
lado teria muito mais hipteses de ver publicada =uma 
fotografia sua. Entretanto, ela explodia: - Se no vens, est 
=tudo acabado. Entendes?
- No sei se entendo muito bem! - respondeu Mel serena- 
mente. O =instinto avisava-o de que aquele momento era 
importante para ambos. - =Talvez seja melhor explicares-te.
- Descobre tu - respondeu ela, e desligou.
J no seu gabinete, Mel despiu a pesada roupa de Inverno e 
deixou-a =cair no cho. Sentou-se  secretria e descansou a 
cabea =nas mos. E ento, no gabinete silencioso, na mesa ao 
lado da =secretria, o telefone vermelho retiniu.
Respondeu: - Fala Bakersfeld.
- Aqui controle de trfego areo - anunciou o chefe da
torre. - Temos uma emergncia area de categoria trs.
CAPTULO III IfEITH Bakersfeld j fizera mais de metade do 
seu =turno dirio de oito horas na sala de radar, 
imediatamente abaixo da =cpula envidraada de onde o 
controle de trfego areo =dirigia o trfego das ?aeronaves 
em terra e os voos locais. A =jurisdio da seco de radar 
abrangia um sector mais vasto, =estabelecendo ligaes entre 
o controle local e o centro regional =de controle de trfego 
areo mais prximo. Estes centros, =habitualmente situados a 
alguns quilmetros de qualquer aeroporto, =controlavam os 
pontos de cruzamento das rotas.
A sala de radar no tinha janelas. Dia e noite, dez 
controladores =trabalhavam  luz difusa de lmpadas de non. 
O equipamento =revestia completamente as paredes e em geral 
os controladores =trabalhavam em mangas de camisa, uma vez 
que a temperatura era mantida a =vinte graus para proteger os 
delicados instrumentos electrnicos. O =tom dominante naquele 
local era a calma, mas sob essa aparncia =reinava uma 
permanente tenso nervosa. A tenso elevara- -se com a 
=intemprie, sobretudo naquele momento, quando um sinal 
especial no =cran d radar fez cintilar uma luz vermelha e 
soar um dispositivo =de alarme na sala de controle.
O dispositivo e a luz vermelha foram desligados, mas o sinal 
de radar =conhecido como duplo blip surgiu no cran 
semiobscuro como uma =trmula borboleta verde. Indicava que 
havia um aparelho em perigo. No =meio da tempestade, bem 
acima do aeroporto, um KC-135 da Fora =Area dos EUA, que se 
dirigia para a base da Fora Area de =Andrews, solicitava 
autorizao para uma aterragem de =emergncia devido a 
problemas no sistema elctrico.
Febrilmente, o pessoal da sala de radar comeou a trabalhar 
paca =desimpedir uma rea para o avio, que a dez mil ps 
iniciava =uma aproximao por instrumentos. Abaixo dele, 
aguardando a sua =vez de aterrar, sobrevoavam cinco avies 
comerciais, colocados a =inter- valos de mil ps e 
descrevendo rbitas em espao =limitado. Mais abaixo ainda, 
trs avies de passageiros efectuavam =aproximaes. Fosse 
como fosse, era necessrio abrir caminho =para o voo da Fora 
Area atravs daquele labirinto de =avies. Normalmente, esta 
opera- o punha  prova os nervos =mais resistentes, mas 
naquela altura a situao complicava-se por =ter falhado o 
sistema de rdio do avio. O contacto oral com o =piloto 
desaparecera.
Keith trabalhava no cran liso onde aparecera o sinal, e o 
supervisor =juntara-se a ele. Os dois homens transmitiam 
decises urgentes, pelo =interfone, aos controladores em 
posies contguas, e por =rdio aos outros aparelhos. O 
chefe da torre de controle fora =informado da ocorrncia e 
alertara os servios de terra.
O cran de radar era um vidro circular horizontal com as 
dimenses =de um pneu de bicicleta inserido no tampo de uma 
mesa de consola. Na =superfcie, verde-escura, cintilavam 
pontos verdes brilhantes que =assinalavam os movimentos de 
todo o trfego areo num raio de =sessenta e cinco 
quilmetros. Ao lado de cada ponto luminoso havia um 
=marcador de plstico, conhecido pelo nome de ??silhueta", 
que =os controladores deslocavam  mo de acordo com o 
movimento dos =avies. Naquela noite havia um extraordinrio 
nmero de =avies no cran.
Keith, sentado numa cadeira metlica, o corpo magro debruado
a a frente, estava colado ao cran. Em tempos, Keith fora uma 
pessoa =que irradiava simpatia, serenidade e bom humor; 
actualmente, seu rosto =encovado denotava tenso. Embora seis 
anos mais novo
e Mel, aparentava ser mais velho.
Wayne Tevis, o supervisor, observava-o discretamente e via 
com =apreenso aumentarem os sinais de esgotamento.; Tevis um 
texano to e =desengonado, sentara-se num banco alto com 
rodas, do qual
ia espreitar, por sobre o ombro dos operadores, os vrios 
crans. =deslocava-se no banco como se estivesse a montar a 
cavalo,
pulsionando-se at aos locais onde era necessrio atravs de 
=pancadas que desferia no solo com as suas botas de texano. 
Nos =ltimos minutos no se afastara muito de Keith, pronto, 
se =necessrio, a substitu-lo. Detestaria tomar semelhante 
=deciso, sabendo quo profundamente esta iria afectar Keith, 
mas =se a situao o exigisse f-lo-ia sem hesitao.
Dirigiu-se a Keith, na sua voz arrastada: - Keith meu velho, 
?=sse voo da Braniff est a aproximar-se do Eastern. Se 
voltares o ??raniff para a direita, podes manter o Eastern 
na mesma rota.- Keith =deveria ter apreendido a situao e 
t-la solucionado =sozinho.
Keith premiu o microfone com uma pancada. - Braniff oito 
vinte e nove, =efectue imediatamente uma volta  direita, 
rumo zero nove zero. - =Embora em momentos como aquele a voz 
do controla- ?dor devesse =aparentar calma, a voz de Keith 
soou estridente e Tevis olhou-o =atentamente. Mas os blips no 
cran do radar, ainda h pouco =perigosamente prximos, 
comearam a afastar-se, logo que o =comandante do Braniff 
obedeceu s instrues. Os controladores =de trfego areo 
nunca deixavam de dar graas a Deus pelas =reaces rpidas 
dos pilotos de aviao. Estes podiam =protestar quando eram 
obriga- dos a efectuar voltas sbitas, que =sacudiam os 
passageiros, mas quando a ordem dizia: ??=Imediatamente?, 
obedeciam.
Dentro de um ou dois minutos o voo da Braniff teria de 
efectuar nova =volta, tal como o da Eastern, ao mesmo nvel. 
Antes, porm era =preciso traar novas rotas para dois voos 
da TWA - um mais alto, =outro mais baixo -, um Convair da 
Lake Central, um Vanguard da Air =Canada e ainda um Swissair 
acabado de entrar no radar. Todos teriam de =efectuar curtos 
percursos em ziguezague. Era um intricado jogo de =xadrez, 
com a diferena que as peas se encontravam
nveis diferentes, se moviam a centenas de milhas por hora e 
no =podiam aproximar-se entre si mais de trs milhas 
lateralmente e m??
ps na vertical.
Keith perguntava a si prprio que sensao experimentaria a 
=piloto da Fora Area. Provavelmente, solido. Tambm Keith 
=s? sentia isolado, embora rodeado de presenas fsicas - 
=sozinho num compartimento interior do seu esprito, com as 
suas =recordaes, a sua conscincia, o seu medo. S; agora e 
para =sempre.
Indicou novos rumos ao Swissair, a um dos TWA, ao Lake 
Central e ao =Eastern. Ouvia Tevis, que tentava estabelecer 
de novo contacto =radiofnico com o KC-135 e no obtinha 
resposta, mas no radar o =duplo blip, accionado pelo piloto, 
ainda brilhava, e a sua posio =indicava que o piloto estava 
a seguir as instrues que recebera =antes de o rdio falhar. 
Assim, o controle de trfego areo =podia antecipar-lhe os 
movimentos.
Um calmo fluxo de ordens jorrava da sala de radar, com o 
objectivo de =manter os voos que chegavam fora da rea de 
perigo. Em voz baixa mas =com uma nota de urgncia, um 
controlador
chamava: - Chuck tenho um bico-de-obra! Podes tomar conta do 
Delta =setenta e trs? - Outra voz respondeu: - Estou at aos 
cabe- los =tambm... Aguenta... Afirmativo. J o apanhei. 
Delta setenta e =trs, aproximao de Lincoln. Volte  
esquerda, rumo um dois =zero. Mantenha a altitude, quatro 
mil. Aquela descolagem da Lufthansa =est fora do rumo. 
Tirem-no da rea de aproximao!
Uma vez terminada a emergncia, seria necessria uma hora ou 
mais =para deslindar o engarrafamento. Keith tentava 
arduamente reter uma =imagem mental do seu sector e de todos 
os aparelhos que nele se =encontravam. O maior pesadelo de um 
controlador era ??perder a =imagem", o que sucedia quando o 
crebro sobrecarregado se rebelava e =de repente parecia 
ficar vazio. Acontecia aos melhores. E at ao ano =anterior 
Keith fora o melhor.
Tevis fez rolar o seu banco pela sala a fim de verificar 
outro =controlador. O crebro de Keith continuou a emitir 
decises =rpidas. Virar o Braniff  esquerda, o Air Canada  
direita, o =Eastern a cento e oitenta graus. O Convair da 
Lake Central, mais lento, =podia aguardar mais um minuto. O 
jacto da Swissair estava a convergir =para o Eastern e 
precisava de novo rumo, mas qual? Quarenta e cinco =graus  
direita durante um minuto, depois de novo  direita. ?? m 
novo voo surgia de leste a alta velocidade -.?=concentra-te, 
concentra-te??. Keith decidiu sombriamente: ???Esta noite, 
sobretudo ?ta noite, no vou perder a =imagem." S ele sabia 
que era a ltima vez que se sentava em =frente de um cran de 
radar. Era o seu ltimo dia de vida.
- Faz um intervalo, Keith. - Era o chefe da torre, que 
entrara sem se =fazer notar e que estivera a falar com Tevis.
Keith sabia por que razo estava a ser substitudo, embora 
ainda =no tivesse chegado a altura de fazer um intervalo. A 
situao =era de crise; no confiavam nele. Para um 
controlador snior com =quinze attos de experincia, era uma 
humilhao.
Tevis inclinou-se para ele. - Lee toma conta disso, Keith.- 
Fez sinal a =um controlador que acabava de chegar depois de 
um intervalo. Keith =acenou em sinal de concordncia, mas 
continuou a transmitir =instrues aos avies. Eram 
necessrios vrios minutos =para se passar o controle, um? 
vez que o novo controlador tinha =de estudar o radar e deixar 
que no seu esprito se formasse a imagem =mental da situao 
at ficar integrado. O ficar integrado faz =parte do trabalho 
- ??afiar a lmina,?, no calo =dos controladores.
Juntamente com a agudeza mental exigia-se uma calma aparente. 
E o =esforo para manter estes dois requisitos era exaustivo 
- e cobrava o =seu preo. Muitos dos controladores sofriam de 
lceras, que =ocultavam com receio de perder os seus 
empregos. Consultavam mdicos =particulares, abstendo-se da 
assistncia clnica gratuita que Lhes =era fornecida, e 
escondiam frascos de Maalox - ?,para o =alvio da hiperacidez 
gstrica" - nos seus cacifos. Alguns =controladores sofriam 
acessos de clera em casa como resultado das =tenses 
acumuladas. A taxa de divrcios entre os controladores era 
=bastante elevada.
- OK. - disse o novo controlador. - Tenho a imagem.
Keith deslizou da sua cadeira e desligou os auscultadores. 
Quando saiu, =o recm-chegado comeara j a transmitir 
instrues ao =TWA que voava a mais baixa altitude.
Em qualquer aeroporto movimentado ocorriam diariamente vrias 
=emergncias. Habitualmente, poucas pessoas se apercebiam do 
=facto,
dado que quase todas essas situaes eram resolvidas; mesmo 
os =pilotos s raramente eram informados dos motivos por que 
haviam =recebido instrues repentinas para executarem 
voltas. No entanto, =o pessoal de emergncia de terra e a 
direco do aeroporto eram =sempre alertados. A sua actuao 
dependia da categoria das =emergncias; a mais grave, de 
categoria um, assinalava uma =coliso; a
categoria dois indicava perigo de vida ou leses graves 
iminentes??
durante uma emergncia de categoria trs alertava-se o 
pessoal =de
emergncia para que estivesse a postos.
Keith entrou ns vestirios dos controladores, naquele 
momento
vazios. Abriu o seu cacifo, do qual retirou o farnel que 
Natalie, =sua
mulher, lhe preparara naquela tarde. Enquanto vertia caf de 
um =termo, indagava-se se Natalie teria juntado  refeio um 
=bilhete ou recorte de uma revista. Ela fazia-o 
frequentemente, para o =ajudar a distrair-se do seu problema. 
Natalie esforava-se =tremendamente para que a famlia 
voltasse a ser o que fora. Mas nos =ltimos tempos o nmero 
de bilhetes e recortes diminura; =dir-se-ia que ela acabara 
por
perder a esperana. Pelos seus olhos congestionados ele 
percebia =que
ultimamente ela chorava. Keith quisera ajud-la, mas como
consegui-lo, se no conseguia sequer ajudar-se a si prprio?
Na parte interior da porta do armrio colara uma fotografia
colorida de Natalie em bikini, sentada num rochedo ao p de 
um
lago, rindo, a mo esguia sobre os olhos, a proteg-los do 
sol. =A
cmara conseguira captar simultaneamente o seu aspecto etreo 
e a =sua vontade firme. Tinham ido acampar no Canad, 
deixando os
filhos, Brian e Theo, com Mel e Cindy. Fora uma das pocas 
mais =felizes das suas vidas.
Agora, porm, Keith no experimentava qualquer emoo; nem 
=ternura, nem amor, nem mesmo ira. Sabia que Natalie j 
tomara =conscincia da sua incapacidade para o ajudar. Mel 
ainda no =desistira por completo, mas Keith esperava que ele 
no aparecesse =naquele dia. No se sentia com coragem para o 
enfrentar, muito embora =tivessem sido dois irmos 
extraordinariamente unidos.
Retirou o farnel da caixa, ainda com a esperana de encontrar 
um =bilhete de Natalie. Havia sanduches de presunto e 
agrio, uma =embalagem de queijo e uma pra. Mais nada. 
Desejou desesperada- mente =ter encontrado uma mensagem, 
qualquer que fosse. Lembrou- -se ento =de que no houvera 
tempo. Como precisara de ultimar uns preparativos, =sara de 
casa mais cedo do que habitualmente e Natalie tivera que se 
=apressar. Sentia-se aliviado por ela no o ter interroga- do 
sobre o =motivo que o obrigava a sair mais cedo. No gostaria 
que as =ltimas palavras entre ambos fossem uma mentira. 
Dirigira-se  =Estalagem O'Hagan, prximo do aeroporto, onde 
reservara um quarto =antes de seguir para a torre de 
controle. Dentro em breve, nas acabasse =o seu turno, 
regressaria  estalagem. Tinha a chave quarto no bolso. =_ A 
reunio dos habitantes de Meadowood, no hall da escola
dominical da Primeira Igreja Baptista - a quinze segundos da 
extremidade =da pista dois cinco,  velocidade de jacto -, j 
se desenrola-
h meia hora. Apesar da neve, estavam presentes umas 
seiscentas =pessoas, entre homens e mulheres, e vrios 
jornalistas. A =irritao que grassava em Meadowood contra o 
rudo dos jactos, =que j
va h muito, aumentara naquela noite devido  impossibilidade
muitos dos presentes ouvirem o que era dito. De facto, com a 
pista =trs zero bloqueada, um nmero de avies superior ao 
habitual =restava a pista dois cinco, orientada na direco 
de =Meadowood.
oyd Zanetta, o presidente, um sexagenrio calvo, aproveitou 
um =silncio momentneo para gritar atravs do sistema de 
=altifalantes porttil da igreja: - H anos que vimos a dizer 
 =direco do aeroporto e s companhias areas que somos 
=obrigados a suportar um rudo tal que a nossa sade mental 
corre =perigo. - Bateu com a mo ?na estante  sua frente. - 
E =tanto o aeroporto como as companhias :fazem promessas que 
no tm =a menor inteno de cumprir. So mentirosos e...
A palavra ?.mentirosos,? perdeu-se num monstruoso =crescendo 
de som, que fez estremecer o edifcio e depois diminuiu =at 
se extinguir.
J a vrias milhas de distncia, o voo cinquenta e oito da 
Pan =America elevava-se no cu por entre a tempestade e a 
escurido, =rumo a Frankfurt, na Alemanha. Entretanto, outro 
avio, com destino a =Denver, rolava j, no fundo da pista 
dois cinco, autorizado a =descolar sobre Meadowood.
Zanetta prosseguiu rapidamente: - Afirmei que so mentirosos. 
A =partir de agora, devemos preparar-nos para lutar em 
tribunal e... - Mais =uma vez um troar ensurdecedor. O 
presidente ergueu a mo num gesto de =desespero. Por fim, 
entre os altos e baixos do rudo, conseguiu =apresentar  
assembleia um homem novo com uma pasta que estava =sentado a 
seu lado. - Mr. Elliot Freemantle, conceituado advogado - 
=disse -, fez um estudo sobre as decises legais sobre 
poluio =sonora.
Elliot Freemantle ergueu-se. Apresentava-se impecavelmente 
cuidado, =desde o cabelo, entremeado com alguns fios brancos, 
recente? =mente cortado, aos sapatos de pele de crocodilo de 
duzentos dlares: =Freemantle descobrira que contrariamente 
ao que se passava com o?= mdicos, os clientes atendiam ao 
aspecto dos advogados, cujo ??- prspero ligavam a uma 
carreira de xitos =profissionais.
Para Freemantle, possuidor de um instinto teatral, a situao 
de =Meadowood representava uma verdadeira oportunidade. 
Conseguir que o seu =nome fosse sugerido a vrios residentes 
como sendo o advogado mais =indicado para os ajudar. 
Consequentemente, fora consultado por uma =comisso. Embora 
tivesse realizado apenas um estudo superficial sobre =as 
decises dos tribunais sobre casos similares, dirigiu-se  
=assembleia com o -vontade de um perito. - Se esto  espera 
da =minha comiserao - pronunciou num tom deliberadamente 
spero - =no vale a pena continuarem. No sou fornece- dor 
de lenos =para limpar lgrimas. Eu trabalho com a lei, e 
apenas com a lei! - Os =lpis dos jornalistas corriam 
velozes. A colaborao com a =imprensa ocupava lugar de 
destaque na lista de prioridades de =Freemantle, e a melhor 
forma de a conseguir consistia em fornecer aos =jornalistas 
uma histria animada.
Num tom menos agressivo continuou: - Estou convencido de que 
tm =direito a uma indemnizao legal. Se trabalharmos 
juntos, =prometo-vos que no se arrependero de me ter a 
vosso lado.- Teve =um sorriso breve: - H quem diga que sou 
um homem mesquinho e =desagradvel. Pessoalmente, se alguma 
vez precisar de um advogado, =hei-de escolher um homem 
mesquinho, desagradvel e duro.
Hauve acenos e sorrisos de aprovao e a multido inclinou-se 
=para a frente, com ar atento, enquanto Freemantle continuava 
a falar nos =intervalos das descolagens dos avies. De acordo 
com as decises =dos tribunais, continuou, estava a 
consolidar-se a ideia de que o =excesso de rudo podia ser 
considerado atentado contra a privacidade =e uma violao do 
direito de propriedade. Alm disso, os =tribunais estavam 
inclinados a conceder embargos judiciais e =indemnizaes 
financeiras desde que fosse possvel provar a =intromisso 
dos avies. Citou uma deciso do Supremo Tribunal =dos EUA 
contra Causby, que abrira um precedente na concesso de 
=indemnizaes pelos prejuzos causados por excessivo rudo 
=das aeronaves e mencionou casos que estavam a correr rios 
tribunais.
Eximiu-se a mencionar as regras que desresponsabilizavam os 
iportos pelo =rudo, porque queria angariar como clientes os 
dentes de Meadowood e =receber deles honorrios exorbitantes. 
?ulava que conseguiria =persuadir uns duzentos e cinquenta 
destes ntes em perspectiva a =concederem-Lhe avenas de cem 
dlares cada ?, para o que =trazia na sua pasta uma 
quantidade de impressos. A garantia de vinte e =cinco mil 
dlares parecia ao seu alcance. - J vos expus o =panorama 
legal - terminou. - Agora vou -vos um conselho. No fiquem = 
espera! Comecem a actuar j, i noite ! Um homem levantou-se. 
- =Muito bem! Diga-nos com devemos - Contratando-me como 
vosso consultor =jurdico. Ouviu-se um coro de vrias 
centenas de vozes e aplausos. =Resultara, e eles iam receber 
o valor do seu dinheiro: um belo ec??culo com fogo-de-
artifcio nos tribunais e onde quer que se. =No primeiro acto 
daquele drama os actores seriam os habitantes de =Meadowood; 
o local, o aeroporto, e o tempo, aquela noite.
Ao mesmo tempo que Freemantle saboreava o seu momento de 
tciunfo, um =amargurado empreiteiro da construo civil, de 
nome D. O. =Guerrero, sucumbia a um sentimento de fracasso. 
Estava fechado num =quarto de um miservel apartamento 
situado num edifcio sem =elevador na zona sul da cidade. D. 
O. Guerrero era um homem magro, =curvado, com as faces 
encovadas, culos e um pequeno bigode. Uma =srie de desaires 
comerciais reduzira Guerrero e a famlia de um =relativo bem-
estar  misria, forando-os por fim a mudarem-se =para 
aquele apartamento infestado de baratas.
Talvez Ins Guerrero tivesse conseguido salvar a situao se 
o =temperamento do marido no se tivesse tornado to 
violento; sema- =nas atrs, durante uma exploso de fria, 
ele batera-lhe, pelo =que ela mandara as crianas passar um 
tempo com a irm, em =Cleveland, e arranjara emprego como 
criada. Pelo menos, o ordenado =assegurava- -lhes o sustento. 
Mas D. O. parecia nem notar a ausncia =dos filhos.
Naquele momento Ins estava no emprego e Guerrero encontrava-
se =sozinho. Em breve partiria para o aeroporto. No bolso do 
seu sobretudo, =colocado sobre uma cadeira semidesconjuntada, 
tinha uma passagem para o =Golden Argosy. Era um bilhete de 
ida e volta para uma excurso a Roma =que custava 
quatrocentos e setenta e quatro dlares. Guerrero =conseguira 
pagar quarenta e sete dlares empenhando secretamente o 
=ltimo objecto de valor da mulher - Q
anel da me. Prometera saldar a dvida e os juros, pagando 
=prestaes durante os dois anos seguintes. Nenhuma companhia 
=financeira
ou banco teria emprestado a Guerrero o dinheiro para uma 
viagem de
autocarro at  povoao mais prxima, pois uma =investigao 
teria
revelado o longo passado de insolvncia de Guerrero. As suas 
=empreitadas tinham falido. Usando o nome de Ins, tentara 
arranja =capital para um negcio envolvendo a compra de 
terrenos, que =resultara num aumento de dvidas. Devido a 
declaraes =fraudulentas, estava sujeito a ser julgado e 
inclusivamente a ser preso. =Mas as companhias de aviao 
eram menos exigentes na concesso =de crdito, uma vez que ao 
longo dos anos se provara que os =passageiros dos avies eram 
invulgarmente honestos. Casos =espordicos como o de Guerrero 
no as preocupavam demasiado.
Este apresentara uma ??carta de referncia da entidade 
=patronal.,, que ele prprio dactilografara num papel 
timbrado de uma =companhia extinta, na qual em tempos 
trabalhara, e mudara a letra =inicial do seu nome de G para 
B. Uma rotineira pesquisa sobre o =crdito de
Mr. Guerrero no forneceria qualquer informao. A sua 
=assinatura no
contrato de pagamento a prazo era indecifrvel. O agente de 
vendas =passara-Lhe o bilhete em nome de Guerrero. Quando, 
nessa noite, fizesse =o check-in, pediria que escrevessem o 
seu nome correctamente no =carto de embarque, bem como no 
bilhete. Seria importante que mais =tarde no surgissem 
confuses sobre a sua identidade. Guerrero =planeara fazer 
explodir o Golden Argosy, e ele prprio com o =aparelho. 
Faria um seguro de voo nomeando a mulher e as crianas seus 
=beneficirios. Nos ltimos tempos pouco fizera por eles, mas 
o seu =acto derradeiro seria um gesto transcendente de amor e 
sacrifcio. =Com o esprito deformado pelo desespero, no 
concedera um nico =pensamento aos restantes passageiros que 
viajariam no voo dois.
Guerrero estudara vrios casos de avies destrudos por 
pessoas =cujo objectivo era receberem o prmio do seguro. 
Quando, =subsequentemente s investigaes conduzidas aps a 
=coliso, se provavam os motivos, as aplices dos futuros 
=beneficirios eram invalidadas. Mas era impossvel saber ao 
certo =quantos desastres eram resultado de sabotagem. Quando 
os salvados eram =recuperados, os investigadores conseguiam 
habitualmente averiguar a =verdade, mas Guerrero tencionava 
fazer explodir o voo dois a meio do =Atlntico. Os destroos 
ficariam guardados para todo o sempre. ?? Fechado no quarto, 
Guerrero acabou de montar o dispositivo =xplosivo que 
construra com dinamite que Lhe sobrara dos seus =tempos de 
empreiteiro. A bomba, adaptada a uma pasta pequena e 
achatada, =era instantaneamente detonvel pela simples 
traco de um ??o que passava atravs de um orifcio sob a 
pega e ligado a um =detonador. Apesar de estar familiarizado 
com explosivos, Guerrero suava =enquanto fazia passar o fio 
pelo buraco. Deixou bastante fio dentro da =pasta, deu-lhe um 
n da parte de fora para impedir que deslizasse =para dentro 
e fez um lao  medida de um dedo na extremidade. =Agora j 
nada podia impedir a detonao da bomba quando ele =puxasse o 
fio. Colocou alguns papis sobre a bomba e fechou a pasta = 
chave.
Viu as horas no despertador ao lado da cama. Acabavam de 
bater as oito =horas, faltava um pouco menos de duas horas 
para a partida do avio. =Eram horas. Tinha ? dinheiro 
estritamente necessrio para o =autocarro que o conduziria ao 
aeroporto e para o seguro de voo. Vestiu o =casaco, abriu a 
porta e saiu para a sala de estar decrpita, =segurando 
cuidadosamente a pasta. Procurou um papel e um lpis e 
=escreveu: ??Vou estar fora durante uns dias. Espero em 
breve ter =boas notcias que te vo surpreender. D. O.?? 
CAP'TULO =IV O tractor de reboque que sofrera o acidente 
estava completamente =coberto de neve, e com todas as rodas 
no ar assemelhava-se a um =dinossauro morto. Iluminavam a 
cena os holofotes dos dois reboques que =Patroni mandara vir 
e faris vermelhos colocados pela Polcia =Estadual. Patroni 
estudara cuidadosamente a colocao dos =camies a fim de 
obter o maior efeito possvel com as =alavancas.
- Oia - dizia ansiosamente o tenente da Polcia -, ainda 
pensa =que vamos ter de o arrastar? Tem a certeza de que no 
conseguimos =endireit-lo?
- S se quiserem que a estrada continue bloqueada at amanh 
de =manh.
- Bom, nesse caso preocupamo-nos mais tarde com os prejuzos.
Decorridos dez minutos, o ltimo pino do brao do reboque 
for?? colocado. Patroni acocorou-se, a fim de se certificar 
de que os =cabo? e correias estavam suficientemente 
esticados. Avisou: - =Devagar e com jeito. Faam deslizar 
primeiro a cabina do motorista. - =A seco anterior do 
transporte rangeu num protesto e deslocou-se =trinta 
centmetros, enquanto o condutor do camio resmungava e 
=depois parava. Patroni gesticulou violentamente: - 
Continuem! E ponham o =tractor a mexer.
As rodas dos trs camies de reboque derrapavam sobre a 
camada de =neve compacta. Depois, lenta e pesadamente, o 
veculo virado deslizou =para o lado oposto da estrada, ao 
som dos aplausos dos circunstantes. =Agora, apenas uma faixa 
da auto-estrada estava obstruda, e a sua =desobstruo 
constituiria tarefa fcil para os reboques.
Um carro-patrulha at ento estacionado dirigiu-se para a 
auto- =-estrada. O tenente da Polcia disse a Patroni: - Era 
melhor tirar o =seu carro da bicha e colocar-se  frente. 
Quer uma escolta? =Mantenha-se atrs daquele carro. Eles tm 
ordens para o levar =rapidamente para o aeroporto. E... muito 
obrigado.
GwElv entrou na cozinha j de uniforme. Como sempre, Deme- 
rest =sentiu-se tocado pelo seu aspecto encantador. O rosto 
expressivo, com =malares altos erguia-se para ele, e  luz 
das lmpadas da cozinha =a sua farta cabeleira negra 
brilhava. - Podes beijar-me com fora - =disse ela. - Ainda 
no estou maquilhada. - Abraaram- -se =estreitamente, os 
lbios dela respondendo ardentemente aos dele. =Depois ela 
afastou-se.
- Vernon, meu querido, agora preciso de falar contigo.
- Pacincia - resmungou ele. - Espero at Npoles. Durante a 
=viagem at  Europa podes imaginar-me l em cima, no 
cockpit, =em ponto de ebulio.
Gwen riu-se. Sentaram-se e ela serviu o ch. Ele reparou, 
divertido, =que as chvenas tinham a insgnia da Trans 
America. Todas as =hospedeiras levavam para os avies malas 
de mo parcial- mente =vazias, que enchiam com artigos que 
sobravam. Alm disso, nunca se =procedia a qualquer 
inventrio do equipamento transportvel no =final de cada 
voo. As companhias, pura e simplesmente, no tinham =tempo 
para o fazerem e era mais econmico aceitar as perdas do que 
=controlar o processo. Muitas hospedeiras adquiriam assim 
cobertores, =almofadas, toalhas, guardanapos, copos, talheres 
e pequenas garrafas de =bebidas alcolicas recusadas pelos 
passageiros de I.a classe. Tais =desvios eram estritamente 
proibidos, mas as hospedeiras consideravam as 
=??aquisies?, uma espcie de bnus bem =merecido.
Gwen interrompeu o curso dos pensamentos de Demerest. - O que 
te queria =dizer, Vernon,  que estou grvida - disse 
calmamente.
Inicialmente, ele no conseguiu apreender o significado 
destas =palavras. Depois disse: - Tens a certeza?
- Claro que tenho.
Seguiu-se um silncio, e depois ele disse, pouco  vontade:- 
Se =calhar no devia perguntar-te isto...
- Tens direito a perguntar. - Os olhos escuros de Gwen 
fitaram-no com =honestidade. -Queres saber se houve mais 
algum. - Estendeu a mo =e tocou na dele. - No precisas de 
ter vergonha de perguntar. Eu =quero dizer-te. No houve mais 
ningum' nem podia haver.  que, =sabes, eu amo-te. E estou 
feliz, porque se deve amar a pessoa de quem se =vai ter um 
beb. No achas?
- Ouve, Gwen. - Cobriu as mos dela com as suas. - Temos de 
fazer =alguns planos. - Ele no alimentava quaisquer dvidas 
sobre o que =era necessrio fazer.
- No tens de planear nada - respondeu Gwen. - No tenciono 
=causar-te qualquer complicao. Tinha que to dizer porque o 
=beb  teu, mas no precisas de te preocupar. Eu arranjo-me 
=sozinha.
- Mas eu quero ajudar. - O essencial era a rapidez. Teria 
Gwen =escrpulos de natureza religiosa em desembaraar-se de 
uma =gravidez no desejada? Em caso negativo, uma viagem 
rpida ao =stio certo resolveria o assunto.  claro que ele 
pagaria os =honorrios do mdico. Levantou-se. - Continuas a 
querer vir a =Npoles comigo?
- Claro, Vernon. Amas-me?
Aproximou-se dele e ele beijou-a, murmurando: - Amo-te, sim! 
- Naquele =momento era verdade.
Gwen libertou-se e relanceou o relgio; eram oito horas e 
vinte =minutos. - So horas, meu comandante.  melhor irmos.
- NA verdade, Gwen, no tens que te preocupar - disse Vernon 
j a =caminho do aeroporto. - As companhias de aviao j 
esto =habituadas a que as hospedeiras fiquem grvidas. - 
Esperou que ela =pronunciasse algum comentrio, mas como tal 
no acontecesse, =prosseguiu, ao mesmo tempo que conduzia 
cuidadosamente o Mercedes pelas =ruas revestidas de uma 
espessa camada de neve.- Lembra-te de que as =hospedeiras 
so, na sua maioria, oriundas de lares modestos com uma 
=educao tradicional; de repente passam a ter empregos 
=fascinantes; viajam, conhecem pessoas interessantes, 
hospedam-se nos =melhores hotis. Saboreiam pela primeira vez 
la dolce vita.
Os olhos de Gwen faiscaram, colricos. - Se ests a juntar-me 
ao =lote dessas jovens oriundas de lares modestos, fica 
sabendo que no =acho graa nenhuma.
- Desculpa. - Demerest parou junto de um semforo que 
resplandecia em =mil reflexos vermelhos atravs da neve que 
caa.- No era minha =inteno misturar-te com ningum, Gwen. 
Tu s uma =excepo. - A ira de Gwen desvaneceu-se. -  s 
que eu sou =eu e i sou mais ningum. Durante algum tempo 
mantiveram-se em =silncio, enquanto ele conduzia. Depois 
Gwen disse, com ar pensativo: =- Se fosse um az, podamos 
chamar-lhe Vernon Demerest Junior, como os =americanos fazem. 
Ele nunca gostara especialmente do seu nome. =Comeou a 
dizer: - No gostava que o meu filho... - mas =interrompeu-
se. estava a pisar terreno perigoso. - O que eu estava a 
=dizer, Gwen,  ; tu, com certeza, conheces as trs regras 
=preconizadas pela companhia referentes a eventuais 
gravidezes. Ela =respondeu, concisamente: - Conheo. O 
programa era prtico e =simples. Nenhuma companhia de aviao 
gostava de perder =hospedeiras, cujo treino era dispendioso. 
Quando a hospedeira =engravidava g no pensava casar-se, 
recebia uma tena oficial, que =protegia a sua posio. Os 
departamentos de pessoal ajudavam a =tratar dos preparativos 
mdicos necessrios, e vezes conseguia-se =mesmo um 
emprstimo. Depois, se a hospedeira se mostrava relutante em 
=regressar  sua base de origem, era transferida para outra. 
em =contrapartida, a companhia exigia trs garantias: 
primeiro, a jovem =deveria manter o departamento de pessoal 
informado sobre a sua =localizao; segundo, o beb deveria 
ser imediatamente entregue =para adopo, e a me no deveria 
nunca tenttar saber o nome =dos pais adoptivos do seu filho. 
A companhia garantia a correco =do processo de adopo. Em 
terceiro lugar, a hospedeira devia =comunicar  companhia o 
nome do pai da criana, que era ento =procurado por um 
representante do departamento de pessoal, que tentava =obter 
dele um compromisso escrito que o obrigava a despender uma 
quantia =suficiente para cobrir as despesas mdicas e o total 
ou parte dos =vencimentos no recebidos pela hospedeira. 
Quando necessrio, as =companhias mostravam-se bastante 
duras, exercendo forte presso sobre =os progenitores pouco 
colaborantes. Tal raramente era necessrio =quando o pai era 
um membro da tripulao. A persuaso da =companhia, aliada ao 
desejo do pai da criama em manter o assunto =secreto, 
costumava ser suficiente. - O mais importante neste programa 
- =disse Demerest -,  que no ficas sozinha e recebes toda a 
=espcie de ajudas. - Deme- t virou o carro em direco ao 
=aeroporto e penetrou na via de sso  rea principal de 
hangares da =Trans America, onde deixariam o automvel e 
tomariam o autocarro do =pessoal at ao terminal.
Gwen estendeu a mo e tocou a dele, colocada sobre o volante. 
Vai =correr tudo bem - disse.
NoS vestirios, Keith percebeu que contemplava h vrios 
=minuto? a chave do quarto duzentos e vinte e quatro da 
Estalagem =O'Hagan; ? teriam sido segundos? Sentia-se 
mentalmente exausto. =O crebno
urdio da memria e da conscincia podia tomar-se um =factor
tormento tormento que s a morte podia terminar. Morte. 
Esquecimento. =O descanso to almejado.-
Agora, porm, devia regressar  sala de radar para acabar o 
seu =turno. Depois,  meia-noite, dirigir-se-ia para a 
Estalagem O'Hagan e =tomaria as quarenta cpsulas de Nembutal 
que tinha num frasco que =guardava no bolso. H meses que as 
conservava consigo. Depois
recordou aquele dia, um ano e meio antes, gravado a fogo na 
sua
memria.
Vinte e quatro de Junho. Em Leesburg, Virgnia, o cu 
amanhe=3D =cera lmpido - CavoK informavam os boletins 
meteorolgicos no =calo de aviao para ??tecto e 
visibilidade ilimitada =(ceiling and visibility OK),?. O sol 
estava quente; uma brisa =suave que soprava da cordilheira 
das Montanhas Azuis trazia um aroma a =madressilva. Era um 
dia para poetas, apaixonados e para os aficionados =da 
fotografia a cores um dia que se conserva na lembrana e anos 
mais =tarde se recorda.
Keith seguira de automvel de Adamstown, Maryland, onde os 
=Bakersfelds tinham uma casa agradvel, at ao Centro de 
Coordena- =o de Controle de Trfego Areo de Washington, em 
=I.eesburg. Mesmo no interior da diviso de operaes - de 
=paredes grossas e desprovida de janelas -, Keith sentia o 
esplendor =daquele dia de Vero l fora. Entre os setenta 
controladores =reinava um ambiente leve. Devido ao bom tempo, 
o volume de trfego =era menor do que o usual. Muitos voos 
no comerciais e mesmo algumas =carreiras regulares voavam em 
contacto (V. F. R. - visualflighr rules), =sem necessidade de 
comunicar com os controladores.
Todo o trfego areo sobre os seis estados da orla martima 
era =dirigido a partir da sala de operaes do Centro de 
Controle de =Trfego Areo de Washington. A rea de controle 
abrangia mais =de duzentos e sessenta mil quilmetros 
quadrados, incluindo o =trmino sul do ??corredor 
nordeste?,, onde =diariamente se acumulava a maior 
concentrao de trfego =areo do Mundo. O sector de Keith 
era um segmento da rea =Pillsburg-Baltimore, monitorizada 
por uma equipa constituda por =trs funcionrios, de que 
Keith era o controlador.
dois controladores assistentes trabalhavam com as condies 
de =voo
comunicaes; um supervisor coordenava as actividades. 
Naquele ??a tinham um controlador estagirio, George 
Wallace, que Keith =vinha treinando h vrias semanas.
O trfego era normal para aquela hora do dia. No cran, uns
uinze pontos minsculos de uma brilhante luz verde - alvos, 
como eram =denominados pelos homens do radar - indicavam 
aeronaves
o ar. A Allegheny tinha um Convair 440 a oito mil ps, que se 
=aproximava de Pittsburg. Atrs do Allegheny, a altitudes 
=diversas,
guiam um DC-8 da National, um 727 da American, dois avies 
=particulares - um Learjet e um Fairchild F 27 - e outro da 
National, um =Electra. Vrios outros voos eram esperados e 
deviam estar a ?=parecer no cran a qualquer momento, depois 
de terem descolado do =aeroporto de Friendship, ?em 
Baltimore. Havia um Delta DC-9 a =caminho de Baltimore, cujo 
controle seria em breve transferido para n =aeroporto de 
Friendship; atrs dele seguiam mais cinco avies com =destino 
a Baltimore.
A troca de palavras entre Keith e os pilotos era gravada em 
fita =magntica, que, caso necessrio, seria passada numa 
sala em baixo =da sala de controle, onde se sucediam as filas 
de gravadores cujas fitas =rodavam lentamente. 
Periodicamente, algumas fitas eram passa- das e =ouvidas 
pelos supervisores, que as criticavam. Numa das portas da 
sala =um cartaz avisava, com um certo humor negro: o cHEr'E 
Esr A =OUVIR-NOS.
O supervisor de Keith, um negro alto e magro chamado Perry 
Yount, =colocou os auscultadores e avaliou rapidamente a 
situao. Em =momentos difceis era reconfortante sentir a 
presena de Peny, =homem dotado de uma enorme capacidade de 
memorizao. Perry tocou =no ombro de Keith. - Keith, estamos 
com uma pessoa a menos. Podes =aguentar um pouco?
- OK. - Keith transmitiu pela rdio uma correco de rumo a 
um =727 da Eastern, aps o que apontou para o estagirio 
George =Wallace, que se postara a seu lado. - Tenho George 
para olhar por =mim.
Peny afastou-se em direco a uma consola adjacente, enquanto 
=Keith ordenava ao estagirio: - George, comea a apanhar a 
=imagem.
Wallace aproximou-se do cran do radar. Era estagirio h 
dois =anos; anteriormente servira na Fora Area. Mais uma 
semana e
seria um controlador qualificado.
Deliberadamente Keith permitiu que a distncia entre um BAC- 
400 da =American Air Lines e um 727 da National se reduzisse, 
ultrapassando os =limites normais; imediatamente Wallace 
detectou a situao. Este =tipo de exerccios prticos era a 
nica forma segura que =permitia aferir a competncia de um 
novo controlador. E quando se =deparavam situaes difceis, 
um estagirio devia ter a =oportunidade de resolver o 
problema sem ajuda. Esses momentos eram =particularmente 
difceis para o instrutor. Se este assumisse o =controle da 
situao, podia destruir a confiana do =estagirio; se no o 
fizesse, podia verificar-se uma coliso. =Muitos 
controladores se recusavam a suportar estas tenses. A tarefa 
=de ensinar no implicava reconhecimento oficial nem 
recompensa =monetria extra. Ento, para qu sofrer tal 
tenso? Keith, =porm, executava esta tarefa, que considerava 
um dever, e sentia-se =orgulhoso com a evoluo de Wallace.
s dez e trinta da manh, Keith e George Wallace trocaram de 
=posies. Pelo que verificara, Keith no via necessidade de 
=intervir. Wallace era competente e mantinha-se atento. s 
dez para as =onze Keith teve de ir  casa de banho e fez um 
sinal a Peny =Yount.
O supervisor perguntou: - George est a funcionar bem?
- Como um veterano - respondeu Keith em voz alta, para que 
George o =ouvisse.
- Eu encarrego-me da situao - disse Peny. - Podes ir.
Keith assinou a folha de servio do sector, anotando a hora. 
Perry =traou rapidamente as suas iniciais, aceitando a 
responsabilidade de =vigiar Wallace. Quando Keith saiu da 
sala, o supervisor estava a =inspeccionar o cran, com a mo 
levemente apoiada no ombro de =Wallace.
Na casa de banho, a vidraa coberta de geada filtrava parte 
da =claridade do dia. Quando terminou, Keith abriu a janela. 
Contemplou =prados verdes, rvores e flores silvestres e teve 
conscincia da =sua relutncia em abandonar aquele dia 
esplendoroso e regressar  =obscuridade da sala de controle. 
J vrias vezes experimentara =essa sensao; no era s a 
obscuridade que o afectava, era =tambm a presso mental. Nos 
ltimos tempos tivera que se =forar a enfrentar ambas. 
Enquanto Keith olhava pela janela, um jacto =727 da Northwest 
ent, que seguia de Minneapolis para St. Paul, =aproximava-se 
de Washington D. C. Na cabina, uma hospedeira =debruava-se 
sobre passageiro idoso, de rosto trreo, que =aparentemente 
estava a ter um ataque cardaco. Ela precipitou-se para =o 
cockpit afim de informar o comandante do ocorrido. Momentos 
depois o =jacto pedia centro de controle de Washington 
prioridade na =aproximao ao nacional Airport... Keith 
interrogava-se por vezes, =tal como agora, sobre quantos ios 
mais conseguiria aguentar. Tinha =trinta e oito anos e era 
controlador h quinze. Naquela profisso =era fcil ser-se 
velho com taxenta e cinco anos, a quinze anos ainda =de uma 
reforma honrosa. A Direco=3DGeral da Aeronutica 
=apresentara ao Congresso uma oposta de reforma dos 
controladores aos =cinquenta anos ou aps vinte anos de 
servio, que, segundo os =mdicos da companhia, equivaliam a 
quarenta anos na maioria das =restantes profisses. Mas 
Congresso recusara. Uma comisso =presidencial vetara 
igualmente na reforma prematura para os =controladores. 
Oficialmente, a Direco-Geral da Aeronutica =desistira. 
Particularmente, os seus funcionrios eram de opinio =que o 
problema surgiria de novo, embora s ;pois de ocorrer um 
=desastre causado por controladores exaustos. Keith desejou 
ardentemente =sair do edifcio e dormitar ao sol. :as tal no 
seria possvel, =e o melhor que tinha a fazer era regressar 
sala de controle. Iria j. =S mais um instante.
Todos os voos estavam a ser rapidamente desviados do 727 da 
Northwest =Orient ou dirigidos para posies de espera a 
distncias =seguras. Por entre o trfego crescente do meio-
dia abria-se um =espao sinuoso pelo qual o Northwest 
continuaria a descer. O controle =de aproximao no National 
de Washington fora alertado. Mas =naquele momento toda a 
responsabilidade recaia sobre o sector ,de Perry, =Yount. O 
avio tinha de ser conduzido por entre quinze aparelhos que 
=executavam malabarismos num espao areo limitado.
Perry, Yount, calmo e com voz serena, coordenava os 
procedimentos de =emergncia. O voo da Northwest descia 
mantendo o rumo. Dentro de =poucos minutos a emergncia teria 
terminado. Perry, conseguiu mesmo =arranjar tempo para se 
deslocar at ao lugar a seu lado - que =normalmente mereceria 
a sua ateno -para verificar o trabalho de =George Wallace. 
parecia estar a correr bem, embora Perry ficasse mais =desca 
logo que Keith regressasse.
Keith permanecia  janela, pensando em Natalie. Ultimamente a 
=trabalho dele provocara alguns desentendimentos entre ambos. 
Nata- lie, =que estava preocupada com Keith, queria que este 
abandonasse a controle =de trfego areo e escolhesse outra 
ocupao enquanto era =ainda novo e saudvel. Keith 
considerava um erro confiar-lhe as suas =prprias dvidas, 
pois era difcil fazer tbua rasa de anos =de treino e 
experincia.
Sobre Martinsburgh, West Virginia, a umas trinta milhas a 
noroeste do =Centro de Coordenao de Controle de Trfego de 
Washington, um =Beech Bonanza particular, a uma altitude de 
sete mil ps deixava o =corredor V 166 e entrava no V 44. O 
pequeno Beech Bonanza, =identificvel pela sua cauda em forma 
de borboleta, voava a uma =velocidade de cruzeiro de cento e 
setenta e cinco milhas/hora com =destino a Baltimore. Levava 
como passageiros a famlia Redfern: =Irving Redfern, 
engenheiro, sua mulher, Merry, e seus filhos - Jeremy,, =de 
dez anos, e Valerie, de nove.
Irving Redfern era um homem cuidadoso. Preenchera um plano de 
voo por =instrumentos no seu aeroporto de Charleston, West 
Virginia, e =mantivera-se em contacto com o controle de 
trfego. Seguindo as =instrues do Centro de Washington, 
entrara no corre- dor V 44. Os =Redferns dirigiam-se a 
Baltimore em parte por exigncias =profissionais de Irving, 
em parte por prazer, e nesta perspectiva haviam =planeado uma 
ida ao teatro naquela noite.
O controlador que transmitira a Redfern a ltima instruo 
fora =George Wallace, que identificara correctamente no cran 
o Beech- =craft de Redfern - um brilhante ponto verde, menor 
e mais lento que o =restante trfego. Parecia dispor de amplo 
espao areo para se =movimentar. Periodicamente, Perry, 
relanceava George e perguntava: - =Tudo OK? - e George 
confirmava com um aceno, embora comeasse a =transpirar um 
pouco.
Sem o conhecimento de Wallace, Yount ou Redfern, um T-33 da 
Guarda =Area Nacional descrevia crculos vagarosos a 
escassas milhas a =norte do corredor V 44. O T-33, 
proveniente de Baltimore, l pilotado por =Hank Neel, um 
vendedor de automveis que estava cumprir o seu =servio 
militar em part-time. Como s podia efectuar voos locais 
=numa zona autorizada a noroeste de Baltimore, o fora 
preenchido qualquer =plano de voo no Centro de Controle 
Washington. Em principio, tal no =teria importncia se Neel 
no fosse um piloto descuidado. =Casualmente, ao olhar para 
fora enquanto mantinha o avio a descrever =crculos lentos, 
constatou que afastara demasiado para sul. H =alguns minutos 
Que entrara na rea de controle do radar de Wallace, e =agora 
aparecia no cran um nto verde, de dimenses ligeiramente 
=superiores s do Beech ?nanza de Redfern. Um controlador 
=experiente teria reconhecido o quanto instantaneamente. 
George, ocupado =com outro trfego, no parara ainda no sinal 
no identificado. =A quinze mil ps de altitude, Neel decidiu 
terminar o seu voo de =treino com acrobacia - dois loopings e 
dois toneaux -, aps o ??e regressaria  base. Fez o T-33 
descrever uma volta apertada, =rculando mais perto ainda do 
corredor V 44 e do Beechcraft.
O que a mulher no conseguia perceber, pensava Keith, era que 
ele =tinha uma famlia para sustentar, filhos a educar - e a 
especialidade =adquirida naquele emprego no o preparara para 
mais nada. A um jovem, =o nvel de ordenado da funo pblica 
recebido pelos =controladores de trfego areo parecia 
razovel. S mais =tarde se verificava que ?o compensava a 
terrvel =responsabilidade do posto. As duas especialidades 
mais tcnicas =relacionadas com o trfego areo eram a dos 
pilotos e a dos =controladores. E enquanto os pilotos 
ganhavam trinta mil dlares por =ano, um controlador snior 
atingia o topo da escala com dez mil =dlares.
Keith consultou o relgio e constatou com um sentimento de 
culpa que =demorara quase quinze minutos. Fechou a janela e 
dirigiu- -se =apressadamente para a sala de controle.
Muito acima de Frederick County, Maryland, Neel nivelou o seu 
T-33 da =Guarda Area Nacional, aliviando o manche. 
Inspeccionou rapidamente =os cus e no viu nenhum avio nas 
imediaes. Iniciando =um looping e um tonneau lento, colocou 
o avio em posio de =picar.
Ao entrar na sala de controle, Keith sentiu um aumento do 
ritmo de =trabalho. O zumbido das vozes soava mais alto. 
Assinou rapidamente um =interruptor e premiu com uma pancada 
um boto de isso: - Beech =Bonanza NC-403, Centro de 
Washington.  direita imediatamente. H =trfego no 
identificado  sua
O T-33 da Guarda Area Nacional terminava a picada. Neel
puxou o manche e iniciou uma rpida subida. Imediatamente 
acima dele =encontrava-se o minsculo Beech Bonanza de 
Redfern.
Em silncio, rezando fervorosamente, os controladores 
observavam os =pontos verdes e brilhantes cada vez mais 
prximos. O rdio
pitou: - Centro de Washington, Beech... - A transmisso foi 
=abruptamente interrompida. mente a folha de servio do 
sector, marcou =as horas e colocou-se atrs de Wallace, a fim 
de apanhar a imagem. =George murmurou:- Ol - e continuou a 
transmitir instrues =radiofnicas.
Keith estudou o cran de radar e os pontos de luz em 
movimento, alvos =que George assinalara com silhuetas mveis. 
Um ponto verde brilhante =no identificado chamou-lhe a 
ateno. Interrogou rispidamente =George: - Que trfego  
este ao p daquele Beech Bonanza ?
Neel subiu de novo at  altitude de quinze mil ps, ainda 
=sobre Frederick County, embora mais para sul. Nivelou o 
jacto, inclinou =acentuadamente o nariz do avio e iniciou 
uma picada para um segundo =looping.
- Que trfego?... - George, cujos olhos seguiram os de Keith 
ao longo =do cran, teve um sobressalto. Com um gesto rpido, 
Keith arrancou =os auscultadores de George e empurrou-o para 
o lado.
Irving Redfern era um competente piloto amador. Um piloto de 
linha =area teria descrito instantaneamente com o avio uma 
pronunciada =volta  direita sem esperar para confirmar a 
recepo d =mensagem ou para fazer perguntas. Dai talvez 
resultassem prejuizos =menores e talvez a Comisso de 
Aeronutica Civil instaurasse um =inqurito. Mas ter-se-iam 
poupado vidas. Uma aco rpida =teria salvo a famlia 
Redfern.
Mas Irving Redfern, habituado a cumprir os procedimentos 
correctos, =acusou a recepo da mensagem de Keith, para o 
que gastou dois ou =trs segundos - todo o tempo que Lhe 
restava. O T-33 de Neel, numa =subida rpida que se iniciara 
na base do seu looping, arrancou a asa =esquerda do Beech 
Bonanza, que se desprendeu com um arrepiante =estilhaar. O 
T-33 continuou a subir por breves instantes, enquanto a =sua 
seco dianteira se desintegrava. Sem perceber o que se 
=passara, Neel ejectou-se e abriu o pra-quedas. Muito em 
baixo, =descontrolado, o Beechcraft Bonanza despenhava-se em 
direco ao =solo. Sentado no assento do piloto do avio, que 
caia descrevendo =espirais, Irving Redfern - talvez num 
ltimo gesto de desespero - =carregou no boto de transmisso 
do seu microfone e manteve-o =premido. O rdio funcionou.
As mos de Keith tremiam-lhe quando ele tentou de novo 
comunicar com =o aparelho: - Beech Bonanza NC-403, Centro de 
Washington. Est a =ouvir-me?
Ao lado de Keith, de rosto exangue, George Wallace movia 
silenciosamente =os lbios. Sob os seus olhares horrorizados, 
pontos no cran =convergiram, fundiram-se e desvaneceram-se. 
Pe Yount, percebendo que =algo de grave se passava, 
aproximou- deles. - Que h?
Com a boca seca, Keith respondeu: - Penso que tivemos uxn? 
=coliso.
E ento aconteceu: aquele som de pesadelo, que todos 
desejara?= ardentemente nunca ter ouvido e que nunca mais era 
possvel apagai =da memria. A transmisso foi ouvida no 
altifalante da consola que =Keith ligara quando comeara a 
transmisso da emergncia. =Ouviu- -se primeiro um rudo de 
esttica, depois uma sucesso =de gritos lancinantes, 
histricos, arrepiantes. Na sala de controle, =os controla- 
dores, os rostos plidos, baixavam a cabea. George 
=soluava. I)e outras seces acorriam supervisores 
=seniores.
De sbito, uma voz sobreps-se aos gritos, uma voz 
aterrorizada, =desesperada, suplicante. As palavras no se 
perceberam todas. S =mais tarde, quando a gravao da ltima 
transmisso foi =ouvida uma e muitas vezes,  que as palavras 
adquiriram sentido. Era =a voz de Valerie Redfern, de nove 
anos: - Me! Pai! Faam qualquer =coisa, no quero morrer... 
Meu Menino Jesus, eu tenho sido boa! Por =favor, no quero. .
Misericordiosamente, a transmisso parava ali.
O Beech Bonanza esmagou-se no solo e ardeu, perto de Lisbon, 
Maryland. O =que restou dos quatro corpos foi enterrado num 
caixo comum.
Neel aterrou ileso, com o pra-quedas, a oito quilmetros de 
=distncia.
WALLACE, Bakersfeld e Yount foram suspensos do servio 
enquanto =decorria o inqurito. Wallace foi considerado 
tecnicamente no =responsvel, uma vez que no era ainda 
qualificado, mas foi-lhe =vedado qualquer emprego no controle 
de trfego areo. Foi Perry =Yount que acabou por ser 
considerado responsvel. A comisso de =inqurito decidiu que 
ele devia ter perdido menos tempo com a =emergncia do 
Northwest Orient, dedicando mais ateno  =superviso de 
Wallace durante a ausncia de Keith. O facto de =Perry estar 
a acumular servio que podia ter recusado foi considerado 
=irrelevante. Foi oficialmente censurado e baixou de posto.
Keith foi ilibado. A comisso de inqurito fez notar que ele 
=pedira para ser temporariamente substitudo no seu servio 
que o =pedido era razovel e que ele cumprira o regulamento. 
Foi louvado ela =sua rpida avaliao da situao e actuao 
ao =regressar ao servio. Quando percebeu o rumo que o 
assunto estava a =tomar em relao a Perry, Keith tentou 
levantar o problema do =tempo que permanecera ausente e arcou 
com a maior parte das culpas. A =?misso considerou esta 
atitude um gesto cavalheiresco e, =consequentemente, no 
tomou em considerao o seu =depoimento.
Um inqurito da Guarda Area Nacional provou que o tenente 
fenry =Neel fora culpado de negligncia por ter permitido que 
o seu '-33 se =aproximasse do corredor V 44. Contudo, no foi 
proferida qualquer =sentena contra ele, que continuou a voar 
aos fins-de- ? =Perry Yount sucumbiu a um colapso nervoso e 
foi internado num hospital =psiquitrico. Quando teve alta, 
foi trabalhar num bar de ?=Baltimore. Keith ouvira dizer que 
bebia muito. =3D Quando a suspenso =de Keith foi levantada, 
os colegas mostraram-se simpticos e =compreensivos, e 
inicialmente o trabalho correu bastante bem. Aps a =sua 
tentativa abortada de colocar o problema perante a comisso 
de =inqurito, Keith no confiara a ningum - nem mesmo a 
Natalie - =que, naquele dia fatdico, permanecera algum tempo 
na casa de banho a =divagar. Natalie, porm, que sabia que 
ele sofrera um choque =traumtico, era compreensiva e teria, 
como sempre, tentado =ajud-lo a
E talvez o tivesse conseguido se no fosse o facto de Keith 
passar a =sofrer de insnias e por vezes passar noites 
completa- mente =acordado. Quando dormia, sonhava sempre com 
a sala de controle - os =pontos de luz que se fundiam... a 
sua ltima mensagem desesperada... =os gritos... a voz de 
Valerie Redfern... Em sonhos, sbia que era =possvel salvar 
o avio, mas ou no conseguia mexer-se para =agarrar os 
auscultadores de rdio de Wallace ou a voz no lhe =saa. 
Permanecia acordado a desejar o impossvel - alterar a forma 
=do passado. E resistia ao sono, no podendo suportar de novo 
a =tortura do sonho.
Keith sabia que a verdadeira responsabilidade da tragdia dos 
=Redferns era dele. Perry Yount confiara em que Keith 
regressaria  =sala de controle logo que pudesse. E ele, no 
obstante saber que o =amigo estava a acumular o seu servio, 
trara a confiana =nela
depositada.
A famlia Redfern morrera devido  indolncia e ao egosmo 
=de Keith durante aqueles minutos cruciais. Mesmo durante o 
dia, a =lembrana dos Redferns perseguia-o. Os seus prprios 
filhos, vivos =e saudveis, eram uma acusao.
A mente torturada de Keith, abalada pela dor, no cessava de 
=reflectir e especular sobre a situao. As noites insones e 
o =turbilho mental comearam a afectar o seu trabalho. As 
=reaces eram mais lentas, as decises menos rpidas. J 
=por duas vezes ??perdera a imagem" e tivera de ser 
=auxiliado.
Tinham-se seguido conversas amigveis nos gabinetes dos seus 
=superiores. Com o seu consentimento, Keith fora transferido 
para o =Lincoln International. Pensava-se que uma mudana de 
ambiente teria =efeito teraputico. Alm disso, a influncia 
de Mel poderia =contribuir para a estabilizao mental de 
Keith.
Mas nada resultara. O sentimento de culpa persistia e ele s 
dormia =com a ajuda de barbitricos. Mel pedira-lhe que 
consultasse um =psiquiatra, mas Keith recusara. A sua culpa 
era real. No havia nada, =no cu, na terra ou nas clnicas 
psiquitricas que pudesse =alterar esse facto.
Por fim, at Natalie se revoltou coma a depresso do marido. 
Um =dia, zangada e impaciente, perguntou-lhe:
- Vamos ter de penar o resto das nossas vidas? Nunca mais 
vamos ter =alegria, nunca mais vamos poder rir? No vou 
permitir que Brian e =Theo cresam neste ambiente de 
desgraa! As nossas vidas so =mais importantes que o teu 
trabalho. Sai, arranja outro emprego! Sei que =isso implica 
desistir da reforma, mas havemos de nos arranjar. Eu =suporto 
tudo o que for preciso, Keith, tudo menos a vida que estamos 
a =viver agora. - As lgrimas assomavam-Lhe aos olhos, mas, 
=dominando-se, conseguiu acabar. -Queria avisar-te que no 
consigo =aguentar muito mais. Se continuas assim, vais acabar 
por ficar =sozinho.
Era a primeira vez que Natalie sugeria a hiptese de 
divrcio. Foi =tambm a primeira vez que Keith encarou a 
hiptese de suicdio. =A porta dos escuros vestirios abriu-
se. Outro controlador fizera um =intervalo no seu trabalho e 
entrava. Keith guardou de novo as =sanduches, nas quais no 
tocara, fechou o armrio e regressou = sala de radar. 
CAPTULO V pequeno gabinete, Tanya enfrentava a =idosa 
passageira clandestina de San Diego, de nome Ada Quonsett. - 
A =senhora j fez isto mais vezes, no fez? - perguntou
-- Claro, minha querida. Vrias vezes. - Ada estava confort- 
??el e descontraidamente sentada, as mos cruzadas no colo, 
=deixando entrever a ponta de um leno de renda. Pela 
aparncia =dir-se-ia que ?e dirigia para a igreja. Em vez 
disso, fora =apanhada a viajar sem bilhete entre Los Angeles 
e Nova Iorque.
Declarara-se uma epidemia de clandestinos desde que os avies 
a jacto =haviam passado a realizar mais frequentemente o 
transporte de =passageiros. Ada teria chegado a Nova Iorque 
sem ser detectada se no =tivesse confidenciado a sua 
situao a um companheiro de viagem, =que informara do facto 
uma hospedeira, a qual por sua vez o comunicara =ao 
comandante. Este enviara uma mensagem radiofnica antes de 
=aterrar, pelo que  chegada ao Lincoln International Ada era 
esperada =por um vendedor e um guarda da segurana.
Tanya continuou: -  melhor contar-me tudo.
- Bom, sou viva e tenho uma filha casada em Nova Iorque. 
Quando me =sinto sozinha e a quero visitar, vou at Los 
Angeles e apanho um =avio para Nova Iorque. Mas no tenho 
dinheiro para pagar o =bilhete. Vivo do que me d a Segurana 
Social e de uma pequena =penso. S consigo pagar o bilhete 
de autocarro de San Diego para =Los Angeles.
- A senhora paga o autocarro?
- Claro! O pessoal da Greyhound  muito rigoroso!
- E porque  que no utiliza o aeroporto de San Diego?
- Sabe, minha querida,  que receio que j me conheam.
Tanya estava a fazer um grande esforo para manter um ar 
severo, o =que no era fcil.
- J viajou clandestinamente noutras companhias?
- J, j. Mas a minha preferida  a Trans America: so 
=pessoas muito compreensivas. Quando resolvo voltar para 
casa, basta =dizer- -lhes que viajei clandestinamente para 
Nova Iorque. Perguntam-me =a data e o nmero do voo, que eu 
aponto sempre para no me =esquecer. Ento eles olham para o 
manifesto de passageiros e acabam =por me mandar para casa. - 
Mrs. Quonsett sorriu simpaticamente. - Claro =que s vezes 
apanho um raspanete. Dizem
que me portei mal e que no devo repetir a graa.
O mais incrvel, pensou Tanya, era que desde que um 
passageira
clandestino j se encontrasse a bordo na turstica, era pouco 
=provvel
que fosse descoberto, a menos que a lotao do avio 
=estivesse
esgotada.  certo que as hospedeiras contavam o nmero de 
=cabeas,
e se o seu total no condizia com a contagem feita pelo 
=funcionrio junto  porta de embarque suspeitava-se de um 
=clandestino, mas essa
situao obrigava o supervisor de embarque a tomar uma 
=deciso:
deixar seguir o avio ou verificar todos os bilhetes, o que 
=representa- ria um atraso de quase meia hora. Entretanto, o 
custo da =manuteno do jacto em terra subiria 
vertiginosamente e os =passageiros reclama- riam. A perda de 
dlares e de clientela =excederia consideravelmente o custo 
de uma viagem grtis. Assim, a =companhia deixava o avio 
seguir e no termo da viagem o clandestino =saa calmamente.
- A sehora  simptica - disse Ada. - E muito mais nova do 
que =as outras senhoras da companhia que tenho conhecido. No 
lhe dou mais =de vinte e oito anos.
- Deixe-se disso - interrompeu Tanya rispidamente. - O que
a senhora fez no  honesto. Defraudou a companhia. Podia ser
processada.
Um relmpago de triunfo cintilou no rosto de Ada. - Mas no
vou ser, pois no? Eles nunca processam ningum.
Como era intil discutir, Tanya respondeu: - Mrs. Quonsett, 
j que =usufruiu tantas vezes gratuitamente dos nossos 
servios, podia agora =dar-nos uma ajuda. Gostava de saber 
como  que embarca nos nossos =avies.
Ada sorriu. - Bem, minha querida, h vrios processos. A 
maior =parte das vezes fao por estar no aeroporto cedo para 
conseguir um =carto de embarque. Como actualmente as 
companhias usam os envelopes =dos bilhetes como cartes de 
embarque, dirijo-me a um balco, digo =que perdi o meu 
envelope e peo outro. Escolho sempre um balco =onde os 
funcionrios estejam assoberbados de trabalho e arranjo 
=sempre um envelope. O envelope est em branco, mas eu 
preencho-o de =forma que parea um carto de embarque, na 
casa de banho das =senhoras. Como trago sempre comigo alguns 
cartes de embarque =antigos, sei o que hei-de escrever. 
Depois vou para a sala de embarque e =espero at que o 
controlador de embarque esteja ocupado com uma =quantidade de 
pessoas. Passo por ele e sigo em direco ao =avio. As 
hospedeiras so amigas novas, minha querida, sempre 
=entretidas a conversar umas i as outras ou interessadas 
apenas em =homens. Limitam-se a olhar i o nmero do voo, e eu 
escrevo sempre o =nmero certo. - E se no chega a tempo de 
arranjar um envelope? - =Oh, nessas alturas recorro a uma 
mentira inocente. Digo que quero =assistir  partida de minha 
filha ou, se o avio chega de outro =? qualquer, digo que 
estou a voltar para o meu lugar mas que rei =o bilhete a 
bordo. Ou ento digo que o meu filho acabou de ?=arcar, mas 
que deixou cair a carteira e que Lha quero entregar. E ?? 
uma carteira na mo. Esta resulta sempre. - No duvido - 
=comentou Tanya. Reunira uma quantidade de material, 
reflectia, para =incluir numa nota interna dirigida ao 
pessoal embarque e s =hospedeiras a bordo. - O meu falecido 
marido, que era professor de =Geometria, costumava dizer que 
se devia tentar encarar todos os =ngulos. Tanya fitou Mrs. 
Quonsett com um olhar severo. Estaria a =ser
No outro lado da sala tocou um telefone, e Tanya levantou-se 
para =atender.
- Precisa de ajuda para enfrentar essa prenda? - Era a voz do 
director =distrital de trfego, em geral bem humorada, mas 
naquele
dia irascvel. Trs dias e trs noites a reencaminhar 
=passageiros
descontentes e a ser pressionado pelos superiores comeavam a 
=surtir
os seus efeitos.
- Preciso - respondeu Tanya. - Quero um bilhete de ida para
Los Angeles hoje  noite, em nome de Mrs. Ada Quonsett, a
expensas da companhia.
O director distrital de trfego declarou, numa voz imtada:- 
Detesto =p-la  frente de passageiros que pagaram os seus 
bilhetes e que =esto h horas  espera. Mas o melhor  
vermo-nos livres =dela.  Vou deferir o pedido e pode ir 
buscar o bilhete ao balco =de passagens. Avise Los Angeles, 
para que a polcia do aeroporto =escolte essa velha chata at 
ela sair do aeroporto.
Tanya disse baixinho: - Espero que ela no seja da famlia de 
um =VIP.
O director distrital de trfego resmungou: - Ento o VIP que 
lhe =compre um bilhete.
Tanya sorriu e desligou. Virando-se para Mrs. Quonsett, 
disse:- Vamos =envi-la de volta a Los Angeles.
Um brilho imperceptvel iluminou os olhos cinzentos. -pois 
sim, minha =querida. Mas gostava de tomar uma chvena de ch. 
S? puder =ir andando, a senhora diz-me a que horas devo estar 
c:
Tanya abanou a cabea. - Pode tomar o seu ch com um dos 
nossos =funcionrios. Vou mandar chamar um que vai acompanh-
la at =embarcar.
Mrs. Quonsett dardejou-lhe um olhar hostil.
Decomdos dez minutos fora reservado um lugar no voo cento e 
tn?? directo para Los Angeles, que partia dali a hora e 
meia, e Ada foi =entregue aos cuidados de um jovem 
funcionrio da Trans America, de =nome Peter Coakley, 
recentemente recrutado e com idade para ser neto =dela, a 
quem Tanya deu instrues. - No largue de vista Mrs. 
=Quonsett at  hora de embarque. Ela quer tomar ch, 
portanto =leve-a ao coffee shop. Se ela precisar de ir  casa 
de banho, espere = porta. Na altura de embarcar suba a bordo 
com ela e entregue-a a =uma hospedeira.
Ada deu o brao a Peter. - Espero que no se importe, meu 
rapaz. =Uma velha como eu precisa de apoio. Voc lembra-me 
tanto o meu =querido genro! Parece que o pessoal da vossa 
companhia.  tudo gente =bonita. - E lanando a Tanya um 
olhar carregado de censura continuou: =- Pelo menos a maioria
- No se esquea - insistiu Tanya - que ela  capaz de 
enganar =qualquer um.
No tinha qualquer hiptese de ir  festa, decidiu Mel. A 
pista =trs zero continuava bloqueada pelo jacto atolado e os 
atrasos do =trfego aumentavam. Era muito possvel que dentro 
de poucas horas =tivesse que fechar o aeroporto. O KC- da 
Fora Area aterrara =inclume, mas Mel continuava preocupado 
pelo pressentimento de perigo =que lhe sobreviera no campo de 
aviao.
Entretanto, Cindy continuava  espera dele na festa de 
caridade. Era =prefervel inform-la j da sua 
impossibilidade de comparecer e =no pensar mais no assunto. 
Ela atendeu o telefone, ouviu-o num =silncio gelado e depois 
disse: - No admira. Percebi que estavas =a mentir quando 
disseste que vinhas. Tenho estado a pensar. Quanto tempo 
=ainda vais ficar no aeroporto?
- At  meia-noite; talvez toda a noite.
- Ento eu vou a falar contigo.
- Ouve, Cindy, no vale a pena. No  nem a altura nem o 
local =prprios. - Para o que eu tenho para te dizer qualquer 
lugar serve.- =quando ele comeou a protestar, ela desligou.
O que acontecer de facto  que Cindy tomara uma deciso a _ 
=peito de Lionel Urquhart, um homem que pairara na vida de 
Sndy como um =ponto de interrogao at quela noite. 
Curiosa- ente, fora =Mel quem aproximara Cindy e Lionel, 
durante um
oo em que este, arquitecto de profisso, estivera presente 
como =autor do projecto de um edifcio da cidade. Depois, 
Lionel =telefonara
Cindy. Tinham-se encontrado algumas vezes para almoar ou
jantar, depois tinham intensificado os encontros e finalmente 
a sua =relao transformara-se num affair amoroso. Cindy 
calculava =que
el suspeitava do facto.
Ao contrrio de muitos homens, Lionel encarava a situao com 
=?tOda a seriedade. Estava separado da mulher h muitos anos, 
=embora ?o divorciado, e vivia sozinho. E agora queria 
=divorciar-se e queria que Cindy se divorciasse tambm para 
poderem =casar. Constituiria
a ele uma felicidade profunda proporcionar um lar a Roberta e 
a
by e faria o seu melhor para ser um bom padrasto.
O casamento com Lionel elevaria o nvel social de Cindy. Os 
=Urqharts eram uma antiga e respeitvel famlia daquela 
cidade =e a me de Lionel ainda dominava uma manso em 
decadncia onde =um mordomo digno de figurar num museu 
escoltava as visitas e uma criada =dobrada pela artrose 
servia o ch numa salva de prata. Cindy resolveu =tomar a 
grande deciso: aceitaria a proposta de Lionel.
DE?t7lS de desligar o telefone, Mel saiu do gabinete 
silencioso =e desceu at  sobreloja, de onde observou a 
tremenda actividade =da sala de embarque. Tornavam-se 
urgentes novas medidas que facilitassem =o embarque e 
desembarque dos passageiros, que se processavam to =lenta e 
ineficientemente. Com o rolar dos anos, o preo dos avies 
=aumentava e elevava-se o custo de os manter inactivos em 
terra. Os =tcnicos de planeamento das companhias areas 
esforavam-se por =que diminusse o nmero de horas que cada 
avio permanecia em =terra.
J havia planos para ??contentores humanos" paca 
passageiros- =_baseados nos igloos da American Airlines. Os 
igloos eram contentores de =fretes areos pr-carregados, 
cuja configurao lhes =permitia adaptarem-se  fuselagem de 
um avio a jacto. Os =contentores humanos seriam pequenas e 
confortveis seces de =cabina c lugares nos quais os 
passageiros entrariam nos locais de =check-?` Os contentores 
seriam ento transportados por meio =de tapetes rolantes para 
posies de embarque e seriam encaixados =no avi? que podia 
ter acabado de descarregar contentores =humanos de ctr? gada. 
Uma vez os contentores colocados, as suas =janelas 
corresponderiam s da fuselagem do avio. As portas nas 
=extremidades doa contentores seriam de correr, para 
permitirem a =passagem para outras seces.
O sky Iounge era uma concepo relacionada com a anterior 
j?? em estudo em Los Angeles. O compartimento, com 
capacidade par?? quarenta passageiros, seria uma mistura de 
autocarro e =helicptero, Poderia circular nas ruas com 
energia prpria at =ao heliporto local, onde se 
transformaria num contentor sob um =helicptero maior, que o 
transportaria para ou de um aeroporto.
A velocidade a que esses sonhos se transformavam em realidade 
era =fascinante, reflectiu Mel. Desceu para a sala de espera 
principal; onde =uma multido se comprimia junto de dois 
balces da Trans America =onde se lia:
CHECK-IN ESPECIAL VOO DOIS - O ??GOLDEN ARl:;OSY.,
DIRECTO PARA ROMA
Viu Tanya, que falava com um grupo de passageiros. Decorrido 
um momento, =ela reuniu-se-lhe. - No posso demorar-me; isto 
parece uma casa de =doidos. Estamos a tentar que o Golden 
Argosy, saia  tabela. Penso =que o comandante Demerest no 
gosta de esperar.
Mel teve um sorriso irnico. - Ests a ser tendenciosa.
Tanya apontou para o quiosque de venda de seguros, onde duas 
atraentes =vendedoras, uma das quais uma espectacular e 
voluptuosa loura, se =atarefavam a preencher as aplices. -  
por causa disto que =Demerest entrou em conflito contigo, no 
?
-  - confirmou Mel. - Vernon acha que devamos abolir a 
venda de =seguros no aeroporto. Eu no concordo.
- Alguns de ns do razo ao comandante Demerest - respondeu 
=Tanya.
Mel abanou a cabea. - Os argumentos de Vernon no so 
=lgicos.
DE facto no eram lgicos, pensou Mel, h um ms, durante 
=uma
unio da comisso de administrao do aeroporto. Demerest 
=declarar
que a venda de aplices de seguros de voo punha em risco a 
vida
passageiros e tripulaes. Segundo ele, os seguros podiam ser 
=adquiridos atravs de corretores ou agncias de viagens. O 
sistema =?e aeroporto era um convite aliciante aos manacos e 
=criminosos para ?e dedicarem a assassnios em massa e 
obterem =prmios para os seus beneficirios. Demerest 
comunicara ainda que =a Associao dos pilotos de Linha Area 
fizera uma =petio ao Congresso no sentido de tornar ilegal 
a venda de =seguros nos aeroportos.
O ponto de vista de Mel era exactamente o oposto. Embora 
estivesse =provado que o avio era o meio de transporte mais 
seguro, segundo =[Vlel, a maior parte das pessoas 
experimentava um medo intrnseco de =realizar uma viagem 
area, pelo que se sentia mais confiante ao =adquirir seguros 
de viagens no aeroporto, facto comprovado pelo enorme =volume 
de vendas das mquinas. E enquanto na sua maioria os 
=passageiros no se lembravam de fazer os seguros com 
antecedncia, =quem quer que planeasse sabotar um avio podia 
fazer o seguro em =qualquer lugar. Alm disso, se os seguros 
de voos no fossem =vendidos no aeroporto, perder-se-ia um 
volume razovel de =receitas.
 claro que neste ltimo argumento residia o cerne do 
problema. O =Lincoln International recebia vinte e cinco 
cntimos por cada =dlar de prmio. Os seguros representavam 
a quarta maior =concesso, e s os parques de estacionamento, 
os restaurantes e o =aluguer de carros forneciam receitas 
mais avultadas para os cofres do =aeroporto. Os 
administradores concordaram em que os passageiros no 
=deveriam ser privados de um servio que obviamente 
desejavam.
Aps a reunio, Mel encontrou Demerest  sua espera no corre- 
=dor. - Ol - disse-lhe rapidamente -, espero que no sintas 
=ressentimentos.
-  claro que sinto - respondeu-lhe Demerest, em tom irado. - 
As =pessoas como tu no passam de mangas de alpaca com 
crebros de =minhoca. Se voasses tantas vezes como eu, 
encaravas o problema sob outro =ngulo.
Mel retorquiu asperamente: - Nem sempre fui piloto de 
secret- tia. - =No me venhas com essa conversa de heri 
veterano. Agora ests =em terra. V-se bem, pela forma como 
pensas. Um dia ainda hs-de =lamentar a posio que tomaste. 
E quando isso acontecer, se eu =estiver perto, hei-de te 
lembrar o dia de hoje..
Recordando a cena Mel interrogava-se se no poderia ter lida 
com =Demerest mais diplomaticamente. Mais tarde ou mais cedo 
teriam de =resolver as suas desavenas, ou pelo menos tentar 
esquec-las.
- Se calculasse que a simples meno dos seguros te ia levar 
para =to longe de mim nem teria tocado no assunto - disse 
Tanya:
Nunca at ento algum tivera a capacidade de Tanya de 
=adivinhar os seus pensamentos, pensou Mel. Ela observava-o, 
com um olhar =terno e compreensivo. - No me levaste para 
longe- respondeu Mel. - =Trouxeste-me para mais perto de ti. 
Tanya, amo-te...
Tanya era naturalmente franca. - Tambm eu te amo. J h 
muito =tempo.
- No vs para casa sem mim - disse=3Dlhe ele.
Ela estendeu a mo e as pontas dos seus dedos tocaram ao de 
leve a =mo dele. O contacto foi electrizante. - Eu espero 
por ti- respondeu =Tanya.
S nove e um quarto da noite, quarenta e cinco minutos antes 
do
seu horrio de partida, o voo dois da Trans America, o Golden 
=Argos)-,, ultimava os preparativos para a sua viagem de 
cinco mil milhas =at Roma. O avio era um Boeing 707 de sete 
milhes de =dlares, com motores de reaco que lhe permitiam 
uma =velocidade de cruzeiro de seiscentas e cinco milhas 
horrias. Tinha =uma autonomia de seis mil milhas e uma 
capacidade de cento e oitenta =passageiros e noventa e cinco 
mil litros de combustvel - o =suficiente para encher uma 
piscina de dimenses razoveis.
Dois dias antes, num voo de Duesseldorf, um dos motores 
tivera de ser =desligado por estar a aquecer demasiado 
(nenhum dos passageiros =percebera que estavam a voar com 
trs motores; alis, o avio =podia voar com um s motor). A 
manuteno da Trans America no =Lincoln International 
substitura o motor. Seguidamente, e dada a =probablidade de 
ar superaquecido se ter introduzido na nacelle do =motor 
causando estragos, substitura os cento e oito pares de 
=ligaes elctricas do avio. A tarefa representava um 
=esforo contnuo, dia e noite, uma vez que no espao 
confinado =da naclle s podiam trabalhar dois homens de cada 
vez.
Ao contrrio do que geralmente se pensa, os mecnicos dos 
=avies interessam-se profundamente pelos aparelhos que 
reparam. rr =vezes, meses decorridos aps uma tarefa 
complicada, comentam entre =si, ao observarem um avio a 
percorrer o caminho de descolagem: - =Olha o velho 842! 
Lembras-te do problema que tivemos ?m ele =daquela vez? 
Parece que ficou bom...
Trs horas antes da partida do voo dois, foram ligados os 
ltimos =is. Foi necessria ainda uma hora para colocar a 
cobertura do motor e =ensai-lo em terra. Depois, o piloto-
chefe da Trans America i base, =que acompanhara as operaes, 
fez um voo de experincia =certificou a sua operacionalidade.
Agora, na porta de embarque para o voo dois, os mecnicos 
=digavam-se dentro e fora do Boeing como um bando de gnomos 
=atarefados. Um dos principais artigos a embarcar eram as 
=refeies. ?mo sempre, a I.a classe tinha refeies 
=especiais; era possvel pedir segunda dose, e mesmo para os 
=passageiros de ltima hora havia sempre uma refeio. Havia 
=refeies de reserva - inclusive refei- ies kosher - em 
=armrios junto da porta de sada, que seriam embarcadas em 
caso de =chegadas inesperadas.
Os carregamentos de lcool, que exigiam um recibo assinado 
;la =hospedeira, foram igualmente embarcados. Para os 
passageiros ; l.a =classe as bebidas alcolicas eram 
gratuitas. Os passageiros da =torstica pagavam um dlar por 
bebida - a no ser que =percebessem que as hospedeiras tinham 
esgotado os trocos. Quando tal =acontecia, passageiro bebia 
sem pagar. Alguns passageiros bebiam h =anos de graa, 
porque entregavam sempre notas de vinte ou cinquenta 
=dlares, insistindo em que no tinham outro dinheiro de 
valor =inferior.
Vrias centenas de artigos para serem distribudos a bordo 
foram =comferidos e repostos, desde fraldas de beb a bblias 
de =Gedeo e contentores de bebidas. Tratava-se de artigos 
no =recuperveis. quando faltava algum, era substitudo e os 
=passageiros que desembarcavam levando algum objecto 
raramente eram =detidos. Nos artigos a serem distribudos a 
bordo incluam-se =jornais e revistas, embora na Trans 
America, tal como na maior parte das =companhias, : 
obedecesse a uma regra rgida - se um jornal ou uma =revista 
apresentasse uma reportagem sobre um desastre areo, no 
=entrava a
 medida que os passageiros faziam o check-in, a bagagem era 
=transportada para bordo. As malas que desapareciam por 
detrs do =balco do check-in eram transportadas, por meio de 
corredores =rolantes, para uma sala bastante abaixo das 
portas de embarque, chamada =a.?cova dos lees?? -de facto, 
s os corajosos ou =_ inocentes permitiriam que uma mala com 
os seus haveres fosse p a tal =local.  medida que as malas 
chegavam, um funcionrio manejava uma =alavanca, de acordo 
com o destino indicado etiqueta, e um brao =automtico 
estendia-se para colocar a mal? junto s outras =a serem 
embarcadas no mesmo avio. Em seguida, o? =carregadores 
transportavam as malas para os respectivos avies. =Tratava-
se de um excelente sistema, quando funcionava, mas pela menos 
=uma mala em cada cem era transviada.
O manuseamento da bagagem era o aspecto menos eficiente das 
viagens =areas, concordavam oficiosamente as companhias. Os 
sistemas de =distribuio e embarque de bagagens areas eram 
periodicamente =examinados por peritos, mas at  data 
ningum apresentara um =sistema que garantisse uma 
infalibilidade quase absoluta. Naquela noite =duas malas com 
destino a Roma estavam a ser embarcadas num voo para 
=Milwaukee, porque um funcionrio assoberbado de trabalho 
lhes colara =etiquetas indevidas.
O voo dois transportaria nove mil quilos de correio em sacos 
de ni??lon coloridos, alguns para cidades italianas e outros 
para serem =transportados para o Mdio e Extremo Oriente. O 
correio ??=mais pesado do que o normal,? era um bnus para a 
Trans =America. Um voo da BOAC, que deveria partir antes do 
voo dois, anunciara =um atraso de trs horas, e 
consequentemente o supervisor de placa =ordenara que este 
fosse transferido para o avio da Trans America. =Alm de o 
transporte de correio ser altamente rentvel, havia uma 
=regra inflexvel: o correio seguia sempre pela rota mais 
=rpida.
Entretanto na Diviso de Carregamento e Centragem da Trans 
America, =um homem novo, de barba, com o incrvel nome de 
Fred Phirmphoot fazia =complicados clculos sobre a carga do 
voo dois. O peso tinha de ser =correctamente distribudo com 
vista  estabilidade do voo, e o =avio devia levar o mximo 
de carga possvel. Nem o correio nem =a carga eram entregues 
no avio sem o men de Fred, que manejava =cartas, folhas de 
carga, tabelas, uma mquina de calcular, um =walkie-tolkie e 
trs telefones com um instinto infalvel. As =companhias 
estimavam um peso mdio mximo de trinta e dois quilos =no 
Inverno e vinte e oito no Vero por cada passageiro. Quando 
uma =equipa de futebol viajava, os despachantes de carga 
aumentavam o peso de =acordo com o seu prprio conhecimento 
da equipa.
Nessa noite, Fred enfrentava o problema de novecentos e 
oitenta quilos =de combustvel extra para o voo dois, uma vez 
que todos os voos =estavam a sofrer grandes atrasos e se 
mantinham com os motores a =trabalhar antes da descolagem. Um 
jacto a funcionar ao nvel do solo =bebe combustvel como um 
elefante sequioso. Fred tinha de calcular a =quantidade de 
combustvel extra que estava a ser transportada por =meio de 
bombas para os depsitos das asas que seria consumida antes 
=da descolagem. Os seus dedos danavam sobre a mquina de 
calcular, =fazendo clculos apressados.
A deciso de levar ou no combustvel extra era uma das 
muitas =que o comandante Demerest deixara  discrio do 
comandante =Harns, embora sujeita  sua prpria aprovao. 
Demerest =estava a apreciar o seu papel essa noite - ter 
algum que realizasse =o trabalho sem no entanto ceder 
qualquer parcela da sua autoridade.
Harris sentia-se ainda irritado quando se encontraram na sala 
de =apresentao no hangar, mas decorridos alguns minutos 
conseguiu =adquirir uma certa calma. Profissional ntegro e 
j com madeixas =grisalhas, sabia bem que nenhuma tripulao 
era eficiente quando =reinava um ambiente hostil no cockpit. 
Divertido, Demerest notou que =Hams trazia uma camisa 
regulamentar de um tamanho pequeno. Harns trocara =de camisa 
com um co-piloto prestvel.
Na sala de apresentao, os dois comandantes inspeccionaram o 
=correio, que inclua notas informativas da companhia que 
deviam ser =lidas antes do voo dessa noite. O mecnico de 
voo, Cy Jordan, =reuniu-se-lhes. Jordan era um tcnico de voo 
e um piloto qualificado, =magro, anguloso e com um rosto 
encovado e melanclico. Ele e Demerest =realizariam o 
trabalho do co-piloto, enquanto Hams se ocuparia da maior 
=parte da pilotagem.
- Muito bem - disse Demerest aos outros dois. - Vamos 
andando.
O autocarro da tripulao, coberto de neve, que esperava . 
=porta do hangar com a tripulao da cabina, levou-os at  
=ala do terminal da Trans America, onde desembarcaram. As 
cinco =hospedeiras saram para realizar a inspeco da 
cabina, =enquanto os pilotos se dirigiam  sala de operaes 
de voo. =Como sempre, o despachante de trfego preparara um 
dossier com a =complexa informao de que a tripulao de voo 
necessitaria. =Pousou-o sobre o balco e os trs pilotos 
debruaram-se =atentamente sobre ele.
O meteorologista da companhia, um homem novo, plido, de 
aspecto =intelectual, reuniu-se a eles e abriu vrias cartas. 
- Receia ' que o =tempo s melhore quando estiverem a meio do 
Atlntico ???
disse ele. - Esta tempestade estende-se para l da Terra 
Nova. O
Detroit Metropolitan e o aeroporto de Toronto fecharam. - Um
funcionrio entregou-Lhe uma folha dactilografada. - E o de 
Otawa
tambm - acrescentou. - Vai fechar agora. Mas para l do meio
do Atlntico parece estar bom tempo. Em Roma o cu est limpo 
e =`j h sol.
A esferogrfica de ouro de Anson Harris voava enquanto este
preenchia um plano de voo que entregaria ao ATC, o qual o 
informa-
ria ento se as altitudes pedidas estavam disponveis ou, 
caso
contrrio, que altitudes deveria utilizar. Demerest relanceou 
o =plano
e assinou-o. Tudo parecia correr bem. O Golden Argosy ia 
partir 
tabela.
Quando, porm, os trs pilotos embarcaram, Gwen veio ao seu
encontro e informou-os: - Temos um atraso de uma hora. O 
funcionrio =da porta acaba de ser informado. Uma quantidade 
de passageiros nossos =foi detida pela neve. O controle de 
partidas decidiu
dar-lhes algum tempo extra. Se quiserem, levo-Lhes caf ao 
=cockpit.
- Vou tomar caf no terminal - respondeu Demerest. E acenou 
para =Gwen: - Porque no vens comigo?
- Vo vocs - disse Harris. - Uma das outras hospedeiras
pode trazer-me um caf - e dirigiu-se para o cockpit. 
CAP'I'I.TLO =VI AS mos de D. O. Guerrero tremiam ao acender 
outro cigarro. O =tempo escoava-se e a via rpida estava de 
tal forma obliterada pelo =trfego que o autocarro avanava 
com uma lentido enervante. A =dzia de passageiros com 
destino ao voo fora avisada de que a partida =fora atrasada 
uma hora, e o condutor comentara: - Talvez consigamos =chegar 
a horas. - Mas para Guerrero o ?.talvez?, no =bastava. 
Precisava de dez ou quinze minutos para comprar o seguro de 
=voo. Parecera-lhe prefervel adquirir o seguro no ltimo 
instante, =minimizando assim as probabilidades de um 
inqurito. Mas se =insistisse demasiado na necessidade de 
tempo para efectuar a compra ;s =da partida do avio iria 
atrair as atenes, e j se fizera =notar. No balco de 
check-in da cidade o vendedor de bilhetes =apontara ? algumas 
malas e perguntara: -  esta a sua =bagagem? - No. - 
Guerrero levantara a pasta. - S tenho isto. - =No leva 
bagagem numa viagem para Roma? - O funcion- levantara os 
=sobrolhos. - O senhor  de facto um passageiro E sem dvida 
que =durante o inqurito que inevitavelmente se seguiria  
perda do =avio o facto seria recordado. Tranquilizou-se ao 
pensar que sem =destroos nada podia ser provado. Nada! 
seguro seria obrigado a =pagar. E o autocarro que nunca mais 
chegava ao aeroporto!
INS Guerrero chegou a casa cansada do trabalho, descalou os 
=sapatos e despiu o casaco, ambos encharcados, e viu ento 
sobre a =mesa da sala de estar o bilhete em que D. O. lhe 
participava a su =deciso de se ausentar e lhe comunicava 
que esperava em breve ter =boas notcias. Onde teria ele 
ido?, interrogou-se ela. E com que =dinheiro?
Duas noites antes tinham reunido e dividido os seus ltimos 
trinta e =seis dlares e alguns cntimos. Ela gastara dezoito 
dlares em =alimentao e num pagamento quase simblico de 
renda de casa e =guardara dez dlares para emergncias e vira 
o desespero no rosto =de D. O. quando este guardara no bolso 
os restantes oito dlares e os =trocos.
Mas sentia-se demasiado cansada para se preocupar. Despiu o 
casaco, =apagou a luz da sala de estar e entrou no quarto 
atravancado.
No conseguiu encontrar uma camisa de noite na cmoda 
=desconjuntada. Os objectos pareciam ter sido remexidos. 
Acabou por =encontrar uma camisa de dormir numa gaveta, 
juntamente com as camisas de =D. O. Sob uma das camisas viu 
uma folha de papel amarelo dobrada que lhe =chamou a ateno. 
Abriu-a.
Era uma cpia a papel qumico de um contrato de pagamento 
diferido =preenchido por D. O. para compra de um bilhete de 
ida e volta a Roma. =Verificou que a entrada para o pagamento 
fora de quarenta e sete =dlares. Ins observou, estupefacta, 
o impresso: Por que razo =teria D. O. comprado uma passagem 
de avio para Roma? E de onde =tinham surgido aqueles 
quarenta e sete dlares?
Numa inspirao, lembrou-se do anel de diamantes da me.
Como ultimamente as mos lhe inchavam, guardara o anel numa 
pequena =caixa. Mais uma vez revolveu a cmoda e encontrou ? 
caixa - =vazia. O que significava que D. O. empenhara o anel 
- ? seu =ltimo elo com o passado, o seu ltimo recurso para 
mais uns dias =de sobrevivncia.
D. O. devia encontrar-se em srias dificuldades. Duas 
=consideraes levavam-na a essa concluso: a recente conduta 
=absurda de D. O. e a extenso da viagem. No podia abandon-
lo =e deix-lo cometer mais uma loucura. Dezoito anos antes 
aceitara-o =para o melhor e para o pior, e no obstante o 
pior se ter sobre- =posto ao melhor, no rejeitava a sua 
responsabilidade como mulher =dele.
Enfiou de novo o casaco e os sapatos molhados e dirigiu-se a 
um
drugstore prximo a fim de telefonar. Quando ligou para a 
Trans
America, uma fita gravada informou-a de que todas as linhas 
para as
reservas estavam ocupadas e pediu-lhe que aguardasse um 
momento.
Por fim respondeu-lhe uma voz feminina que se identificou 
como Miss =Young e se props servi-la no necessrio.
- Por favor, queria uma informao sobre os voos para Rma. 
=H algum voo esta noite? - perguntou Ins.
- H, sim, minha senhora,  o voo dois, o Golden Argosy; a 
partida =estava prevista para as dez horas locais, mas foi 
atrasada uma hora.
Ins relanceou o relgio do drugstore e constatou que eram 
dez =horas e cinco minutos. - Por favor... preciso de saber 
se o meu marido =vai nesse voo. O nome  Guerrero.
- Peo desculpa, minha senhora, mas no estamos autorizados a 
=fornecer essa informao - disse Miss Young. - Experimente 
na sala =de embarque do aeroporto.
Ins, que no imaginava sequer como chegar l em menos de uma 
=hora, exclamou: - Oh, meu Deus! Tenho mesmo que tentar.  
to =importante !
Percebendo a aflio na voz dela, Miss Young disse: - Eu no 
=devia fazer isto, mas vou dar-Lhe uma sugesto. Quando 
chegar  =sala de embarque, diga que sabe que o seu marido se 
encontra a bordo e =que precisa de falar com ele. Se ele no 
estiver no avio eles =dizem-lhe.
- Obrigada - respondeu Ins. - Muito obrigada.
Ao desligar o telefone viu um motorista de txi com um bon 
=amarelo junto do bar. Foi ter com ele e tocou-lhe no brao.- 
=Desculpe. Quanto  at ao aeroporto?
O motorista olhou-a de alto a baixo. - Nove ou dez dlares.
Ins afastou-se. Era demasiado.
- Eh, espere - chamou o taxista. - Levo-a por sete dlares.
Ins hesitou e acabou por concordar. O motorista disfarou um 
=sorriso irnico. Vivia perto do aeroporto e preparava-se 
para seguir =para casa. Na realidade, a tarifa pelo contador, 
era menos de sete =dlares e ele tencionava levar a bandeira 
baixa. Era pouco =provvel que, com aquela noite de vento e 
neve, um polcia =reparasse nele.
Trinta e cinco minutos mais tarde, enquanto o txi avanava 
=lentamente pela via rpida, o autocarro de D. O. Guerrero 
virou para =a entrada da rampa de partida do Lincoln 
International. Guerrero foi o =primeiro a descer.
NA entrada principal do aeroporto o farol vermelho 
intermitente do =carro-patrulha da Polcia Estadual 
extinguiu-se quando o oficial =parou junto ao passeio e fez 
sinal a Patroni para seguir. Embora a =ltima etapa da viagem 
tivesse sido rpida, no total Joe demorara =mais de trs 
horas de casa at ao aeroporto.
Na manuteno da TWA um camio com motorista aguardava 
Patroni. =Este, ao sair do carro, deteve-se o tempo 
suficiente para reacender o =charuto, fazendo tbua rasa de 
todos os avisos de ??proibido =fumar,?, aps o que subiu 
para a cabina do camio que =partiu a toda a velocidade, 
enquanto Patroni, pela rdio, obtinha da =torre autorizao 
de circulao. O controle de solo =autorizou-os a atravessar 
uma pista e depois acrescentou uma mensagem de =Mel:- Joe, 
ofereo-Lhe uma caixa de charutos se conseguir arrancar o 
=avio da trs zero esta noite. Terminado.
Joe soltou uma risada. - Controle de solo, Patroni. Diga-lhe 
que aceito =a aposta. - Colocou o microfone no descanso e 
apressou o condutor: - =Vamos l, amigo, pise-me esse pedal a 
fundo. Agora tenho um =incentivo.
Junto do jacto atolado, Ingram, o encarregado da manuteno 
da =Intercontinental, fez a Patroni o relatrio do 
acontecimento, =incluindo a segunda tentativa frustrada de 
remover o avio pela =fora dos seus prprios motores a 
jacto. As asas e a fuselagem do =Boeing imobilizado pairavam, 
gigantescas, sobre eles. Na barriga do =avio, uma luz 
vermelha ainda piscava ritmicamente.
Mascando um novo charuto em vez de o fumar- uma rard  
necessrio =ficarmos abalados. No precisamos de ter filhos, 
a
concesso da sua parte s precaues contra incndio, uma 
=vez que o menos que os queiramos.
cheiro a combustvel era muito intenso -, Patroni 
inspeccionou a Com =ar natural, Gwen respondeu: - Estava a 
perguntar a mim
situao. Um homem da equipa ligou os holofotes colocados em 
:
mesma quando  que tocarias esse ponto. Tens estado a pensar 
que
semicrculo  frente do nariz do avio. As duas tentativas 
para =' eu devia pr fim a isto desde que te disse que estou 
grvida, =no
remover o avio tinham-no enterrado ainda mais profundamente 
na =tens?
lama sob a neve. O aparelho encontrava-se a poucos metros da 
pista, - =Tenho - respondeu, relutante. - Mas no tinha 
a?certeza da =prximo do local onde um caminho de rolagem a 
intersectava. Havia =3D =tua reaco. ainda uma hiptese de 
remover o avio =utilizando a sua prpria ? - Nem eu - 
respondeu Gwen, olhando =para os dedos, longos e potncia, 
decidiu Patroni. _
esguios. - Ainda no sei.
E prosseguiu em voz alta: - Temos de cavar. Quero duas valas 
Pelo menos, =no era uma recusa terminante, pensou Demerest. 
com dois metros de =largura de paredes ngremes e a nivelar  
altura ' Disse: -  a =nica atitude sensata.  rpido, e se 
for feito como das rodas. =Depois damos-lhe a potncia mxima 
com os quatro deve ser no = perigoso. motores. Vamos 
colocar pranchas grandes em frente das =rodas. Estou - Eu sei 
- disse Gwen. -  tremendamente simples. Num a =ver a 
algumas. Mande o motorista arranjar quantas puder. momento, o 
=filho est l, e no minuto seguinte, j no est.-
Os mecnicos de terra que se encontrava
m junto de Patroni Olhando-o de frente, perguntou: - No  
assim? =chamaram outros, que saltaram do autocarro com ps e 
outras - . - =Talvez fosse mais fcil do que esperara. 
ferramentas. Patroni apontou =para o cockpit: - Os 
??pssaros" ainda ? - Vernon - =disse Gwen suavemente -, j 
pensaste que isto  esto a =bordo?
um ser humano vivo, uma pessoa?  um pouco de ti e de mim, 
faz
Ingram resmungou: - Esto, esto. Pedi ao diabo do comandante 
=parte de ns dois. - Os olhos dela, perturbados, 
perscrutavam-lhe o =dante para usar a potncia mxima. Se ele 
tivesse seguido o meu =rosto. conselho logo  primeira vez, o 
avio tinha sado do =buraco, mas o tipo Ele respondeu, em 
tom deliberadamente spero: ?? Isso no  no teve coragem, 
e agora enterrou-se ainda =mais. Ele sabe que fez verdade. 
Ainda no  um ser humano, no =respira nem sente. No  
grossa asneira hoje. E agora est =apavorado que o avio caia 
de nariz. a mesma coisa do que tirar uma =vida.
Patroni riu. - Chame-o e diga-lhe que daqui a pouco vou 
subir. Gwen =reagiu rapidamente, tal como sucedera no 
automvel.-
- Est bem. - Ingram aproximou-se do interfone e gritou para 
Queres =dizer que seria pior matar o beb quando estivesse 
completa- os =mecnicos: - V l, rapazes, vamos comear a 
cavar. mente =formado?  isso que queres dizer, Vernon?
Patroni agarrou numa p e o trabalho comeou. Eram dez e 
Demerest =abanou a cabea. - Ests a distorcer as minhas 
trinta. Com um =pouco de sorte, calculou Joe, talvez 
conseguisse palavras. estar em casa =com Marie pouco depois 
da meia-noite. Gwen suspirou. - Estou a ser =mulher. Eu amo-
te, Vernon, de
' verdade.
NO coffee shop, Demerest bebia caf e Gwen uma chvena de - 
Eu sei =- respondeu. -  por isso que  difcil para ambos. 
ch.
Os olhos de Gwen estavam hmidos. - O problema  que, at
- Ests muito calado - disse Gwen, fixando Demerest com os 
conceber, =uma mulher nunca sabe se  ou no capaz de o 
fazer. E seus olhos =escuros e expressivos. quando concebe, 
recebe um presente maravilhoso. =Depois, de repen-
- No  nada, tenho estado a pensar. te, em situaes como a 
=nossa,  preciso enfrentar a hiptese de
Sob a mesa ela procurou a mo dele. - Creio que a notcia que 
=terminar tudo, de desperdiar o que nos fi oferecido. Ests 
a =te dei nos abalou um pouco a ambos. perceber, Vernon?
Era a deixa pela qual Demerest estivera  espera. Disse: - 
No , =Respondeu-Lhe com ternura: - Penso que sim.
- Mas tu j tiveste uma criana, disseste-me uma vez. Uma
filha de uma hospedeira que foi adoptada. E-agora, acontea o 
que
acontecer, h sempre algum, algures, que  a tua 
=continuao, Pensas nela alguma vez? No perguntas a ti 
=prprio onde est ela com quem se parece
No havia razo para mentir. - Penso - respondeu. - Penso 
sim. ='
Gwen recuperara a sua compostura. Humedeceu os lbios, sem 
pr =bton, pois os regulamentos das companhias areas 
proibiam =severamente que as hospedeiras se maquilhassem em 
pblico, e =comentou: - Estou a causar-te srias 
complicaes!
- As complicaes no interessam. Interessa o que  melhor 
=para ti.
- Bem, suponho que no fim vou acabar por fazer o que ...
sensato. Mas primeiro tenho de reflectir no assunto. Vou 
tomar uma
deciso durante a viagem.
Levantaram-se, porque Gwen tinha que estar no avio. Quando
se separaram, ela disse-lhe: - Ainda bem que tu s como s. 
Alguns =homens ter-me-iam pura e simplesmente abandonado.
Ele acariciou-lhe o brao, mas no seu ntimo sabia que 
acabaria =por abandon-la. Dentro de algumas semanas 
terminaria a ligao =com Gwen to delicadamente quanto 
possvel. O rompimento no =seria fcil, e a tentao de 
alterar esta deciso seria =grande, porque nunca apreciara 
tanto a companhia de uma mulher como a de =Gwen. Mas o 
prolongamento do affair causar-lhe-ia uma tremenda 
=perturbao - conjugal, emocional e financeira -, que ele 
estava =decidido a evitar. Dez anos atrs, talvez se 
decidisse, mas no =agora.
Na apinhada sala de espera central, o tenente Ned Ordway, o 
simptico =e eficiente negro que comandava o destacamento de 
polcia do =aeroporto, conversava com Mel. - Esto a chegar 
visitantes de =Meadowood. Vrias centenas. No sei se no 
vamos ter =sarilho.
- Diga-lhes que falarei com uma delegao de meia dzia. E 
=mesmo que os seus homens tenham que aguentar uns safanes, 
faa o =possvel por que no reajam. No quero dar origem a 
=mrtires.
- J avisei os meus homens - respondeu Ordway. - Vo 
contentar-se =com umas piadas e abster-se do judo.
- ptimo!  parte Meadowood, como tm corrido as coisas?
- Mais bbados do que  costume! Algumas lutas nos bares!
Mel riu. - No deitem os bares abaixo. O aeroporto recebe uma 
=percentagem por cada bebida e bem precisamos do dinheiro!
- E as companhias tambm precisam, a julgar pelo nmero de 
=passageiros que esto a tentar pr sbrios para poderem 
=embarcar. As relaes pblicas esto a encharc-los com 
=caf, mas s vo conseguir fazer deles bbados =excitados.
Os bbados do aeroporto eram em geral negociantes de fora 
exaustos =aps uma semana de trabalho intenso e nos quais o 
lcool produzia =reaces fortes. Os comandantes raramente 
permitiam que =embarcassem, pelo que eram em geral detidos 
pela Polcia at =ficarem sbrios.
- Ah, outra coisa - acrescentou Ordway. - Temos mais carros 
=abandonados.
Automveis velhos abandonados nos parques de estacionamento 
=constituam uma praga que afectava todos os grandes 
aeroportos. =Tornara-se extraordinariamente difcil a 
qualquer pessoa livrar-se de =um carro velho, porque os 
negociantes de sucata tinham as suas =instalaes esgotadas e 
exigiam pagamento aos proprietrios de =automveis. 
Consequentemente, os carros velhos eram abandonados nos 
=parques de estacionamento dos aeroportos sem placas de 
matrcula ou =qualquer indicao da identificao do 
proprietrio. =Estava a tornar-se extraordinariamente caro 
desfazer-se de carros =velhos.
-  parte isso, estamos com ptima disposio para receber 
=os seus ??convidados?, de Meadowood - gracejou Ned. E =com 
um aceno amigvel, afastou-se.
... Todos os passageiros com reservas confirmadas para o voo 
dois, =Golden Argosy, com destino a Roma,  favor dirigirem-
se  porta de =embarque...
Quase todos os anncios de voo provinham de um gravador 
implantado =numa consola no controle de informaes de voo. 
Premindo os =botes respectivos, um empregado activava trs 
fitas pr- =-gravadas. A primeira fita anunciava a companhia 
area e o voo; a =segunda, a situao de carga - preliminar, 
de embarque, final; a =terceira, o nmero da porta e a sala 
de espera. Como se sucediam =ininterruptamente, as gravaes 
pareciam ser contnuas, como =alis se pretendia.
Todos os passageiros com reservas confirmadas  favor 
dirigirem-se = porta nmero quarenta e sete, sala azul, D.
NA sala de espera Ada Quonsett, acompanhada pelo funcionria
da companhia Peter Coakley, ouvira o anncio. Estavam 
sentado??
num banco e Ada no cessava de descrever as virtudes do 
falecido
marido. - Era to inteligente, to elegante. Conheci-o j com 
=certa idade, mas quando era novo devia ter sido muito 
parecido
consigo.
Peter sorriu timidamente. Desde que haviam deixado Tanya
Livingston, vira-se frequentemente comparado ao falecido 
Roben
Quonsett, e o assunto comeava a cans-lo; sentia-se 
ridculo, =a
tomar conta de uma velhota faladora. No percebia que era 
exacta-
mente essa a inteno de Ada.
- Imaginem! - dizia Mrs. Quonsett naquela altura. - Um voo
para Roma! O meu querido marido tanto queria que visitssemos
Roma! - Apertou nas mos o leno de renda e suspirou. - Mas
nunca chegmos a ir.
O esprito de Ada trabalhava como um relgio bem afinado.
Aparentemente, nem o enfado afastaria este jovem de uniforme. 
la
ter de criar uma situao diferente. Qualquer alternativa 
seria =prefervel a regressar essa noite a Los Angeles, at 
mesmo =embarcar
naquele voo para Roma. Mesmo que no passasse do aeroporto de
Roma pelo menos sempre teria conseguido estar l. Quando 
chegas-
se a Nova Iorque causaria sensao a Blanche quando Lhe 
=contasse
que estivera finalmente em Roma.
Ada agitou as mos frgeis. - Ah, meu Deus! - exclamou.
Limpou a boca com o leno e deixou escapar um gemido surdo.
Coakley ficou assustado. - Que tem, Mrs. Quonsett?
Fechou os olhos e depois abriu-os, com uma respirao 
ofegante. - =No me sinto bem. Vou  casa de banho. Espero 
que
passe :
O jovem agente pareceu preocupado. No queria que a velhota
Lhe morresse nos braos. Perguntou, embaraado: - Quer que 
chame =um mdico?
- No, obrigada, isto j passa. J tive uma vez um ataque
destes. Ajude-me, por favor. Obrigada... importa-se de me dar 
o
seu brao?...
 porta da casa de banho, ela disse-lhe: - Espere aqui por 
mim.
Abriu a porta e entrou.
L dentro encontravam-se mais de vinte mulheres. Ada, que
precisava de uma cmplice, examinou-as cuidadosamente antes 
de =escolher uma mulher relativamente jovem, com um ar 
profissional, que =no parecia apressada. Dirigiu-se a ela: - 
Desculpe-me, no me =sinto muito bem. Posso pedir-lhe um 
favor? - Agitou as mos, fechou e =abriu os olhos, tal como 
fizera anteriormente perante Peter Coakley.
A mulher mostrou-se preocupada e respondeu: . - Claro, quer 
que a =leve...
- No... por favor - Ada apoiou-se a um lavatrio como se no 
=conseguisse manter-se em p. - Queria que me desse um 
recado. Est =ali fora um funcionrio da companhia, de 
uniforme.  Mr. Coakley. =Se no se importa, diga-lhe que 
afinal sempre quero um mdico.
- Digo, com certeza. Pode ficar aqui sozinha at eu voltar?
Mrs. Quonsett acenou afirmativamente com a cabea. Em menos 
de um =minuto, a mulher estava de volta. - Ele j foi buscar 
um mdico. =Ada precisava agora de se ver livre da mulher. - 
Eu sei que  um =abuso mas a minha filha est  minha espera 
na porta principal, =perto da United Air Lines. Agradecia-lhe 
tanto se a trouxesse aqui! Sei =que lhe estou a dar um grande 
incmodo.
- A senhora faria o mesmo por mim. Como  que posso 
reconhecer a sua =filha?
- Tem um casaco cor de malva e um poodle francs.
A mulher sorri. - Ento  fcil. No demora.
Depois de aguardar um breve instante aps a sada da mulher, 
Ada, =sorrindo, saiu da casa de banho e encaminhou-se 
decididamente para o voo =dois da Trans America.
QUAN?o soou o anncio para o voo dois, Guerrero era ainda o 
=quinto na bicha do balco dos seguros. As duas primeiras 
pessoas da =bicha estavam a ser atendidas pelas duas 
empregadas, com lentido =exasperante. Uma delas, uma loira 
de busto imponente e blusa decotada, =mantinha uma conversa 
longa com uma mulher de meia- -idade, =aparentemente tentando 
convenc-la a comprar uma aplice maior. =Guerrero levaria 
pelo menos vinte minutos a chegar ao balco e nessa =altura o 
voo dois provavelmente j teria partido. Tremia ao abrir 
=bruscamente caminho at ao balco, indiferente ao facto de 
estar a =chamar sobre si as atenes. Um homem protestou: - 
Eh, camarada, =ns tambm estamos  espera!
Guerrero dirigiu-se  rapariga loira. - Por favor... o meu 
voo para =Roma j foi anunciado. Preciso de fazer o seguro, e 
no posso =esperar.
Para sua surpresa, a rapariga loira sorriu-lhe 
atenciosamente.- Disse =Roma. E o voo dois da Trans America. 
- Sem deixar de sorrir, voltou-se =para os restantes 
passageiros que esperavam: - Este senhor de facto =no tem 
tempo. Tenho a certeza de que no se importam que eu o 
=atenda primeiro.
Guerrero nem acreditava na sorte que o bafejava. Ouviram-se 
alguns =protestos na bicha, mas a jovem entregou-lhe um 
impresso de proposta de =seguro, ao mesmo tempo que se 
dirigia aos outros clientes: - No =demora nada. - Sorriu de 
novo a Guerrero, que percebeu a razo de =to poucas 
reclamaes. Quando ela o fitou directamente, =Guerrero, que 
raramente era sensvel s mulheres, experimentou uma 
=sensao de embevecimento. - Chamo-me Bunnie - disse ela. - 
Qual = o seu nome? - A caneta dela estava a postos.
BUNNIE Vorobioff chegara aos Estados Unidos procedente da 
Alemanha =Oriental, via Muro de Berlim, que atravessara uma 
noite, com dois =companheiros. Os dois jovens haviam sido 
detectados pelos holofotes e =mortos a tiro. Bunnie, que 
possua um instinto de sobrevivncia =inato, conseguira 
evitar os holofotes e as pequenas armas de fogo.
Nos Estados Unidos trabalhara duramente num hospital e 
passara muitas =noites a p, servindo como criada, antes de 
se qualificar para o =trabalho que desempenhava agora. 
Frequentava as aulas de dana de =Arthur Murray, era 
assinante do Reader's Digest e da TV Guia, estava a =comprar 
a World Book Encyclopedia a prestaes, tinha uma peruca e 
=um Volkswagen e fazia coleco de selos.
Bunnie adorava concursos com prmios bem concretos; naquela 
noite =terminaria um desses concursos, e ela precisava de 
mais quarenta pontos =para ganhar uma escova de dentes 
elctrica. ?
aplices que vendera, na sua maior parte para voos domsticos
representavam poucos pontos. Se conseguisse vender uma 
aplice de
valor mximo para um voo transatlntico, o prmio estaria ao 
=seu
alcance. Assim, perguntou: - Que tipo de aplice pretende?
Guerrero engoliu em seCo. - Um seguro de vida simples: 
setenta e cinco =mil dlares. - Quis acender um cigarro, mas 
a mo
tremia-lhe tanto que teve dificuldade em aproximar o fsforo 
do
cigarro.
- So dois dlares e cinquenta cntimos. Mas  um seguro
muito baixo - observou Bunnie.
- Baixo? Eu pensava que... Pensei que era o maior.
O nervosismo do homem era evidente, mesmo para Bunnie, que 
atribuiu o =facto  perspectiva de uma viagem area. Dirigiu-
Lhe o seu
sorriso mais provocante. - No  de todo.  o maior nas 
=mquinas
de venda. O senhor pode comprar uma aplice no valor de 
trezentos
mil dlares por apenas dez dlares.  um preo acessvel 
=para uma
segurana to grande, no acha?
Ansiosamente Guerrero respondeu: - Est bem... ento eu
compro essa. - E nesse momento, enquanto Bunnie lhe dirigia 
um
olhar radioso, ocorreu-lhe que talvez no tivesse dez 
dlares.
- Espere, Miss - pediu-lhe, comeando a rebuscar os bolsos.
Os passageiros que permaneciam na bicha revelavam sinais de
impacincia. O homem que protestara reclamou: - Disse que era 
s =um minuto.
Guerrero j encontrara quatro dlares e setenta cntimos. - 
Se =no tiver dinheiro consigo - esclareceu Bunnie -, pode 
pagar em =cheque ou em moeda italiana, Mr. Guerrero.
- Deixei o livro de cheques em casa e no trago dinheiro 
italiano =comigo. - Interrompeu-se, censurando-se 
intimamente. Ningum =empreenderia uma viagem transatlntica 
sem um tosto a no ser =que soubesse que o avio no 
chegaria ao seu destino. Continuou a =procurar e encontrou 
mais uns trocos. Depois, milagrosamente, descobriu =num bolso 
interior uma nota de cinco dlares.
Exclamou: - C est! J chega! - Restava-lhe um dlar em 
=trocos.
Agora at mesmo Bunnie tinha dvidas. Observara o rosto do 
homem =enquanto este vasculhava os bolsos. Era estranho que 
um homem partisse =para uma viagem sem dinheiro, mas podia 
haver os motivos que explicassem =o facto. O que a preocupava 
eram os ?s dele, que reflectiam uma =nota de nsia, de 
desespero. Bunnie conhecia essa expresso, que =Lhe evocava o 
seu passado. A companhia de seguros tinha uma regra 
=importante: se um operador de seguro de voo tivesse um 
procedimento =anormal, se mostrasse excessivamente excitado 
ou estivesse bbado, o =facto deveria ser comunicado  
companhia area. Deveria aplicar o =regulamento neste caso? 
Bunnie no tinha a certeza. Nunca participara =de passageiro 
excitado, embora conhecesse uma rapariga que o :ra; =acabara 
por se descobrir que o passageiro era um vice-presidente de 
uma =companhia area, enervado porque a mulher estava prestes 
a dar  =luz. O incidente provocara uma srie de
Por fim, o passado de Bunnie acabou por influenciar a sua 
deciso. Os =anos fundamentais da sua vida, passados na 
Europa ocupada, haviam-na =condicionado a conter a 
curiosidade e a no formular perguntas =desnecessrias. As 
perguntas implicavam sempre um comprometimento e o 
=comprometimento nos problemas de outras pessoas devia ser 
evitado quando =j se tinham problemas.
Ao passar uma aplice de seguro de voo de trezentos mil 
dlares =pela vida de D. O. Guerrero, Bunnie resolvia o seu 
problema de como =ganhar uma escova de dentes elctrica. A 
caminho da porta quarenta e =sete, Guerrero enviou pelo 
correio a aplice a Ins, sua mulher. =CAPTULO VII O 
inspector Harry Standish, das alfndegas dos =Estados Unidos, 
preparava-se para, decorridos alguns minutos, se dirigir = 
porta quarenta e sete a fim de se despedir de sua sobrinha 
Judy, =uma jovem simptica e independente de dezoito anos que 
ia estudar um =ano na Europa. Standish prometera  irm que 
assistiria  =partida de Judy. Entretanto, tinha de resolver 
um enfastiante problema =antes de dar por findo um dia 
excepcionalmente exaustivo.
- Minha senhora - disse calmamente a uma mulher angulosa, de 
ar altivo, =cujas malas se encontravam abertas sobre o balco 
de inspeco =d alfndega que os separava. - Tem a certeza 
de q?
no quer alterar a sua histria?
Ela retorquiu, irritada: - J Lhe disse a verdade! Os 
senhores s??
de facto to burocrticos, to incrdulos! Por vezes 
=pergunto a mim mesma se no estaremos a viver num estado 
=policial!
Os oficiais da alfndega estavam treinados a ignorar os 
inmeros =insultos que recebiam. Standish respondeu 
delicadamente: - Minha =senhora, eu apenas perguntei se 
queria modificar as suas =declarae sobre os vestidos, as 
camisolas e o casaco de =peles.
De acordo com o passaporte, a mulher era Mrs. Hamet DuBarry 
Mossman, com =residncia em Evanston, que acabava de 
regressar r)? um =ms de viagem pela Inglaterra Frana e 
Dinamarca. Replicou em tom =cido: - No, no quero. Alm 
disso, quando o meu advogada =souber deste interrogatrio..
- Est bem, minha senhora - retorquiu Standish. - Nesse ca- 
so talvez =no se importe de assinar este impresso. Se quiser 
eu explico-lhe do =que se trata.
Os vestidos, as camisolas e o casaco de arminho estavam 
espalhados sobre =as malas. Mrs. Mossman conservara o casaco 
vestido at h alguns =minutos, altura em que o inspector 
Standish entrara no posto n.o 7 da =alfndega e lhe pedira 
que o despisse, afim de poder observ-lo =melhor. Standish 
fora chamado por meio de uma luz vermelha que se =acendera 
num painel de parede perto do centro da enorme sala da 
=alfndega. As luzes - uma para cada posto- indicavam que o 
oficial de =inspeco enfrentava um problema e precisava da 
ajuda de um =superior. O jovem oficial da alfndega que 
atendera primeiro Mrs. =Mossman encontrava-se agora ao lado 
de Standish. Os restantes =passageiros chegados de Copenhaga 
j tinham passado a alfndega e =sado. Mas esta mulher 
elegante- mente vestida constitua um =problema, insistindo 
em que apenas comprara na Europa alguns perfumes, =jias de 
fantasia e sapatos. O valor total declarado representava 
=noventa dlares - exacta- mente dez dlares menos que o 
valor que =podia trazer com iseno de direitos.
- E porque  que tenho de assinar esse impresso? - perguntava 
agora =Mrs. Mossman.
Standish relanceou o relgio suspenso na parede. Onze menos 
um =quarto. Ainda tinha tempo para despachar este assunto e 
chegar a tempo =ao voo dois. Respondeu pacientemente: - S 
estamos a ir-lhe que =confirme por escrito o que j nos 
declarou. Disse que vestidos foram =comprados.. - Quantas 
vezes preciso de dizer a mesma coisa? Foram com- =dos em 
Chicago e Nova Iorque antes de partir para a Europa. E as 
=camisolas tambm! O casaco foi um presente, comprado nos 
Estados
Qual a razo deste comportamento?, pensava Harry Standish. 
No =duvidava de que todas as declaraes que acabara de 
ouvir eram =falsas. Para comear, nenhum dos vestidos - seis, 
todos de boa =qualidade - tinha etiqueta. Ningum retiraria 
as etiquetas inocente- =mente, at porque as mulheres se 
orgulhavam das etiquetas em vestidos =de alta costura. Mais 
ainda - a confeco dos vestidos era =indubitavelmente 
francesa. O mesmo acontecia com o corte do casaco de =peles - 
embora lhe tivessem costurado no forro, sem grande 
habilidade, =uma etiqueta dos Saks da 5.a Avenida. As pessoas 
no sabiam que um =oficial aduaneiro treinado no precisava 
de ver uma etiqueta para =adivinhar a origem da pea de 
vesturio. O corte, a forma de =coser, at a maneira de 
pregar um fecho clair eram to =caractersticos como uma 
caligrafia familiar. O mesmo acontecia =relativamente s 
camisolas. Tambm no tinham etiquetas e =provinham sem 
dvida da Esccia.
Mrs. Mossman perguntou: - E se eu me recusar a assinar esse 
papel?
- Nesse caso seremos obrigados a det-la para =investigaes.
Aps uma breve hesitao, a mulher acedeu: - Muito bem. O 
=.senhor preenche o impresso, que eu assino.
- No, minha senhora, a senhora preenche. Faa, por favor, 
uma =lista dos artigos e dos nomes das lojas onde foram 
adquiridos. Escreva =tambm o nome da pessoa que lhe ofereceu 
o casaco de peles.
J eram dez para as onze, e Standish no queria chegar ao voo 
dois =depois de as portas estarem fechadas. Mas tinha um 
palpite. Esperou que =Mrs. Mossman acabasse de preencher e 
assinar o impresso. No dia =seguinte, um funcionrio da 
alfndega requisitaria os vestidos e =as camisolas e lev-
los-ia s lojas onde ela afirmava t-los =comprado. O casaco 
de peles seria levado aos Saks da 5.a Avenida, que =sem 
dvida negariam t-lo vendido. Embora o ignoras- se, Mrs. 
=Mossman estava envolvida numa situao embaraosa, 
=inclusivamente sujeita a uma pesada multa. - Minha senhora - 
disse por =fim Standish -, h mais alguma coisa que deseje 
declarar
- Claro que no - afirmou indignada Mrs. Mossman. ?
- Tem a certeza? - Fazia parte da poltica do gabinete 
aduaneiro =proporcionar aos viajantes todas as oportunidades 
de prestarem
declaraes voluntrias. S era apanhado quem no 
=colaborava:
Sem se dignar responder Mrs. Mossman baixou a cabea.
- Nesse caso, minha senhora, importa-se de abrir a sua 
carteira?
Pela primeira vez, Mrs. Mossman deixou transparecer uma certa
insegurana. - Mas as carteiras nunca so inspeccionadas, 
pois =no.
- Normalmente, no. Mas temos direito a faz-lo.
Relutantemente, ela abriu o fecho da carteira. Standish 
observou um =bton e uma caixa de p-de-arroz de ouro. Ao 
revistar o p-de- =-arroz, descobriu um anel de rubis. Havia 
tambm um tubo de creme =para as mos semiusado. Desenrolou-o 
e constatou que o fundo do tubo =fora aberto. Apertou-o junto 
da extremidade superior e sentiu alga duro =no interior. 
Comentou para si mesmo que seria interessante que estes 
=contrabandistas ineficazes inventassem mtodos originais. 
Todos estes =truques eram j to velhos!
Mrs. Mossman estava agora visivelmente plida.
- Minha senhora - disse o inspector Standish -, tenho de sair 
por =momentos, mas volto j. Em qualquer caso, isto ainda vai 
levar algum =tempo. - Deu algumas instrues ao jovem oficial 
da alfndega. =- Inspeccione tudo cuidadosamente. Veja bem o 
forro da mala e das =caixas, as costuras e as bainhas de todo 
o vesturio. Faa uma =lista. Voc sabe como .
J ia a sair quando Mrs. Mossman o chamou. - Sr. Inspector.. 
acerca =do casaco e dos vestidos... Talvez eu me tenha de 
facto enganado... =Estava confusa. Comprei-os, e h outras. .
Standish abanou a cabea. Era demasiado tarde para tentar 
cooperar. =Viu que o jovem oficial encontrara mais qualquer 
coisa; e quando se =voltou para sair, o rosto da mulher 
estava branco e abatido.
Enquanto se encaminhava apressadamente para a porta quarenta 
e sete, =reflectia na insensatez de Mrs. Mossman e de outros 
como ela. Se tivesse =sido honesta em relao ao vesturio, a 
taxa alfandegria =no teria sido onerosa. Embora reparasse 
nas camisolas, o jovem =oficial provavelmente no se teria 
preocupado com elas; e a carteira =no teria sido com certeza 
revistada. Quando solicitados, os homens =da alfndega 
deixavam mesmo passar artigos sujeitos a direitos 
=alfandegrios elevados como se estivessem isentos, aplicando 
as taxas =a artigos sujeitos a direitos mais baixos. Os 
insaciveis como Mrs. =Mossman eram invariavelmente 
apanhados, e o inspector Standish sentia-se =deprimido ao 
constatar que eram muitos.
Experimentou um sentimento de alvio ao ver que havia ainda 
alguns =passageiros que faziam o check-in para seguir para o 
voo dois. O =uniforme da alfndega era um passaporte de livre 
trnsito por todo =o aeroporto, e o atarefado funcionrio da 
porta quase nem ergueu os =olhos quando ele a transps. 
Standish reparou que Mrs. Livingston, a =ruiva encarregada 
das relaes pblicas, ajudava o =funcionrio.
O inspector entrou no corredor que conduzia  turstica. 
Sorriu = hospedeira que se encontrava  porta da cauda do 
avio: - =No me demoro nada. No descolem comigo a bordo.
Descobriu Judy sentada na coxia de um conjunto de trs 
lugares, =ocupada a entreter um beb que pertencia a um jovem 
casal sentado a =seu lado. Como acontecia em todas as classes 
tursticas, tambm =esta parecia limitada e apinhada. 
Standish no invejava aos =passageiros a viagem de dez horas 
que os esperava.
- Tio Harry - exclamou Judy. - J estava a pensar que no 
chegava =a tempo! - Entregou o beb  me.
- S vim dizer-te adeus - respondeu-lhe. - Que o ano te corra 
bem, e =quando voltares no tentes passar contrabando.
Ela riu e ergueu o rosto, que ele beijou com ternura. Sentia 
um =verdadeiro carinho por Judy.
Ao deixar o avio, depois de um aceno amigvel  hospedeira, 
o =inspector da alfndega deteve-se junto da porta da sala de 
espera. =Fascinavam-no os ltimos instantes que precediam a 
partida de um =avio, especialmente quando se tratava de um 
voo de longo curso. =Atravs dos altifalantes ressoava a 
ltima chamada: - A Trans =America anuncia a partida imediata 
do seu voo dois, o Golden Argosy.
Apenas duas pessoas esperavam a sua vez para embarcar. Tanya 
Livingston =reunia os seus papis enquanto um funcionrio da 
porta despachava =o ltimo passageiro - um homem alto e loiro 
com um casaco de plo =de camelo. Quando este subiu a manga 
de embarque para a turstica, =Tanya retirou-se tambm.
Quase subconscientemente, Standish reparou numa figura perto 
dele, de =costas para a porta de sada. Quando a figura se 
voltou
constatou que se tratava de uma senhora idosa, de baixa 
estatura.
com ar reservado e frgil. Parecia precisar de algum que 
=tomasse
conta dela. Avanando com surpreendente agilidade, dirigiu-se 
ao
funcionrio da Trans America que despachava o ltimo 
=passageiro:
As suas palavras eram abafadas pelo rudo dos motores do 
avio, =que
estavam a ser postos em marcha: - Desculpe... O meu filho. .
cabelo loiro casaco de plo de camelo. . esqueceu-se do
dinheiro. - Standish reparou que ela tinha na mo uma 
carteira de
homem.
? ?iSuiiic a u?ud nospeaelra - disse. A velhota =sorriu, 
acenou e entrou na manga de embarque.
Imediatamente a seguir Standish viu um homem magro, de rosto 
encovado e =ombros descados, dirigir-se apressadamente para 
a porta quarenta e =sete com uma pequena pasta na mo. A 
forma como o
homem agarrava a pasta apertando-a de encontro a si com ar
protector, atraiu a ateno de Standish. Este j vira, vezes 
=sem conta
numerosos viajantes sobraarem do mesmo modo carteiras e 
pastas
ao passarem a alfndega. Era um indcio de que dentro delas
levavam qualquer coisa que pretendiam ocultar. Se aquele 
homem
viesse do estrangeiro, Standish obrig-lo-ia a abrir a pasta. 
Mas =o
homem preparava-se para sair dos Estados Unidos.
Estritamente falando, o assunto no dizia respeito a Hany 
Standish. =No obstante, havia qualquer coisa. . instinto um 
sexto sentido que =os funcionrios das alfndegas tm 
desenvolvido, alm de um =interesse mais pessoal pelo voo 
dois, no qual seguia Judy.. qualquer =coisa que mantinha 
Standish atento, de olhos fixos na pasta que aquele =homem 
magro sobraava..
Guerrero recuperara a confiana. Na porta fez notar a 
discrepncia =entre o nome ??Guerrero,?, escrito no bilhete, 
e ???Guerrero.,, no seu passaporte. O agente corrigiu o 
bilhete e a sua =lista de passageiros e desculpou-se. - Peo 
imensa desculpa, s =vezes os nossos computadores de reserva 
so descuidados. - Guerrero =tinha agora o nome correctamente 
registado; no haveria qualquer =dvida acerca da sua 
identificao.
Quando entrou a bordo, os motores da direita j estavam a 
trabalhar. =Uma hospedeira conduziu-o a um lugar situado 
junto  janela num =conjunto de trs lugares. Um passageiro, 
que estava sentado na coxia, =soergueu-se para o deixar 
passar. O lugar do meio encontrava-se =vago.
Guerrero equilibrou cuidadosamente a pasta sobre os joelhos 
enquanto =apertava o cinto de segurana. O seu lugar situava-
se mais ou menos a =meio da classe turstica,  esquerda. 
Outros passageiros =instalavam-se, arrumando a bagagem de mo 
e o vesturio- alguns =ainda obstruam a coxia. Uma 
hospedeira que movia os lbios em =silncio, com ar de quem 
gostava que todos se mantivessem quietos, =contava as 
cabeas.
Guerrero recostou-se e fechou os olhos. As mos dele, agora 
mais =firmes, seguravam resolutamente a pasta. Os dedos 
tactearam a pega sob a =qual encontraram o lao do cordel, o 
que o fez experimentar uma =sensao de segurana. Decidiu 
manter-se sentado exacta- mente =na posio em que se 
encontrava durante as prximas quatro =horas, findas as quais 
puxaria o fio. Haveria um instante, pensou, uma =parcela de 
segundo, em que saborearia, vitoriosamente sucesso. Depois, 
=misericordiosamente, tudo terminaria.
atravs de uma frincha da porta da casa de banho onde se
ocultara, Ada Quonsett estivera a observar as duas 
hospedeiras que
se encontravam na cabina da turstica. Sabia que corria o 
risco de =ser
detectada quando contassem os passageiros. Uma vez esta fase
ultrapassada, provavelmente no seria descoberta, ou s-lo-ia 
=apenas
muito mais tarde.
Repetira a histria da carteira  hospedeira que se 
encontrava = porta do avio. Esta, a quem vrios passageiros 
formulavam =simultaneamente diversas perguntas, declinou a 
responsabilidade de =receber a carteira ao saber que esta 
continha ?.muito =dinheiro?, - reaco com que Mrs. Quonsett 
contara. =Foi-lhe dito que, se no se demoras- se, podia ir 
entregar a carteira =ao filho.
O homem loiro de elevada estatura que, na mais completa 
ignorncia, =fora o ?.filho?, de Ada, estava a sentar-se num 
lugar na =parte anterior da cabina. Mrs. Quonsett encaminhou-
se na sua =direco enquanto esperava que a ateno da 
hospedeira da =porta fosse desviada, o que aconteceu no 
momento seguinte. De repente, =por entre os passageiros que 
se agitavam, abriu caminho at uma das =casas de banho. 
Quando, ainda a contar, a segunda hospedeira se =aproximou do 
fundo do avio, Ada saiu da casa de banho e passou por =ela 
murmurando um ??com licena". Ouviu a rapariga soltar com =a 
lngua um sinal de impacincia e pressentiu que fora includa 
=na contagem.
Algumas filas  frente estava vago o assento central de um 
conjunto =de trs lugares. Ada aprendera a utilizar esses 
lugares, que a =maioria dos passageiros rejeitava e que, 
quando o avio no tinha =a lotao esgotada, ficavam em 
geral desocupados.
J instalada, manteve a cabea baixa, tentando passar 
despercebi- =da.  claro que em Roma haveria todas as 
formalidades da =imigrao e da alfndega, o que a impediria 
de sair sem =entraves, como era seu hbito aps as viagens 
ilegais para Nova =Iorque. Mas com alguma sorte haveria a 
excitao de ter estado em =Itlia, seguida de uma deliciosa 
viagem de regresso. Entretanto, =durante aquele voo, 
saborearia uma boa refeio, assistiria a um =filme e 
eventualmente travaria uma conversa agradvel com os 
=companheiros de viagem que se sentavam a seu lado. Sabia que 
ambos eram =homens, mas de o evitou olhar para o que se 
encontrava  sua direita, =o que a a a voltar o rosto paca a 
coxia, que as duas hospedeiras am de =um extremo ao outro, 
refazendo a contagem. Discreta- Mrs. Quonsett =observou o 
passageiro  sua esquerda, um de culos, magro e =plido, 
recostado para trs, de olhos s, que agarrava firmemente =uma 
pasta que tinha sobre os As hospedeiras terminaram a 
contagem. Da =l.a classe,  frente viu uma terceira 
hospedeira, e as trs =raparigas pareceram confeiar 
apressadamente.
DE regresso  sala de alfndega, Harry $tandish pensava ainda 
no =homem da pasta. Fora do recinto da alfndega, um 
funcionrio =aduaneiro no tinha direito de interrogar 
ningum que no fosse =suspeito de evaso aduaneira.  claro 
que Standish poderia =telegrafar  alfndega italiana 
descrevendo o homem e avisando que =este poderia transportar 
contrabando. Mas duvidava que viesse a =faz-lo. 
Internacionalmente, havia pouca colaborao entre os 
=departamentos alfandegrios, divididos por uma profunda 
rivalidade =profissional.
No obstante, Standish decidiu comunicar  Tcans America as 
suas =dvidas. Viu  sua frente Mrs. Livingston, que 
conversava com um =piloto. Quando este se retirou ela 
cumprimentou-o: - Como est, Mr. =Standish? Espero que as 
coisas na alfndega estejam mais calmas do =que por aqui.
- No esto, no - respondeu-lhe, e aps uma hesitao 
=continuou: - Estive a observar o embarque do vosso voo dois, 
e houve uma =coisa que me preocupou. - Descreveu o homem de 
ombros descados e o =modo suspeito como agarrava a pasta. - 
H qualquer coisa naquela =pasta que ele quer ocultar - disse 
a finalizar.
Com ar pensativo, Tanya respondeu: - No sei muito bem o que 
poderei =fazer. - Mesmo que o homem transportasse de facto 
contrabando, o =problema no dizia respeito  companhia.
- Provavelmente no pode fazer nada. Mas pareceu-me 
prefervel =transmitir a informao.
- De qualquer forma, obrigada, Mr. Standish. Vou comunicar o 
assunto ao =nosso director distrital de trfego.
Quando o inspector se afastou, Tanya dirigiu-se  
administrao =da Trans America, na sobreloja. Se o director 
distrital de trfego =considerasse a informao importante, 
enviaria pela rdio uma =mensagem  Demerest, enquanto o 
avio ainda estava em terra.
Consequentemente, apressou-se.
O director distrital de trfego no estava no seu gabinete, 
=onde
em contrapartida, se encontrava Peter Coakle. que  que voc
est aqui a fazer? - explodiu Tanya.
Envergonhado, o jovem agente descreveu o que sucedera. J 
fora
descomposto por um irado mdico chamado por lapso  casa de
banho das senhoras. J esperava a ira de Tanya, que de facto
explodiu: - Eu bem o avisei dos truques dela! Agora ponha-se 
ao
telefone e avise os funcionrios de todas as nossas portas 
para =que
estejam atentos! Se a localizarem, detenham-na e liguem para 
aqui.
Eu vou telefonar para as outras companhias.
Peter agarrou num telefone e Tanya noutro. De momento 
esquecera-se da =sua conversa com o inspector Standish e da 
sua inteno de =localizar o director distrital de trfego.
A bordo do voo dois, o comandante Demerest vociferava: - I)? 
que =diabo estamos  espera? - Os motores trs e quatro do 
lado =direito, estavam j ligados. O pulsar dos seus jactos, 
abafado mas =potente, sentia-se no cockpit.
Continuavam  espera da autorizao do supervisor de embarque 
=para ligarem os motores um e dois, do lado esquerdo, que s 
eram =postos em marcha depois de todas as portas estarem 
fechadas. No ?= painel, uma luz vermelha apagara-se, 
indicando que a porta da cauda =j fora fechada, mas uma 
outra luz vermelha indicava que a porta da =frente permanecia 
ainda aberta e que a manga de embarque no fora =ainda 
retirada. Voltando-se na cadeira, Demerest ordenou a Jordan 
que =abrisse a porta do cockpit. Cy obedeceu. Na zona 
anterior da cabina =viam-se meia dzia de figuras envergando 
o uniforme da Trans America, =entre as quais Gwen.
Demerest chamou-a: - Gwen - e ela dirigiu-se para o cockpit. 
- Que se =passa?
Gwen parecia preocupada. - A contagem da turstica no bate 
certo. =J contmos duas vezes, e o nmero no confere com o 
da =folha de carga nem com o dos bilhetes. O supervisor de 
embarque est =a verificar.
- Quero falar com ele.
Embora nominalmente naquela fase o comandante fosse j a 
autoridade =mxima do avio, no podia ligar os motores nem 
iniciar a =rolagem sem o OK do supervisor de embarque. Tanto 
o comandante como o =supervisor de embarque pretendiam que a 
partida se efectuasse  =tabela, mas por vezes a disparidade 
das suas funes dava origem a =conflitos.
Decorrido um momento apareceu o supervisor de embarque, de 
uniforme, com =um nico galo prateado a indicar o seu r--
- Oia, amigo - comeou Demerest. - Eu sei que voc tem 
=problemas, mas ns tambm os temos. Quanto tempo mais vamos 
=continuar aqui?
- Acabei de mandar verificar de novo os bilhetes, Sr. 
Comandante. H =um passageiro a mais na turstica.
- Muito bem - disse Demerest. - Agora vou dizer-lhe uma 
coisa. Por cada =segundo que passa estamos a queimar gasolina 
no trs e no quatro, que =voc autorizou que fossem liga- 
?os, gasolina essa de que =vamos precisar durante esta noite. 
E se o avio no parte j, =mando desligar tudo e chamo o 
pessoal de reabastecimento para encher de =novo os depsitos, 
embora o controle de trfego nos tenha acabado =de comunicar 
que tm uma aberta momentnea. Se formos j, =descolamos num 
instante. Daqui a dez minutos pode ser diferente. A =deciso 
 sua.
O supervisor hesitou. Parar os motores e encher os depsitos 
=significaria mais uma meia hora de dispendioso atraso do voo 
dois, a =acumular-se ao atraso de uma hora em relao  
tabela. Se =houvesse um passageiro clandestino a bordo que 
fosse encontrado e =retirado do avio, o supervisor teria uma 
justificao para a =reteno do voo. Mas se acabasse por se 
verificar que a =diferena dos nmeros no era mais do que um 
erro dos =escritrios, como podia acontecer, teria de 
enfrentar a clera do =director distrital de trfego. Assim, 
ordenou, atravs da porta do =cockpit: - Cancelem a 
verificao dos bilhetes. O avio vai =partir j.
ERalvt onze horas da noite. Uma figura correndo aos tropees 
=chegou  porta quarenta e sete. Mas as mangas de embarque 
estavam =fechadas e o avio saa do terminal e iniciava a 
rolagem. =Desalentada, Ins Guerrero ficou a ver as luzes do 
avio a =afastarem-se. CAPTULO VIII COMO acontecia com todas 
as =tripulaes no incio de um voo, Gwen experimentou uma 
=sensao de alvio quando a porta da cabina se fechou e o 
=avio comeou a deslocar-se. Era neste ambiente familiar e 
=auto-suficiente que a tripulao trabalhava com percia e 
=independncia. A camaradagem do ar - intangvel mas real - 
fazia =de novo sentir-se.
Enquanto as outras quatro hospedeiras preparavam as galleys 
Gwen, =servindo-se do seu manual, desejou as boas-vindas aos 
passageiros =atravs dos intercomunicadores.
O comandante Demerest e a sua tripulao... desejam-vos 
=sincera-
mente uma viagem agradvel e repousante... dentro de momentos
teremos o prazer de vos servir... estamos  vossa disposio 
=para que
este voo decorra to aprazivelmente quanto...
Gwen perguntou a si prpria quando perceberiam as companhias 
=areas que a maioria dos passageiros considerava tais 
anncios =irritantes e enfadonhos. Mas as instrues sobre 
sadas de =emergncia, mscaras de oxignio, etc., eram 
essenciais. =Enquanto duas hospedeiras procediam  
demonstrao, Gwen =terminou rapidamente a leitura.
Havia mais um anncio a fazer, obrigatrio antes das 
descolagens =em aeroportos contguos a zonas residenciais.
Pouco depois da descolagem notaro uma acentuada diminuio 
do =rudo dos motores devido a uma reduo da potncia. Tal 
=medida, perfeitamente normal,  seguida por razes de 
=deferncia para com as pessoas que vivem perto do aeroporto,
A segunda declarao era falsa. A reduo da potncia =no 
era normal nem mesmo desejvel. Era um procedimento 
=diplomtico, que implicava um risco para a segurana do 
aparelho. =Os pilotos opunham-se declaradamente  restrio 
de =potncia. Havia mesmo muitos que, pondo em risco as suas 
prprias =carreiras, se recusavam a observar esta norma.
Gwen ouvira j Demerest a parodiar o anncio: - Minhas 
senhoras e =meus senhores, no momento mais crtico da 
descolagem, quando =precisamos do mximo de potncia, 
reduzimo-la drasticamente e =depois iniciamos uma volta a 
subir com um peso bruto elevado e a uma =velocidade mnima. 
Com uma manobra destas qualquer aluno piloto seria 
=imediatamente chumbado. Por isso, agarrem-se bem! Cruzem os 
dedos e por =favor, comecem a rezar!
Gwen sorriu, recordando o episdio. Apreciava o carcter 
ardente e =impulsivo de Vernon, a forma como ele se entregava 
a qualquer actividade =que lhe interessasse. At os seus 
defeitos, as suas atitudes =custicas, a sua vaidade - eram 
msculos e atraam. E =simultaneamente ele sabia ser terno, e 
era-o a fazer amor.
Por uma janela, Gwen via, exactamente  sua frente, as luzes 
de um =avio que alinhava numa pista; seguir-se-ia o voo 
dois. Baixou um =assento e apertou o cinto de segurana.
A potncia dos motores aumentava. J estavam a rolar; dentro 
de =segundos estariam no ar. E sempre a mesma pergunta, que 
no deixaria =de a atormentar. O beb... sim ou no? Deix-
lo-ia viver ou =conden-lo-ia  morte? Entre o amor e o bem-
estar, por qual =optar?
Gw EN no precisava de ter feito o aviso sobre a reduo do 
=rudo dos motores. Enquanto rolavam, Hams declarou a 
Demerest: - Es- =ta noite tenciono ignorar os procedimentos 
de reduo de =rudo.
Demerest concordou. - Acho bem! Eu faria o mesmo. - Puxou 
para si o =relatrio de voo e anotou na coluna 
??Observaes,??: ?PR R. Procedimento de reduo de rudos 
no =observado. Razo: tempo, segurana." Mais tarde, aquela 
=anotao poderia dar origem a dissabores, mas Demerest 
apreciava =esse tipo de problemas.
As luzes do cockpit foram reduzidas e completados os 
procedimentos =pr-descolagem. Tinham tido sorte com a 
diminuio =temporria do trfego. Atrs do voo dois formava-
se agora uma =bicha de avies que esperavam, e uma procisso 
de outros que =abandonavam os terminais.
Os rdios de Demerest e Hams estavam sintonizados para a 
torre de =controle. Imediatamente  frente do Trans America, 
um VC-10 da BOAC =foi autorizado a descolar. Avanou, 
inicialmente com uma lentido =entorpecedora e depois 
rapidamente. As cores da companhia - azul, branco =e dourado 
- cintilaram brevemente sob as luzes dos outros aparelhos e 
=desapareceram num redemoinho de neve turbilhonante e de fumo 
negro dos =escapes dos reactores. Soou ento a voz do 
controlador: - Trans =America dois, autorizado a alinhar na 
pista dois cinco, e aguarde; =trfego a aterrar na pista um 
sete
esquerda.
Esta pista cruzava a dois cinco. Embora o uso simultneo das
duas pistas implicasse risco, os controladores tinham 
adquirido
prtica em intervalar as partidas e chegadas dos aparelhos, a 
fim =de
evitar perda de tempo e de fonrIa que nunea dois avies se 
=encontrassem na interseco das pistas. Com gestos rpidos e 
=hbeis Harris rolou em direco  pista dois cinco. =Atravs 
da neve Demerest distinguia as luzes de um avio prestes a 
=tocar o solo na pista um sete. Mesmo antes de este aparelho 
ter =atravessado a pista dois cinco a voz do controlador fez-
se ouvir: - =Trans America dois, autorizado a descolar. Mexa-
se, homem! - Embora as =duas ltimas palavras no fizessem 
parte do vocabulrio =regulamentar de controle de trfego 
areo, tinham o mesmo =significado para os pilotos e para os 
controladores:.?Avance! =J est outro voo para aterrar 
depois deste ltimo ! " De =facto, um novo conjunto de luzes 
- aflitivamente perto do campo - fazia =a aproximao  pista 
um sete.
Hams empurrou at ao limite as quatro manettes de potncia. 
Depois =ordenou: - Acerte a potncia! - E durante um curto 
espao de tempo =pisou os pedais de travo, deixando o motor 
desenvolver potncia =enquanto Demerest acertava a potncia 
dos quatro motores. O som dos =reactores intensificou-se at 
se transformar num estrondo =ensurdecedor, e o avio 
precipitou-se em direco  =pista.
Demerest comunicou  torre: - Trans America dois, iniciei a 
=descolagem. - A velocidade aumentou. Demerest chamou de no- 
vo: - =Oitenta ns. - As luzes da pista passavam por ele, 
velozes, por entre =a neve que redemoinhava.
Quando atingiu a velocidade de cento e trinta e dois ns, 
Demerest =comunicou: - V-um. - Tinham alcanado a velocidade 
de deciso, = qual o avio ainda podia travar no solo. 
Imediatamente a seguir =ultrapassaram a V-um. Ainda a ganhar 
velocidade, atravs- saram a =interseco, vislumbrando  sua 
direita, como um relmpago, =as luzes do avio que se 
preparava para aterrar; dentro de segundos =outro avio 
atravessava a interseco que o voo dois acabara de 
=transpor. Mais uma manobra arriscada - habilmente calculada- 
que =resultara; s os pessimistas acreditavam que um dia essa 
manobra =podia falhar. Quando atingiram a velocidade de cento 
e cinquenta ns, =Hams puxou bruscamente o manche. A roda do 
nariz elevou-se da =superfcie da pista e um momento depois 
estavam no ar.
Em voz calma, Harris comandou: - Trem em cima. - Demerest 
levantou uma =alavanca no painel central de instrumentos. O 
rudo do trem de =aterragem a ser recolhido ecoou pelo 
aparelho e depois extinguiu-se com =um baque quando as portas 
dos pores do trem se fecharam.
Subiam agora rapidamente. - Flaps vinte! - disse Harns; De- 
merest =actuou a alavanca dos flaps, provocando uma leve 
sensao de =afundamento quando os flaps, que durante a 
descolagem haviam fornecido =uma sustentao extra, se 
ergueram parcialmente.
- Flaps zero. - Os jlaps foram totalmente recolhidos. quela 
=altitude, por entre nuvens, havia bastante turbulncia; os 
=passageiros que ocupavam a cauda do avio deviam estar a ser 
=desconfortavelmente sacudidos. Demerest desligou os 
indicadores de =PROIBIDO FU- MAR; permaneceria aceso o sinal 
ordenando que fossem =mantidos os cintos de segurana at que 
o voo dois atingisse uma =zona mais estvel.
Demerest chamou o controle: - Voo dois voltando  esquerda 
rumo um =oito zero; abandonando mil e quinhentos ps. - Pouco 
depois, o voo =dois foi autorizado a subir at aos vinte e 
cinco mil ps. =Decorridos alguns minutos encontrar-se-iam em 
cu calmo e lmpido, =sobre as nuvens de tempestade e sob as 
estrelas.
WaYNE Tevis fez deslizar o seu banco de rodas at junto de 
Keith =Bakersfeld. - Tens cinco minutos, menino - disse em 
voz arrastada. - =Chegou o mano mais velho.
Quando desligou os auscultadores e se voltou, Keith 
distinguiu na sombra =a figura de Mel atrs de si. Receara 
no aguentar emocionalmente =um encontro com Mel, mas agora 
sentia-se satisfeito por o irmo ter =vindo. Sempre os unira 
uma verdadeira amizade e devia despedir-se dele, =ainda que 
Mel no devesse sab-lo.
- Passei por aqui. Como esto as coisas a correr? - perguntou 
=Mel.
Keith encolheu os ombros. - Bem.
Mel trouxera dois cafs e deu um a Keith.
- Obrigado. - Keith sentia-se grato pelo caf, bem como pela 
=interrupo. A mo que segurava a chvena no estava =muito 
f Irme.
Cuidadosamente, Mel evitava fitar o rosto do irmo, naquele 
momento =mais tenso e sombrio do que nunca. Indicando com um 
gesto de cabea a =profuso de equipamento de radar, Mel 
comentou: - Sempre gostava de =saber o que  que o velhote
pensaria de tudo isto.
O ??velhote.? era o seu pai, Wally ??Wild Blue" =Bakersfeld,
pra-quedista e aviador de culos e capacete, que efectuara 
=voos
como duplo de cinema e fazendo pulverizaes de colheitas. 
=Wild
Blue, amigo ntimo de Orville Wright, voara at ao fim dos 
=seus
dias, que haviam acabado com os filhos ainda teenagers, 
durante a
filmagem de uma cena em Hollywood em que fazia de duplo e 
durante a qual =a coliso simulada de um avio se tornara uma 
realidade. Por =influncia de Wild Blue, ambos os seus filhos 
aceitaram a =aviao como o seu natural modus vivendi, embora 
Mel considerasse =que essa situao se revelara prejudicial 
em relao a =Keith.
Em voz baixa, observou: - Keith, tu no ests bem. Tanto eu 
como =tu o sabemos; para qu fugir? No queres falar sobre o 
que te =preocupa? Sempre fomos sinceros um com o outro.
- E verdade - respondeu Keith. - Sempre. - A referncia ao 
pai =comovera-o. Wild Blue fora um pai extraordinrio. E no 
entanto a =figura paternal para Keith acabara por ser Mel, 
que possua o bom =senso e a estabilidade que o pai nunca 
tivera. Durante toda a vida Mel =olhara por Keith, embora 
nunca o superprotegesse, como acontecia com =muitos irmos 
mais velhos que retiravam a dignidade aos mais =novos.
Mel fez um gesto com a cabea e ambos saram da sala de radar 
para =o corredor. - Ouve, meu velho - disse Mel. - Precisas 
de te afastar =disto por algum tempo. Talvez precises de te 
afastar de vez.
Keith sorri. - Estiveste a falar com Natalie?
- Natalie tem capacidade para avaliar situaes com sensatez.
E ainda h outra coisa - prosseguiu Mel -, acho que nunca me 
contaste =exactamente o que aconteceu em Leesburg.
Aps uma breve hesitao, Keith respondeu: - Pois no.
- Pensei que no me tinhas dito tudo. - Mel escolhia 
cuidadosamente =as palavras, pois sabia que aquele momento 
podia revestir- -se de =importncia crucial. - Mas tambm 
pensei que se tivesses querido =que eu soubesse j me tinhas 
contado; como no disseste nada, =no quis intrometer-me. Mas 
s vezes, quando se gosta de =algum, temos que assumir os 
seus problemas. Neste momento o teu =problema  tambm meu. 
Aquele dia em Leesburg, a parte que no =contaste, tem a ver 
com o que se passa agora contigo, no tem? Keith =abanou a 
cabea. -  melhor no falarmos nisso, Mel. A voz de =Mel era 
uma splica. - No podes viver com isso guardado dentro de 
=ti o resto da tua vida. E quem melhor do que eu a 
desabafares? Eu =compreenderia. - Queres dizer, contar-te 
tudo aqui? Agora? Mel insistiu: =- Porque no? Alguma coisa 
despertou em Keith, a vontade de aliviar o =seu io como num 
confessionrio,  procura de expiao de um =pecado ? 
reconhecimento e arrependimento. No seu esprito, =uma porta 
ento fechada comeava a entreabrir-se. - Penso que =no h 
motivo para no te contar tudo - declarou lentamente. =Mel 
manteve-se em silncio, receando pronunciar uma palavra ada 
que =demovesse Keith da sua resoluo. - Conheces a maior 
parte do que =aconteceu - comeou Keith. - O que tu no 
sabes, e que no foi =revelado durante o inqurito. . - E 
descreveu aquela manh em =Leesburg, a imagem trfego quando 
ele sara para se dirigir  =casa de banho, o controlador 
estagirio que deixara a =substitu-lo.  medida que as 
palavras irrompiam, como uma =catarata longo tempo contida, 
experimentava uma sensao de =inexprimvel alvio. De 
repente, a porta do fundo do corredor =abriu-se. O chefe da 
re chamou: - Mr. Bakersfeld! O tenente Ordway anda = sua Mel 
teve vontade de gritar-lhe, de pedir-lhe que o deixasse a 
=ss i Keith durante mais alguns minutos. Mas no valia a 
pena. Ao =ir a voz do chefe da torre, Keith interrompeu-se 
como se um interruptor =tivesse sido desligado. Para que 
iniciara aquela conversa?, =perguntava-se. Nenhuma profisso 
conseguiria exorcizar as =recordaes. Limitara-se a agarrar-
se quilo que lhe parecera =uma esperana. Mais uma vez a 
tina espessa da solido se cerrou em =torno dele; e por 
detrs a havia uma cmara de tortura que nem Mel =conseguia - 
Acho que voc  preciso l dentro, Keith - declarou =o chefe 
torre. Keith acenou em anuncia. Desanimado, Mel viu o =irmo 
regressar  sala de radar. Ouvira o suficiente para saber 
=que era extraordinariamente importante que visse o resto. 
Mas =conseguiria alguma vez mais vencer a reserva de Keith? 
Esta dvida =desesperava-o. Entretanto, as suas ocupao 
chamavam-no.
Chamou o tenente Ordway, que o informou que um dos se homens 
encontrara =uma mulher que chorava e vagueava sem objectivo 
no terminal =principal.
- No percebemos nada do que ela disse, mas como no est a 
=fazer nada de mal no a levei para a estao. E como no =h 
assim tantos lugares calmos por aqui, deixei-a na antecmara 
do =si gabinete. - Acrescentou que os habitantes de Meadowood 
estava a =chegar, mas que no haviam causado ainda qualquer 
problema
- Vou j para o gabinete - disse Mel. - Conseguiu saber nome 
da =mulher?
- Guerrero. Ins Guerrero - respondeu Ordway.
TANYA perguntou, numa voz que denotava incredulidade:- Quer 
dizer que =Ada Quonsett embarcou no voo dois?
- Receio que sim, Mrs. Livingston. Havia uma velha cuja 
descrio =correspondia  que descreveu no seu aviso s 
portas de embarque. - =O funcionrio da porta que 
superintendera no embarque do Golden =Argosv encontrava-se no 
gabinete do director distrital de trfego =juntamente com 
Tanya e Peter Coaekley. - Deixmos. entrar: outros 
=visitantes a bordo e todos eles saram. Alm disso- 
acrescentou, =numa atitude de defesa -, eu estava a fazer o 
servi de duas pessoas, a =senhora sabe.
- Sei, sei - aquiesceu Tanya. Se algum era responsvel pela 
=ocorrncia, esse algum era ela prpria.
Pouco depois de Coackley e de o agente da porta sarem, o 
director =distrital de trfego, Bert Weatherby, regressou ao 
seu gabinete. Era =um executivo enrgico, que comeara a sua 
vida profissional com =dificuldades, como carregador, e 
ascendera a um cargo elevado pelo seu =esforo e naquela 
noite sentia-se cansado e irritado. Ouviu com =impacincia o 
relatrio de Tanya, em que esta aceitava a =responsabilidade 
do sucedido.
O director distrital de trfego interpelou-a rispidamente: - 
A =senhora  que nos meteu nesta alhada; agora desenrasque-
se. Pea =? seco de operaes que informe o comandante do 
=voo dois do que se passa. Avise-o de que ela no deve sair 
do =avio em Roma sem escolta. E se as autoridades italianas 
a enf??rem numa cadeia, tanto melhor. Depois envie uma 
mensagem ao nosso =chefe de escala em ma. Quando o avio 
aterrar o problema passa a ser =dele, e espero ? tenha 
funcionrios mais competentes do que =os que eu tenho. - 
Muito bem, Mr. Weatherby. - Comunicou-lhe ento =que utdish 
vira um homem de aparncia suspeita a embarcar no voo 15, 
=mas o director distrital de trfego interrompeu-a. - Esquea 
o =assunto! Nem pense que vou pedir  alfndega liana para 
verificar =seja o que for! No posso permitir que um 
passageiro que paga o seu =bilhete seja submetido a 
interrogatrios e ; a ofensas por qualquer =coisa que no nos 
diz respeito. Tanya hesitou. Havia qualquer coisa =na 
descrio do homem que preocupava. Sugeriu: - Talvez no 
=seja contrabando. O director distrital de trfego 
interrompeu-a =bruscamente: - J sse para esquecer o assunto! 
CINDY Bakersfeld pagou =o txi  porta do terminal principal 
entrou precipitadamente no =aeroporto. Abriu caminho atravs 
da multido que se comprimia na =sala de espera principal e 
contornou grupo bastante numeroso que parecia =preparar-se 
para qualquer manifestao, pois alguns dos seus =componentes 
montavam um tema de altifalantes porttil. Sem grande 
=curiosidade, continuou a andar em direco ao gabinete de 
Mel. Viu =sentada na antecmara uma mulher de meia-idade, de 
aspecto abatido, =que fitava com uma expresso ausente um 
ponto perdido espao e =no reparou em Cindy. Esta relanceou-
a com uma certa curiosidade =antes de entrar no gabinete 
vazio de Mel, onde se sentou ma cadeira e =esperou. Mel 
entrou com ar apressado decorridos dez minutos. - Oh!- 
=clamou ao ver Cindy. - No pensei que viesses e no vejo 
utilidade =na tua vinda. Cindy retrucou: - Diz-me o que te 
parece serem as minhas =intenes. - Tenho a impresso de que 
queres discutir. J =bastam as discusses que temos em casa, 
no  preciso arranjar =outra aqui. ?- Talvez tenhamos de 
arranjar qualquer coisa aqui, =uma vez que raramente ests em 
casa - sublinhou Cindy, causticamente. =Fez na pausa. - Mel, 
terminou tudo, no achas? Entre ti e mim. Mel =no respondeu 
de imediato; embora sem querer precipitar-se, =compreendia 
que, uma vez o assunto abordado, seria insensato evitar 
=verdade. - Penso que sim - respondeu por fim. - Receio que 
sim. Tentei =adaptar-me s circunstncias; penso que tu 
tambm. N sei quem =ter feito o esforo maior; naturalmente 
eu penso que fui e?? e tu pensas que foste tu. O que importa 
 o seguinte: tivemos =tempo suficiente para tentar, mas no 
resultou.
- Quero o divrcio, Mel - declarou Cindy.
- Tens a certeza? - perguntou Mel. -  um passo importante.
- Tenho a certeza - respondeu Cindy.
Mel disse calmamente: - Ento penso que  uma deciso 
acertada =para ambos.
A ausncia de argumentao pareceu contrariar Cindy, que 
=perguntou:
- Ento  um facto consumado?
Mel avanou um passo na sua direco. - Tenho pena, Cindy.
- Tambm eu lamento, mas  a nica coisa sensata que pode- 
mos =fazer, no ? - retorquiu, deixando-se ficar onde 
estava.
Ele concordou: - .
Terminara, e ambos o sabiam. Cindy estava j a fazer planos.- 
Fico =com a custdia de Roberta e de Libby, claro, mas tu 
podes ir =v-las sempre que quiseres. Nunca te hei-de criar 
dificuldades =relativamente s crianas.
-Eu sei.
Era natural, reflectiu Mel, que as filhas fossem com a me; 
mas ia =ter saudades delas, em especial de Libby. Por muito 
frequentes que =fossem, os encontros com as crianas no 
substituiriam uma vida em =comum na mesma casa. Recordou a 
conversa havida com Libby, horas antes, =pelo telefone; que  
que ela queria? Um mapa de Fevereiro. Quanto a =ele, o ms de 
Fevereiro j fora programado, e com =circunstncias 
inesperadas.
- Vou ter de arranjar um advogado - continuou Cindy. - De- 
pois digo-te =quem . - Parecia ter recuperado totalmente e 
inspeccionava o rosto =no espelho da caixa de p. Mel tinha 
mesmo a impresso de que o =curso dos pensamentos dela j 
estava longe dali; nos cantos da sua =boca esboava-se um 
sorriso. De facto, ela preparava-se para falar a =Mel a 
respeito do seu plano de casar com Lionel Urquhart, mas 
=interrompeu-se. Ele descobriria mais tarde.
Ouviu-se uma pancada na porta e Mel respondeu: - Entre.
Era o tenente Ordway, que exclamou ao ver Cindy: - Oh, 
desculpe, Mrs. =Bakersfeld. - Cindy ergueu os olhos para ele 
e ?pois desviou-os =sem responder. Ordway, sensvel ao 
ambiente, hesitou: - Talvez seja =melhor eu voltar mais 
tarde.
Mas hle1 atalhou: - No, no, diga l. Que se passa, Ned?
-  aquela gente de Meadowood. Esto uns duzentos na sala de 
=espera principal, e h mais a chegar. Todos queriam falar 
consigo, =mas consegui convenc-los a enviar uma delegao. E 
tambm =h I?s jornalistas. Esto todos  sua espera ali 
=fora.
Mel sabia que teria de atender a delegao. - Cindy- pediu. - 
Isto =no demora nada. Esperas um pouco por favor?
Ela ignorou-os e Mel virou-se para Ordway : - E melhor mand-
los =entrar. Ah, e ainda no falei com a tal mulher, Mrs. 
Guerrero.
- No  preciso. Ela vai-se embora.
Fez entrar a delegao de Meadowood - quatro homens e duas 
=mulheres, seguidos pelo trio de jornalistas. Um dos 
reprteres =pertencia ao Tribune - era um rapaz novo de 
aspecto observador chamado =Tomlinson, que cobria para o seu 
jornal os temas relaciona- dos com a =aviao; Mel conhecia-o 
bem e respeitava a exactido e a =imparcialidade dos seus 
artigos. Atravs da porta aberta via Ordway a =falar com Mrs. 
Guerrero, que apertava o casaco.
Mel apresentou-se  delegao e convidou: - Sentem-se, por 
=favor.
Um dos elementos da delegao, um homem bem vestido com o 
cabelo =entremeado de fios brancos meticulosamente penteado, 
disse: - Vamos =sentar-nos, mas convm que saiba que no 
estamos aqui  procura =de conforto. Temos coisas graves para 
lhe dizer e queremos obter =respostas, no paliativos. O meu 
nome  Elliot Freemantle. Sou =advogado e estou aqui em 
representao destas pessoas e de todas =as outras que se 
encontram l em baixo.
- Muito bem, Mr. Freemantle - disse Mel. - Pode comear.
Com um sobressalto, experimentando um sentimento de culpa por 
no ter =notado o facto, constatou, ao sentar-se, que Cindy 
se retirara. =CAPTULO IX O voo dois encontrava-se a vinte 
minutos de distncia =do Lincoln International e mantinha a 
subida que terminaria  =altitude de trinta e trs mil ps, 
perto de Detroit, cerca de onze =minutos mais tarde. ?
avio seguia uma ortodrmica para Roma, em ar calmo, muito 
acim??
da turbulncia. A Lua, em quarto crescente, brilhava acima 
deles =e
as estrelas cintilavam com nitidez.
No cockpit, os trs pilotos instalavam-se para desempenhar ? 
=tarefas rotineiras daquela viagem de longo curso.
Sob a mesa do mecnico ouviu-se uma campainha e num painel de 
=rdio  frente das manettes uma luz mbar comeou a piscar, 
=Ambas indicavam uma chamada pelo SELCAL, atravs do qual a 
maior =parte dos avies, cada um dos quais com o seu cdigo 
prprio, =podia ser contactada como se por telefone privado. 
Hams passou 
escuta do terceiro rdio e transmitiu: - Trans America dois 
na
escuta.
- Voo dois, seco de despacho da Trans America, de Cleve-
land. Tenho uma mensagem do DDT do Lincoln International para 
o
comandante. Est pronto a copiar?
Demerest, que tambm passara  escuta do terceiro rdio, 
=pegou
num bloco-notas, enquanto Harris respondia: - Transmita, 
Cleveland.
Era a mensagem de Tanya Livingston acerca de Ada Quonsett. Ao 
ouvirem a =descrio da velha, Demerest e Harris sorriram. A 
mensagem =terminava pedindo confirmao de que Mrs. Quonsett 
seguia a =bordo.
- Vamos verificar e informamos. - Hams passou de novo  
escuta do =controle.
Jordan, que ouvira a mensagem por meio do altifalante do 
painel =superior, ria. - No acredito! - disse.
- Pois eu acredito - disse Demerest, com um riso sardnico. - 
=Conseguiu enganar todos aqueles patetas de terra.- Premiu o 
boto de =chamada para o telefone da galley da 1. a classe e 
chamou Gwen ao =cockpit. Ainda a rir, leu-lhe a mensagem 
SELCAL. -1 a viste?
Gwen abanou a cabea. - Esta noite quase no pus os ps na 
=turstica.
- Ento vai l e v se ela l est. No deve ser =difcil 
encontr-la. Depois vem c informar.
Gwen demorou-se apenas uns minutos; quando voltou, tambm ela 
=ria.
- Est no lugar 14-B. Tem pelo menos setenta e cinco a?os e 
=prece av de qualquer um de ns.  por isso que h bocado a 
=contagem no dava certa. Vou pedir-Lhe o bilhete. - No - 
atalhou =Demerest. - Deixa estar. Os outros olharam-no, 
curiosos. - S nos =pediram para ver se a velhota estava a 
bordo. Est! ?m =certeza eles vo mandar algum esper-la em 
Roma, e contra so =no podemos fazer nada. Mas j que ela 
conseguiu chegar at ??ui, para qu estragar-lhe o resto da 
viagem? Quando estivermos =quase a chegar a Roma, dizemos-lhe 
que estamos a par do assunto, ??a ela no ter um ehoque 
muito grande  chegada ao aeroporto. =ara j, deixemo-la 
gozar a viagem. D  avozinha um bom jantar =e deixa-a ver o 
filme em paz e sossego.
- s vezes - comentou Gwen com ar pensativo - gosto mesmo de 
ti - e =saiu do cockpit.
Hams, que acendera o cachimbo e estava a verificar o piloto 
=automtico, ergueu os olhos para Demerest e comentou 
secamente: - =No conhecia essa sua preferncia por velhas
Demerest, a quem o assunto da passageira clandestina pusera 
de bom =humor, sorriu: - Prefiro as novas. Mas olhe que em 
breve voc e eu =teremos de nos contentar com senhoras de 
meia-idade.
- Eu j me contento. - Harris lanou uma fumaa pelo 
cachimbo. =- E j h bastante tempo. - Ambos os pilotos 
tinham um dos =earphones dos auscultadores levantado para 
cima, o que lhes permitia =conversar sem deixar de ouvir 
alguma mensagem de rdio que chegasse; =o nvel de rudo no 
cockpit era suficiente para lhes permitir uma =certa 
privacidade.
- J sei que voc e a sua mulher sempre se deram bem - 
respondeu =Demerest. - Tenho-o visto a ocupar o tempo a ler, 
durante os =layovers.
- A minha mulher era assistente de bordo, e foi assim que nos 
=conhecemos. Ela estava a par do que se passava. Por isso 
quando =casmos fiz-lhe uma promessa, a promessa bvia. 
Sempre a =cumpri.
Enquanto conversavam, os dois pilotos no deixavam de 
percorrer com o =olhar os painis de instrumentos iluminados.
- Deduzo que todos os filhos que vocs tm devem ter
ajudado - disse Demerest. - Quantos so? Seis?
- Sete. - Harns sorriu. - Quatro foram planeados, os 
outros...
bem... tudo se arranjou.
- Esses que vocs no planearam, alguma vez pensaram em
fazer qualquer coisa, quero dizer, antes de eles nascerem?
Anson Harris respondeu secamente: - No. - Depois
acrescentou, em tom menos brusco: - Sobre esse assunto tenho
ideias bastante firmes.
Entretanto, ouviam pelo rdio uma troca de palavras entre o ' 
=controle e um voo da TWA com destino a Paris, que descolara
imediatamente a seguir ao voo dois da Trans America e que se
encontrava cerca de dez milhas atrs e vrios milhares de ps 
=abaixo
deste. Escutando as transmisses de outros aparelhos, os 
pilotos
atentos conseguiam, na sua maior parte, formar nos seus 
espritos
uma imagem mental parcial do trfego  sua volta. Demerest e 
=Hams
acrescentaram este novo dado a outros j memorizados.
Depois de verificar o rumo e a altitude, Hams continuou:-
Tenho estudado bastante Histria, Vernon e h uma coisa que
' aprendi. Todos os passos do progresso da humanidade 
resultam de uma =nica e simples causa: a elevao do 
estatuto do ser humano ??cmo indivduo. De cada vez que a 
civilizao progrediu foi =porque %s pessoas se preocuparam 
um pouco mais com as outras e as ??respeitaram como 
indivduos. Eu respeito a vida humana ainda =mais quando se 
trata de um nascituro, porque  fcil matar uma =criana 
indefesa. E mesmo nos primeiros estdios da vida o =embrio  
j um ser humano. Oito semanas depois da =concepo j tem 
todos os elementos de um beb completamente =formado.
Era altura de nova comunicao com o controle e Demerest 
=encarregou-se de a fazer. Estavam naquele momento a trinta e 
dois mil =ps, a atingir o tecto de subida, prestes a cruzar 
a fronteira com o =Canad. As cidades fronteirias gmeas de 
Detroit e Windsor, =Ontrio, habitualmente manchas de luz 
visveis a milhas de =distncia, naquela noite encontravam-se 
envoltas em escurido, = medida que a tempestade avanava 
para leste.
- Voc devia ter sido advogado em vez de piloto - comentou 
=Demerest.
- Eu bem lhe disse que tinha ideias firmes sobre esse 
assunto.
- Quer voc dizer ideias disparatadas. - A irritabilidade. de 
=Demerest, sempre  flor da pele, comeava a transparecer  
=lembrana de Gwen. - H imensos argumentos lgicos a favor 
de =no deixar nascer uma criana no meio da pobreza, ou em 
resultado =de um crime ou se ameaa a vida da me.
- Isso  a mesma coisa que dizer: ??Muito bem, permitimos um 
=pequeno assassnio desde que vocs apresentem um argumento 
=convincente." - Harns abanou a cabea. - No matamos os 
=deficientes mentais, nem os doentes incurveis, nem 
eliminamos as =pessoas velhas e inteis, como se faz em 
algumas civilizaes. =Podem-se evitar crianas no desejadas 
atravs do controle de =nascimento, e toda a gente, a todos 
os nveis econmicos, tem =oportunidade de o utilizar.
Os altmetros marcavam os trinta e trs mil ps. Hams nivelou 
o =aparelho, enquanto Cy Jordan ajustava a potncia.
Demerest, que gostaria de no ter abordado aquele assunto com 
Harris, =para finalizar a conversa premiu o boto de chamada 
das assistentes: =-  melhor comermos alguns hors d'oeuvres 
antes que os passageiros se =atirem a eles.
NA cabina da turstica, Ada Quonsett estava entretida em 
animada =conversa com o simptico passageiro de meia-idade 
sentado  sua =direita, que, conforme ela descobrira, tocava 
obo na Orquestra
Sinfnica de Chicago. - Que maravilha! - exclamou ela. - O 
meu
falecido marido adorava msica clssica. Tocava um bocadinho 
=de
violino, embora,  claro, no fosse profissional.
Mrs. Quonsett sentia-se reconfortada pelo xerez que Lhe 
oferecera
o seu amigo obosta. Naquela altura este perguntava-lhe se 
ela =no
gostaria de tomar outro, ao que ela respondeu, com um sorriso
resplandecente: - Meu Deus,  muito amvel da sua parte, e se
calhar no devia aceitar, mas acho que no vou recusar.
O passageiro  esquerda de Ada constitura para ela uma 
=desiluso. As suas diversas tentativas de entabular uma 
conversa =haviam sido repelidas por respostas monossilbicas. 
O homem =permanecia sentado, com uma expresso vazia, 
agarrado  pasta que =tinha sobre os joelhos. Pedira um 
whisky, que pagara com trocos e que =depois engolira quase de 
um trago. ??Pobre homem, deve ter =problemas", pensou Mrs. 
Quonsett.
Reparou, no entanto, que a ateno do seu sisudo companheiro 
fora =de repente despertada no momento em que o comandante 
comunicara a =velocidade, destino, altitude, durao de voo e 
outros pormenores =a que Ada raramente prestava ateno. O 
sorumbtico passageiro =rabiscara notas nas costas de um 
envelope, e, retirando um dos mapas =fornecidos pela 
companhia, onde cada passageiro podia assinalar a =posio do 
avio, abrira-o sobre a pasta. Estudava agora o =mapa, onde 
assinalava pontos com um lpis, consultando de vez em =quando 
o relgio. Mrs. Qunsett, que no duvidava de que havia =um 
navegador que se ocupava de todos esses problemas, considerou 
aquela =atitude pueril.
Voltou a dedicar a sua ateno ao seu vizinho obosta, que 
lhe =explicava que s muito recentemente, ao sentar-se na 
plateia durante =um concerto de uma sinfonia de Bruckner, 
percebera que enquanto a sua =seco da orquestra tocava 
?.pom titi - pomponN, os =violoncelos soavam ??tidli-a-da ?.
- A srio? Que interessante! - exclamou Ada. Estava a 
divertir-se =imenso. Escolhera de facto um voo agradvel: as 
assistentes eram =prestveis  os passageiros encantadores,  
excepo do =homem sentado  sua esquerda, que de qualquer 
forma no lhe =interessava muito. Em breve serviriam o 
jantar, a que se seguiria um =filme com Michael Caine, um dos 
seus actores favoritos. Que mais poderia =desejar?
AO julgar que havia um navegador no cockpit, Mrs. Quonsett 
enganara-se. =Como alis acontecia na maior parte das grandes 
companhias de =aviao, e devido aos aperfeioados sistemas 
de rdio e ??dar, a Trans America j no utilizava 
navegadores mesmo em =voos transatlnticos. Os prprios 
pilotos, com a colaborao =do controle de trfego areo, 
faziam a pouca navegao que =era necessria.
Contudo, se seguisse um navegador a bordo, teria assinalado 
uma =posio do avio notavelmente semelhante quela que 
Guerrero =traara a partir de clculos aproximados. Vrios 
minutos antes =Guerrero calculara que se aproximavam de 
Detroit. A rota do avio =f-los-ia sobrevoar Montreal, 
Fredericton, New Brunswick e St. =John's, Terra Nova. 
Sobrevoariam a costa oriental da Terra Nova dentro =de duas 
ou trs horas, segundo estimava. E depois de deixarem para 
=trs a Terra Nova, qualquer altura lhe serviria. Agora que o 
seu =objectivo estava to perto, ansiava por que esse momento 
chegasse =rapidamente.
O whiskey, relaxara-o. Embora ao entrar a bordo a maior parte 
da sua =anterior tenso se tivesse desvanecido, comeara a 
enervar-se de =novo aps a descolagem, sobretudo quando a 
velha irritante a seu lado =tentara entabular conversa. 
Guerrero no queria mais conversas nesta =vida. Queria apenas 
permanecer sentado a sonhar nos trezentos mil =dlares que 
Ins e as crianas iriam receber, segundo =calculava, dentro 
de poucos dias. Fechando os olhos, imaginou como =reagiriam 
ao que iria suceder - tinham obrigao de chorar por ele 
=pelo que ia fazer, mesmo que no soubessem que ele ia 
sacrificar a =vida por eles. E da, talvez adivinhassem, e 
nesse caso ele esperava =ser devidamente apreciado.
Provavelmente adormecera, porque ao abrir os olhos viu uma 
hospedeira =debruar-se sobre ele e dirigir-se-Lhe com 
sotaque ingls: - O =senhor j quer jantar? Nesse caso, 
talvez queira que eu lhe guarde a =pasta.
MEL Bakersfeld sentiu uma instintiva antipatia por Elliot 
Free- mantle =quase desde o primeiro momento do encontro. Dez 
minutos depois de o =grupo de Meadowood ter entrado no seu 
gabinete, a antipatia =aprofundara-se, transformando-se em 
averso. O advogado parecia estar =a ser deliberadamente 
ofensivo, acolhendo cada resposta de Mel com =rudeza e 
cepticismo. O instinto de Mel avisava-o de que Freemantle 
=estava deliberadamente a tentar provoc-lo, a fim de o 
irritar e =obrig-lo a fazer declaraes impensadas. Mel, 
porm, =no? tinha a menor inteno de colaborar nesta 
=estratgia. Com alguma dificuldade, manteve a sua sensatez e 
=delicadeza.
- E o que aconteceu hoje aos vossos pretensos procedimentos 
de =reduo de rudo? - inquiriu Freemantle, sarcstico.
Mel suspirou. - H trs dias que lutamos contra uma 
tempestade que =nos criou situaes de emergncia. - Explicou 
que, dado o =bloqueamento da pista trs?zero, se tomava 
temporariamente =necessrio efectuar descolagens na pista 
dois cinco, pelo que =inevitavelmente Meadowood se ressentia. 
Voltando-se para a =delegao, Mel continuou: - H algumas 
coisas acerca de =aeroportos e rudos em geral que gostaria 
de lhes dizer.
- No  necessrio - declarou Freemantle. - O passo 
=seguinte.
Mel interrompeu-o, pondo de lado a delicadeza: - Quer o 
senhor dizer =que, depois de eu ter ouvido o que tem a dizer, 
no vai ter para =comigo a mesma delicadeza?
Zanetta que presidira  reunio, opinou: - Acho que devamos 
=ouvir Mr. Bakersfeld. - Freemantle encolheu os ombros.
Mel disse: - Os senhores talvez no gostem de ouvir o que vou 
dizer e =nem toda a gente c dentro o admite, mas a verdade  
que no =h muitas medidas que os aeroportos possam tomar com 
vista  =reduo de rudo.  pura e simplesmente impossvel 
fazer =com que uma mquina de quase cento e quarenta mil 
quilos de peso se =desloque no ar silenciosamente. E por 
consequncia quem vive junto =dos aeroportos ter de escolher 
entre suportar o rudo ou mudar- =-se. - Os lpis dos 
jornalistas percorriam velozmente os papis. =Mel continuou: 
-  certo que os construtores de avies esto a =tentar 
construir mecanismos de reduo de rudos; estes, =porm, na 
melhor das hipteses, no vo passar de =paliativos. E no se 
esqueam de que em breve entraro em vigor =motores mais 
potentes e mais ruidosos, monstros como o Lockheed 500 e os 
=transportes supersnicos, que alm de um potente motor tm 
=ainda o estampido snico. Possivelmente j leram relatrios 
=optimistas segundo os quais o estampido snico se verifica a 
=altitudes elevadas, o que minorar o efeito no solo... No 
=acreditem ! Todos ns enfrentamos um grave problema. Ainda 
vir o =tempo em que teremos saudades dos rudos sobre os 
quais estamos hoje =a falar. Muito francamente, penso que os 
senhores acabaro por ter de =se mudar. Provavelmente, os 
aeroportos sero obrigados a adquirir por =muitos bilies de 
dlares as reas residenciais  sua volta, =que podero 
transformar-se em zonas industriais no afectadas pelo 
=rudo. E evidentemente que as pessoas que habitem nessas 
zonas e =sejam foradas a mudarem-se sero devida- mente 
indemnizadas.
Elliot Freemantle ergueu-se e fez sinal  delegao para o 
=imitar. - Talvez essas indemnizaes comecem a ser pagas 
mais cedo =do que imagina; e tambm talvez sejam mais 
avultadas. Ter =notcias nossas, Mr. Bakersfeld.
E saiu, seguido pelos restantes.
Atravs da porta que dava paca a antecmara Mel ouviu uma das 
duas =mulheres da delegao exclamar: - O senhor foi 
magnfico, Mr. =Freemantle, vou contar a toda a gente e...
Tomlinson, do Tribune, entrou de novo no gabinete. - Mr. 
Bakersfeld, =pode dar-me um momento de ateno? - perguntou.
Mel respondeu numa voz cansada: - Que se passa?
- Pensei que Lhe interessasse ver isto - respondeu o 
jornalista, =entregando a Mel um dos impressos de avena por 
servios legais =que Elliot Freemantle distribura na reunio 
de Meadowood.
Enquanto lia, Mel perguntou: - Onde  que arranjou isto?
- Na reunio de Meadowood. Estavam presentes umas seiscentas 
pessoas =e calculo que tenham sido assinados e entregues uns 
cento e cinquenta =impressos. E vai haver mais, porque 
ningum chamou a ateno =para o facto de o total dos 
honorrios legais de Freemantle poder =ultrapassar os quinze 
mil dlares.
Mel devolveu-lhe o impresso. - Se as pessoas so crdulas e 
querem =que os advogados enriqueam facilmente, o problema  
delas. Esta =minha afirmao no  para ser publicada, claro. 
Esse =impresso pode ser pouco tico, mas no  ilegal.
- Tem razo. Agora o grupo de Freemantle est a preparar ? 
=qualquer coisa l em baixo. Vou-me deixar ficar por a. - E 
=saiu.
Um pouco por todo o lado, pensou Mel, havia advogados sem 
escrpulos =como Freemantle, que procuravam reunir 
assinaturas de
grupos para em seguida ??perseguir?? os aeroportos, as 
=companhias de
aviao e os pilotos. Em muitos casos os habitantes de zonas
residenciais prximas dos aeroportos eram induzidos em falsas 
=esperanas por receberem informaes parciais e unilaterais 
=sobre as
decises dos tribunais. Ultimamente estes vinham a sofrer uma 
=verdadeira afluncia de aces onerosas e prolongadas, na 
=sua
maioria condenadas ao fracasso.
Algum bateu  porta, e Mel respondeu, irritado: - Quem ?
A porta abriu-se. - Sou s eu - respondeu Tanya
Livingston. - Mel, preciso de um conselho sobre o voo dois 
para
Roma. - Transmitiu a Mel as conversas que travara com 
Standish e mais =tarde com o director distrital de trfego. - 
Pode ser idiota, mas =como no conseguia deixar de pensar no 
assunto comecei a investigar. =Standish disse-me que o tal 
homem foi quase o ltimo a embarcar. Fui =falar com o 
funcionrio da porta e juntos investigmos a folha de 
=embarque e os bilhetes; apesar de ele no se lembrar do 
homem =limitmos as hipteses a cinco nomes. Telefonei para 
os nossos =balces de check-in a ver se algum se lembrava do 
passageiro e de =facto um dos funcionrios lembrava-se do 
homem da pasta porque ele =no tinha mais bagagem para alm 
da dita pasta e parecia =extremamente nervoso.
- Mas h imensa gente que fica nervosa quando... - Mel 
interrompeu-se =de cenho franzido. - No levava bagagem numa
viagem para Roma? No faz sentido!
- Foi o que eu pensei. No faz sentido, a no ser... a no 
ser =que se tenha a certeza de que o avio no vai chegar ao 
seu =destino.
- Tanya - perguntou Mel calmamente. - Que  que ests a 
querer =dizer-me?
- No tenho a certeza; sei que parece melodramtico, mas.. 
imagina =que o homem no est a passar contrabando. Imagina 
que o motivo =que o levou a no transportar bagagem, a estar 
nervoso, a segurar a =pasta de forma a despertar suspeitas em 
Standish ...  uma bomba =!
Durante ?m momento olharam-se fixamente. Mel estudava as 
=probabilidades. A hiptese que aventavam era possvel, mas 
=tambm era possvel, e provvel, que o homem da pasta 
estivesse =inocente. Era necessria uma razo mais forte do 
que uma mera =possibilidade para se actuar drasticamente. 
Seria possvel confirmar =tal suspeita? Mel consultou a sua 
agenda de bolso telefnica e ligou =para o balco de venda de 
seguros, na sala de espera principal. =Reconhecendo a voz que 
o atendeu, identificou-se e perguntou:
- Marj, venderam-se hoje muitas aplices para o voo dois da 
Trans =America?
- Mais do que habitualmente, Mr. Bakersfeld. Acontece sempre 
quando o =tempo est assim. Eu vendi cerca de uma dzia para 
o voo dois. =Bunnie tambm vendeu.
- Gostava que me lesse os nomes e valores das aplices 
vendidas a =passageiros do voo dois. - Ao perceber a sua 
hesitao, =sossegou-a. - Eu podia telefonar ao vosso 
director distrital a pedir =essa autorizao. Mas voc sabe 
bem que ele ma dava; dou-Lhe a =minha palavra de honra que o 
assunto  importante.
- Est bem, Mr. Bakersfeld.  s um minuto enquanto vou 
buscar =as aplices.
- Eu espero.
Mel ouviu a jovem pousar o telefone, desculpar-se perante 
algum ao =balco e um restolhar de papis.
Tapando o bocal do telefone, perguntou: - Qual  o nome do 
homem?
Tanya consultou uma folha de papel. - D. O. Guerrero, ou 
possivelmente =Guerrero, temos as duas formas.
Mel sentiu um sobressalto, porque a mulher encontrada a 
chorar que =Ordway trouxera ao seu gabinete chamava-se 
Guerrero.
- Tanya - disse em voz calma -, h uns vinte minutos estava 
ali na =antecmara uma tal Mrs. Guerrero, encharcada, de 
meia-idade, =pobremente vestida e lavada em lgrimas. 
Tencionava falar com ela, =mas ela foi-se embora quando 
vieram outras pessoas. Se ela estiver no =aeroporto, tr-la 
c e no a deixes ir embora.
Tanya saiu e a vendedora de seguros reapareceu na linha 
telefnica. - =J aqui tenho todas as aplices que passmos, 
Mr. Bakers- feld. =Posso comear a ler?
- Pode, Marj.
Escutou atentamente - e ouviu o nome ?.Guerrero".
Pela primeira vez a sua voz denotou urgncia: - O que h 
quanto a =essa aplice?
- Foi Bunnie quem a vendeu. Eu passo-lhe o telefone.
Ouviu o que Bunnie tinha a dizer, fez-lhe algumas perguntas 
concisas e =desligou. Estava a ligar outro nmero quanto 
Tanya regressou, =informando: - Na sobreloja no est, e l 
em baixo h tanta =gente que  impossvel encontrar seja quem 
for. Achas que devemos =chamar pelos altifalantes?
- Podemos tentar. - Empurrou para junto de Tanya o microfone 
colocado =sobre a sua secretria. De acordo com o que ouvira, 
Mel conclura =que a tal Mrs. Guerrero no estava em 
condies de entender =grande coisa, pelo que seria pouco 
provvel que ouvisse
uma chamada pelo sistema de altifalantes. Podia at j ter 
=sado do
aeroporto. Tornou a censurar-se por no ter falado com ela.
Entretanto responderam-lhe do posto de polcia do aeroporto; 
para =onde ligara. - Quero falar urgentemente com o tenente 
Ord        way... Eu =espero. E qual era o nome de uma tal Mrs. 
Guerrero que vocs =apanharam hoje  noite?
- S um instante, Mr. Bakersfeld. - Uma pausa. - Ins. J 
=chammos o tenente atravs do walkie-talkie.
Depois de transmitir algumas instrues a Tanya, Mel premiu o 
=boto que ligava o seu microfone, o qual tinha prioridade 
sobre todos =os outros dentro do terminal. Atravs das portas 
abertas que davam =acesso  sobreloja ouviu uma chamada de 
partida de um voo da American =Airlines ser interrompida a 
meio de uma frase. Durante os oito anos no =cargo que 
actualmente ocupava, Mel utilizara apenas duas vezes o 
=microfone e o boto de prioridade. A primeira para anunciar 
a morte =do presidente Kennedy; a segunda quando uma criana 
perdida, lavada =em lgrimas, entrara no seu gabinete e ele 
usara o microfone para =localizar os angustiados pais.
Fez sinal a Tanya para comear o aviso: - Ateno, por favor 
- =anunciou ela na sua voz lmpida. - Agradece-se a Mrs. Ins 
=Guerrero, ou Guerrero o favor de comparecer urgentemente no 
gabinete do =director-geral do aeroporto, situado na 
sobreloja administrativa no =edifcio do terminal principal. 
Pea a qualquer representante de =uma companhia area ou do 
aeroporto que lhe indique o caminho. Vamos =repetir...
Enquanto Tanya chamava Mrs. Guerrero, ouviu-se um clic no 
telefone de =Mel e o tenente Ordway apareceu na linha, 
respondendo ao aviso do =walkie-talkie. Tambm ele ouvira a 
mensagem de Tanya.
- Precisamos urgentemente de encontrar Ins Guerrero - disse- 
-lhe =Mel. - Depois explico-Lhe. Ponha todos os seus homens 
em campo e quer a =descubram quer no, venha voc c acima 
depressa.
- OK. - E Ordway desligou.
Tanya acabara o seu aviso e desligou o boto do microfone. L 
fora =ouvia-se outro aviso.
- Ateno, Mr. Lester Mainwaring. Agradece-se a Mr. 
Mainwaring e a =todos os membros do seu grupo o favor de 
comparecerem imediatamente  =entrada do terminal principal.
.?Lester Mainwaring" era um nome de cdigo para chamar 
=agentes da Polcia sem o conhecimento do pblico. ??Todos 
=os membros do grupo?, significava todos os agentes que se 
=encontrassem no terminal. Mel voltou-se para Tanya: - Liga 
para o teu =director distrital de trfego e pede-lhe para vir 
ao meu gabinete =logo que possa. Diz-lhe que  importante. 
Tanya fez a chamada e =disse: - Ele j a vem. - A voz i 
traa nervosismo. - Ainda =no me disseste o que descobriste. 
Mel fechou a porta do gabinete. - =O nosso homem, o Guerrero, 
comprou uma aplice de seguro de voo de =trezentos mil 
dlares, e a beneficiria  Ins Guerrero. =Pagou-a 
aparentemente com o ltimo dinheiro que lhe restava. Tanya 
=empalideceu. - Oh, no - murmurou. - No pode ser. CAPTULO 
X =HAVIA alturas, e aquela noite era uma delas, em que Joe 
Patroni dava =graas a Deus por trabalhar na manuteno area 
e no no =sector administrativo. Em sua opinio, o pessoal 
dos escritrios =de venda e os seus executivos comportavam-se 
como crianas birrentas, =conspirando entre si, enquanto os 
funcionrios dos departamentos de =engenharia e manuteno 
agiam como adultos, mesmo quando =trabalhavam para companhias 
concorrentes - partilhando =informaes, experincias e at 
segredos, desde que tal se =revelasse til para o bem comum.
Na sua maior parte as grandes companhias de aviao 
realizavam =diariamente sesses telefnicas durante as quais 
todas as sedes =regionais, bases e estaes externas eram 
ligadas por meio de um =circuito fechado de rdio  escala do 
continente. Durante essas =sesses trocavam-se crticas e 
informaes sobre a forma =como a companhia operara durante 
as ltimas vinte e quatro horas. =Aps cada sesso oficial, 
os colegas da manuteno das =companhias concorrentes, em 
geral sem conhecimento dos directores, =trocavam telefonemas 
transmitindo informaes sobre defeitos de =equipamento ou 
qualquer outro assunto que Lhes parecesse importante. =Quando 
o assunto era urgente, a informao era passada em poucas 
=horas. Se, por exemplo, a Delta descobrisse uma avaria ou 
falha na p =de uma turbina de um DC-9, todos os 
departamentos de manuteno =d? companhias que operassem com 
DC-9 eram imediatamente =alertados seguindo-se mais tarde um 
relatrio tcnico. E quando um =departamento de manuteno 
tinha dificuldades, havia outros que o =ajudavam na medida 
das suas possibilidades.
Naquela noite, Joe Patroni estava a receber esse tipo de 
ajuda. Durante =aquela hora e meia de trabalho em que se 
preparavam p? uma =ltima tentativa para remover o avio, 
Patroni vira duplicar o =nmero de ajudantes. Iniciara o 
trabalho com a pequena equipa da =Intercontinental, assistida 
por algum do seu prprio pessoal da TWA. =Entretanto, a 
notcia de que Patroni enfrentava problemas divulgara- =-se 
rapidamente, e, sem esperar que tal lhes fosse pedido, 
aparecera =pessoal de terra da Braniff, Pan American, 
American e da Eastern, o que =criava em Joe uma sensao de 
conforto.
No obstante toda a colaborao, a estimativa feita por 
Patroni =de uma hora de trabalhos preparatrios j fora 
ultrapassada. A =escava- o de trincheiras  frente do avio 
processara-se =com lentido porque os homens precisavam de se 
recolher =periodicamente aos autocarros a fim de se 
reaquecerem. No caminho de =rolagem, para alm dos 
autocarros, apinhavam-se camies, =equipamento para limpeza 
de neve, um carro de reabastecimento, viaturas =de 
assistncia e um ruidoso gerador - nos tejadilhos da maior 
parte =dos quais cintilavam faris rotativos. Os holofotes 
inundavam de luz =o cenrio, criando assim um osis luminoso 
na imensido da neve =escura.
As grandes valas, bem como outra de menores dimenses 
destinada  =roda do nariz, estendiam-se agora desde as rodas 
do avio, atoladas =na lama at terreno mais firme. Uma vez 
aqui, o aparelho poderia ser =manobrado at  superfcie 
slida do caminho de rolagem =contguo. E o xito da manobra 
ia depender dos pilotos do 707.
Durante a maior parte do tempo Joe manejara uma p com o 
resto dos =homens, enquanto os exortava: - Se continuas 
encostado a essa p, =Jack, ainda acabas congelado como a 
mulher de Lot... Vamos rapazes, =vamos tirar depressa o raio 
do avio... At ento Patroni ainda =no falara com os 
pilotos. Neste momento, endireitou- -se, atirou a =p a 
Ingram e disse: - Mais cinco minutos devem chegar. Quando 
=acabar, mande retirar os homens e os carros.- Apontou para o 
avio =coberto de neve. - Enquanto vocs acabam, vou ter uma 
conversazinha =com os ??pssaros".
Subiu a escada de embarque e entrou na cabina da frente. 
acendeu o seu =inevitvel charuto e avanou para o cockpit. 
no cockpit, =confortvel e calmo, encontravam-se apenas o 
comandante co-piloto. Um =dos rdios emitia msica suave. Ao 
ver Patron entrar, o co-piloto, =que estava em mangas de 
camisa, desligou o fio com uma pancada e a =msica terminou. 
- No se preocupe. - Joe sacudiu-se como um =buldogue 
espargindo a neve da roupa. - No vale a pena afligirem-se! 
=De qualquer ?do, no estvamos  espera que viessem =ajudar 
a cavar. O comandante, um homem entroncado, virou-se na 
cadeira e =disse formalmente: - Ns temos o nosso trabalho. O 
senhor tem o
- S que existem pessoas que estragam o nosso trabalho- 
declarou =Joe.
- Madre de Dios! - exclamou o comandante. - O senhor no 
imagina, com =certeza, que enfiei o avio na lama de 
propsito?
- No imagino, no! Mas se no o tiramos desta vez, o avio 
=vai ficar bastante mais enterrado, e voc tambm. Que acham 
se for =eu a guiar o avio? Sei que  complicado, mas j o 
fiz outras =vezes.
O comandante enrubesceu. Nem toda a gente falava to  
vontade com =um comandante de quatro estrelas e alm disso 
sentia- -se =extremamente embaraado pela situao 
desagradvel em que se =encontrava. No dia seguinte teria de 
aguentar uma arrasante sesso =com o piloto-chefe.
- Mr. Patroni - disse -, disseram-me que o senhor pode tirar-
nos daqui, =coisa que mais ningum conseguiu. No duvido que 
o senhor seja =qualificado para rolar avies. Mas deixe-me 
lembrar- -lhe de que =ns dois estamos qualificados para os 
fazer voar. Por isso, vamos =continuar nos controles.
Patroni encolheu os ombros: - Como queira. Mas quando eu der 
ordem, =metam essas manettes a fundo. No sejam maricas! - E 
saiu do cockpit, =ignorando os olhares irados dos dois 
pilotos.
L fora, todas as viaturas,  excepo do gerador, 
=necessrio para ligar os motores, estavam a afastar-se das 
=proximidades do aparelho. Ingram informou-o: - Est tudo 
pronto.
Patroni deixou cair o charuto sobre a neve e apontou para os 
motores: - =OK, vamos pr os quatro a trabalhar.
A placa ao lado do avio estava desobstruda, e Ingram 
gritou:- . =Preparem-se para pr os motores em marcha. - Um 
homem com =auscultadores de interfone ligados na fuselagem 
postou-se junto do =gerador. Um segundo homem com lanternas 
de sinais avanou para a =frente do avio, onde podia ser 
visto pelos pilotos. Joe, que pedira =emprestados uns 
protectores de ouvidos contra o rudo, aproximou-se =do homem 
que se encontrava junto do gerador, enquanto o restante 
pessoal =saltava dos autocarros para observar a cena.
O homem com os auscultadores deu incio ao ritual: - Pode 
ligar os =motores.
Uma pausa, e depois a voz do comandante: - Pronto para o 
arranque e =pressurize a conduta. - Um jacto de ar comprimido 
escapou-se do carro de =-arranque e accionou a turbina de 
arranque do motor n." 3. As ps das =turbinas moveram-se, 
comearam a girar rapidamente e chiaram. O =co-piloto ligou o 
combustvel, e quando este sofreu a ignio o =avio vomitou 
uma nuvem de fumo e o motor arrancou com um rugido 
=ensurdecedor.
- Pronto para o quatro.
O motor n." 4 seguiu o mesmo procedimento do n." 3. A voz do 
comandante =soou: - Desliguem o carro de terra. Vamos 
utilizar os geradores do =avio.
O gerador exterior foi desligado. - Pronto para o dois. - O 
n." 2 foi =ligado, e por fim o n." I.
- Retire o equipamento.
- Equipamento retirado. - A umbilical mangueira de ar 
deslizou para o =cho e o encarregado afastou o carro de 
arranque. Os holofotes  =frente do aparelho haviam sido 
retirados para o lado. Patroni trocou os =auscultadores de 
proteco pelos interfones de um dos =funcionrios e 
comunicou com os pilotos.
- Quando estiverem prontos deixem-no rolar. - O funcionrio 
levantou =s lanternas de sinalizao, pronto a guiar o avio 
at =ao caminho de rolagem e preparado para fugir se o 
aparelho avanasse =mais rapidamente do que era suposto. 
Patroni acocorou-se junto ao nariz =do avio, observando o 
trem de aterragem principal e procurando =descobrir nele 
algum indcio de movimento para a frente.
A voz do comandante soou de novo: - Vou meter potncia. - O 
rudo =dos jactos aumentou, assemelhando-se a um troar 
contnuo. O avio =estremeceu, o solo sob ele tremeu, mas as 
rodas permaneceram =imveis.
Patroni gritou pelo microfone: - Mais potncia! Empurrem as 
=manettes.
O rudo do motor aumentou ligeiramente. As rodas ergueram-se 
=imperceptivelmente, mas recusaram-se a mover-se. - Raios 
partam! Tem de =sair, digo eu! Potncia toda! Tudo! Porm, o 
rudo do motor =decresceu. A voz do comandante soou atravs 
do interfone: - Patroni, =se eu empurrar as manettes para a 
frente o avio cai de nariz, e em =vez de um 707 enterrado, 
passamos ter um 707 desfeito. Vou cortar os =motores. Joe 
berrou atravs do interfone: - Deixe-os ao ralenti! Vou =b?. 
- Gesticulou para que colocassem a escada de embarque, as 
=entretanto os quatro motores pararam. Quando chegou ao 
cockpit, j os =pilotos desapertavam os cintos de segurana. 
Patroni interpelou-os em =tom de acusao: - Seus maricas! 
Surpreendentemente, a =reaco do comandante foi calma:- 
talvez tenha sido a nica =coisa inteligente que fiz esta 
noite. A manuteno aceita a =responsabilidade deste avio? 
Patroni concordou. - Aceitamos. - E sem =dvida que quando se 
desenvencilharem disto, a vossa companhia entra =em contacto 
comigo - fez notar o comandante. O co-piloto relanceou o 
=relgio e registou uma anotao no dirio ; navegao. 
=Enquanto os pilotos se dirigiam para um autocarro do 
pessoal, Patroni =fez uma verificao de rotina aos 
instrumentos e painis de =controle, aps o que desceu pela 
escada exterior. Ingram, que o =esperava, informou-o com ar 
sombrio: - Agora est ainda mais =enterrado.
Era exactamente o que Joe receara. Inspeccionou as rodas do 
em de =aterragem"que Ingram iluminava com uma lanterna, e 
?constatou =que estavam cerca de trinta centmetros mais 
enterradas do que =anteriormente.
- Agora s com um guindaste do cu conseguimos remov- o - 
=comentou Ingram.
Patroni abanou a cabea: - Ainda temos uma hiptese. Cavamos 
mais =um bocado, prolongamos as trincheiras at s rodas e 
depois =tornamos a ligar os motores. E desta vez guio eu.
Fez um clculo rpido. Necessitariam de mais uma hora de 
trabalho =at poderem realizar nova tentativa, pelo que a 
pista trs zero =teria de permanecer no operacional. 
Dirigiu-se  sua viatura ara =comunicar com o controle de 
trfego areo. O esprito de =Ins, tal como um circuito em 
saturao, desligara- pura e =simplesmente. A mulher 
esquecera temporariamente o u onde se encontrava =e por que 
razo.
O motorista do txi que a trouxera ao aeroporto no constitui 
=grande auxlio. Concordara que cobraria sete dlares pela 
corrida; =Ins entregara-lhe uma nota de dez dlares, quase o 
ltimo =dinheiro que possua. Resmungando que no tinha troco 
e que o ia =arranjar, d taxista afastou-se. Durante dez 
interminveis minutos =Ins espera por ele, observando 
ansiosamente no relgio do =terminal os ponteiro e a 
aproximarem-se das onze horas da noite, at =que percebeu que 
a taxista no fazia a menor teno de voltar. =E ela no 
reparara nem no nmero do txi nem do motorista - =facto em 
que este apostara:
Ao chegar  porta quarenta e sete, a tempo de ver o avio 
=percorrer o caminho de rolagem, conseguiu ter a presena de 
=esprito necessria para se dirigir a um funcionrio 
=uniformizado que se afastava do local. Seguindo o conselho 
dado ao =telefone pela funcionria das informaes disse: - O 
meu marido =vai naquele avio que acabou de sair. - 
Acrescentou que no =conseguira chegar a tempo de se despedir 
dele e gostaria de confirmar se =ele embarcara so e salvo. O 
funcionrio consultou os papis =que tinha na mo e 
confirmou-lhe que havia de facto um D. O. Guerrero =a bordo 
do voo dois.
Depois de o funcionrio se ter retirado, Ins constatou que, 
=no obstante a multido que se comprimia  sua volta, se 
=encontrava totalmente sozinha. Comeou a chorar, o corpo 
sacudido por =soluos convulsivos. Chorava pelo passado e 
pelo presente; pelo lar =que j tivera e que perdera; pelas 
crianas que j no podia =ter a seu lado e por D. O. , 
apesar de todos os seus defeitos. Agora =este abandonara-a. 
Chorou por no ter dinheiro, no ter para onde =ir,  
excepo dos quartos miserveis dos quais seria =expulsa no 
dia seguinte. E chorou porque perdera toda a esperana. 
=Ainda a chorar, comeou a vaguear sem destino pelo terminal. 
E pouco =depois, Ordway, que casual- mente se encontrava nas 
proximidades, =ordenava que a conduzissem para a antecmara 
do gabinete de Mel.
A, decorrido algum tempo, a capacidade de resistncia de 
Ins =- ou a fora do esprito humano, de que at os mais 
humildes =so dotados - obrigou-a a constatar que a vida 
tinha de continuar, =por muito amargurada que se 
apresentasse. Ergueu-se, ainda sem saber bem =onde estava. 
Depois de conduzir a delegao de Meado- wood ao =gabinete de 
Mel, Ordway regressou junto dela, interrogou-a serenamente e 
=percebeu que ela tinha de regressar  cidade e no tinha 
dinheiro =suficiente. Delicadamente meteu-Lhe trs notas de 
;ir na mo e =acompanhou-a at  sobreloja, onde lhe indicou 
o caminho para a =paragem do autocarro. Ins desceu as 
escadas e deparou-se-Lhe um =quiosque de cachorros quentes. 
Esfomeada e sedenta, comprou um cachorro =e um caf, sentou-
se ao balco e sentiu-se mais reconfortada. Em =breve perdeu 
novo a conscincia da realidade, mas desta vez sem =angstia. 
tambm a multido, o rudo, as chamadas pelos =altifalantes 
eram ?confortantes. Por duas vezes julgou ter =ouvido o seu 
prprio nome, s obviamente pensou tratar-se de =imaginao, 
pois ningum podia saber onde ela estava. E, de =qualquer 
modo, quem a iria chamar? decidiu permanecer mais algum tempo 
=calmamente ali sentada. O funcionrio da porta que se 
ocupara do voo =dois fora-se bora, mas as restantes pessoas 
convocadas ao gabinete de =Mel o director distrital de 
trfego, Bert Weatherby, o tenente =Ordway, inspector 
Standish e Bunnie Vorobioff - chegaram rapidamente. =;atherby 
inquiriu bruscamente: - Mel, de que se trata? Mel fez um 
resumo =do que apurara sobre o caso Guerrero.  medida que 
tomava =conscincia da gravidade do que ouvia, Bunnie - 
Chamei todas as =pessoas relacionadas com o caso - continuou 
Mel -, porque temos de =decidir, e a deciso  essencialmente 
Bert, como director =distrital de trfego, se os elementos de 
que dispomos so =suficientes para avisarmos o comandante do 
voo dois possibilidade de =levar uma bomba a bordo. Com uma 
expresso sombria, o director =distrital de trfego dirigiu-
se para Tanya e disse: - Quero as =operaes metidas nisto. 
descubra-me se Joyce Kettering ainda =c est. Se estiver 
mande-mo i. - O comandante Joyce Kettering era =o piloto-
chefe da Trans ierica no Lincoln International. Enquanto 
Tanya =chamava Kettering por um telefone, outr to- i. Mel 
atendeu. Era o =chefe da torre de controle. - J tenho o 
relatrio do voo dois da =Trans America. Descola- n s onze e 
treze, hora local. - Os olhos de =Mel fitaram o gio de 
parede. J passavam dez minutos da =meia-noite. - Cle- and 
passou o controle a Toronto h sete minutos, e =o Centro de 
Turonto informou que neste momento o avio est perto =de 
London, Ontrio. Ah, mais uma coisa, Mr. Bakersfeld, Joe 
Patroni =comunica que a pista trs zero ainda vai continuar 
inoperacional =durante o menos mais uma hora.
Naquele momento outros problemas ocupavam a ateno de Me 
Este =desligou e transmitiu a Weatherby a informao sobre o 
v dois.
Tanya informou: - O comandante Kettering j a vem.
O director distrital de trfego perguntou: - Onde est a 
mulher do =tal passageiro?
Ned Ordway explicou que estava a ser procurada pelos seus 
agentes, que o =quartel da Polcia na cidade j fora alertado 
e que todos os =autocarros que saam do aeroporto em direco 
 cidade =estavam a ser revistados  chegada.
Mel acrescentou: - Quando ela esteve aqui no fazamos a
mnima ideia...
O director distrital de trfego resmungou: - Fomos todos de 
=compreenso lenta - e lanou um olhar rpido a Tanya. Esta 
=sabia que ele se recordava, contrito, das suas prprias 
ordens: ??.Esquea o assunto. " Mas o director distrital de 
trfego =continuou: - Vamos ter de dizer qualquer coisa ao 
comandante do =avio. Ele tem o direito de saber tanto quanto 
ns, mesmo que =estejamos apenas a especular.
Tanya perguntou: - No seria de enviar uma descrio de 
=Guerrero? H aqui quem o tenha visto.
- Acho que sim - aprovou o director distrital de trfego.- 
Diga s =operaes que h uma mensagem importante a chegar 
daqui a pouco =e que preparem uma frequncia opervel em 
SELCAL com o voo dois. =Quero isto confidencial.
Quando Tanya regressou ao telefone, Mel perguntou a Bunnie: - 
Voc = que  Miss Vorobioff? - Ela acenou, nervosa, e Mel 
continuou: - =O homem de quem estamos a falar  D. O. 
Guerrero, a quem voc =vendeu hoje  noite uma aplice de 
seguro. Agora responda-me: =enquanto preenchia a aplice, 
olhou para o homem?
Ela abanou a cabea. - Quase no olhei. Havia muita gente.
- Mas voc disse-me h pouco que se lembrava deste 
passageiro.
Bunnie passou a lngua pelos lbios. - Afinal era outra 
=pessoa.
Mel ficou desconcertado e Ordway intrometeu-se: - Deixe-me 
tratar eu do =assunto, Mr. Bakersfeld. - Adiantou-se e com o 
rosto muito perto do da =rapariga perguntou, em tom spero: - 
Voc est com medo de se =meter nisto, no est?!
Bunnie estremeceu, mas no respondeu. Ordway insistiu:- Est, 
=no est? Responda  minha pergunta.
- No sei.
- Sabe, sim, sabe. Receia ajudar com medo do que lhe possa 
acontecer. =Conheo o gnero. - Ordway cuspia as palavras com 
desprezo. Nunca =at ento Mel presenciara tal demonstrao 
de violncia =da sua parte. - Agora oia-me bem! Se est com 
medo de ter =problemas fique sabendo que assim  que os vai 
arranjar. E a nica =forma de se safar  responder s 
perguntas. E depressa! J =quase no temos tempo.
Bunnie tremia. A severa escola da Europa Oriental ensinara-
lhe o medo da =Polcia, e Ordway reconhecera os sintomas.
- Miss Vorobioff - recomeou Mel -, h quase duzentas pessoas 
a =bordo daquele avio que podem estar em perigo de vida. 
Pergunto-lhe =mais uma vez: olhou para Guerrero?
Lentamente, Bunnie acenou com a cabea: - Olhei.
- Ento descreva-o, por favor.
Ela obedeceu, inicialmente com hesitao e depois mais 
segura, =revelando-se uma boa observadora.
O director distrital de trfego, agora sentado  secretria 
de =Mel, acrescentava a descrio  mensagem para o voo dois. 
=Quando Bunnie mencionou que Guerrero no tinha dinheiro e se 
revelara =extremamente nervoso ao vasculhar os bolsos  
procura de moedas,
Weatherby ergueu os olhos simultaneamente incrdulo e 
horroriza-
do: - E apesar de tudo passou-lhe a aplice? Vocs so 
=doidos?
- Eu pensei... - comeou Bunnie.
- Pensou! Mas no fez nada, pois no? - Bunnie, o rosto 
exangue, =abanou a cabea, e o director distrital de trfego 
voltou-se para =Mel. - A culpa no  s dela nem das pessoas 
que a empregam. =Somos ns, as companhias de aviao, que 
temos`a culpa. A =maioria de todos ns concorda com os 
pilotos; sobre a venda de =seguros de voo no aeroporto, mas 
no tem coragem para o dizer.
Ignorando a exploso de Weatherby, Mel perguntou a Standish:
? - Harry, quer acrescentar mais alguma coisa  =descrio de 
_ Guerrero?
- No, mas avise que ningum tente tirar-lhe a pasta  
=fora- disse Standish sombriamente. - Tem de se recorrer a 
=subterfgios, porque se for de facto uma bomba tem com 
certeza um =detonador rapidamente accionvel. Se algum 
tentar tirar-lhe a =pasta, ele percebe que foi descoberto e 
acha que no tem nada a =perder, e,
como sabem, um dedo no gatilho  um perigo.
- Claro que tambm pode acontecer que o homem no passe de um 
=excntrico e s leve na pasta o pijama e a escova de dentes- 
=sugeriu Mel.
Standish discordou: - No me parece. Quem me dera que assim 
fosse; =tenho uma sobrinha a bordo desse avio. - Ao evocar 
Judy, aquela =jovem por quem experimentava tanta ternura que 
brincava com o beb do =lado, desejou desesperadamente ter 
actuado com mais responsabilidade. =Pelo menos desta vez ia 
ser categrico, pensou. E continuou: - No =temos tempo para 
especulaes. Sei avaliar bem as pessoas  =primeira vista. E 
um instinto que alguns de ns desenvolvem na nossa 
=profisso. E sei que Guerrero  perigoso.- Standish fitou o 
=director distrital de trfego. - Mr. Weatherby, mencione a 
=palavra.?perigoso?, na comunicao que vai enviar =ao 
pessoal do avio.
- Tenciono faz-lo, Sr. Inspector - respondeu o director 
distrital de =trfego.
Tanya continuava ao telefone, falando com as operaes da 
Trans =America em Nova Iorque por linha directa. - A mensagem 
 extensa - =disse ela. - Por favor, destaque algum para a 
receber.
Bateram  porta do escritrio e da antecmara surgiu um homem 
=alto, de rosto vincado e penetrantes olhos azuis, que 
cumprimentou =Mel.
O director distrital de trfego dirigiu-se-lhe: - Joyce 
obrigado por =ter vindo to depressa. Parece que temos um 
problema - e estendeu-lhe =o bloco em que estivera a 
escrever.
Como nica reaco  mensagem que lera, o comandante 
=Kettering limitou-se a comprimir os lbios. O segundo 
telefone tocou, =Mel atendeu  passou a chamada a Ordway, que 
pegou no =auscultador.
O director distrital de trfego perguntou a Kettering: - 
Concorda que =se mande esta mensagem?
Kettering assentiu: - Concordo, mas gostava que 
acrescentasse: ??=sugere-se regresso ou aterragem 
alternativa,  discrio do =comandante,. .
- Claro. - O director distrital de trfego registou as 
palavras e =passou o bloco a Tanya, que comeou a ditar a 
mensagem.
O tenente Ordway, que desligara o telefone, comunicou: - J 
=encontrmos a mulher de Guerrero. A mensagem do director 
distrital de =trfego rezava assim:
Ao comandante do Trans America dois. Existe possibilidade no 
=confirmada de que passageiro da turstica D. O. Guerrero, a 
bordo do =seu voo, tenha mecanismo explosivo em seu poder. 
Passageiro sem bagagem =e aparentemente sem dinheiro fez 
seguro elevado antes da partida. Foi =observado comportamento 
suspeito com pasta transportada como bagagem de =mo. Segue 
descrio.
Desde que a primeira chamada SELCAL referente a Ada Quonsett 
fora =enviada ao voo dois, o avio j sara da rea de 
=operaes de Cleveland da Trans America e entrara na zona de 
Nova =Iorque.  medida que Tanya a ditava, a mensagem era 
dactilografada =por um empregado. Ao lado deste, um membro 
das operaes da Trans =America comunicou por linha 
telefnica directa com um operador da =Arinc, rede de 
comunicaes privadas mantida conjuntamente pelas =linhas 
areas mais importantes. O operador da Arinc estabeleceu um 
=circuito entre ele prprio e as operaes da Trans America e 
=marcou num teclado de transmisso um cdigo de quatro 
letras, =AGFC, atribudo especificamente ao voo dois.
Poucos momentos depois a voz de Demerest, que sobrevoava o 
Ontrio, =fez-se ouvir em Nova Iorque. - Estao chamando 
Trans America =dois, transmita.
- Trans America dois, operaes de Nova Iorque. Temos 
mensagem =importante para transmitir. Avise pronto a copiar.
Utx?a breve pausa, e depois: - OK, Nova Iorque. Transmita.
- Ao comandante do voo dois - comeou o membro das ope- 
raes. =- Existe possibilidade no confirmada...
INS permanecia ainda calmamente sentada ao balco do 
quiosque dos =cachorros quando sentiu que algum Lhe abanava 
o ombro.
- A senhora  Mrs. Ins Guerrero? - Ins ergueu os olhos e 
viu =um polcia a seu lado.
Necessitou de alguns segundos para ordenar as ideias. O 
polcia =abanou-lhe de novo o ombro e repetiu a pergunta. 
Desta vez ela conseguiu =acenar afirmativamente com a cabea. 
- Venha comigo, minha senhora. - =F-la levantar-se. - Est 
toda a gente a berrar por si l em =cima.
Minutos depois estava sentada no gabinete de Mel e era 
interrogada por =Ned Ordway. - Mrs. Guerrero - perguntou 
Ordway -, que  que o seu =marido vai fazer a Roma? - Ins 
fitou-o com um olhar inexpressivo e =no respondeu. A voz de 
Ordway tornou-se mais spera, sem deixar =de ser deferente. - 
Mrs. Guerrero, oua- -me com ateno, por =favor. Existem 
alguns pontos importantes acerca de seu marido que  
=necessrio esclarecer e preciso que me ajude respondendo s 
minhas =perguntas. Posso contar com a sua colaborao?
- No, no tenho a certeza - respondeu Ins.
O director distrital de trfego interrompeu-o. - Tenente 
Ordway, o =voo dois est a afastar-se a seiscentas milhas  
hora. Se for =preciso aperte-a.
- Deixe-me tratar disto, Mr. Weatherby - respondeu Ordway, 
brusco. - Se =comeamos a gritar levamos muito mais tempo 
para conseguir muito =menos informaes. - Virou-se de novo 
para Ins. - Ins, =porque  que o seu marido vai para Roma? 
Tem parentes l?
A voz dela no passava de um murmrio. - Temos um primo 
afastado =em Milo.
- Ocorreu-lhe alguma razo plausvel que explique esta 
deciso =sbita de o seu marido ir visitar o primo a Itlia?
- No, no h razo nenhuma.
- O seu marido tem negcios em Itlia? - Ela abanou a cabea. 
- =Qual  a profisso de seu marido?
Gradualmente, Ins readquiria a conscincia da realidade.- 
Quer =dizer... era um empreiteiro da construo civil. Depois 
as coisas =comearam a correr mal do ponto de vista 
financeiro. Mas... porque = que me est a fazer essas 
perguntas?
- Acredite em mim, Ins - respondeu Ordway. - Acredite que 
tenho boas =razes para isso. Est em causa a segurana do 
seu marido e a =de outras pessoas tambm. Diga-me, o seu 
marido tem neste momento =problemas financeiros? - Aps uma 
breve hesita- o, ela acenou =afirmativamente. - Est 
falido? Tem dvidas?
Um sussurro: - Est.
- Ento, onde  que ele arranjou dinheiro para pagar a 
passagem =para Roma?
Ins retirou da carteira o contrato de pagamento a prestaes 
e =entregou-o a Ordway, que o percorreu rapidamente com os 
olhos. O =director distrital de trfego aproximou-se dele. - 
Est passado =nome de Buerrero - reparou. Ordway respondeu: - 
 um truque muito =usado quando se tem ia de pouco crdito. 
Troca-se a primeira letra, e =numa primeira fase a 
investigao no acusa nada. - Voltou-se =de novo para s. - 
Porque  que este papel est nas suas mos? =Indecisa, ela 
contou como o encontrara e como viera at ao ?=porto na 
esperana de deter o marido antes da partida. - O seu marido 
=costuma ter um comportamento absurdo? Ins hesitou. - s 
vezes... =ultimamente murmurou. - Ins, o seu marido alguma 
vez utilizou =explosivos no No obstante ser formulada com ar 
casual, a pergunta =provocou sala uma tenso sbita. - 
Utilizou. Muitas vezes! Gostava =bastante de os usar. s... - 
Bruscamente interrompeu-se. - Por favor, =diga-me o  que se 
passa. Ordway respondeu calmamente: - Ins, =voc tem uma 
ideia, ? tem? - Como ela no respondesse, =continuou: - Onde 
 que em agora? - Extremamente assustada, Ins =deu a 
direco do apartamento a Ordway, que, depois de a anotar, 
=pediu a Tanya:- arranje-me, se faz favor, uma linha para a 
sede da =Polcia na cidade, a esta extenso - e rabiscou um 
nmero num =bloco. Enquanto Tanya se dirigia para a 
secretria, Ordway virou-se =de novo para Ins: - O seu 
marido tinha alguns explosivos em a? - Ao =senti-la indecisa, 
insistiu: - At aqui tem-me dito a verdade; agora =no minta. 
Tinha ou no? - Tinha. Dinamite e umas cpsulas de 
=fulminantes que lhe tinham sobrado do trabalho. Estavam numa 
gaveta da =cmoda. - De comandante, pelo rosto perpassou-Lhe 
uma expresso de =sobressalto. - Lembrou-se de qualquer 
coisa. Do que foi? - No foi =nada. - Os olhos e a voz dela 
denotavam pnico. - Foi, foi! - Ordway =inclinou-se para ela 
e gritou: - No me minta! No vale a pena! =Diga-me! - Hoje  
noite... no tinha pensado nisso... a... =dinamite e as 
cpsulas tinham desaparecido! Tanya disse calmamente: - 
=Tenho aqui a sua chamada. Esto  Ordway acenou, os olhos 
fixos em =Ins: - Sabia que o s? marido fez um seguro de vida 
muito =elevado em seu nome? - E] sacudiu a cabea numa 
negativa. - Acredito =- afirmou Ordway. - Ins, oia-me agora 
com ateno. Estamos =convencidos d que o seu marido levou 
com ele explosivos a bordo do voo =p? Roma e que tenciona 
fazer explodir o avio. Antes de =responder minha ltima 
pergunta, lembre-se de todas as outras =pessoas, 
inclusivamente crianas, que seguem tambm nesse =avio... 
Ins, voa conhece o seu marido. Acha que... pelo dinheiro =do 
seguro, por si. . acha que ele seria capaz de fazer o que eu 
=disse?
As lgrimas corriam livremente pelo rosto de Ins, mas ela 
=assentiu.
Ordway pegou no telefone que Tanya segurava e comeou a fala 
em voz =baixa. A determinada altura interrompeu-se e virou-se 
par? =Ins: - O vosso apartamento tem de ser revistado. Se 
for =necessrio, arranjamos um mandado de busca, mas seria 
mais fcil =se voc consentisse. Consente? - Ins anuiu num 
gesto =automtico.- OK - disse Ordway pelo telefone antes de 
desligar. - =Vamos recolher todas as provas que existirem no 
apartamento, mas alm =disso no h muito mais que possamos 
fazer.
O director distrital de trfego, o rosto tenso e plido, 
=comeou a escrever uma nova mensagem para o voo dois. 
CanrtrLo xi =OS hors d'oeuvres que o comandante Demerest 
pedira haviam sido servidos =no cockpit e estavam deliciosos. 
As companhias raramente recebiam =queixas sobre a alimentao 
e a maior parte dos passageiros =saboreava com prazer as 
refeies que lhes serviam. Enquanto =Demerest engolia o 
ltimo bocado de uma tartelette de lagosta, a =campainha do 
SELCAL soou, estridente, enquanto as luzes do sELCaL 
=comeavam a piscar.
Hams ergueu o sobrolho. Duas chamadas SELCAL em menos de uma 
hora =constituam uma ocorrncia invulgar. Cy Jordan, o 
mecnico de =voo, disse do assento da retaguarda:
- Do que ns precisamos  de um nmero que no esteja na 
=lista. Demerest ligou o rdio. - Eu atendo. Aps a troca de 
=indicativos comeou a escrever num bloco: existe 
possibilidade no =confirmada... .?  medida que a mensagem i 
transmitida, as =suas feies endureciam. A mensagem 
terminava: 'sugere-se regresso =ou aterragem alternativa,  
discrio do comandante.,? =Demerest confirmou a recepo da 
mensagem, desligou e entregou-a a =Hams, o qual, depois de a 
ler, assobiou baixinho e a passou sobre o =ombro a Cy Jordan. 
Havia que estabelecer a qual dos comandantes competia =a 
deciso. Embora Hams estivesse a voar como comandante, a 
autoridade =; Demerest sobrepunha-se  dele. Em resposta ao 
olhar interrogador de =Hams, Demerest disse-lhe bruscamente: 
- Voc  que est  =esquerda. De que estamos  espera? Hams 
reflectiu por um momento. =Afastou rapidamente a ideia de 
efectuar uma aterragem alternativa. Os =aeroportos de Otawa, 
Toronto Detroit estavam fechados. Alm disso =precisavam de 
algum tempo para neutralizar o homem, o que talvez 
=conseguissem enquanto retrocediam em direco ao Lincoln. 
Disse =ento: - Vamos regressar, com uma volta suave para que 
os passageiros =no notem nada. Depois pedimos a Gwen para 
localizar o tipo, e logo =resolvemos.
- Est bem. Eu trato da cabina.
Demerest utilizou um cdigo de trs toques no boto de 
chamada =a hospedeira para chamar Gwen.
Hams entretanto chamava o controle de Toronto.
- Trans America dois. Parece que temos um problema. 
Autorizao =para regressar ao Lincoln, vectores radar da 
presente posio ara =o Lincoln.
Do Controle de Toronto, seis milhas abaixo, a voz do 
controlador - Trans =America dois, comece uma volta pela 
esquerda, rumo s sete zero. Aguarde =mudana de nvel. - 
Entendido, Toronto. Gostaramos de fazer =uma volta com um 
grande gradiente. - Trans America dois: Volta suave 
=aprovada. Embora a troca de mensagens se efectuasse em voz 
calma, o =controlador de terra apercebera-se da emergncia. 
Os avies a =jacto ? realizavam inverses de rumo sbitas sem 
uma =razo de fora maior. O controlador que recebera a 
transmisso =do voo dois solicitara a presena de um 
supervisor que em =ligao com ou? sectores abria um 
corredor  frente =do voo dois e desobstruia ; altitudes 
imediatamente abaixo. Os Centros =de Cleveland, que passara o 
controle do voo dois para Toronto, e de =Chicago j tinham 
sido alertados.
Hams recebeu outra mensagem do controle:
- Comece a descer para um nvel dois oito zero. Repor? 
=abandonando o nvel trs trs zero.
Hams informou que iniciara a descida. Cy comunicava s 
=operaes da Trans America a deciso de regressar.
Quando Gwen entrou no cockpit, Demerest, imitando o se? 
sotaque =ingls, disse-lhe:
- Gwen, parece que vamos ter um pequeno aborrecimento
No obstante a sua serenidade estudada, os trs homens que 
=integravam a tripulao do Golden Argosy eram agora 
unicamente =profissionais, as mentes a trabalhar com a mxima 
acuidade. Vom =no era uma tarefa excessivamente difcil - os 
elevados ordenados =pagos aos pilotos de linhas comerciais 
eram o preo da sua capacidade =de entrever solues, dos 
seus conhecimentos e sensatez. Assim, =quando surgia uma 
crise, a tripulao estava preparada para a =enfrentar.
- Quero que me localizes um passageiro - disse ento Demerest 
-, sem =que ele d por isso - e entregou-lhe a mensagem? 
=recebida.
Como o avio se voltava ligeiramente, a mo de Gwen que 
segurava a =mensagem tocou no ombro de Demerest. Olhando-a de 
lado, ele via-lhe o =perfil na semiescurido - tinha uma 
expresso sria mas no =demonstrava medo. Era o que ele 
tanto admirava naquela mulher: uma =fora que de modo algum 
lhe diminua a feminilidade. Sabia que =naquele momento o 
sentimento que nutria por Gwen era de amor, mais =intenso do 
que jamais poderia sentir por algum. Sentiu uma fria 
=selvagem por aquele atraso que os seus planos de estada em 
Npoles =sofreriam. Depois assumiu uma atitude de 
profissionalismo rgido. A =seu tempo o voo retomaria o seu 
curso... No lhe ocorreu sequer que =aquela ameaa de bomba 
pudesse no terminar to pacificamente =como tantas outras.
Hams mantinha ainda o avio numa volta suave, usando apenas 
uma =ligeirssima inclinao. Comeava igualmente a perder 
=altitude, Kando o nariz do avio e com a potncia 
minimamente =reduzida, a de que o rudo dos motores no 
sofresse =alteraes diferentes das habituais durante o voo. 
Gwen devolveu a =Demerest o bloco com a mensagem. O 
comandante disse-lhe: - Quero que =localizes este homem, 
tentes descobrir a pasta e as se haver alguma =hiptese de 
se lha tirar. Gwen respondeu: - J sei onde ele =est. Lugar 
14-A, junto da janela. Explicou ento que, depois de =ter 
servido os jantares na l.a sse, se dirigira  turstica para 
=ajudar as companheiras. Um dos passageiros sentado num lugar 
junto da =janela tinha uma pasta sobre joelhos. Gwen 
sugerira-lhe que lhe =entregasse a pasta enquanto pilotava, 
mas ele recusara, e em vez de =baixar a mesa de recolher 
utilizara a prpria pasta como suporte para =o tabuleiro. 
Habituada s excentricidades de alguns passageiros, Gwen =no 
tornara a pensar no unto, mas a descrio includa na 
=mensagem adaptava-se perfeitamente quele passageiro. - Est 
=sentado ao lado da velhota clandestina - acrescentou - Vai 
ser =complicado deitar a mo  pasta e tir-la - dissemerest, 
=recordando a mensagem do director distrital de ego. =3D 
??Tem de =se usar de extrema precauo ao tentar agarrar a 
ta. ?, =Pela primeira vez experimentava um sentimento no de 
medo, s de =dvida. Hams j efectuara a volta. A campainha do 
SELCAL soou, e =nerest fez sinal a Cy, que atendeu e comeou 
a escrever uma mensagem =enquanto Hams comunicava de novo com 
Toronto. - Estou a pensar - disse =Demerest - se no haver 
alguma hiptese de fazermos sair dos =lugares os dois 
passageiros sentados ao lado de Guerrero. Nessa altura =um de 
ns podia ir por detrs, debruar-se e agarrar a pasta. - 
=Ele suspeitava - atalhou Gwen. - Agora est tenso. No mento 
em que =fizssemos sair os outros dois passageiros, 
desconfiava de qualquer =coisa. Cy passou a mensagem SEtCAL, 
proveniente do Lincoln. Gwen, merest =e Cy leram-na juntos. 
?.Nova informao indica forte =probabilidade de Guerrero 
possuir mecanismo explosivo. Pensamos =tratar-se de um 
indivduo mentalmente desequilibrado. Repetimos aviso =de 
mxima precauo. Boa sorte."
- Gosto dessa ltima frase a desejar-nos boa sorte - comentou 
Cy.
De repente, Demerest disse:
- Calem-se.
Durante alguns segundos conservaram-se os quatro em silncio. 
Por =fim, Demerest disse:
- Se houvesse algum processo de lhe tirar a pasta ? surpresa. 
- =Considerou os prs e os contras de vrias hipteses disse 
por =fim: - Tenho uma ideia. Pode no resultar, mas  melhor 
que temos. =Ora oiam...
NA turstica, as hospedeiras retiravam os tabuleiros do 
jantar. Mrs. =Quonsett conversava ainda com o obosta quando 
uma hospedeira loura, =de ar desembaraado, perguntou:
- J terminaram os vossos jantares?
- J, minha senhora - respondeu o obosta.
Ada sorriu, calorosa.
- J, obrigada. Estava ptimo!
O passageiro sisudo  esquerda de Ada entregou o tabuleiro 
sem =comentrios. Foi ento que Ada reparou noutra hospedeira 
de p =na coxia. J a notara anteriormente: cabelo preto, 
aspecto atraente, =mas do rosto altas e olhos escuros, 
naquele momento fixos em =Ada.
- Desculpe, minha senhora, posso ver o seu bilhete?
- Pode, com certeza. - Ada Quonsett simulou surpresa. Abriu a 
carteira e =fingiu procurar o bilhete. - Eu sei que o tinha 
aqui, minha querida. Mas =se o homem dos bilhetes ficou com 
ele...
- Se era um bilhete de ida e volta deve ter o cupo para o 
voo de =regresso - interrompeu Gwen. - E se era s de ida 
deve ter a cpia =e a capa do bilhete. Deixa-me procurar?
Ada respondeu-Lhe:
- Minha querida, tenho aqui documentos particulares. A 
senhora, sendo =inglesa, deve respeitar a privacidade alheia. 
 inglesa, no =?
- Neste momento estamos a falar do seu bilhete. Isto no caso 
de ter de =facto um bilhete.
A voz de Gwen ouviu-se vrios lugares mais  frente e j 
havia =pessoas que voltavam as cabeas. -  s uma questo de 
saber =onde  que est - disse Ada com sorriso cativante. - E 
a =propsito de ser inglesa, eu... - Isso no me interessa. O 
seu =bilhete? Relutantemente, Gwen obrigava-se a importunar 
uma mulher j =idade, pois as instrues de Vernon tinham 
sido bem explcitas. =Ada pareceu chocada. - Fique sabendo, 
Sr.a Assistente, que logo que eu =descubra o u bilhete vai 
ter que ouvir umas coisas a respeito da sua =atitude.
- Ah vou, Ada Quonsett? - Gwen viu-a sobressaltar-se ao ouvi-
la =pronunciar o seu nome. - A senhora  Ada Quonsett, no  
?
A velha suspirou.
- Ento sabem quem eu sou?
- A senhora j tem uma longa ficha, Mrs. Quonsett.
O obosta agitou-se no lugar, embaraado.
- Se h algum mal-entendido, talvez eu possa ajudar.
Gwen respondeu:
- Uma vez que no viaja com esta senhora, o senhor no tem 
que se =preocupar.
Embora tivesse evitado olhar para o passageiro que sabia ser 
Guerrero, =Gwen tinha a certeza de que ele seguia atentamente 
o dilogo, com a =pasta firmemente agarrada sobre os joelhos. 
Um pavor sbito e gelado =percorreu-a. Dominou-a a vontade de 
fugir, regressar ao cockpit e dizer =a Vemon que tratasse ele 
do assunto. Mas no o fez, e aquele momento =de fraqueza 
passou.
- Sabemos tudo acerca de si - afirmou. - A senhora foi 
apanhada hoje por =ser clandestina, mas conseguiu escapar-se. 
Depois; atravs de uma =mentira, conseguiu embarcar neste 
avio.
Ada respondeu-lhe com perfeito -vontade:
- Se j sabe tanto, no vale a pena discutir. - Pelo menos j 
=saboreara o jantar. -Vamos voltar para trs?
- No. Mas quando chegarmos a Itlia vai ser entregue s 
=autoridades. Agora venha comigo. O comandante quer falar 
consigo.
Pela primeira vez, Ada pareceu nervosa. Com ar hesitante, 
desapertou o =cinto de segurana. Com uma expresso de pesar 
o obosta =afastou-se para a deixar passar e Ada saiu com 
passos inseguros para a =coxia. Gwen empurrou-a para a 
frente, consciente de numerosos olhares =hostis por parte dos 
passageiros.
- Sou o comandante Demerest - disse Vernon. - Faa favor de 
entrar. =Gwen, fecha a porta.
Dirigiu um sorriso a Ada Quonsett. A velha senhora semicerrou 
os olhos =para o ver melhor ainda no adaptada  penumbra do 
cockpit. Mas a =voz era indubitavelmente amistosa.
Delicadamente, Gwen conduziu Ada a um dos lugares vagos.
- Mrs: Quonsett - disse Demerest -, esquea o que acabou de 
se passar =l fora. Precisvamos de uma razo plausvel para 
a trazer =aqui.
Ada comeava agora a distinguir com mais clareza o enorme 
vulto. =Parecia amvel. Percorreu o cockpit com os olhos e 
pensou que j =tinha algo de interessante para contar  filha 
em Nova Iorque.
- Avozinha - perguntou o comandante -, a senhora assusta- -se 
=facilmente?
Era sem dvida uma pergunta estranha.
- Facilmente no -respondeu Ada. -  medida que se envelhece 
=vo diminuindo os motivos para se ter medo.
Os olhos do comandante no se afastavam do seu rosto.
- Precisamos da sua ajuda. Reparou no passageiro sentado a 
seu lado =junto  janela?
- Reparei - respondeu ela. -  um homem estranho. No fala 
com =ningum e tem uma pasta que no larga por nada deste 
mundo. Acho =que ele est preocupado com qualquer coisa.
- Tambm ns estamos preocupados - declarou Demerest 
calmamente. - =Estamos convencidos de que naquela pasta h 
uma bomba. E  por =isso que precisamos da sua ajuda.
Que excitante parecia um policial na TV. Um pouco assustador, 
talvez, =mas Ada decidiu no pensar nisso. O importante  que 
ela estava a =participar na aco, conversando informalmente 
com o =comandante.
Ouviu uma mensagem que soava atravs do altifalante do painel 
=superior.
- Trans America dois, Centro de Toronto. A sua posio  de 
=quinze milhas a leste do rdio-farol de Kleinburg. Quais a 
sua =altitude e intenes.
O homem que ocupava o assento dianteiro  esquerda respondeu:
- Toronto, Trans America dois. Autorizao para continuar uma 
=descida lenta. - Entendido, Trans America dois. Estamos a 
retirar todo o =trfego  sua frente. Um terceiro homem  
direita de Ada, =sentado em frente de numerosos mostradores, 
disse: - Acho que fazemos =isto numa hora e dezassete 
minutos. - Estamos a voltar para trs, =no estamos? - 
perguntou Ada. - Estamos. Mas  segredo. Sobretudo =o homem 
da pasta no ?e descobrir. Diga l, podemos contar =consigo? 
- Claro. Querem que tente tirar-lhe a pasta? - No! No =deve 
sequer olhar para ela. Ora bem, quando voltar cabina da 
=turstica... Depois de ouvir a explicao, Ada sorriu: - Oh, 
=posso fazer isso! - Avozinha - prometeu Demerest. - Se 
conseguirmos =safar- os desta alhada, a companhia oferece-lhe 
um bilhete de ida e =volta Nova Iorque em l.a classe. Ada 
Quonsett quase chorou de =comoo: - Oh, obrigada. Muito 
obrigada.
E pensou: ?.Que homem simptico e amvel!??
A emoo que Ada sentia ao abandonar o cockpit ajudou-a a 
=percorrer a classe turstica desempenhando o papel que lhe 
fora =atribudo. Gwen empurrava-a para a frente e a velha 
enxugava os olhos =com o leno de renda, simulando na 
perfeio aflio e =angstia.
Quando entraram na cabina da turstica, Gwen correu a cortina 
que =separava as duas classes. Demerest postar-se-ia por 
detrs dela, =observando a cena por uma frincha. Quando 
chegasse o momento exacto, =abriria a cortina e precipitar-
se-ia para a turstica.
Um pressentimento gelado assaltou Gwen ao pensar no que se 
passaria nos =minutos seguintes. Dominou-se, porm, e 
escoltou firmemente Ada =at ao lugar.
Guerrero lanou-lhe uma olhadela rpida e depois desviou o 
olhar. =O obosta ergueu-se e saiu para a coxia a fim de 
deixar Ada entrar, e =Gwen, sub-repticiamente, deslocou-se de 
forma a impedir que ele =regressasse ao lugar.
- Por favor - Ada, ainda de p na coxia, virou-se para Gwen 
=lacrimejante. - Por favor no me entreguem  polcia 
=italiana.
Gwen respondeu rispidamente:
- Pensasse nisso antes. E agora sente-se, j lhe disse.
O obosta protestou:
- No v que a senhora est incomodada?
- No se meta nisto - respondeu Gwen secamente. - Ela  uma 
=clandestina. - Empurrou Ada e disse-Lhe: - Sente-se e esteja 
quieta.
Ada deixou-se cair no assento, gritando:
- Est a magoar-me.
Alguns passageiros ergueram-se, protestando. Guerrero 
continuava a olhar =em frente, as mos pousadas sobre a 
pasta. Ada comeou a gemer. E =ento Gwen disse-lhe 
friamente:
- Voc est histrica - e, odiando o que era obrigada a 
fazer, =inclinou-se para a frente e esbofeteou Ada, perante a 
indignao =dos restantes passageiros.
O que se passou a seguir sucedeu to rapidamente que mesmo os 
=passageiros que se encontravam nas proximidades no 
conseguiram =reconstituir a sequncia dos acontecimentos. Ada 
virou-se para =Guerrero e suplicou-lhe:
-Por favor, ajude-me. Ajude-me!
Com o rosto contrado, Guerrero ignorou-a, e Ada, aparente- 
mente =descontrolada pelo medo, lanou-lhe os braos ao 
pescoo:
- Por favor.
Guerrero ergueu as mos para se libertar de Ada, mas esta 
agarrou-as, =como que numa splica desesperada. No mesmo 
instante Gwen inclinou-se =para a frente, estendeu a mo num 
gesto rpido e agarrou a pasta. =A cortina que separava a 
turstica da l.a classe abriu-se =repentinamente e Demerest 
precipitou-se para a frente, estendendo as =mos para a 
pasta.
Com um mnimo de sorte a crise teria terminado naquele mo- 
mento. Tal =no aconteceu devido a um homem de nome Marcus 
Rathbone, sentado no =lugar 14-D do lado oposto  coxia. 
Rathbone era um negociante =convencido de uma pequena 
localidade do Iowa, que ficou transtornado ao =ver Gwen 
agarrar a pasta de Guerrero. Estava perante o exemplo acabado 
=da autoridade em uniforme a cercear os direitos de um 
viajante to =normal como ele prprio. Ergueu-se do assento e 
interps-se entre =Gwen e Demerest. No mesmo instante, 
balbuciando palavras incoerentes, =Guerrero conseguiu 
libertar-se do amplexo de Ada. Quando alcanou a =coxia 
Rathbone arrancara a pasta das mos de Gwen e, inclinando-se 
=cortesmente, entregou-a a Guerrero, que a agarrou de 
imediato.
Demerest precipitou-se para a frente, mas j Guerrero se 
dirigia para =a cauda do avio. Demerest gritou, desesperado:
- Detenham esse homem! Tem uma bomba!
Mas apenas conseguiu suscitar gritos dos passageiros que se 
levantaram =em massa e lhe bloquearam a passagem. S Gwen 
conseguira, =tropeando e empurrando, manter-se perto de 
Guerrero.
Ao chegar ao fundo da cabina, Guerrero voltou-se como um 
animal =encurralado. Apenas as casas de banho o separavam da 
cauda _do avio. =Agarrava a pasta  sua frente, uma das mos 
segurando agora um =n de fio bem visvel sob a pega.
Rosnou um aviso:
- No se mexam!
Demerest gritou:
- Guerrero, oia-me! Oia! - Durante um segundo de silncio 
=ouviu-se apenas o troar constante dos motores do avio. 
Guerrero =piscou os olhos, que percorriam, desconfiados, os 
circunstantes.- =Sabemos quem voc  - continuou Demerest. - 
Sabemos tudo sobre o =seguro e sobre a bomba. Mas o seguro j 
no vale nada, ?=agora. Est a perceber? Se fizer explodir a 
bomba vai morrer para ??nada! Est a perceber? Pense bem!
Guerrero hesitava. Demerest pediu:
- Guerrero, deixe as pessoas sentarem-se e depois falamos 
calmamente. - =Com um esforo violento, Demerest tentava 
manter um tom de voz =sereno. -Se me entregar essa pasta, 
dou-lhe a minha palavra de honra de =que ningum neste avio 
lhe far mal algum.
Guerrero, cujos olhos reflectiam terror, passou a lngua 
pelos =lbios finos. Nesse momento a porta da casa de banho 
abriu-se =atrs de Guerrero e dela saiu um homem novo de 
culos com lentes =grossas, que se deteve, observando o que 
se passava. Obviamente
no ouvira nada do que se passara. Um passageiro gritou-lhe:
- Agarre esse tipo da pasta! Ele tem uma bomba!
Guerrero, que se virara ao ouvir abrir-se o fecho da porta da 
casa
de banho, ao ouvir o aviso do passageiro empurrou para o lado 
o
passageiro de culos e precipitou-se para o interior da casa 
de =banho.
Gwen perseguiu-o, enquanto Demerest ainda lutava para 
atravessar a
coxia apinhada. Quando Gwen a alcanou, a porta da casa de 
banho
fechava-se. A hospedeira atirou-se contra ela, sentindo o 
peso de
Guerrero do lado oposto.
A mente de Guerrero estava obnubilada. Embora no tivesse 
apreendido =totalmente o que se passara, compreendera uma 
coisa: como tantos outros =dos seus grandiosos desgnios, 
tambm este fracassara. Toda a sua =vida fora um fracasso. E 
a sua morte seria tambm um fracasso.
Empurrando com as costas a porta da casa de banho, Guerrero 
sentiu a =presso que do outro lado algum exercia e receou 
no conseguir =manter a porta fechada. Procurou o fio sob a 
pega da pasta que =accionaria o detonador. Quando o puxou 
perguntou a si prprio se =tambm a bomba que construra 
seria um fracasso.
E na ltima fraco de segundo da sua vida D. O. Guerrero 
soube =que a bomba fora um xito.
A exploso a bordo do Golden Argosy foi monstruosa e 
ensurdecedora. =Foi como o ribombar de milhares de troves, 
uma enorme lngua de =fogo e o choque de um martelo 
gigantesco. Guerrero morreu =instantaneamente. O seu corpo 
desintegrou-se. E na cauda do aparelho =abriu-se um rombo.
No momento em que a fenda se abriu, a cabina entrou em 
descompresso. =Com um novo rugido, o ar no interior do 
avio, at essa altura =mantido  presso normal, precipitou-
se velozmente pela abertura e =dissipou-se no exterior, onde 
o vcuo era quase perfeito. Uma escura =nuvem de poeira 
alastrou pela cabina e desapareceu no exterior. Levou =com 
ela, como detritos arrastados por um ciclone, papis, 
tabuleiros, =malas, cafeteiras e vesturio, que redemoinhavam 
como se sugados por =um aspirador ciclpico. As cortinas 
rasgaram- -se e foram varridas =com tudo o resto.
Os passageiros que no tinham os cintos de segurana 
apertados =agarravam-se ao primeiro suporte que se lhes 
deparava, tentando resistir = suco que os puxava para 
trs. Os compartimentos das =mscaras de oxignio, situados 
sobre os assentos, abriram-se de =repente, deixando cair as 
mscaras amarelas, cada uma das quais =ligada por um curto 
tubo plstico a um depsito central de =oxignio.
Abruptamente a suco diminuiu. O nevoeiro penetrava no 
interior =do aparelho, onde o frio era agora cortante. O 
rudo dos motores e o =assobio do vento eram ensurdecedores. 
Demerest, ainda na coxia da =turstica, onde se agarrara s 
costas de um assento, trovejou:
-Peguem no oxignio - e agarrou numa mscara.
H muito que aqueles que conheciam os riscos da descompresso 
=vinham a pedir s companhias areas que tornassem mais 
=convincentes os anncios de pr-voo sobre o equipamento do 
=oxignio. Devia-se avisar os passageiros: ??No momento em 
que =uma mscara de oxignio aparecer  sua frente, agarre 
nela, =coloque-a sobre o rosto e deixe as perguntas para 
depois. Se se tratar =de um falso ?alarme, mais tarde poder 
retirar a mscara; =e entretanto do facto de a ter usado no 
lhe advm mal nenhum.??,
Durante os testes de descompresso era demonstrado aos 
pilotos como a =falta do oxignio afectava o crebro. Num 
tanque de =descompresso, com mscaras colocadas, era-lhes 
pedido que =escrevessem as suas assinaturas; a determinada 
altura era-lhes retirada =a mscara: as assinaturas tornavam-
se ininteligveis. Quando as =mscaras eram repostas, antes 
que sobreviesse a inconscincia, os =pilotos quase no 
acreditavam nos seus olhos quando contemplavam as 
=assinaturas que haviam feito.
No entanto, como as companhias areas estavam convencidas de 
que =avisos mais srios sobre a utilizao das mscaras de 
=oxignio alarmariam os passageiros, sorridentes hospedeiras 
=continuavam ' demonstrar, em tom ligeiro, como usar o 
equipamento, =enquanto uma voz sublinhava a improbabilidade 
da ocorrncia de =qualquer acidente que tornasse necessria a 
sua utilizao. =Consequentemente quando os compartimentos 
das mscaras de oxignio =se abria? acidentalmente e as 
mscaras caam  frente =dos passageiros, a maio? parte deles 
ficava a olh-las com =curiosidade. Era exactamente essa ? 
reaco quase geral a =bordo do voo dois.
Num acesso de fria, Demerest recordou-se dos mltiplos 
avisos que =fizera acerca da pouca convico com que eram 
feitos os =anncios sobre a utilizao das mscaras. Naquele 
momento, =porm, uma preocupao se sobrepunha a tudo o resto 
- devia =regressar ao cockpit e, se possvel, salvar o avio. 
Sobre cada =grupo de assento? da turstica haviam cado 
quatro =mscaras de oxignio - uma para cada passageiro e uma 
extra. =Demerest encaminhou-se para o cockpit usando 
sucessivamente as =mscaras extras. Sabia que num comparti- 
mento situado junto  =divisria com a l.a classe estavam 
guardadas duas botijas de =oxignio. Acabava de chegar  l.a 
classe quando sentiu o avio =voltar bruscamente para a 
direita e iniciar uma picada.
O que se ia passar a seguir dependia da extenso dos estragos 
=causados pela exploso e da percia de Anson Hams.
NO cockpit, Hams e Cy Jordan ignoravam o que se passava na 
cabina de =passageiros at a exploso da dinamite abalar o 
avio. Nessa =altura o cockpit ficou submerso por uma espessa 
nuvem obscura de poeira, =imediatamente sugada quando a porta 
do cockpit foi arrancada dos gonzos =e arrastada na voragem, 
juntamente com dezenas de outros objectos =redemoinhantes.
Sob a mesa do mecnico de voo uma buzina de alarme comeou a 
soar =e sobre ambos os assentos da frente piscaram brilhantes 
luzes amarelas =indicadoras de uma diminuio de presso na 
cabina. Hams sentiu =uma dor aguda nos ouvidos. Imediatamente 
antes, porm, graas ao =treino e experincia adquiridos, 
reagira automaticamente.
Durante o longo e rduo percurso at chegarem a comandantes, 
os =pilotos passam horas extenuantes em salas de aulas e 
simuladores, onde =se criam situaes possveis de suceder no 
ar, a fim de =automatizarem reaces correctas e rpidas. Um 
simulador =assemelha-se ao nariz de um avio sem fuselagem, e 
o seu interior =produz integralmente um cockpit normal. Os 
pilotos permanecem =simuladores horas a fio, nas condies de 
uma viagem de longo o. =Uma vez fechada a porta para o 
exterior, o movimento e o o criam a =sensao fsica de que 
se est no ar. Num cran colocado = frente das janelas 
passam projeces de aeroportos e ts que =aumentam ou 
diminuem numa simulao de descolagens e
??D-" ???OS pilotos estabelecem comunicao com =uma sala de 
controle como se estivessem de facto a voar. Na sala de 
=controle controlado- res especializados duplicam os 
procedimentos de =controle de trfego areo e criam situaes 
de emergncia =inesperadas: falhas mltiplas aos motores, 
incndios, =intempries, problemas no sistema elctrico e de 
combustvel, =descompresses explosivas, deficincias no 
funcionamento de =instrumentos e outros problemas.  
inclusivamente possvel simular =um acidente que  por vezes 
reproduzido em sentido inverso, o que =permite demonstrar o 
que o causara.
Ocasionalmente simulam-se vrias emergncias simultneas, 
=alturas em que os pilotos emergem dos simuladores exaustos e 
encharcados =em suor. Na sua maior parte os pilotos conseguem 
passar esses testes; os =poucos que falham so reexaminados e 
depois cuidadosamente =observados. As sesses com os 
simuladores repetem-se, vrias vezes =por ano, durante todas 
as fases da carreira de um piloto at  =reforma.
Consequentemente, quando ocorra de facto uma emergncia 
verdadeira os =pilotos sabiam exactamente o que fazer, e 
faziam-no sem desperdiar =um tempo precioso: Era este um dos 
factores que tornavam os avies =das companhias areas 
regulares os meios de transporte mais seguros =da Histria. E 
era tambm este facto que condicionara Anson Hams a =reagir 
instantaneamente, com o objectivo de salvar o voo dois.
Nos treinos de descompresso explosiva h uma regra 
fundamental: =antes de mais nada, a tripulao deve proteger-
se a si prpria. =Depois, assegurada a plena capacidade das 
suas faculdades mentais, podem =tomar-se decises. Por detrs 
do assento da cada um dos pilotos =baloiava uma mscara de 
oxignio semelhante ao capacete de um =guarda-redes de 
basebol. Automaticamente, Hams arrancou os =auscultadores, 
estendeu a mo sobre o ombro para agarrar a mscara =e 
colocou-a sobre o rosto. Esta, ligada ao abastecimento de 
oxignio =do avio, tinha um microfone embutido. Sem 
auscultadores, Harris, com =uma mudana de selector, fez 
accionar um altifalante no painel =superior; atrs dele Cy 
Jordan fez o mesmo.
Noutro movimento reflexo, Harris cuidou dos passageiros. ?
sistemas de oxignio nas cabinas dos passageiros actuavam 
=automaticamente em caso de falha de presso; mas por 
precauo, =e prevenida
uma eventual avaria, havia um boto de sobreposio que 
=assegurava
a libertao das mscaras e o fluxo do oxignio. Harris 
=accionou a
comutador.
Com a mo direita, reduziu completamente a potncia. A 
velocidade =do aparelho diminuiu; teria de diminuir mais 
ainda. Activou a
alavanca dos traves aerodinmicos. Ao longo da superfcie 
=superior
das asas, os spoilers ergueram-se, opondo resistncia ao ar. 
Cy
silenciou a buzina de alarme.
Agora tornava-se essencial fazer o avio descer da altitude a 
que
se encontrava, de vinte e oito mil ps, para um nvel onde o 
ar =fosse
mais denso, o que permitiria aos passageiros e  tripulao 
=sobreviver sem oxignio. Hams tinha de decidir entre duas 
=alternativas:
efectuar uma descida lenta ou picar a alta velocidade.
At h um ou dois anos antes, as instrues dos pilotos em 
=caso
de descompresso explosiva eram picar imediatamente. Mas o 
resultado =fora que um avio se desfizera, quando uma descida 
mais lenta
poderia t-lo salvo. Actualmente os pilotos eram aconselhados 
a
verificar previamente se a estrutura do avio sofrera 
estragos =graves?
e, em caso afirmativo, a descer devagar. Mas tambm esta 
=directiva
implicava riscos.
O voo dois sofrera sem dvida estragos estruturais, mas Hams
no podia mandar Cy Jordan  cauda do aparelho para avaliar a
extenso dos danos enquanto Demerest no regressasse. E havia
ainda outro problema. A temperatura exterior era de cinquenta 
graus
centgrados abaixo de zero, e, a julgar pelo frio paralisante 
que =se
fazia sentir, a temperatura interior no devia exceder a 
exterior. =Num
frio to intenso ningum conseguiria sobreviver mais do que 
=alguns
minutos sem os agasalhos necessrios. Qual seria a deciso 
=menos
arriscada: morrer de frio ou descer rapidamente, arriscando a 
=possibilidade de o avio se desfazer?
Tomando uma deciso que s em face dos acontecimentos
posteriores se poderia qualificar de acertada ou no, Hams 
chamou
Cy pelo intercomunicador:
- Avise o controle de trfego areo. Vamos picar. Inclinou o 
=avio acentuadamente para a direita e baixou o trem de 
aterragem a =fim de reduzir a velocidade de descida e tom-la 
mais ?ida. A =inclinao antes da descida teria dois efeitos: 
os passageiros que =no estivessem seguros pelos cintos de 
segurana conservar- :-iam =nos lugares por efeito da fora 
centrfuga, enquanto uma descida =em frente os projectaria de 
encontro ao tecto do avio; alm disso =a inclinao 
afastaria o voo dois do corredor areo que =estivera usar e, 
Hams esperava-o, do trfego areo que =eventualmente se 
encontrasse abaixo dele. Pelo altifalante do painel 
=superior, Harns ouvia Cy a repetir a chamada de emergncia: 
- Mayday, =Mayday. Trans America dois. Descompresso 
explosiva. Estamos a =descer, repito, a descer..
Hams empurrou o manche com fora para a frente e gritou: - 
Pede =dez.
Cy acrescentou:
- Solicito dez mil ps.
Harris ligou o transponder para setenta e sete, o cdigo de 
descida =de emergncia. Agora em todos os radares em terra 
observar- e-ia um =duplo blip.
Desciam velozmente; o altmetro girava como os ponteiros de 
um =relgio cuja corda tivesse enlouquecido, passando 
rapidamente os =vinte e seis mil ps, vinte e quatro, vinte e 
trs... O =varimetro indicava que a descida se processava a 
oito mil ps por =minuto.
O Centro de Toronto ouvia-se atravs do altifalante do painel 
- Todas =as altitudes abaixo de si esto livres. Reportem as 
instrues =quando puderem. Aguardamos. Hams tornara a 
inclinao menos =acentuada e descia agora em ite. Se 
conseguissem descer o mximo num =tempo mnimo talvez 
vivessem, caso o avio aguentasse. Mas j =havia indcios de 
rias - o leme movia-se com rigidez e o compensador =do 
estabilizador de profundidade no respondia. Vinte e um mil 
=ps, vinte, dezanove. Pelas respostas dos instrumentos de 
controle =Hams deduzia que a exploso provocara estragos 
cauda; qual a =extenso desses estragos, sab-lo-iam logo que 
:asse sair da =descida - o momento de maior tenso para o 
avio. qualquer =instrumento de importncia crtica no 
resistisse, =despenhar-se-iam.
Harns teria recebido com alvio ajuda por parte de um 
ocupante
do lugar da direita mas Cy era necessrio onde se encontrava 
- ??
fechar as vlvulas de entrada de ar, fazendo entrar todo o ar 
=quente
possvel, atento a possveis estragos no sistema de 
combustvel =e ao?
alarmes de incndio. Dezoito mil ps... Dezassete. . Quando
atingissem os catorze mil ps, decidiu Harris, iniciaria a 
sada =d?
descida, esperando nivelar aos dez mil... Passaram os quinze 
mi]
ps, catorze. Diminuir a razo de descida, agora!
Os comandos estavam mais duros, mas respondiam. Han-is puxou 
o manche =com fora para trs. A descida tornava-se menos
pronunciada, o avio estava a conseguir sair. Doze mil ps; a 
=descida
processava-se agora mais lentamente. ?Onze mil ps, dez mil 
=e
quinhentos... Dez !
Estavam nivelados e at ao momento o avio aguentara. A esta
altitude o ar era respirvel. O termmetro de temperatura 
=exterior
indicava cinco graus abaixo do ponto de congelao; estava 
frio, =mas
j no era aquele frio mortal. A picada durara apenas dois 
minutos =e
meio.
Os altifalantes deram sinal de vida.
- Trans America dois, Centro de Toronto. Como vo as coisas?
Hams confirmou a recepo da mensagem e informou:
- Nivelados a dez mil ps, voltando para rumo dois sete zero.
Temos estragos estruturais devidos a exploso, cuja extenso 
=ignora-
mos. Solicito informao de tempo e pistas de Toronto, 
Detroit
Metropolitan e Lincoln.
Qualquer destes aeroportos era suficientemente grande para 
ter
pistas capazes de receber um 707.
Demerest passou sobre os escombros da porta do cockpit e
sentou-se no lugar.
- Sentimos a sua falta - disse Harris. - Se a cauda no cair,
talvez nos consigamos safar.
Informou o companheiro da dureza do leme de direco e da
inoperncia do compensador do estabilizador.
- Algum deitou estalinhos l atrs?
- Foi mais ou menos isso. Fez um raio de um buraco!
A sua ligeireza era apenas aparente. Delicadamente, Harris
comentou:
- O esquema era bom, Vernon; podia ter resultado.
- Mas no resultou. - Demerest virou-se para Cy. - V  
=turstica. Veja os estragos e informe pelo interfone. Faa o 
que =puder ?elos passageiros. Precisamos de saber o nmero de 
=sinistrados e a gravidade dos ferimentos.
Pela primeira vez permitiu-se um pensamento angustiado: - E 
veja o que =se passa com Gwen.
Estavam a chegar os dados de aterragem solicitados. Toronto 
estava =fechado; o Detroit Metropolitan estava fechado para 
trfego regular, =mas se necessrio limpar-se-ia a pista trs 
esquerda, com uma =espessura de neve de doze centmetros e 
meio a quinze sobre gelo, =para uma aproximao e aterragem 
de emergncia; quanto ao =Lincoln International, tinha todas 
as pistas limpas e operacionais,  =excepo da pista trs 
zero, temporariamente fechada devido a =uma obstruo. A 
visibilidade no Lincoln era de uma milha, vento =?noroeste a 
trinta ns, com rajadas.
Harris comunicou a Demerest:
- No tenciono alijar combustvel. - Demerest concordou com 
um =aceno de cabea. Devido  enorme carga de combustvel, a 
=aterragem seria sempre perigosa e dura; mas alijar o 
combustvel =representava um risco ainda maior. A exploso na 
cauda podia ter =provocado curtos-circuitos elctricos ou 
frico de metal que =estives- sem a produzir fascas. Se 
alijassem o combustvel em voo =uma simples fasca podia 
converter o avio num holocausto de =fogo.
Contudo esta deciso implicava que uma aterragem em Detroit, 
o =aeroporto de grandes dimenses mais prximo, s deveria 
ser =efectuada em desespero de causa. Devido ao peso que 
transportavam, =teriam de efectuar uma aterragem. a alta 
velocidade, que exigiria uma =pista comprida e a mxima 
capacidade de travagem. Ora a pista mais =longa de Detroit 
estava coberta de neve sobre gelo, o que implicava um =grave 
risco nestas condies.
O Lincoln International oferecia melhores condies, mas 
=encontrava-se a, pelos menos, uma hora de voo. De momento a 
sua =velocidade era apenas de duzentos e cinquenta ns, 
porque Hams =pretendia evitar mais estragos estruturais. 
Infelizmente, quela =altitude havia bastante turbulncia 
devida  tempestade, no seio =da qual se encontravam agora. 
Poderiam manter-se no ar durante ainda =mais uma hora? A 
exploso verificara-se h menos de cinco =minutos.
O controle chamava-os:
- Trans America dois, reporte suas intenes.
Em resposta, Demerest pediu um rumo directo para Detroit 
enquanto =verificavam os estragos. A deciso sobre a 
aterragem seria
comunicada dentro dos prximos minutos.
- Entendido, Trans America dois. Detroit informou que se 
esto
a preparar para uma aterragem de emergncia. ; A campainha do 
=intercomunicador retiniu. Demerest atendeu. Era
Cy, que telefonava da cauda do avio, gritando para se fazer 
ouvir ' =acima do rudo do vento.
- Comandante, h um buraco de quase dois metros de largura
por detrs da porta da cauda. Isto aqui est um caos. Mas 
pelo =que
vejo a coisa aguenta-se. O comando hidrulico do leme foi-se, 
mas
os cabos de controle parecem estar a funcionar.
- E as superfcies de controle?
- O revestimento enfiou-se no estabilizador e encravou-o.
 parte isso s vejo uns buracos e uns rasges. No h =nada 
solto.
Creio que a exploso saiu de lado.
Assim, D. O. Guerrero falhara tambm a exploso. No 
percebera =que, no momento em que a fuselagem de um aparelho 
pressurizado fosse =rasgada, a deslocao do ar se 
processaria para o exterior
e se dissiparia, nem atendera sequer  slida construo de 
=um avio
a jacto. Os sistemas estruturais e mecnicos eram duplicados, 
o =que
impedia que uma avaria ou falha num circuito provocasse a 
destrui-
o do conjunto.
Demerest perguntou a Cy:
- D para mais uma hora no ar?
- Penso que sim.
Demerest ordenou ento:
- Faa o que puder. - Hesitou, receando a resposta, e depois
perguntou: - Viu Gwen?
No sabia sequer se ela fora sugada para o exterior com a
exploso; de qualquer forma era ela quem mais prximo se 
=encontrava da bomba detonada.
Cy respondeu-lhe:
- No est muito bem est a ser examinada por um mdico.
Temos trs mdicos a bordo.
Demerest reps o interfone no descanso. Continuava a negar a 
si
prprio qualquer emoo pessoal. A segurana do avio =estava 
em
primeiro lugar. Fez a Harris uma smula do relatrio de Cy
? deixando-Lhe a deciso do local de aterragem. No apogeu de 
=uma
crise, Demerest continuava a comportar-se como um 
verificador.
- Vamos tentar o Lincoln - optou Hams.
A segurana do avio e consequentemente de quantos nele se 
=encontravam era o objectivo primordial. Faziam votos para 
que os =passageiros se aguentassem.
Demerest informou o Centro de Toronto, o qual em breve 
passaria o =controle do avio para o Centro de Cleveland. O 
Lincoln International =tinha de ser avisado de que o voo dois 
ia pedir uma aproximao =directa de emergncia. Seguiu-se 
uma mudana de rumo. =Aproximavam-se da margem ocidental do 
lago Huron.
Sabiam que em terra o voo dois era agora o plo para onde 
convergiam =todas as atenes. Os controladores e os 
supervisores em centros =de rotas areas contguos 
trabalhavam intensamente na =coordenao da remoo do 
trfego da rota do voo dois. =Todos os 'sectores  sua frente 
seriam alertados da aproximao =do avio danificado e o 
espao areo seria desobstrudo. =Qualquer pedido que 
fizessem seria atendido com prioridade.
Quando atravessaram a fronteira, o Centro de Toronto 
despediu- -se com =um ??boa noite e boa sorte??. No momento 
seguinte era o =controle de Cleveland que respondia  sua 
chamada.
Comearam a planear a aterragem no Lincoln International. 
=Necessitariam da pista mais comprida e mais larga, 
directamente alinhada =ao vento - e s a pista trs zero 
correspondia a esses =requisitos.
Harris comentou:
- Segundo a ltima informao, a pista estava temporariamente 
=fechada devido a uma obstruo.
Demerest rosnou:
- J est obstruda h horas.  s um jacto atolado. =Tm de 
o tirar de l!
E pre"ou  coluna do manche a carta de aproximao do 
Lincoln. =cnrrtrLo xn ELLIo'IT Freemantle, no terminal 
principal do Lincoln =International, sentia-se perplexo. 
Quando anteriormente, naquela tarde, =pedira permisso ao 
tenente da Polcia, um negro, para realizar =uma manifestao 
pblica, recebera uma recusa categrica. E =no entanto
ali estava ele, com uma multido de quinhentas pessoas; 
rodeados
por uma quantidade de curiosos, e nem um polcia  vista. 
=No
deixava de ser estranho.
Freemantle acabara de desempenhar brilhantemente o seu papel
perante as cmaras de televiso e os jornalistas, dirigindo 
um =ataque
cerrado contra Mel Bakersfeld e o aeroporto.
Soube que a primeira entrevista se destinava a um show 
popular prime =time que procurava a controvrsia, a animao 
e at o
escndalo. O entrevistador da TV, um homem jovem e simptico,
perguntou-lhe:
- Mr. Freemantle, qual a razo da sua vinda aqui?
- Estou aqui porque este aeroporto  um ninho de ladres. Os 
=residentes de Meadowood esto a ser roubados: roubam-lhes a 
paz, o =direito  privacidade, o descanso bem merecido e at 
o sono!
O entrevistador sorriu, revelando duas fiadas de dentes 
perfeitos.
- Sr. Doutor, essas palavras so agressivas!
- Porque os meus clientes e eu estamos agressivos. O director 
deste =aeroporto confessou-me que hoje  noite nem sequer 
esto a ser =observadas aquelas miserveis regras a que do o 
nome pomposo de =??procedimentos de reduo de rudo??.
E continuaram no mesmo tom.
Mais tarde, Freemantle perguntou a si mesmo se no deveria 
ter =mencionado as condies excepcionais que vigoravam 
naquela noite, =devido  tempestade quando se referira aos 
??procedimentos de =reduo de rudo?,. Mas a forma como 
expusera o assunto =era de facto mais incisiva, e duvidava 
que algum contestasse o que =afirmara. Precisava agora de 
uma interveno policial, no meio de =um inflamado discurso, 
de forma a ser entronizado como mrtir de =Meadowood e, 
subsequentemente, proporcionar s cmaras de TV e aos 
=jornais do dia seguinte uma histria ainda mais viva. 
Sobretudo os =residentes de Meadowood ficariam convencidos de 
que ele valia o seu =preo.
Alguns residentes de Meadowood tinham montado um sistema de 
altifalantes =porttil, que haviam trazido da escola 
dominical. Um dos homens =entregou o microfone a Freemantle, 
que se dirigiu ao pblico.
- Amigos, lamento ter de vos informar que a vossa delegao 
foi =recebida com hostilidade e com a garantia cnica, dada 
pelo director =do aeroporto, de que o rudo sobre os vossos 
lares vai aumentar. - =Ouviu-se um clamor de indignao. 
Freemantle ergueu uma mo. - =Perguntem aos que me 
acompanharam. Eles esclarecer-vos-o.
Apontando para as pessoas colocadas  frente da multido, 
=perguntou:
- No  verdade que o director do aeroporto nos informou de 
que =tempos piores se avizinham?
Aps uma certa relutncia inicial, a delegao acabou por 
=acenar afirmativamente com ar decidido. Freemantle fez uma 
pausa. Onde =diabo se esconderia a polcia do aeroporto? No 
podia deixar de =intervir!
O que ele ignorava era que, enquanto os residentes de 
Meadowood chegavam =em nmero progressivamente mais elevado a 
direco do aeroporto =comeava a preocupar-se com o voo dois 
da Trans America e todos os =agentes da polcia do aeroporto 
procuravam naquele momento Ins =Guerrero. E mesmo depois de 
a encontrarem, o seu interrogatrio =manteve o tenente Ordway 
ocupado durante algum tempo. Quando o assunto =ficou 
esclarecido e Ins saiu com a polcia da cidade, Mel e 
=Ordway saram juntos da sobreloja.
Ordway foi o primeiro a ver a manifestao de Meadowood.
- Eu disse quele advogado que no o autorizava a fazer 
=manifestaes aqui.
Precipitou-se em direco  sala de espera, abrindo caminho 
por =entre a multido, enquanto Freemantle proclamava:
- Quem est em primeiro lugar: os avies ou as pessoas? 
Devemos =banir...
Ordway interrompeu-o bruscamente:
- Vamos acabar com isto!
??Finalmente!?,, pensou Freemantle, enquanto os flashes =dos 
fotgrafos relampejavam e as cmaras de televiso se =fixavam 
nele e no
polcia. _
Junto  multido, Mel conversava com Tomlinson, do Tribune.
O reprter consultava os seus apontamentos e lia uma passagem 
da
diatribe do advogado. Quando a ouviu, Mel enrubesceu de 
raiva.
Ordway entretanto gritava a Freemantle:
- Ou manda retirar daqui este grupo ou  preso!
De entre a multido algum gritou:
- No podem prender-nos a todos!
- No. - Freemantle ergueu uma mo justiceira. - No ha-
ver desobedincias. Este agente da Polcia ordenou-nos que 
=destrossemos, numa clara infraco  liberdade de 
=expresso. Que no se
possa dizer que desobedecemos  lei! Tenho uma declarao a
apresentar  imprensa...
- Um momento. - Mel abriu caminho por entre a multido.-
Freemantle, estou interessado em saber o que contm essa 
=declarao
para a imprensa. Ser mais uma deturpao da verdade? Outra 
=dose
de falseamento das decises judiciais, a fim de enganar as 
=pessoas
no informadas? Ou apenas uma inveno pura e simples, 
=daquelas
em que voc  perito?
Mel falava em voz alta de forma a poder ser ouvido pelos que 
se
encontravam nas proximidades. Houve um sussurro de interesse 
e
alguns dos presentes que tinham comeado a afastar-se 
=detiveram-se.
Elliott Freemantle reagiu automaticamente:
- Isso constitui uma afirmao injuriosa e difamatria. - =No
minuto a seguir, porm, pressentindo que a mesma linha de 
=argumentao era perigosa, encolheu os ombros e acrescentou: 
- =Mas
vou ignor-la - e prosseguiu em tom altivo: - J foi dito 
mais =do
que o suficiente. - Passou o microfone a um dos homens de
Meadowood e, indicando os altifalantes, disse: - Vamos 
desmanchar isto e =sair daqui.
- D c isso. - Mel estendeu a mo, agarrou no microfone e 
??* enfrentou a multido. - Hoje  noite - comeou - tive um 
=encontro com uma delegao vossa durante o qual pude 
explicar =alguns.
problemas do aeroporto, ao mesmo tempo que tornei claro que
compreendamos e lamentvamos os vossos problemas. Agora
constato que as minhas palavras foram desvirtuadas e que os 
senhores =foram enganados.
Elliott Freemantle exclamou raivosamente:
- Isso  mentira!
Mel tinha agora  sua frente, alm do microfone manual, um
microfone de emisso. As luzes da TV estavam acesas. A par 
com o
sentimento de hostilidade, claramente demonstrado pela 
audincia,
despertava o interesse.
- Houve duas coisas que no mencionei  vossa delegao-
disse Mel -, mas tenciono faz-lo agora. - A voz endureceu-
se-
-lhe. - No tenho dvidas de que no vo gostar de as ouvir. 
=H
doze anos atrs a vossa comunidade no existia e Meadowood 
no =passava de um terreno baldio e sem valor. At que a 
construo =do aeroporto valorizou extraordinariamente os 
lotes, tal como aconteceu =com milhares de outras comunidades 
que pululam agora  volta dos =aeroportos.
Uma mulher gritou:
- Mas quando viemos viver para c, no sabamos nada sobre 
=avies a jacto.
- Mas sabamos ns - respondeu Mel, apontando um dedo na sua 
=direco. - E avismos as pessoas, e as comisses de 
=planeamento urbano, e pedimos-lhes, como pedimos a tantos 
outros =Meadowoods, que no construssem casas de habitao. 
Este =aeroporto colocou avisos: ??Os avies aterram e 
descolam =neste rumo." Outros aeroportos fizeram o mesmo. E 
onde apareciam os =cartazes, os agentes de propriedades 
imobilirias destruam-nos. =Depois venderam os lotes e as 
casas a pessoas como os senhores. Acabaram =por nos enganar a 
todos.
Mel verificava que as suas palavras haviam produzido efeito. 
Contemplava =agora os rostos perplexos com um sentimento de 
pesar. Tratava-se de =pessoas honestas que enfrentavam um 
grave problema; vizinhos pelos quais =desejava poder fazer 
mais.
Elliott Freemantle bradou:
- No acreditem nele! Isto  s um paliativo! Se se unirem a 
=mim garanto-vos que vencemos de vez esta gente do aeroporto!
- Caso no tenham ouvido bem - disse Mel ao microfone -, Mr. 
=Freemantle estava a aconselhar-vos a unirem-se a ele. E 
acerca desse =assunto tenho tambm algo a dizer. No s  
medida que =aumenta o rudo dos avies decresce o valor dos 
vossos terrenos e =das vossas casas, como se prepara um novo 
esquema para vos extorquir =mais dinheiro. Por todo o pas 
proliferam advogados que assediam as =zonas residenciais 
junto dos aeroportos porque consideram o rudo dos =jactos 
uma verdadeira mina de ouro.
Com o rosto rubro de raiva e descomposto, Freemantle gritou 
em voz =estridente:
- Mais uma palavra sua... e ponho-lhe um processo.
Mel ripostou:
- J adivinhou o que vou dizer?
Sentia recrudescer a sua velha temeridade; diria o que tinha 
a dizer, =indiferente s consequncias que da adviriam.
- Em muitas comunidades como a vossa - disse  audincia 
atenta - =fazem-se promessas aos moradores, aliciando-os com 
perspectivas de =indemnizaes vultosas a serem pagas pelos 
aeroportos. Basta para =tal apresentar uma lista pouco 
objectiva de precedentes. Esta noite ouvi =serem mencionadas 
meia dzia de decises legais. Se quiserem, =posso mostrar-
vos o reverso da medalha.
Um homem que se encontrava  frente da multido disse:
- Conte-nos ento a sua verso.
- Os casos legais que vos foram apresentados em tom to 
categrico =so triviais para as pessoas que dirigem 
aeroportos. Por exemplo, o =caso que Freemantle mencionou 
acerca de um criador de galinhas e de =avies militares. Os 
avies voavam baixo sobre a casa do homem = algumas galinhas 
morreram de medo. O caso foi levado ao Supremo =Tribunal de 
Justia dos EUA e o total da indemnizao concedida =foi 
inferior a quatrocentos dlares, o valor das galinhas mortas. 
=H ainda um caso que Mr. Freemantle preferiu no mencionar: 
Batten =contra Batten.  um caso importante, em que tambm se 
recorreu =para o Supremo Tribunal de Justia, e bem 
conhecido. Sobre ele o =Tribunal decretou que s a ??invaso 
fsica?? =d origem a uma obrigao. O rudo por si s no  
=suficiente. Num outro caso em que a American Air Lines 
estava implicada =o Supremo Tribunal de Justia da Califrnia 
decidiu que os =residentes no tinham o direito de impedir 
que as suas casas fossem =sobrevoadas, uma vez que o 
prosseguimento das viagens areas era de =interesse pblico. 
No pretendo dizer que no  possvel =vencer uma causa 
contra um aeroporto nem que no existam bons =advogados que 
tm litgios contra aeroportos. Mas aviso-os que =tambm h 
muitos outros da espcie que referi h pouco!
Elliott Freemantle gritou:/-- o senhor no percebe nada desta 
=matria! o senhor no  advogado.  uma autoridade neste 
=aeroporto.
Mel respondeu:
- Mr. Freemantle sublinhou, e correctamente, que no sou 
advogado; =portanto; deixem-me dar-vos um conselho de homem 
de negcios. Os =contratos que assinaram esta noite podem ser 
cumpridos? mas em =minha opinio, desde que sejam 
imediatamente denunciados no =constituiro problema. No vos 
foi prestado qualquer servio e =cada um dos senhores teria 
de ser processado individualmente. Alm =disso, no acredito 
que algum tribunal encarasse favoravelmente =honorrios no 
valor aproximado de quinze mil dlares por
servios jurdicos que podem ser considerados no mnimo 
=obscuros.
Um dos circunstantes perguntou:
-- Ento o que fazemos?
- Se mudarem de opinio, sugiro que amanh escrevam uma carta 
a =Mr. Freemantle declarando que j no esto interessados em 
ser =legalmente representados e expondo o motivo da deciso. 
Fiquem com =uma cpia. Em minha opinio no voltaro a ser 
=incomodados.
Mel fora mais ousado do que tencionara, fora mesmo 
irreverente.Elliott =Freemantle poderia causar-lhe alguns 
aborrecimentos. Mel intrometera-se =entre um advogado e os 
seus clientes, levantando dvidas sobre a =probidade daquele. 
No obstante sabia instintivamente que a ltima =coisa que 
Freemantle desejaria seria a divulgao dos seus =mtodos de 
recrutamento de clientes.
Elliott Freemantle chegara  mesma concluso. J tivera um 
=pequeno atrito com a comisso de inqurito da Ordem dos 
Advogados =e no tinha a menor inteno de provocar outro. A 
=dissertao inflamada de Mel fizera diminuir a tenso do 
=comcio de Meadowood. Talvez restassem ainda alguns nimos 
=exaltados, mas a violncia e a hostilidade haviam 
desaparecido.
Ordway e outros polcias dispersavam agora a multido, e Mel 
notou =que Tanya abria caminho na sua direco. Nessa altura 
uma das =residentes de Meadowood dirigiu-se a Mel. Tinha um 
rosto inteligente e =decidido, e cabelos castanhos que lhe 
tocavam os ombros.
- Mr. Bakersfeld - disse ela calmamente. - O que o senhor
disse ajudou-me a compreender algumas coisas, mas ainda 
ningum me =explicou o que hei-de dizer aos meus filhos 
quando eles choram e me =perguntam por que razo no acaba o 
barulho para eles poderem =dormir.
Mel abanou a cabea, pesaroso. Em meia dzia de palavras a 
mulher =revelara a futilidade de tudo o que sucedera durante 
essa noite. Sabia =que no tinha resposta para Lhe dar, e 
duvidava que, enquanto os =aeroportos e as habitaes 
permanecessem lado a lado, chegasse a =haver resposta.
Reflectia ainda sobre a resposta a dar quando Tanya lhe 
entregou uma =folha de papel dobrada. Abriu-a e leu a 
mensagem, claramente =dactilografada  pressa: Voo dois 
sofreu exploso no ar. Estragos =estruturais e feridos. 
Dirige-se para c para aterragem =emergncia. Hora estimada 
de chegada 0.30. Com.ie avisu precisa =pista trs zero. 
Torre informa pista ainda bloqueada.

No meio dos destroos ensanguentados que era agora a cauda da
cabina da turstica do voo dois o Dr. Milton Compagno, mdico 
=de
clnica geral, punha  prova toda a sua percia para salvar a 
=vida de
Gwen Meighen.
Duas razes tinham impedido que Gwen tivesse morrido 
instantaneamente =aquando da deflagrao da bomba. Separavam-
na do
centro da exploso a porta da casa de banho e o corpo de 
=Guerrero,
que interceptaram e atrasaram por uma fraco de segundo a 
=fora
inicial da exploso. Durante essa fraco de segundo o 
=revestimento
do avio rasgou-se e ocorreu uma segunda deflagrao, causada 
=pela
descompresso. A fora da exploso da dinamite, que 
arremessou =Gwen violentamente para trs, foi no mesmo 
instante contrariada por =uma fora oposta - a corrente de ar 
que se precipitava para o =exterior pelo rombo aberto na 
cauda do aparelho. Foi como se dois =tornados se chocassem de 
frente. Triunfou a descompresso, que =arrastou com ela, para 
os confins da noite, a violncia inicial da =exploso.
No obstante a intensidade da exploso e da descompresso 
havia =poucos sinistrados. Gwen, a ferida de maior gravidade, 
jazia desmaiada =na coxia. O homem de culos que sara da 
casa de banho e assustara =Guerrero estava ferido e 
atordoado, mas mantinha-se de p. Meia =dzia de passageiros 
tinham sofrido golpes e contuses devidos a =estilhaos da 
bomba; outros haviam sido atingidos por objectos que a 
=descompresso lanara em direco  cauda do avio, =mas 
nenhum deles fora gravemente ferido. Inicialmente, todos 
quantos =no tinham os cintos de segurana apertados haviam 
sido sugados em =direco ao rombo na retaguarda. Porm, um 
brao de Gwen, =quando esta cara, enrolara-se em torno da 
base de um assento, o que =a impedira de ser arrastada, e o 
seu corpo servira de obstculo aos =outros passageiros.
Quando a suco diminuiu, o maior perigo imediato passou a 
ser a =falta de oxignio. Embora as mscaras tivessem cado 
=instantaneamente dos seus compartimentos, apenas um punhado 
de =passageiros as agarrou e colocou de imediato. As 
assistentes de bordo, =reagindo de acordo com o treino que 
haviam recebido, agarraram-nas e =indicaram por meio de 
gestos aos passageiros que as colocassem =tambm. Trs 
mdicos, que viajavam com as mulheres num =cruzeiro, 
colocaram as mscaras e deram instrues rpidas =aos seus 
companheiros de viagem mais prximos. Judy, a expedita 
=sobrinha de dezoito anos do inspector-da alfndega Standish, 
colocou =uma mscara sobre o rosto do beb a seu lado e outra 
sobre o seu =prprio
Mrs. Quonsett, que durante os seus voos ilegais assistira 
frequentemente =a demonstraes sobre a utilizao das 
mscaras, colocou =uma mscara de oxignio e deu outra ao seu 
amigo obosta. =No sabia se iria ou no morrer, mas percebeu 
que o problema =no a preocupava sobremaneira; acontecesse o 
que acontecesse, =tencionava manter-se a par da situao at 
ao ltimo =instante.
Porm, decorridos quinze segundos, apenas metade dos 
passageiros =colocara as mscaras de oxignio. Os restantes 
comearam a ser =dominados pelo entorpecimento; e quinze 
segundos mais tarde a maioria =estava inconsciente.
Ao tomar a perigosa deciso de picar a alta velocidade, Hams 
salvou =essas pessoas de graves danos cerebrais, e at de 
morrerem asfixiadas =nos escassos segundos que lhes restavam. 
A descida dos vinte e oito mil =ps de altitude para os dez 
mil ps demorou dois minutos e meio; o =crebro humano pode 
sobreviver sem oxignio trs ou quatro =minutos sem sofrer 
leses. Aos doze mil ps j era possvel =respirar 
normalmente; aos dez mil ps todos os que haviam perdido a 
=conscincia voltaram a si. S Gwen continuava desmaiada, em 
=virtude das leses que sofrera.
Passado o choque inicial, passageiros e hospedeiras fizeram 
uma =avaliao da situao. Uma hospedeira loira, a mais 
=qualificada a seguir a Gwen, de rosto lvido, precipitou-se 
para a =sinistrada, na retaguarda do avio, perguntando com 
ansiedade:
- H algum mdico a bordo?
O Dr. Compagno j se erguera. Compagno, um homem de baixa 
estatura, =feies angulosas e gestos bruscos, que falava 
rapidamente, fez =uma anlise imediata da situao, 
consciente do frio cortante =que j se fazia sentir. Atravs 
do rombo, o vento penetrava =violentamente na fuselagem. Onde 
anteriormente se encontravam a casa de =banho e a galley da 
turstica via-se agora um amontoado catico de =metal 
retorcido, carbonizado e ensanguentado. A retaguarda da 
fuselagem, =at  cauda, estava aberta, revelando cabos de 
comando e =estruturas
expostas. Compagno ergueu a voz, sobrepondo-se ao rudo do 
vento
e dos motores.
- Transportem para a frente todas as pessoas que puderem.
Mantenham-nas to quentes quanto possvel. Vamos precisar de
cobertores.
A assistente respondeu, duvidosa:
- Vou ver se encontro alguns.
Muitos dos cobertores guardados nas prateleiras haviam sido 
arrastados =para fora.
Os dois outros mdicos do grupo juntaram-se ao Dr. Compagno. 
Um deles =pediu a uma hospedeira que trouxesse todo o 
equipamento de primeiros =socorros que pudesse arranjar, uma 
vez que Compagno - nessa altura j =de joelhos ao lado de 
Gwen - era o nico que tinha consigo a maleta =de 
instrumentos mdicos. De facto Compagno nunca se considerava 
=completamente de folga; apreciava ser til e, tal como a 
mulher =comentava, s no exercia medicina enquanto dormia.
Olhando por sobre o ombro, Compagno disse aos dois colegas:
- Tratem das outras pessoas.
E ento, na estreita coxia, virou Gwen, deitando-a de costas. 
A =respirao dela era dbil e pouco profunda. O mdico pediu 
= hospedeira loira:
- Preciso de oxignio.
A jovem trouxe uma botija porttil e uma mscara, que ele 
colocou =na vtima. Decorridos um ou dois minutos, uma leve 
colorao =tingiu o rosto de Gwen, at ento assustadoramente 
lvido.
O mdico comeou ento a estancar o sangue que corria pelo 
=rosto e pelo peito de Gv,en. Aplicou rapidamente um 
hemosttico para =estancar uma hemorragia grave numa artria 
facial e fez pensos =compressivos noutros locais. Detectou 
uma possvel fractura no =brao esquerdo, que podia ser posto 
entre talas mais tarde. =Preocupavam-no os estilhaos da 
bomba que haviam atingido o olho =esquerdo de Gwen.
Cy Jordan, auxiliado pelas restantes hospedeiras, removeu 
para a I. =classe tantos passageiros da turstica quantos 
conseguiu. Alguns =sentaram-se dois a dois no mesmo lugar, 
outros instalaram-se no pequeno =hall circular. Todo o 
vesturio que no desaparecera foi =distribudo pelos que 
dele mais necessitavam, sem preocupaes =de saber a quem 
pertencia. Como sempre acontece em situaes =semelhantes, as 
pessoas entreajudavam-se com a maior das boas vontades ; 
=surgiam mesmo momentos de humor.
Os outros dois mdicos faziam pensos aos passageiros que 
?=haviam sofrido cortes e outras feridas. Tanto os cuidados 
mdicos =como a movimentao dos passageiros eram 
dificultados pela forte =?turbulncia devida  tempestade que 
quela baixa =altitude se fazia sentir no avio e em 
consequncia da qual os =passageiros eram arremessados para a 
frente ou para os lados.
Cy Jordan comunicou com o cockpit e depois aproximou-se do 
Dr. =Compagno.
- Sr. Doutor, o comandante Demerest pede-me para Lhe 
agradecer em nome =dele tudo quanto o senhor e os seus 
colegas esto a fazer. Pede-lhe =ainda que, logo que tenha um 
momento livre, v ao cockpit =inform-lo sobre as instrues 
que ele deve transmitir acerca =dos feridos.
O Dr. Compagno limitou-se a dizer:
- Agarre aqui neste penso, por favor. Aperte com fora... 
Agora =ajude-me a colocar esta tala. Uma daquelas capas de 
couro para revistas =com uma toalha por baixo deve servir. 
D-me a  capa maior que =encontrar e deixe a revista l 
dentro. - Jordan cumpriu as =instrues e, quando acabaram, 
Compagno respondeu: - Diga ao =comandante que vou logo que 
possa. Mas acho que ele devia dizer qualquer =coisa aos 
passageiros logo que pudesse. Eles precisam de ser 
=tranquilizados.
- Est bem, Sr. Doutor. - Preocupado, Cy olhou a figura de 
Gwen, =ainda inconsciente: - Acha que ela tem alguma 
hiptese?
- Tem, meu rapaz. Depende muito da resistncia dela.
- Vou transmitir ao comandante a sua mensagem, Sr. Doutor.
E com um ar ainda mais lgubre do que habitualmente, Cy 
dirigiu-se ao =cockpit.
Momentos depois, a voz calma e lmpida de Vernon Demerest 
soou =atravs do altifalante.
- Minhas senhoras e meus senhores, fala o comandante 
Demerest. Como =todos sabem estivemos em perigo, em grave 
perigo. Passmos todos por =uma experincia difcil, indita 
para os membros desta =tripulao. Mas a verdade  que 
conseguimos sair dela. O =avio est sob controle, estamos a 
regressar e esperamos aterrar =no Lincoln Intrnational 
dentro de aproximadamente trs quartos =d?
hora.
Demerest interrompeu-se, perguntando a si prprio at que 
ponta =deveria ser especfico e honesto. Durante os seus voos 
regulares =limitava ao mnimo possvel as suas comunicaes 
aos =passageiros. Discordava dos longos discursos usados por 
alguns =comandantes
que bombardeavam o seu pblico encurralado com comentrios 
=variados, desde o incio at ao final do voo. Desta vez, 
contudo =decidiu que devia ser mais prolixo e disse, atravs 
do microfone:
- O avio sofreu avarias, as quais, contudo podiam ter sido 
=consideravelmente mais graves. No quero esconder-vos que 
ainda temos =de enfrentar alguns problemas. A aterragem vai 
ser necessria- mente =dura. Imediatamente a seguir a esta 
comunicao, a =tripulao dar-vos- instrues sobre a forma 
como =devero sentar-se e segurar- -se imediatamente antes da 
aterragem. =Ser-vos- ensinado como sair do avio numa 
emergncia, se tal =for necessrio, aps a aterragem. Caso 
tal acontea, por favor =ajam com calma mas com rapidez e 
obedeam s instrues da =tripulao. Quero ainda assegurar-
vos que em terra esto a ser =envidados todos os esforos com 
vista a facilitar-nos a =situao e a prestar-vos 
assistncia.
Lembrando-se da necessidade vital que representava a pista 
trs zero, =Demerest desejou que as suas ltimas palavras 
correspondes- sem  =verdade. Decidiu ainda no entrar em 
pormenores acerca da =inoperncia do compensador do 
estabilizador; de qualquer modo, poucos =seriam os 
passageiros a perceber o problema. Num tom mais ligeiro, 
=continuou:
- De certa forma pode dizer-se que os Srs. Passageiros esta 
noite =tiveram sorte, porque em vez de um comandante 
experiente tm dois: o =comandante Anson Hams e eu prprio. 
Somos um par de pilotos velhos, =com mais anos de voo do que 
gostamos de admitir... excepto agora, em que =a nossa 
experincia conjunta se revela extraordinariamente til. 
=Continuaremos a ajudar-nos e a colaborar. Por favor, ajudem-
nos =tambm, e prometo-vos que, todos juntos, venceremos este 
momento =difcil... sos e salvos - e colocou o microfone no 
descanso.
Sem desviar os olhos dos instrumentos de voo, Harris 
comentou:
- Falou muito bem. Devia ter entrado na poltica.
Demerest respondeu com ar sombrio: ? - Ningum votava em mim. 
=Em geral as pessoas no gostam de ouvir a verdade.
Recordou a reunio da Comisso de Administrao do 
=Aeroporto, durante a qual insistira no cancelamento da venda 
de seguros =no aeroporto. Percebera ento que a expresso 
livre e clara da sua =opinio fora desastrosa. Perguntava-se 
qual teria sido a =reaco do presumido do seu cunhado ao ter 
conhecimento da =exploso causada por esse manaco do 
Guerrero. Uma coisa era =certa: se conseguissem aterrar em 
segurana, Demerest ia fazer =ressurgir a discusso, e desta 
vez teria bastante mais audincia. =Os tipos das relaes 
pblicas da Trans America iam tentar =evitar que ele fizesse 
declaraes ??no interesse da =poltica da companhia". Eles 
que tentassem!
O rdio crepitou:
- Trans America dois, Centro de Cleveland. O Lincoln informa 
pista =trs zero ainda obstruda. Esto a tentar desbloque-
la. Se =no o conseguirem, aterragem prevista na pista dois 
cinco.
O rosto de Hams reflectia preocupao quando Demerest 
confirmou a =recepo da mensagem. A pista dois cinco era 
cerca de seiscentos e =vinte metros mais curta que a trs 
zero, alm de ser mais =estreita, e nesse momento era batida 
por vento cruzado.
Demerest virou-se para o mecnico de voo:
- Cy, v outra vez ver como esto os passageiros. Veja se as 
=raparigas fazem a demonstrao para a aterragem de 
emergncia e =certifique-se de que toda essa gente percebe. 
Escolha depois algumas =pessoas que paream de confiana. 
Assegure-se de que sabem onde =so as sadas de emergncia e 
como devem ser usadas. Se sairmos =da pista, o que  certo se 
tivermos que usar a dois cinco, o avio =desfaz-se num 
instante.
- Est bem, comandante.
Jordan levantou-se e saiu.
Nessa altura entrou o Dr. Compagno, que se apresentou a 
Demerest:
- Sr. Comandante, tenho aqui a relao dos sinistrados que 
=pediu.
- Estamos-Lhe muito gratos, Sr. Doutor. Se no estivesse 
aqui. .
Compagno interrompeu-o com um gesto.
- Guarde as palavras para depois. - Abriu um bloco de notas. 
Com a sua =meticulosidade caracterstica, registara j o nome 
dos feridos, o =tipo de leses e respectivo tratamento. - A 
vossa chefe
de cabina, Miss Meighen - disse -,  a pessoa mais gravemente 
ferida, =mas tem bastantes hipteses de recuperao. Sofreu 
=mltiplas
laceraes e perdeu muito sangue. Tem uma fractura no brao 
=esquerdo, e, claro, est em estado de choque. Alm disso,  
=preciso dizer ao aeroporto que necessita da assistncia 
imediata de =um oftalmologista.
Vernon Demerest, que, mais plido do que habitualmente, se 
obrigara a =anotar impassivelmente as informaes no 
relatrio de bordo, ao =ouvir a ltima frase interrompeu-se, 
abalado.
- Quer dizer... Os olhos dela. .
- O olho direito no foi atingido, mas o esquerdo tem 
estilhaos e = preciso um especialista para ver se a retina 
foi afectada.
- Oh, meu Deus, no!
Dominado pela angstia, Demerest levou uma mo ao rosto.
O Dr. Compagno meneou a cabea:
- A cirurgia oftlmica opera milagres. Mas neste caso o tempo 
 =vital.
- Vamos transmitir imediatamente - disse Hams. - Eles tratam 
do que for =necessrio.
- Ento vou acabar de Lhe ler a relao.
Mecanicamente Demerest continuava a tomar nota do relatrio 
do =mdico. Este disse por fim:
- Bom, vou andando l para trs.
Demerest pediu:
- Espere, Sr. Doutor. Gwen... quero dizer, Miss Meighen... - 
At ele =sentia a tenso na sua voz. - Ela est... grvida. 
Isso =constitui problema?
Viu Harris olh-lo de lado, surpreendido.
- A gravidez no est com certeza muito adiantada - comentou 
=Compagno.
- No, no est.
Demerest evitou o olhar do seu interlocutor.
Compagno respondeu:
- No lhe afecta a capacidade de recuperao. Quanto  
=criana, a me no foi privada de oxignio tempo suficiente 
=para que ela seja afectada. No h leses abdominais. Desde 
que =consiga sobreviver - e com tratamento hospitalar rpido, 
as =hipteses so razoveis, mesmo positivas -, o beb dever 
=nascer normalmente. Sem uma palavra, Demerest acenou com a 
cabea. =Automaticamente, acabou de anotar o relatrio do 
mdico, que saiu =ento do -r - Harris quebrou o silncio que 
se estabelecera entre =os dois
- Vernon, gostava de descansar antes da aterragem. No se 
importa de =tomar o comando durante um bocado?
Demerest anuiu, e os ps e as mos moveram-se-lhe 
automaticamente =para os comandos. Sentia-se extremamente 
grato pela ausncia de =comentrios sobre Gwen. Qualquer que 
fosse a sua opinio ou =curiosidade sobre o assunto, Hams 
tinha a decncia de a guardar para =si prprio.
Hams agarrou no bloco do relatrio de bordo com as 
informaes =do Dr. Compagno.
- Eu transmito isto - disse, e seleccionou a frequncia das 
=operaes da Trans America.
Para Demerest, pilotar constitua um alvio fsico aps o 
=choque sofrido ao receber as notcias sobre Gwen. 
Provavelmente Hams =sabia-o. De qualquer modo era lgico que 
quem quer que estivesse aos =comandos durante a aterragem 
poupasse todas as suas energias. Obviamente =Hams assumira 
que seria ele quem realizaria essa tarefa, e Demerest =no 
via qualquer razo para o impedir.
Tentou concentrar-se na pilotagem, mas Gwen no lhe saa do 
=pensamento. Gwen, cujas probabilidades de sobrevivncia eram 
=razoveis, mesmo positivas??; Gwen, que, uma ou duas horas 
=antes, Lhe dissera, com a sua pronncia inglesa lmpida e 
doce: =?? que, sabes, eu amo-te??; Gwen, que ele amava, mau 
=grado ele prprio; porque no enfrentar o facto?
Angustiado, imaginou-a ferida, inconsciente, transportando no 
ventre um =filho seu... um filho que ele a aconselhara a 
matar. Ela dissera-lhe: =??Quando uma mulher concebe, recebe 
um presente maravilhoso. E =depois, de repente, em situaes 
como a nossa,  preciso =enfrentar a hiptese de destruir, de 
desperdiar tudo o que nos =foi oferecido... .,
Agora a criana no seria destruda. Em qualquer hospital 
para =onde Gwen fosse transportada, tal no seria permitido, 
seno =perante uma alternativa entre salvar a me ou a 
criana por =nascer. No era provvel que essa situao 
surgisse. Se Gwen =sobrevivesse, a criana nasceria. Sentia-
se aliviado ou =penalizado?
Lembrou-se das palavras de Gwen: ??Mas tu j tiveste uma 
=criana. Acontea o que acontecer, h sempre algum, 
=algures, que  a tua continuao... ?,
Ela falara da criana que ele nunca conhecera, do sexo 
feminino =nascida no ??limbo,? do programa das hospedeiras e 
que =imediata- mente desaparecera da sua vida. Admitira que 
por vezes se =interrogava acerca do seu paradeiro, mas no 
admitira que pensava =nela mais frequentemente do que gostava 
de confessar.
Ele e Sarah no tinham tido filhos, embora os tivessem 
desejado. Onde =estaria a sua filha, agora com onze anos? 
Demerest sabia o dia do seu =aniversrio, tentava esquec-lo, 
mas recordava-o sempre, e
todos os anos desejava poder manifestar-se de qualquer modo -
nem
que fosse mandar um simples postal de parabns...
Por vezes olhava as crianas nas ruas, e quando as idades 
condiziam =especulava se, por mero acaso... e repreendia-se a 
si prprio por =essa insensatez. De vez em quando sentia-se 
obcecado pela ideia de que a =sua filha podia ser maltratada. 
As mos de Demerest apertaram mais =firmemente o manche. Pela 
primeira vez percebeu que nunca mais poderia =aguentar essa 
incerteza.
O rdio interrompeu o curso dos seus pensamentos:
- Trans America dois, Centro de Cleveland. Volte  esquerda, 
rumo =dois quatro zero. Quando pronto inicie a descida para 
seis mil ps. =Reporte abandonando dez...
A mo de Demerest reduziu as quatro manettes de potncia e o 
=avio comeou a perder altitude. Reajustou a silhueta do 
horizonte =artificial e iniciou a volta.
- Trans America dois no rumo dois quatro zero - comunicava 
Hams ao =Centro de Cleveland. - Estamos a abandonar dez mil.
A turbulncia intensificava-se  medida que desciam, mas cada 
=minuto que passava aumentava a esperana de salvao. 
=Aproximavam-se tambm da fronteira area em que Cleveland os 
=passaria ao Centro de Controle de Chicago. Seguidamente, 
decorridos =trinta minutos, entrariam no controle do Lincoln 
International.
- Cruzando oito mil - informou Hams o Centro de Controle.
Demerest mantinha o avio numa descida regular. Enquanto no 
=desviava os olhos dos instrumentos de voo, o pensamento da 
filha no =o abandonava. Durante semanas antes do nascimento 
debatera consigo =prprio se deveria confessar a Sarah a sua 
infidelidade e sugerir-Lhe =que adoptassem a criana. Acabara 
por no ter coragem ?ara =o fazer. Receara a reaco da 
mulher e temera que esta =considerasse a criana uma censura 
permanente.
Muito tempo depois percebera que fora injusto para com Sarah. 
=Evidentemente que ela teria ficado chocada e magoada. Mas 
teria =conseguido assumir rapidamente a situao e colaborar. 
Sarah era =mentalmente saudvel e equilibrada. Era esse o 
motivo por que =continuavam casados e por que nem mesmo agora 
ventilava sequer a =hiptese de se divorciar. Ela teria 
arranjado uma forma de solucionar =o problema. Durante algum 
tempo t-lo-ia irritado e feito sofrer, mas =teria concordado 
com a adopo, e a criana no teria =sofrido. A prpria 
Sarah teria sido a garantia do seu bem-estar. Se =ao menos...
Nivelou o avio a seis mil ps, fazendo avanar as manettes 
de =potncia para manter a velocidade. O rudo dos motores 
=intensificou- -se. Hams estivera ocupado a mudar as 
frequncias de =rdio. Tinham mudado de zona de controle, de 
Cleveland para =Chicago.
- Trans America dois, tenho-o no radar - ouviu-se uma nova 
voz de =Chicago.
Demerest raciocinava: no que dizia respeito a Gwen, podia 
perfeitamente =tomar uma deciso naquele momento. Enfrentaria 
as lgrimas e a ira =de Sarah e contar-lhe-ia o que se 
passara com Gwen. E quando a crise =tivesse passado, 
conseguiriam uma soluo. Por ?estranho =que parecesse, no 
tinha a mnima dvida de que assim =aconteceria, o que, 
pensava ele, demonstrava a confiana que =depositava em 
Sarah. Muita coisa ia depender de Gwen. No obstante o =que o 
mdico acabara de dizer sobre a gravidade das leses que ela 
=sofrera, Demerest estava profundamente convencido de que ela 
=recuperaria. Gwen tinha energia e coragem, lutaria pela 
vida. E agora =que tomara uma deciso, sentia que talvez 
todos eles auferissem =vantagem da situao.
O altmetro, que girava, mostrava que estavam a passar os 
cinco mil =ps. Comeava j a pensar na criana de uma forma 
nova e =diferente. Que  que Gwen lhe dissera no carro nessa 
mesma noite a =caminho do aeroporto? ??Se fosse um rapaz, 
podemos =chamar-lhe
Vemon Demerest Jnior como os Americanos fazem. ,? Talvez a 
=ideia
no fosse de rejeitar. Tratava-se do seu filho. Disse ento a 
=Hams:
- Pegue nisto outra vez, e deixe-me falar com esses idiotas 
de
terra.
Hams fez deslizar a sua cadeira para a frente e acenou:
- J est.
Demerest agarrou o microfone. Sentia-se melhor depois de ter
tomado a deciso. J podia enfrentar problemas mais 
imediatos.
A sua voz soou asperamente:
- Centro de Chicago. Comandante Demerest do Trans America
dois. Vocs a em baixo ainda esto  escuta ou j 
=desandaram todos?
- Centro de Chicago. Estamos  escuta e ningum desandou.
- Ento por que diabo no fazem nada? Este voo est em 
perigo. =Precisamos de ajuda.
- Aguarde, por favor. - Surgiu uma voz nova. - Supervisor do 
Centro de =Chicago. Comandante Trans America dois, estamos a 
fazer tudo o que nos = possvel. Temos uma dzia de pessoas 
a afastar o trfego. =Estamos a dar-lhe prioridade, uma 
frequncia de rdio privada e =uma aproximao directa.
Demerest explodiu:
- No chega. Uma aproximao directa ao Lincoln no serve de 
=nada se vai acabar em qualquer outra pista que no seja a 
trs =zero. No me digam que a trs zero no est 
operacional; =j sei. Escreva o que vou dizer, e veja se o 
Lincoln percebe. Este =avio est muito pesado' vamos aterrar 
a alta velocidade. Temos =avarias estruturais, incluindo um 
compensador do estabilizador fora de =servio e o leme 
direccional muito duvidoso. Se aterrarmos na dois =cinco, o 
avio desfar-se- e haver mortes. Por isso, meu caro 
=senhor, ligue para o Lincoln e aperte-os bem. No quero 
saber se =tm de fazer explodir o que quer que seja que est 
a bloquear a =trs zero. Precisamos dessa pista. Percebe?
- Percebemos sim, Trans America dois, percebemos muito bem. - 
A voz do =supervisor era um pouco mais humana. - A sua 
mensagem est j a =ser transmitida ao Lincoln.
- ptimo. Tenho outra mensagem, pessoal, dirigida a Mel 
Bakersfeld, =director do aeroporto: ??Ajudaste a arranjar 
este sarilho, meu =palhao, por no me teres dado ouvidos 
acerca dos seguros de voo =no aeroporto. Agora tens uma 
dvida para comigo e para com os =passageiros deste avio; 
por isso salta do teu poleiro e limpa-me =essa pista. "
Desta vez a voz do supervisor denotava dvidas:
- Trans America dois, a sua mensagem foi copiada. Tem a 
certeza de que =quer que usemos mesmo essas palavras?
- Centro de Chicago - ripostou a voz de Demerest -, podem ter 
a certeza =de que quero que usem exactamente essas palavras 
Estou a ordenar que =enviem essa mensagem, rpida e 
claramente caPrr<n,o xrn NO seu =automvel a alta velocidade 
Mel ouvia, pelo rdio sintonizado ao =controle de solo, os 
veculos de emergncia do aeroporto a serem =chamados a fim 
de tomarem posio. Depois ouviu:
- Cidade vinte e cinco, controle de solo. - Cidade vinte e 
cinco era o =indicativo de chamada do chefe de bombeiros do 
aeroporto.- =Informao adicional. Emergncia de categoria 
dois dentro de =trinta e cinco minutos, aproximadamente. O 
avio em questo =est danificado e vai aterrar na pista trs 
zero, se operacional. =Se a pista continuar no operacional, 
usar a pista dois =cinco.
Os controladores do aeroporto evitavam mencionar pela rdio a 
=companhia exacta a que pertencia um avio que sofresse 
qualquer =acidente. As companhias consideravam prefervel, 
nesse contexto, =evitar o mais possvel serem referidas.
- Controle de solo, cidade vinte e cinco: o piloto pediu 
espuma na =pista?
-- Espuma negativo. Repito, negativo.
A ausncia de espuma significava que o trem de aterragem do 
avio =estava operacional, pelo que no seria necessrio 
efectuar uma =aterragem de barriga. Mel sabia que todas as 
viaturas de emergncia - =tanques, camies de reboque e 
ambulncias - se- guiam neste =momento o chefe de bombeiros, 
que tinha uma frequncia privativa que =lhe permitia 
comunicar com cada um deles individualmente. O pessoal de 
=emergncia colocar-se-ia entre as duas pistas, pronto a 
avanar =para uma ou para outra.
Durante uma pausa entre as transmisses, Mel premiu com uma 
pancada o =boto do seu prprio microfone e perguntou ao 
controle de solo se =Joe Patroni fora informado sobre a 
situao de emergncia.
- Afirmativo. Pensa poder remover o avio dentro de vinte 
=minutos.
- Ele deu a certeza?
- Negativo - respondeu o controle de solo.
Momentos antes, quando Tanya lhe entregara a mensagem sobre a 
=exploso a bordo do voo dois e a deciso do comandante de 
atem?? no Lincoln International, Mel desenvencilhara-se 
instantaneamente =da multido de Meadowood e dirigira-se para 
os elevadores acompanhado =por Tanya. Avistara Tomlinson e 
chamara-o: ??Venha comigo", =porque sentia que devia um 
favor ao reprter do Tribune pela =informao que dele 
recebera sobre Freemantle. E agora, =acompanhado de Tanya e 
Tomlinson, Mel conduzia o automvel atravs =do campo, uma 
das mos no volante e outra no microfone, to =rapidamente 
quanto ousava por entre a neve rodopiante, guiando-se na 
=escurido circundante pelas luzes dos caminhos de rolagens e 
pistas =que cintilavam a seu lado.
- Vamos ver se percebo - disse Tomlinson. - H s uma pista 
com o =comprimento necessrio e na direco ideal?
Mel respondeu sombriamente:
- Exactamente. Devia haver duas.
Reeordou amargamente as propostas que apresentara para a 
=construo de uma pista adicional. A administrao do 
=aeroporto prometera-lhe o seu apoio, mas mais tarde retirara 
as =promessas. Os administradores do aeroporto deviam ao 
presidente da =Cmara os seus cargos, e se o pressionassem no 
sentido de fazer =atrasar uma emisso de ttulos do aeroporto 
em favor de outros =projectos que Lhe proporcionassem maior 
nmero de votos era natural =que a presso resultasse. Em vez 
de uma nova pista, fora aprovada a =construo de parques de 
estacionamento no aeroporto com trs =andares. Mel descreveu 
a situao a Tomlinson.
- Gostava de usar esse material citando o seu nome - disse 
Tomlinson. - =Posso?
Mel imaginou os telefonemas indignados da Cmara Municipal, 
mas =decidiu que o pblico devia ser informado da gravidade 
da =situao.
- Use  vontade - respondeu. - Estou em mar de prestar 
=declaraes.
Mel estivera a aguardar nova interrupo nas comunicaes de 
=solo; quando esta se verificou, perguntou qual o grau de 
necessidade do =voo dois em relao  pista trs zero.
- Mvel um. Cremos que a necessidade  imperiosa. Aguarde um 
=momento, Mr. Bakersfeld.
Mel mantinha os olhos fixos no caminho de rolagem  sua 
frente, =esperando que passasse um DC-8 da Eastern que estava 
a voltar  =esquerda. Mas reflectia na mensagem de rdio - a 
comunicao =seguinte seria determinante para a prossecuo 
ou no da =soluo drstica que ele estava a considerar.
- Mvel um, controle de solo. Mensagem recebida agora, via 
Centro de =Chicago. Incio de mensagem. .?Aproximao directa 
ao =Lincoln no serve de nada se vai acabar em qualquer outra 
pista que =no seja a trs zero... ?,
As trs pessoas que se encontravam no automvel ouviam 
expectantes =a mensagem de Demerest. s palavras ??se 
aterrarmos na dois =cinco o avio desfar-se- e haver 
mortes?,, Tanya =susteve a respirao.
Mas o controle de solo continuou a transmisso.
- Mvel um. Mr. Bakersfeld, h uma outra mensagem do 
comandante =Demerest, pessoal, para si.  muito pessoal. Pode 
atender numa cabina =telefnica?
- Negativo - respondeu Mel. - Transmita j, por favor.
- Incio de mensagem. ?? Ajudaste a arranjar este sarilho... 
="
Com os maxilares contrados, Mel ouviu e confirmou a recepo 
=da mensagem sem comentrios. Sabia que Vernon sentira prazer 
ao =enviar aquela mensagem. Entretanto o DC-8 descreveu a 
volta e Mel =acelerou ao longo da pista trs zero. Avistaram 
ento o crculo =de holofotes e veculos que rodeavam o jacto 
atolado da =Transcontinental e Mel reparou, satisfeito, que  
excepo da =zona obstruda, toda a pista fora conservada 
limpa de neve.
Ligou o rdio para a frequncia de manuteno do =aeroporto:
- Diviso de Neve, mvel um.
Ouviu-se a voz cansada de Danny Farrow:
- Aqui Diviso de Neve. Prossiga.
- Danny - disse Mel -, envia os limpa-neves Oshkosh e as 
niveladoras =para o avio enterrado na trs zero. Eles que 
aguardem a =instrues. Pe-nos a andar e depois liga-me de 
novo.
- Entendido. Assim farei.
Mel parou o automvel sobre a pista, a curta distncia do 
=crculo de luzes que envolvia o enorme jacto 707. Por baixo 
e aos =lados da fuselagem vrios homens cavavam febrilmente, 
enquanto =Patroni dirigia as operaes.

Tomlinson inclinou-se para a frente.
- Aquela mensagem de Demerest... O que aconteceu hoje ?
*QUANDO Mel se aproximou dele, Patroni batia com os ps no/ 
noite =f-lo mudar de ideias acerca dos seguros de voo? *cho 
para se =aquecer; desde que chegara, h mais de trs horas,/
- Ainda no. Mas acho, sim, que precisamos de mais medidas. 
=*permanecera quase continuamente exposto  tempestade. 
Sentia-se/ de =proteco. *exausto e gelado e o seu fracasso 
em remover o jacto =aumentava-Lhe/
O rdio, sintonizado ainda para a frequncia de manuteno, 
=' *a irritabilidade. Quase tivera uma exploso de fria 
quando Mel =o/ estivera ocupado com comunicaes entre as 
diversas viaturas. =No ?
*informara de que tencionava utilizar as mquinas de neve. 
Com/ =momento transmitia: ? *qualquer outra pessoa, Joe teria 
reagido =destemperadamente mas/
- Mvel um, Diviso de Neve. Esto a caminho do avio ?? 
*como considerava Mel um amigo, limitou-se a retirar da boca 
o/ =atolado quatro limpa-neves e trs niveladoras, com um 
chefe de
' *charuto apagado que estivera a mascar e a perguntar com 
uma/ grupo. =Quais so as ordens, por favor? ? *expresso de 
=incredulidade:/
Mel pesou cuidadosamente as palavras. Algures, no emaranhado 
??
*- Voc no tem juzo?/ electrnico sob a torre de controle, 
=as comunicaes estavam a ser
*- No tenho  pistas - respondeu Mel./ gravadas, e ele 
queria =assegurar-se de que no haveria mal- : *Sentia-se 
deprimido. Mais =ningum, alm de ele prprio, parecia/ -
entendidos. *perceber =que era urgente desobstruir a trs 
zero, a qualquer preo./
- Diviso de Neve, mvel um. Todos os limpa-neves e nivela-
*E se o voo dois aterrasse so e salvo haveria muita gente, 
=incluindo/ doras devem parar perto do aparelho. Os veculos 
no =devem, repito,
*altos funcionrios da Transcontinental, que iriam afirmar 
que afinal =o/ no devem, causar obstculo ao avio, que vai 
tentar =deslocar-se ? *avio poderia perfeitamente ter 
aterrado na =pista dois cinco. A sua/ pelos seus prprios 
meios. Se a tentativa =falhar, os limpa-neves e as ? *deciso 
era uma deciso =unilateral./ niveladoras recebero ordens 
para empurrar o avio =para o lado e
*J se viam os limpa-neves e as niveladoras, sobre cujos 
tejadilhos/ =desobstruir a pista. Esta operao dever 
realizar-se a todo o =custo e
*giravam faris, rolando rapidamente sobre a pista. Quando se 
=aperce-/ rapidamente. A pista trs zero tem de estar aberta 
ao =trfego dentro
*beu da sua aproximao, Patroni deixou cair o charuto:/ de 
=aproximadamente trinta minutos. A deciso de utilizar os 
limpa-
*- Vou salv-lo da sua prpria loucura Mel - rosnou. - Esses/ 
=-neves, se necessrio, ser tomada por mim em coordenao 
=com o *seus dinky toys que se mantenham afastados do avio. 
Vou =tir-lo/ Centro de Controle. Confirme. *dali em quinze 
minutos, =talvez menos./
Mel gritou, para se fazer ouvir acima do rugido do vento e 
dos
*Fez-se silncio durante alguns segundos. Depois Danny 
declarou:/ =motores:
*-  melhor eu certificar-me. - Repetiu o essncial da mensa-
/
- Joe, vamos assentar num ponto. Quando a torre nos disser 
que *gem, e =Mel calculou que ele estivesse a transpirar./ - 
Mel - era Danny -, =calculo que saibas o que aquele 
equipamento vai fazer ao ? =**//*o tempo se escoou, acabou-se 
e no h mais discusses. =Esto em 7?7. causa vidas humanas. 
Nessa altura os seus =homens que se afastem
- Vai retir-lo - respondeu Mel concisamente, e desligou.
imediatamente; veja se eles percebem isso. Quando eu der 
ordens, as
Tomlinson disse incredulamente: mquinas avanam 
=imediatamente.
- Voc vai despedaar o avio! E a si acontece-lhe o mesmo, 
=Patroni anuiu com ar csombrio. Mel notou que no obstante
aquela exploso de fria, a habitual confiana do chefe de 
=manuten- quando os proprietrios e os tipos dos seguros 
soubere =o em si prprio parecia abalada.
- No me espantava nada - respondeu Mel. - Mas se os
Regressando ao automvel, Mel chamou o chefe da torre. Quando 
=proprietrios e os homens dos seguros estivessem a bordo do 
apace- =respondeu, Mel pediu lho talvez aplaudissem a minha 
deciso! este uma =estimativa do tempo que poderia
esperar antes de dar ordem de avano aos limpa-neves e s
A mo de Tanya procurou e encontrou a sua mo. E ela disse-
Lhe =niveladoras. baixinho:
- Eu estou a aplaudir-te pelo que ests a fazer agora.
- O voo chega mais cedo do que pensvamos - respondeu o chefe 
da =torre. - O Centro de Chicago calcula poder passar-nos o 
controle dentro =de dezassete minutos. Ns vamos controlar o 
voo durante uns oito a =dez minutos antes da aterragem, que 
portanto se verificar o mais =tardar  uma e vinte e oito.
Mel consultou o relgio: passava um minuto da uma da madruga- 
da. =Restavam-lhe vinte e sete minutos. O chefe da toire 
continuou:
-  preciso escolher a pista pelo menos cinco minutos antes 
da =aterragem. Depois  irreversvel; no podemos =desvi-
los.
Consequentemente, Mel dispunha de dezassete minutos para 
tomar uma =deciso, menos tempo do que concedera a Joe 
Patroni. Comeava a =transpirar. Deveria infonnar Joe da 
reduo do tempo de que =disporia? Decidiu no o fazer. Joe 
estava a dirigir as =operaes o mais velozmente possvel.
- Controle de solo, mvel um - transmitiu. - Preciso de ser 
mantido =informado sobre a situao exacta da aproximao do 
voo. =Pode conservar esta frequncia livre?
- Afirmativo - respondeu o chefe da torre. - J passmos o 
=trfego regular para outra frequncia.
Ao lado de Mel, Tanya indagou:
- E agora?
- Agora esperamos.
Mel consultou de novo o relgio. Passou um minuto. Depois 
outro. Via =a figura atacracada de Joe evolucionar 
constantemente de um lado para o =outro, transmitindo 
instrues, animando os ho- mens. Via os =homens que cavavam 
freneticamente  frente e aos lados do avio, =enquanto os 
limpa-neves e as niveladoras espera- vam pacientemente, 
=quais abutres. Chegou outro cainio de faris faiscantes, do 
qual =saltaram mais homens, que se reuniram aos primeiros.
No nterior do automvel, Tomlinson quebrou o silncio:
- Quando eu era pequeno a maior pacte deste aerdromo eram 
campos, =com vacas e milho no Vero. Havia um pequeno campo 
de aviao =de relva. Ningum imaginava que se viria a 
transformar r? que = agora. E afinal, no foi assim h tanto 
tempo.
Tanya comentou:
- Algum me disse um dia que trabalhar na aviao faz a vida 
=parecer mais longa porque tudo muda rapidamente.
Tomlinson contestou:
- Mas nos aeroportos parece que as mudanas no so sufi- 
=cientemente rpidas, pois no, Mr. Bakersfeld?
Com esforo, Mel desviou o esprito do avio atolado e 
=respondeu:
- O progresso no ar tem andado sempre  frente do progresso 
em terra. =Todos os nossos primitivos aeroportos no passavam 
de imitaes =das estaes de caminho de ferro, e ainda no 
conseguimos =libertar-nos da mentalidade ??caminho de 
ferro?.. Por =isso  que temos tantos aeroportos construdos 
em extenso, =onde os passageiros so obrigados a andar 
quilmetros.
- E essa situao no est a mudar actualmente ? - 
pergun??ou Tomlinson.
- Est, mas muito devagar. Esto a construir-se em altura 
alguns =aeroportos circulares com parques de estacionamento 
inte- riores e =transportadores que funcionam na horizontal a 
alta veloci- dade. Los =Angeles props um ??mardromo.? de 
grandes =dimenses ao largo da costa; Chicago, uma ilha-
aeroporto artifcial =construda no lago Michigan. A American 
Airlines est a planear um =gigantesco elevador hidrulico 
para empilhar os avies uns sobre =os outros para carga e 
descarga. Mas estas alteraes no =so coordenadas.  como 
se os assinantes dos telefones concebessem =e fabricassem os 
seus prprios telefones e os ligassem depois  =rede mundial.
O rdio interrompeu-o.
- Mvel um e cidade vinte e cinco, controle de solo. O Centro 
de =Chicago estima passagem de controle do voo em questo ao 
controle de =aproximao do Lincoln para a uma e dezassete.
O relgio de Mel marcava uma e seis. O voo dois estava pois 
adiantado =um minuto em relao  ltima previso. Um minuto 
a menos =para Patroni e onze minutos para a deciso de Mel.
- Mvel um - continuou a voz -, h alguma alterao na 
=situao da pista trs zero?
- Negativo; nenhuma alterao.
Estaria a correr riscos excessivos?, perguntou Mel a si 
prprio. =Sentiu a tentao de mandar avanar imediatamente 
os =limpa-neves e niveladoras, mas refreou o impulso. Havia 
ainda a =hiptese de Joe conseguir. Da frente do 707, 
veculos holofotes e =outro equipamento estavam a afastar-se, 
mas os motores do avio ainda =no tinham sido ligados. 
Patroni estava a subir a escada de embarque. =J no cimo 
voltou-se e gesticulou. Depois abriu a porta da frente da 
=fuselagem e entrou. Seguiu-o outra figura mais delgada. A 
porta do =avio fechou-se com estrondo. C em baixo, alguns 
homens retiraram =a escada.
- Olhem - exclamou Tanya. - Os motores.
Atrs do motor n.o 3 do 707 apareceu uma baforada de fumo 
=acinzentada, que se intensificou e desapareceu quando o 
motor pegou. O =jacto que saa do escape do reactor impelia a 
neve violentamente para =trs. Uma segunda baforada de fumo 
apareceu atrs do motor n." =4.
- Mvel um, controle? de solo. - A voz do rdio foi to 
=inesperada que Mel sentiu o sobressalto de Tanya. - O Centro 
de Chicago =informa que o tempo previsto para a passagem do 
controle do avio em =questo  uma e dezasseis. Daqui a sete 
minutos.
Mais um minuto perdido.
No terreno mole do lado oposto da pista, Patroni j ligara os 
dois =motores. Em frente do avio atolado uma figura com 
lanternas de =sinalizao manuais avanou at onde pudesse 
ser vista do =cockpit. Segurou as lanternas acima da cabea, 
indicando: ?=.rea livre." Mel ouvia e sentia o pulsar dos 
motores a jacto. Mas =ainda no lhes haviam dado toda a 
potncia... Faltavam seis =minutos. Por que diabo no 
acelerava Patroni a fundo?
Tanya comentou, tensa:
- No sei se consigo aguentar a expectativa.
Patroni acelerava agora a fundo.
- Agora sim!
Mel ouvia, sentia o troar dos motores, que envolvia tudo e 
todos. Por =detrs do avio, enormes rabanadas de neve 
voavam, enlouque- cidas =atravs da escurido.
Mel consultou o relgio e calculou que Patroni dispunha de 
trs =minutos.
- O aparelho ainda est enterrado - disse Tanya, que obser- 
vava =atentamente a cena. - Eslo a usar os quatro motores, 
mas ele no =se mexe.
No obstante a potncia dos quatro motores, o avio, tal como 
=Tanya afirmara, no se movia. O grupo compacto dos limpa-
neves e =niveladoras aproximava-se mais, e os seus faris 
rotativos =lanavam clares sucessivos sobre a cena.
- Mvel um - perguntou atravs do rdio uma voz spera.- =H 
alguma aterao na situao da pista trs =zero?
- Aguente a ! - respondeu Mel. - Aguente ! No mande o voo 
dois =para a pista dois cinco. Vai haver alterao na 
situao da =trs zero a qualquer momento.
Sintonizou o rdio para a frequncia da Diviso de Neve 
pronto =a mandar avanar os limpa-neves.
GERALMENTE depois da meia-noite a presso no Centro de 
Controle de =Trfego Areo diminua ligeiramente. Tal no 
acontecia nessa =noite. Em virtude da tempestade, as 
companhias continuavam a despachar e =a receber voos com 
muitas horas de atraso. A maior parte dos componentes =do 
tumo de oito horas anterior terminara o servio  meia-noite 
e =sara exausta para casa, mas devido  falta de pessoal 
alguns =controladores tinham sido destacados para servio 
=extrordinrio at s duas da manh. Entre estes 
=encontravam-se o chefe da tone, Wayne Tevis, o supervisor de 
radar, e =Keith Bakersfeld.
Aps a conversa que tivera com o irmo, hora e meia antes, 
Keith =procurara alvio concentcando-se intensamente no cran 
de radar. =Continuou a orientar as chegadas de leste, com a 
ajuda de um assistente. =Wayne Tevis continuava a 
superintender, deslizando no seu banco de =rodzios pela sala 
de controle, impulsionado pelas suas botas =texanas, embora a 
sua energia decrescesse  medida que se aproximava =o termo 
do seu tumo.
Keith conseguira concentrar-se, mas o seu esprito 
encontrava-se =repartido em dois nveis. A um nvel dirigia o 
trfego sem =proble- mas; no outro o pensamento era puramente 
pessoal. Tudo parecia =agora claro e decidido. Quando 
acabasse o seu tumo, abandonaa aquele =lugar e em breve toda 
a angsti desapareceria. J no =pertncia  famlia. Agora 
pertncia aos mortos - aos =Redfems, vtimas do desastre do 
Beech Bonanza. Era exactamente isso! =A sua morte era a 
dvida que devia aos Redfems. Friamente, Keith =pergun- tou a 
si prprio se no teria enlouquecido; mas mesmo essa 
=resposta lhe era indiferente. A opo que se Lhe punha era 
entre o =tomzento e a paz; e antes que amanhecesse, viria a 
paz... Entretanto, no =outro nvel mental continuava a 
controlar as chegadas de leste.
S gradualmente Keith conscincializou que o voo dois estava 
em =perigo. H meia hora Wayne Tevis fora informado pelo 
chefe da torre =das condies em que se encontrava o voo 
dois, da sua =inteno de regressac e do problema da pista. 
Estabelecera-se =contacto, por meio de uma determinada 
frequncia, entre a torre de =controle e o cockpit do jacto 
atolado, de forma que, quando Joe =estivesse aos comandos, 
ambos pudessem de repente comunicar entre si, se =necessrio.
Ao ouvir as notcias do chefe da torre, Tevis lanou um olhar 
=rpido a ?eith. A no ser que trocasse de lugar com outro 
=controla- dor, competiria a Keith aceitar o controle do voo 
dois a =partir do Centro de Chicago e dirigi-lo na 
aproximao. Tevis =perguntou em voz baixa ao chefe da tone:
- Acha que devemos substituir Keith?
O chefe da torre, um homem mais velho, hesitou. Durante a 
emergncia =anterior com o KC-l35 da Fora Area forjara um 
pretexto para =retirar Keith do seu trabalho e mais tarde 
pusera em causa a sensatez =dessa sua atitude. Quando um 
homem vacila entre a segurana em si =mesmo e a perda dela  
fcil tomar a deciso errada. Alm =disso, o chefe da torre 
tinha a desagradvel sensao de se ter =intrometido numa 
conversa privada entre Mel e Keith quando os encontrara =no 
corredor.
E tambm ele estava cansado, o que o solidarizava com aqueles 
que, =tal como Keith, abatido, plido e tenso, eram 
incontestavel- mente =vtimas do sistema. Em voz baixa 
respondeu a Tevis:
- Deixe fcar Keith, mas mantenha-se perto dele.
Vendo as duas cabeas juntas, Keith suspeitou de alguma 
situa- =o grave. Os sinais de perigo iminente eram-lhe 
familiares e =no duvidava de que em breve seria retirado do 
servio ou =transferido para uma posio menos vital. 
Surpreendido, constatou =que Tevis, sem alterar as posies 
dos controladores, comeava =a avisar todos os postos de 
escuta da chegada esperada do voo dois da =Trans America, em 
perigo, e da sua prioridade sobre os restantes apare- =lhos. 
O controle de partida recebeu uma recomendao:
- Dirijam todas as partidas para longe da rota prevista de 
chegada do =voo dois.
Depois Tevis exps a Keith o problema com a pista.
- Faz o teu plano, menino - terminou no seu arrastado sotaque 
do Texas. =- E depois da passagem do controle, no o largues. 
Vamos aliviar-te =do resto.
Keith assentiu: Automaticamente, comeou a calcular o tipo de 
=aproximao que iria utilizar. Tais planos eram sempre 
elaborados =mentalmente, porque nunca havia tempo de os 
registar por escrito. =Alm disso, vulgarmente tomava-se 
necessrio improvisar =alteraes sobre a hora.
Apenas recebesse de Chicago o voo dois, Keith dirigi-lo-ia 
para a pista =trs zero, mas dando-lhe um rumo tal que o 
avio poderia derivar =para a esquerda sem voltas apertadas, 
caso fossem forados a usar a =pista dois cinco. O voo 
entraria no controle de aproximao dentro =de cerca de dez 
minutos. Provavelmente s nos ltimos cinco =minutos estaciam 
de posse da informao definitiva sobre a pista. =A situao 
era bastante amseada e os controladores que se =encontravam 
na sala de radar iriam passar momentos to tensos e 
=angustiantes como os pilotos do aparelho.
Mas era possvel levac a cabo a operao -  justa.
Pouco depois comearam a aparecer, vindos da torre e 
transmiti- dos =oficiosamente, relatrios mais precisos. Os 
eontroladores passa- vam =galavra entre si sempre que uma 
interrupo no trabalho o =permitia: a exploso no ar, 
estragos estruturais, sinistrados e =controle do avio 
danificado. Os pilotos precisavam da pista mais =longa, caso 
contrrio. o avio desfazer-se-ia e haveria mortes... =O 
prprio director encontrava-se l fora, na trs zero, 
=tentando desobstru-la.
A apreenso de Keith aumentava. Ele no queria ver-se envol- 
vido =nesta situao. No queria provar coisa alguma, no 
tinha =nada a recuperar, mesmo que controlasse a situaco eom 
xito. E se =cometesse algum erro, podia, mais uma vez, ser a 
causa da morte de todos =os passageiros de um avio.
Tevis atendeu uma chamada e depois impeliu a sua cadeira para 
junto de =Keith.
- O velhote acaba de ser informado de que dentro de trs 
minutos o =Centro de Chicago nos passa o Trans America dois.
Decorreram dois minutos. Ao lado de Keith, o assistente 
infor- mou =calmamente:
- Esto a aparecer no cran.
Nos limites do cran, Keith viu o duplo blip do cdigo de 
=emergncia no radar, o Trans America dois.
Keith desejou desesperadamente sair dali! No ia ser capaz! 
Algum =tinha de vir substitu-lo. Virou-se de repente, 
procurando Tevis com =o olhar. Mas o supervisor encontrava-se 
junto do controle de pattida, de =costas para ele.
Keith abriu a boca para chamar Tevis. Para seu horror no 
emitiu =qualquer som. Tentou de novo, e com o mesmo 
resultado. O pesadelo que o =perseguia tornara-se realidade: 
a voz no lhe saa, mas neste =momento no sonhava, a 
situao era real. O pnico =apossou-se dele.
Num painel sobre o cran faiscou uma luz branca, assinalando 
a =chamada do Centro de Chicago. O assistente agarrou num 
telefone directo =e atendeu.
- Transmita, Chicago.
Ligou um selector a fim de permitir a Keith ouvir a mensagem 
atravs =de um altifalante acima deles.
- Lincoln, o Trans America dois est a trinta milhas sudeste 
do =aeroporto, rumo dois quatro zero.
- Entendido, Chicago. J o temos no radar. Passe-o para a 
nossa =frequncia.
A frequncia de rdio das chegadas de leste deu sinal de 
vida, e =ouviu-se a voz spera de Demerest:
- Controle de aproximao do Lincoln, Trans America dois, 
mantendo =seis mil ps rumo dois quatro zero.
O assistente aguardava ansioso que Keith respondesse. Tevis 
continuava =de costas paca eles.
- Controle de aproximao do Lincoln. - A voz do Trans 
America =dois era desagradvel. - Onde diabo se meteram?
Keith sentiu-se possudo por uma raiva sbita. ??Raios 
=partam Tevis! Raios partam o controle de trfego areo! 
Raios =partam Mel mais a sua eficincia! Raios partam tudo!. 
. ? O =assistente fitava-o com curiosidade. Keith percebeu 
que no tinha =altemativa. Perguntando a si prprio se a voz 
lhe obedeceria, ligou o =mi- crofone.
- Trans America dois, controle de aproximao do Lincoln. 
Desculpe =a democa. Ainda temos esperana de poder usar a 
pista trs zero; =dentro de trs minutos sab-lo-emos.
- Entendido, Lincoln. Mantenham-nos informados - confir- 
maram numa voz =seca.
Keith estava agora concentrado, o segundo nvel do seu 
esprito =fechara-se, excluindo da sua mente qualquer outra 
preocupao que =no a do voo dois.
O controlador transmitiu, em voz clara e serena:
- Trans America dois. Esto agora a vinte e cinco milhas a 
leste da =baliza exterior. Iniciem a descida quando 
entenderem. Iniciem uma volta =pela direita rumo dois seis 
zero...
Ulvt piso acima de Keith, na cabina envidraada da torre, o 
=controlador de solo avisara Mel de que j se efectuara a 
passagem de =controle do Centro de Chicago. Mel respondeu:
- Os limpa-neves e as niveladoras j tm ordens para retirar 
da =pista o aparelho da Transcontinental. D instrues a 
Patroni =para desligar imediatamente os motores. Diga-lhe que 
saia dali e que, se =no puder, se agarre bem. - Numa outra 
frequncia, o chefe da =torre transmitia j as instrues a 
Joe Patroni. CAPTULO =XIV AN'rES mesmo de receber as ordens 
do chefe da torre, Joe Patroni =j sabia que o tempo se lhe 
esgotara. Deliberadamente, s no =ltimo momento ligara os 
motores do 707 da Intercontinental, a fim de =deixar avanar 
quanto possvel o trabalho de desobstruo. =Quando percebeu 
que no podia esperar mais, realizou uma =inspeco final.
E o que viu suscitou-lhe graves dvidas. O trem de aterragem 
no =estava ainda sufcientemente desenterrado da terra, lama 
e neve, e as =valas inclinadas que se estendiam a partir das 
rodas principais at =ao caminho de rolagem no estavam to 
largas nem to fundas =quanto ele desejara. Se pudesse dispor 
de mais quinze minutos... mas =no podia.
Subiu relutantemente a escada de embarque e gritou ao 
encarre- gado da =Intercontinental, Ingram:
- Afaste toda a gente. - Quando os vultos comearam a sair de 
sob o =avio, Patroni gritou de novo: -Preciso de algum no 
cockpit, mas =no quero aumentar o peso. Mande-me um tipo 
magro qualificado para =trabalhar no cockpit.
E entrou no avio. Pelas janelas do cockpit distinguia o 
carro de =aeroporto de Mel, de um amarelo-brilhante. A 
deciso de Mel de =remover o avio pela fora, se necessrio, 
abalara-o =profundamente. A ideia de reduzir um avio intacto 
a um monto de =ferro-velho era-lhe inaceitvel. A seus 
olhos, um avio =representava percia, tcnica, esforo rduo 
e por vezes =amor. Se pudesse, salvaria o avio.
Atrs dele, a porta da fuselagem abriu-se e tornou a fechar-
se. Um =jovem mecnico, baixo e esguio, avanou em direco 
ao =cockpit, onde Patroni j se encontrava, sentado no lugar 
da esquerda, =a apertar os cintos de segurana.
- Como te chamas, meu filho?
- Rolling, Mr. Patroni.
- Muito bem, Rolling - declarou Patroni. - Vamos pr isto a 
=andar.
Enquanto o mecnico se instalava no lugar da direita, Patroni 
olhou =para o exterior atravs da janela da esquerda. A 
escada de embarque =estava a ser retirada. O interfone soou:
- Quando quiser - informou Ingram.
- Ests preparado, filho? - perguntou Joe.
O mecnico acenou afumativamente.
- Arranque do trs ligado.
O mecnico accionou um comutador.
Patroni falou pelo interfone:
- Pressurize as tubagens.
O ar sob presso silvou ao sair do carro compressor que se 
encontrava =no solo. O chefe de manuteno actuou a manette 
de ignio. =Rolling, que verificava os instrumentos, 
informou:
- O n.o 3 pegou.
O rudo do motor transformou-se num troar contnuo. Numa 
=sucesso regular, os restantes motores foram ligados.
A voz de Ingram, abafada pelo vento e pelo silvo do jacto, 
soou pelo =interfone:
- Carro compressor retado.
- OK. - gritou Patroni. - Desligue o interfone e afaste-se 
tambm. - =E para ?Rolling: - Agarra-te bem, filho.
Depois moveu o charuto, aceso contra todas as regras, que 
ficou =petulantemente espetado num dos cantos da boca. A 
seguir, com os dedos =rechonchudos estendidos, empurrou para 
a frente as quatro manettes. A =meio da potncia, o rugido 
dos quatro motores aumentou.  frente =do aparelho via-se o 
homem com as lanternas d sinalizao =levantadas. Patroni 
teve um somso irnico:
- Se arrancarmos com velocidade, espero que aquele tipo saiba 
=correr!
O avio estava destravado, os flaps em baixo para aumentar a 
=sustentao. O mecnico mantinha o manche puxado para trs. 
=Patroni actuou o leme de direco alternadamente para i.lm 
lado e =para outro, esperando que essa manobra impelisse o 
avio para a =frente. Lanando um olhar rpido  esquerda, 
viu o automvel =de Mel na mesma posio. Sabia que lhe 
restavam apenas alguns =minutos, talvez menos de um minuto. A 
potncia excedia agora os =trs quartos. Normalmente nesta 
fase o avio rolaria j =velozmente pela pista. Como tal no 
acontecia, trepidava =violentamente: toda a sua rea superior 
era impelida para a frente, =enquanto as rodas de baixo 
resistiam, como se fossem ncoras; a sua =inclinao era tal 
que ameaava cair de nariz. O mecnico =lanou um olhar 
receos a Patroni, que resmungou:
- Se o raio do avio no sai agora, est tramado.
Obstinadamente, o aparelho permanecia preso. Na esperana de 
libertar =as rodas, Patroni diminuiu a potncia dos motores 
para logo a =aumentar. Mas as rodas continuavam a no ceder. 
O charuto apagara-se. =Joe atirou-o para o cho e procurou 
outro. O bolso estava vazio, =fumara o ltimo charuto. 
Vociferando uma praga, levou de novo a =mo direita s 
manettes. Impeliu-as ainda mais para a frente, =rosnando:
- Mexe-te, filho da me.
- Mr. Patroni! Olhe que ele no aguenta muito mais - avisou 
=Rolling.
Subitamente, atravs dos altifalantes do painel superior, 
soou a voz =do chefe da torre:
- Joe Patroni, a bordo do Intercontinental, controle de solo. 
Mensagem =de Mr. Bakersfeld. ??J no h tempo. Desligue 
todos os =motores. Repito, desligue todos os motores."
Lanando um olhar rpido para o exterior, Joe viu os limpa-
neves e =niveladoras a avanarem; mas sabia que s se 
aproximariam do =avio quando os motores estivessem 
desligados. Recordou o aviso de =Mel: ??Quando a torre nos 
disser que o tempo se escoou, =acabou-se e no h mais 
discusses.?, Pensou: ??=Mas quem  gue est a discutir?,? 
Atravs do rdio =ouviu-se de novo uma voz ansiosa:
- Joe Patroni, est a ouvir-me? Confirme recepo.
Rolling gritou:
- No est a ouvir? Temos que desligar.
- No oio nada, filho! Est muito barulho! - gritou 
=Patroni.
Como qualquer funcionrio experiente da manuteno, Joe sabia 
=que havia sempre mais um minuto para alm do tempo 
determinado por =aqueles tipos dos escritrios, sempre 
prontos a entrar em =pnico.
Precisava desesperadamente de um charuto. Lembrou-se de que, 
horas =antes, Mel apostara uma caixa de charutos em como ele 
no conseguiria =remover o avio nessa noite. Dirigiu-se a 
Rolling. . - Tenho um =interesse especial nisto. Vamos dar 
tudo por tudo!
Num nico e rpido movimento, empurrou as manettes at ao 
=fundo. O rudo estridente e a vibrao eram'insuportveis. 
=Patroni accionou de novo vrias vezes os pedais do leme. Por 
todo o =cockpit faiscavam luzes de aviso. Mais tarde, Rolling 
descreveria o =efeito como ??uma mquina de jogo de Las 
Vegas,?.
Alarmado, o mecnico gritou:
- Temperatura de gs de escape nos setecentos graus.
Os altifalantes ordenavam a Patroni e Rolling que sassem do 
=aparelho. Era o que teriam de fazer, decidiu Joe. Estendeu a 
mo =-para puxar as manettes para trs. E, de repente, o 
avio moveu-se =para a frente, primeiro lentamente e depois 
com uma assustadora =velocidade, precipitando-se para o 
caminho de rolagem. Rolling gritou um =aviso. Patroni puxou 
violentamente para trs as quatro manettes e =ordenou:
- Flaps para cima.
 sua frente, os dois homens viam vagamente vultos difusos 
que =corriam.
A cerca de quinze metros d caminho de rolagem, o avio 
rolava =ainda a uma velocidade elevada. 5e no voltassem 
rapidamente, o =aparelho atravessaria a superfcie dura e 
iria enfiar-se na neve =empilhada do lado oposto. Logo que 
sentiu que os pneus haviam atingido o =pavimento, Patroni 
aplicou a fundo os traves do lado esquerdo e =acelerou as 
duas manettes da direita. Tanto os traves como os =motores 
responderam, e o avio voltou bruscamente para a esquerda, 
=descrevendo um arco de noventa graus. A meio da volta, Joe 
reduziu as =duas manettes e aplicou os traves. O 707 
deslizou um pouco para a =frente, abrandou e por fim parou.
Patroni sorriu. O avio encontrava-se devidamente estacionado 
no =centro do caminho de rolagem e paralelo  pista trs 
zero, =sessenta metros de distncia, agora desobstruda.
ENQUANTo Tanya gritava: ?.Ele conseguiu ! Conseguiu ! ", Mel 
=transmitia j instrues, atravs do rdio,  =Diviso de 
Neve, para que mandassem retirar os limpa-neves e as 
=niveladoras. Sentia-se ainda dominado pela clera contra 
Patroni, a =quem podia causar srios embaraos por 
desobedincia a uma =ordem da direco d aeroporto num 
assunto de urgncia. Mas =Mel sabia que no actuaria. Patroni 
conseguira o objectivo que se =propusera. Naquela noite 
escrevera-se mais um captulo da lenda de =Patroni.
Os limpa-neves e as niveladoras afastavam-se j. Mel 
sintonizou o seu =rdio para a frequncia da torre.
- Controle de solo, mvel um. O avio que obstrua a pista 
=trs zero foi removido. Seguem veculos. Vou inspeccionar a 
pista, =para verificar se h detritos.
Com um holofote do automvel, Mel iluminou a superfcie da 
pista. =Por vezes as equipas de trabalho deixavam no local 
ferramen- tas e =outros objectos, que constituam um perigo 
para os avies que =aterravam ou descolavam. Mas  luz do 
holofote viu apenas a =superfcie irregular da neve.
O ltimo limpa-neves virava na interseco mais prxima. Mel 
=acelerou o automvel e seguiu-o; quando descreveram uma 
curva para a =esquerda, Mel informou pela rdio:
- Pista trs zero desimpedida e limpa.
O voo dois da Trans America, o Golden Argosy, encontrava-se a 
dez milhas =de distncia, entre nuvens, a mil e quinhentos 
ps. Aps outro =breve descanso, Hams retomara os comandos.
O controlador de aproximao do Lincoln - cuja voz parecia 
=vagamente familiar a Demerest - guiara-os ao longo de uma 
srie de =rumos com voltas suaves durante a descida. Os dois 
pilotos compreendiam =agora que tinham sido habilmente 
colocados de forma que aps a =deciso final pudessem entrar 
em qualquer das duas pistas sem =necessidade de manobras 
especiais. Mas a deciso tinha de ser tomada =a qualquer 
momento. A sua tenso aumentava.
Cy Jordan regressara ao cockpit a fim de calcular o peso na 
aterragem, =tendo em conta o combustvel remanescente. Agora 
dirigira-se de novo =para o seu posto de aterragem de 
emergncia, nos bancos de aterragem =junto  porta. Hams e 
Demerest realizaram os procedimentos de =emergncia para 
compensador fora de servio, como preparao =para uma 
aterragem com o estabilizador danificado.
Quando os terminaram, apareceu o Dr. Compagno.
- Pensei que gostariam de saber, Miss Meighen est a 
aguentar- -se. =Se for hospitalizada logo a seguir  
aterragem, recupera.
Demerest, a quem era difcil ocultar a emoo, no 
=respondeu. Foi Hams quem se voltou e respondeu:
- Obrigado, Sr. Doutor. Chegamos dentro de minutos!
Nas duas cabinas de passageiros tinham-se tomado todas as 
=precaues possveis.  excepo de Gwen, todos os =feridos 
estavam sentados, com os cintos de segurana apertados. Dois 
=mdicos haviam-se postado ao lado de Gwen para a segurarem 
durante a =aterragem. Fora demonstrado aos restantes 
passageiros como se segurarem =durante a aterragem 
excepcionalmente dura. Ada Quon- sett, agora um =pouco 
assustada, agarrava-se  mo do obosta.
Judy, que conservara o beb ao colo, entregou-o  me. O 
=beb - o passageiro menos preocupado - dormia.
No cockpit, Demerest, a partir da informao sobre o peso que 
Cy =Jordan lhe transmitira, calculou a velocidade de 
aproximao. =Anunciou:
- Velocidade de referncia, cento e cinquenta ns.
Era essa a velocidade a que deveriam transpor a cabeceira da 
pista, =tendo em considerao o peso e o estabilizador 
danificado. Com uma =expresso preocupada, Hams colocou o 
marcador no velocmetro. =Demerest imitou-o. Mesmo na pista 
mais longa, a velocidade - cerca de =duzentos e oitenta 
quilmetros por hora- era arnscadamente elevada =para uma 
aterragem. Significava que, aps a aterragem, teriam de 
=percorrer um trajecto excepcionalmente longo com uma 
desacelerao =lenta devido  inrcia. Mas fazer a 
aproximao a uma =velocidade inferior  calculada seria puro 
suic- dio - o avio =entraria em perda e precipitar-se-ia, 
descontrolado, em direco =ao solo.
Antes que pudesse transmitir, a voz de Keith Bakersfeld anun- 
ciou:
- Trans America dois, volte  direita, rumo dois oito cinco. 
A
pista trs zero est livre.
Demerest soltou uma praga.
- J no era sem tempo!
Confirmou a recepo da mensagem e conjuntamente com Ham$ 
=realizaram os procedimentos de aterragem.
Ouviu-se um estrondo no avio quando o trem de aterragem 
baixou.
- Estou a fazer uma aproximao baixa - disse Hams.- Vamos 
tocar =no incio da pista, porque precisamos dela toda.
Demerest rosnou uma anuncia. Perscrutava o exterior  sua 
frente, =tentando avistar as luzes do aeroprto... Ainda no 
conhe- ciam =exactamente a extenso dos estragos do avio, 
nem at que ponto =aquele voo difcil afectara o aparelho. 
Todo o conjunto da cauda =podia desabar... ??Se tal 
acontecer, a cento e cinquenta ns, =estamos fritos?,, pensou 
Demerest.
Hams, que efectuava a aproximao por instrumentos, aumentou 
a =velocidade de descida de setecents para oitocentos ps 
por =minuto. Demerest desejava desesperadamente estar ele 
prprio aos =comandos. Com qualquer outro piloto que no 
Hams, teria assumido o =comando. O pensamento levou-o  
cabina dos passageiros. ??=Gwen, estamos quase ! No morras 
! rr
A voz de Keith informou:
- Trans America dois, est no rumo, razo de descida OK. A 
pista =tem uma cobertura de neve de mdia a pouco espessa. 
Vento de =noreste, trinta ns. Est em nmero um para 
aterrar.
Segundos depois emergiram das nuvens e viram as luzes de 
=aproximao da pista exactamente  sua frente.
- Controle de aproximao do Lincoln - transmitiu Demerest. - 
=Temos a pista  vista.
- Entendido, voo dois. - A voz do controlador reflectia indu- 
=bitavelmente um profundo alvio. - A torre autoriza-o a 
aterrar; logo =que possvel passe  frequncia de torre. Boa 
sorte. =Terminado.
Demerest premiu duas vezes o boto do microfone, o sinal de 
??=obrigado?, dos aviadores.
Harris ordenou resolutamente:
- Luzes. Flaps cinquenta.
Demerest obedeceu; estavam a descer velozmente. Hams avisou-
o:
- Posso precisar de ajuda no leme.
- Est bem.
Demerest colocou os ps sobre os pedais do leme. Quando a 
=velocidad diminusse, o leme, devido  destruio do 
=mecanismo hidrulico, estaria rgido como o volante de um 
=automvel com a
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, , ,1 kr ' direco estragada - em grau muito maior. Aps a 
=aterragem, os pilotos poderiam ter de exercer conjuntamente 
toda a sua =fora para manter o controle da direco.
Sobrevoaram os limites da pista, vendo as suas luzes de 
aproxi- =mao a desenrolarem-se  sua frente como colares de 
prolas =conver- gentes. De ambos os lados da pista 
acumulavam-se montes de =neve; para l deles, a escurido. 
Hams realizara a =aproximao to baixo quanto ousara; a 
proximidade do solo =revelava a sua excepcional velocidade. A 
pista de trs quilmetros =que se estendia  sua frente nunca 
parecera to curta.
Hams arredondou, nivelou o avio e reduziu a potncia. O 
troar dos =jactos diminuiu e foi substitudo por um silvo 
penetrante. Quando =atravessaram a cabeceira da pista, 
Demerest vislumbrou o grupo cerrado =de veculos de 
emergncia, que os seguiriam.
Pensou: ?tTalvez venhamos a precisar deles. Gwen, =aguenta-
te.r? E ento o avio tocou no solo. Pesadamente. =A alta 
velocidade. Com um gesto rpido, Hams levantou os spoilers 
das =asas e actuou violentamente as manettes de inverso de 
potncia. =Com um rugido, os motores do jacto fizeram 
contravapor, passando a =actuar como traves. Tinham 
percorrido trs quartos da pista e a =velocidade diminua, 
mas no o suficiente.
O avio estava a desviar-se para a esquerda e Harris gritou:
- Leme direito.
Com um esforo combinado, os dois pilotos conseguiram manter 
a =direco. Mas o limite da pista, um monto de neve numa 
caverna =de escurido, avanava velozmente na sua direco.
Harris aplicava a fundo os traves. O metal rangia, a 
borracha =chiava. A escurido aproximava-se. E ento a 
velocidade =comeu a diminuir gradualmente... cada vez 
mais...
O voo dois deteve-se a menos de um metro do limite da pista.
PELo relgio da sala de radar, Keith Bakersfeld verificou que 
faltava =ainda meia hora para o termo do seu turno. Ignorando 
o facto, puxou a =cadeira para trs, afastando-se da consola 
de radar, desligou os =auscultadores e levantou-se. Olhou 
pela ltima vez a sala de =controle.
- Eh! - interpelou-o Wayne Tevis. - Que se passa?
- Venha c - disse-lhe Keith -, pegue nisto, que algum pode 
=precisar. - Atirou os auscultadores a Tevis e saiu.
Sabia que devia ter feito aquilo h anos. Ao percorrer o 
corredor, =perguntava a si prprio qual a razo do profundo 
alvio que =sentia.
No era por ter orientado o voo dois - qualquer outro dos 
=controladores o teria feito com igual sucesso. Nada do que 
fizera =durante essa noite apagara ou compensara o que lhe 
acontecera com o =desastre da famlia Redfern.
Mas talvez, pensou Keith, a sua raiva sbita minutos antes 
tivesse =sido uma catarse pela admisso -com quinze anos de 
atraso e nunca =antes enfrentada do seu dio presente e 
passado pela =aviao.
Entrou nos vestirios dos controladores, com os seus bancos 
de =madeira e um quadro cheio de mensagens. Abriu o seu 
cacifo, do qual =retirou a sua roupa. Havia alguns objectos 
pessoais nas pratelei- ras. =Apenas guardou a fotografia 
colorida de Natalie, que descolou =cuidadosamente da face 
interior da porta metlica... Natalie em =bikini, a rir; o 
rosto etreo, o cabelo a escorrer. Com vontade de =chorar, 
guardou a fotografia no bolso. De repente interrompeu-se. 
Ficou =imvel, constatando que, invo- luntariamente, chegara 
a uma nova =deciso. No sabia se poderia aguent-la, nem 
sequer como a =encararia no dia seguinte. Se no conseguisse 
suport-la, =porm, poderia sempre recorrer aos compri- midos 
que conservava no =bolso. Naquela noite, contudo, o mais
importante  que no ia para a Estalagem O'Hagan. Ia para 
=casa.
E agora tinha uma certeza: se houvesse futuro, fosse ele qual
fosse, seria bem longe da aviao. Como acontecera a outros 
que =,haviam abandonado a profisso de controlador, talvez 
essa =deciso
fosse o fardo mais duro de suportar. E era preciso encar-la 
de =frente
agora, disse Keith a si mesmo. Recordar-se-ia sempre do 
Lincoln
International e de Leesburg - e do que acontecera nesses 
lugares.
As recordaes no seriam uma forma de escape. A lembrana 
=da
famlia Redfern que morrera nunca o abandonaria.
No obstante, porm, a memria poderia adaptar-se - =poderia,
de facto? - ao tempo, s circunstncias e  realidade da 
vida. =A Bblia dizia: ??Deixem que os mortos enterrem os 
seus =mortos.,? O que acontecera, acontecera.
Keith perguntava a si prprio se alguma vez conseguiria, no 
=obstante recordar os Redferns com tristeza, centrar nos 
vivos - Na- =talie e os filhos - as suas principais 
preocupaes. No tinha =a certeza de possuir a necessria 
energia moral e fsica, mas =podia tentar.
Desceu pelo elevador da torre. No exterior, quando se dirigia 
para o =parque de estacionamento, deteve-se. Num impulso, 
retirou a caixa de =comprimidos do bolso e esvaziou-a sobre a 
neve.
Do seu automvel. estacionado no caminho de rolagem perto da 
pista =trs zero, Mel verificou que os pilotos do voo dois 
no perdiam =tempo e rolavam j para o terminal. As luzes do 
avio, naquele =momento a meio do campo, moviam-se 
rapidamente. Pelo rdio, =sintonizado para o controle de 
solo, Mel ouvia as instrues =transmi- tidas a outros voos 
que eram detidos nas interseces de =caminhos de rolagem e 
pistas, a fim de deixarem passar o avio =danificado.
O voo dois recebera instrues para se dirigir  porta 
quarenta =e sete, onde o esperavam ambulncias, mdicos e 
pessoal da compa- =nhia. As luzes do avio confundiam-se 
agora com a mirade das =luzes do terminal.
Os veculos de emergncia afastavam-se da rea da pista. 
Tanya =e Tomlinson regressavam ao terminaI com Joe Patroni, 
que entregara
o 707 a outro mecnico, que o conduziria ao hangar. Tanya 
seguia
em direco  porta quarenta e sete, onde provavelmente a 
=sua
presena seria necessria.
Antes de o deixar, perguntara calmamente a Mel:
- Sempre vens cear comigo?
- Se no for muito tarde para ti - respondeu Mel -, gostava
muito.
Olhou-a enquanto ela afastava do rosto uma madeixa ruiva. 
Tanya fitou-o =com os seus olhos lmpidos e directos e 
sorriu:
- No  tarde.
Tomlinson pretendia entrevistar a tripulao do Golden 
Argosy. =Decomdas algumas horas seriam todos heris. Mel 
calculava que a sua =dramtica histria eclipsaria as suas 
prprias =declaraes, consi- deravelmente menos excitantes, 
sobre as =necessidades do aeroporto. Embora talvez no 
totalmente, Tomlinson =era um reprter conscien- cioso, que 
talvez decidisse estabelecer uma =ligao entre o drama 
daquela noite e uma perspectiva sria e a =longo prazo dos 
problemas em causa.
Mel reparou que o 707 estava a ser conduzido pelo caminho de 
rolagm. =Parecia intacto, mas seria cuidadosamente 
inspeccionado antes de retomar =o voo interrompido para 
Acapulco. Seguiam-no os diversos veculos de =assistncia que 
haviam permanecido junto do aparelho durante a =operao de 
desobstruo da pista.
No havia agora qualquer razo que impedisse Mel de se ir 
embora. =Mas pela segunda vez naquela noite o director do 
aeroporto sentiu que a =solido do aerdromo e a proximidade 
com a parte fundamental da =aviao constituam um estmulo  
reflexo. Aqui =tivera o pressentimento da iminncia de um 
perigo. E de facto =verificara-se um desastre, embora por 
sorte todos,  excepo =de Guerrero, tivessem sobrevivido e 
os servios do aeroporto no =tivessem sido responsveis pelo 
acidente.
Mas o desastre pdia ter envolvido o aeroporto; e o prprio 
=aeroporto podia ter sido a causa de uma catstrofe total, 
devido  =deficincia que Mel previra e tentara em vo 
corrigir. Porque o =Lincoln era obsoleto, no obstante os 
vidros e os cromados reluzen- =tes; no obstante bater o 
recorde em volume de passageiros e no =obstante o seu ttulo 
pomposo:.?Encruzilhada do Mundo.,. Era =obsoleto porque o 
progresso da aviao ultrapassara as =previses. Uma vez mais 
os ??peritos" haviam errado, e os ???sonhadores" haviam 
acertado.
Por toda a nao, por todo o mundo, a situao repetia-se. 
=Falava-se muito acerca dos progressos da aviao, que 
proporciona- =riam os mais baixos custos de transporte de 
passageiros e mercado- rias =em toda a histria da 
humanidade; mas em terra pouco se fizera. Uma =voz isolada 
no conseguiria alterar todos os aspectos da =situao, mas 
cada voz que falasse com conhecimentos e =convico prestaria 
um contributo positivo. Mel tencionava =continuar a falar com 
a clareza e a temeridade dessa noite. Comearia =por convocar 
uma reunio de emergncia da administrao do =aeroporto, 
durante a qual insistiria de novo na aprovao imediata =da 
construo de uma nova pista paralela  pista trs =zero.
A experincia daquela noite viera reforar, com um peso 
=irrefut- vel, os seus argumentos. Desta vez no pediria, 
=exigiria. E faria o necessrio para conquistar a opinio 
=pblica - era o tipo de presso que os polticos 
=compreendiam.
Aps as pists, seguir-se-iam outros projectos, at agora 
=apenas ventilados: um terminal inteiramente novo e um 
complexo de =pistas; um fluxo em terra de pessoas e de fretes 
mais engenhoso? =campos de aviao satlites de menores 
dimenses para =aparelhos de descola- gem rpida e vertical, 
que em breve estariam em =uso. Uma vez que o Lincoln 
International existia na idade do jacto, =teria de acompanhar 
o ritmo do progresso. E o facto  que os =aeroportos no eram 
um
acessrio nem um luxo das cidades, pensou Mel. Quase todos 
eram
auto-suficientes, promoviam a riqueza e elevavam a taxa de 
emprego
das cidades que serviam.
Esta batalha pelo progresso terra-ar talvez o ajudasse a 
suportar os
seus problemas pessoais, mantendo-lhe o esprito ocupado. 
Este =pensamento f-lo lembrar-se de que teria de telefonar a 
Cindy a fim =de retirar de casa os seus pertences. Seria um 
processo penoso, e =esperava qe Roberta e Libby no o 
presnciassem. Pensou em =instalar-se num hotel at ter tempo 
para arranjar um apartamento. Mas =melhor do que nunca 
compreendia que a deciso que Cindy e ele haviam =tomado de 
se divorciarem era inevitvel. O adiamento desta deciso =no 
se teria revelado vantajoso nem para eles nem para as 
=crianas.
E Tanya? No chegara ainda a altura de uma ligao, mas Mel 
=nsiava pela eamaradagem, pelo calor e pela ternura que ela 
lhe =poderia dar. O futuro podia ainda reservar-lhes muito.
Mel ligou o automvel e dirigiu-se para o caminho de 
circulao =em direco ao terminal, tendo a pista trs zero 
 sua =direita. Outros avies, que chegavam num flxo 
regular, =comeavam a utiliz-la. Um Convair 880 da TWA 
passou por ele e =aterrou. Atrs, a pouco mais de quinhentos 
metros de distncia, =distinguiam-se as luzes de aterragem de 
outro avio que se =aproximava. Atrs deste surgia um 
terceiro avio.
Constatando que conseguia distinguir as luzes de um terceiro 
avio, =Mel percebeu que as nuvens haviam levantado. O vento 
cessara; a sul, o =cu revelava abertas lmpidas.
A tempestade afastava-se. ARTHUR HAlT.EY Tempos houve em que 
Arthur =Hailey constitua uma fonte de embarao para os 
filhos. Embora se =levan- tasse a umas respeitveis sete 
horas da manh, desse um =mergulho e fizesse um cross rpido 
antes do pequeno-almoo, =passava o resto do dia em casa, 
fechado num quarto no andar de cima. =Kporque  que ele no 
sai e trabalha como os outros pais?n, =perguntavam aos 
pequenos Haileys os colegas na escola. ?O que = que ele 
fa2?H Mas dizer que o pai era um escritor no =constitua 
resposta satisfatria - pois toda a gente sabe que =escrever 
no  propriamente um ?.trabalho?; =responder com ar 
distrado, como Jane Hailey nespondeu: KOra, fica =sentado l 
em cima a escrever dinheiroH - tinha sem dvida um =certo 
impacte, mas no deixava de emprestar ao pai um certo ar de 
=falsificador profissional.
Contudo, hoje em dia as crianas sentem-se felizes por terem 
um pai =escritor; e na verdade cada livro de Hailey , at 
certo ponto, =uma prodo familiar. Sheila, a sua atraente 
mulher, de origem =inglesa, est sempre pronta a deixar a sua 
casa, na Califrnia, =para realizar as pesquisas necessrias; 
Jane, que tem agora 14 anos, =limpa o p do escritrio do pai 
antes de ir para a escola; Steven, =de l2 anos, trabalha com 
a mquina de fotocpias; e em tomo da =mesa,  hora de 
jantar, toda a famlia discute o andamento do =livro em 
curso. Um livro obriga por vezes Acthur Hailey a percorrer 
meio =mundo. A l.a fase consiste na escolha do tema, que, em 
sua opinio, =deve centrar-se naquilo a que ele chama.?o aqui 
e o agora???, porque, segundo cr, vivemos a poca mais 
fascinante da =Histria. A 2.a fase  um programa de pesquisa 
.intensiva. Para =escrever AEROPORTO, Hailey visitou os 
Aeroportos Kenne- dy, de Nova =Iorque, O'Hare, em Chicago, 
Tampa, Los Angeles, o Centro de Controle de =Trfego Areo de 
Washington, alm de vrios aeroportos na =Europa e no Canad, 
viajando sempre de avio. .?Andar de =avio  ainda a forma 
mais segura de viajar., , afirma. ??=O que me apavora  
andar de txi. ??
Hailey est sempre pronto a ouvir histrias interessantes, e 
com a =sua personalidade cativante e amistosa ganha 
rapidamente a confiana =dos seus interlocutores. 
Gradualmente, enquanto observa as pessoas no =desempenho dos 
seus trabalhos, ouve pacientemente explicaes de =ordem 
tcnia, e o livro comea a ganhar forma no seu =esprito.
No obstante toda a ajuda que recebe da famlia, Arthur 
Hailey =sente que a vida de um esccitoc  uma vida solitria. 
Afinal  =ele, e s ele, que produz a mdia regular e 
constante de 600 =palavras por dia que fixou a si prprio; e 
 ele o maior =responsvel pela qualidade dos seus livros.
Arthur Hailey declara que, invariavelmente, a meio do livro 
que est =a escrevec se convence de que este vai ser um 
fracasso. Mas os seus =leitores sabem bem como esta convico 
 infundada.

fim do livro
